TRAÇOS HISTÓRICO DA NOSSA ADOÇÃO A DISTÂNCIA

 

Tudo começou com uma correspondência de Mario Palumbo enviada ao velho amigo Dom Rodolfo Ítalo Cherubini.

Este depois de testemunhar por trinta anos(1951-1981) o Reino de Cristo no Brasil como monge da Ordem Beneditina, foi chamado de volta à Itália! Na terra da Santa Cruz deixara, porém, o coração.  Sempre preocupado com os jovens brasileiros vítimas das drogas, jogou-se corpo e alma no projeto Adoção a Distância.  Falando constantemente da beleza desta terra e da bondade de seus moradores, conseguiu arrumar padrinhos italianos para virem em socorro das crianças brasileiras, para que pudessem evitar a única saída disponível: a rua como meio de sobrevivência. Palumbo, que já trabalhara com Dom Rodolfo, na Itália e no Brasil, pediu ao ex confrade, que estendesse o projeto também em Ribeirão Preto! Depois de alguma relutância, devido ao grande numero de pedidos, em 1996, tivemos os primeiros padrinhos no casal Melai  da província de Pisa. A alegria foi grande, mas como dar início ao trabalho?

O Pe. Gisberto Pugliesi que dedica sua vida aos mais necessitados, a ponto de renunciar ao âmbito cargo de Pároco da Catedral para dedica-se exclusivamente aos mais pobres. Trocou o vermelho dos tapetes do templo pelo vermelho da terra nua das favelas. E foi lá que o bom Padre recrutou os primeiros afiliados. Em sua andanças diurnas ouve lamentos vindo de um barraco, empurra a porta, a luz que penetra pela porta, mostra uma mulher vomitando sangue, acorre para socorrer, pede auxílio dos vizinhos, mas a mulher tem um só grande desejo: “Padre, sempre quis o batismo, nunca pôde fazer o curso e não tenho dinheiro”. O Padre manda buscar água na biquinha e derrama a água proferindo a formula sacramental: “ Eu te batizo...” Um velha brasília chega empurrada e parte com a mulher para o hospital e dai para o cemitério. Seis crianças ficam sem  mãe, sem nenhum parente. Dna. Cida os acolhe no seu barraco. São os primeiros afiliados!

O Gisberto e o Mario visitam o barraco, levam cesta básica e roupas. Dona Cida deve trabalhar dobrado para dar comida à seus filhos e aos hospedes, por isso sai de manhã cedo e volta só ao anoitecer! As crianças ficam na favela sozinhas!

É urgente colocar estas crianças na escola! Os menores de idade precisam de creche, mas como, se para elas nunca tem vagas?  Para os de idade escolar teoricamente há vagas nas escolas públicas, pois a Constituição garante ensino fundamental grátis a todas as crianças! Na prática a realidade é outra! Quase nenhum diretor de escola quer favelado e multiplica os obstáculos, as crianças também acostumadas a viver sem muitas regras, descalças e ao ar livre, também não morrem de vontade de ir à escola!

O Pe. Gisberto insiste, fala com os diretores de escolas, a resposta é que as vagas estão todas preenchidas. Inconfidente e com a paciência de bom mineiro, vá ao Promotor da infância e juventude. Se faz anunciar, diz que não tem pressa e consegue esperar três horas, mas não sai da sala sem a ordem do Promotor para que o Diretor da escola abra vagas para as crianças, pena mandato de prisão. Agora as crianças estão matriculadas. È preciso acompanhá-las. O Padre faz visita constantes toda semana com mantimentos e conselhos.

Isso não é suficiente. O Manoel vá com más companhias abandona a escola. Acaba na Febem. O Pe. Gisberto e o Mário vão visitá-lo. Ele mostra os trabalhos de pintura que realiza. Uns deles fica pendurado na sala do diretor. Mostra boa vontade e fica contente e envia cartas para os padrinhos da Itália.

Nas férias de verão o Mário viaja para Itália com Dom Rodolfo visita a família Melai.

Lá são bem acolhidos uma menina de quatro anos oferece uma bandeja cheia de moedinhas, fruto da economia dela e das irmãs para irmãozinho do Brasil.

A nonna chama as visitas perto do oratório familiar, cheios de santos e fotos da família. No meio a foto de Manoel!

A nona conta que todas as noites a família ajoelhada na frente do oratório rezam para todos e especialmente para o irmãozinho brasileiro. O pedido da família é que o menino pudesse mudar-se para casa deles na Itália. Estes sem saber da internação na Febem mostram preocupação com o afilhado enviam cartas apelando para que o afilhado fosse colocado em uma instituição onde pudesse ter uma educação adequada.

As cartas continuam chegando da Itália com apelos para a internação. Eles não conhecem nossa realidade brasileira.

Em visita a Febem o pedido foi de um chinelo. Após uma semana levamos o chinelo mas o Manoel já não se encontrava mais lá. Havia fugido! Foi encontrado morto no canavial. Fomos ao enterro. Um bando de meninos de boné e mascando chicletes passam, olham indiferentes e se evadem. Dona Cida e outras faveladas ficam velando. Passa Joaquim juntamente com uma turminha de crianças. Palumbo pega no braço dele. Pergunta como vai e o que está fazendo. A resposta foi: “Graças a Deus não estou mais fumando baseados, vendo drogas”!... Que saída tem o nosso Joaquim? 

O Projeto de Adoção à Distância decide que as crianças sejam acompanhadas.

O Pe. Gisberto continua ajudando aquela família. A nossa primeira experiência foi frustrante? A família   dos padrinhos não entenderam nossas dificuldades e se desligaram do projeto. Com certeza o Manoel teve um conforto: saber que alguém do além Oceano pensasse nele! Mas assim não podia continuar, foi quando conversamos com as irmãs Franciscanas da Penitência. Elas tem uma longa experiência de trabalho com crianças carentes.

Assim o projeto cresceu. As nossas crianças ficam um período na escola pública e outro período na Associação das Irmãs onde recebem alimento, cuidados higiênicos, reforço escolar, cursos de línguas, de informática, de artes, pintura, balet, capoeira, marcenaria e outras, conforme as aptidões e vocação de cada qual. Após cerca de dez anos de trabalho com padrinhos italianos com certeza temos alguns frutos palpáveis. Agora é a vez do Brasil pensar mais nas suas crianças! Por isso estamos iniciando um trabalho de marketing para divulgar o Projeto em Ribeirão Preto.

Ana, que é especialista no assunto, se ofereceu para o trabalho e se sente  totalmente feliz e realizada!

Maiores Informações:

Sociedade Cultural Amigos da Itália - (16) 610-4146

Irmãs Franciscanas - Rua Cônego Fernandes Pinheiro, 486 - CEP- 14130-260 - (16) 621-1617