Para quem não leu o livro " Caminho de Liberdade e solidão" vale a pena conhecer mais esta faceta do
Luís Guerreiro, dinâmico lutador de muitas batalhas!
Caminhos de Liberdade e solidão

Caro Luís, acabo de ler seu livro (em epígrafe). É a biografia e romance de todos nós, padres casados. Espelhei-me nele. Vivi o celibato integralmente, entusiástica e desesperadamente, na gangorra da profunda tristeza e no céu da mística exaltação.
Fui monge, agora sou monge casado. Dicotomia?

Muitos devem viver neste martírio (merìtório?). A maior parte, parece, não tem nossa coragem e continuam burocratas do templo, preferindo-o à vida. Talvez você pudesse escrever mais do seu romance com Deus, valorizando a entrega total que fez maravilhas "rnagnália" com você. Que riqueza seria incitar os jovens a dar cinco ou dez anos de trabalho e entrega total e exclusiva a Deus. Com seu livro você ficou meu íntimo.
A igreja do Vaticano perdeu um bispo, a igreja da história ganhou um "vir unius mulieris"
homem de uma só mulher capaz, conforme a orientação do Apóstolo, de reger a Igreja de Jesus Cristo. (É evidente que o Guerreiro tem muitas outra qualidades!)
Mesmo casados, creio que o nosso romance continua no flutuar da tragédia existencial, onde se alternam momentos de fruição mística intensa e a mais profunda solidão e abandono. É o mistério de Cristo que no fulgor da união à vontade do Pai, experimentava o total abandono e o máximo da felicidade. E a tragédia divina e humana!

Continue escrevendo seu e nosso romance. É importante para o Reino sem fronteiras, é importante para a igreja romana que também pertence ao Mestre, e para tanta gente estupenda, embora amarrada a preconceitos. Quem está livre? Creio que frisando um pouco mais o valor do celibato, mesmo temporário, ou enaltecendo algumas figuras que existem, seu livro fugiria mais facilmente ao rótulo de "piarum auricularum offensiculum,"
(= ofensivo à ouvidos piedosos) quem sabe com sabor de heresia, e aí teria mais penetração até nos noviciados de freiras. Pena que a instituição eclesiástica esteja muito mais interessada a esconder hipocrisias do que mostrar a verdade.
Seu livro é como a Bíblia, conta uma história. Cristianismo é isso. Parabéns.
Continue escrevendo seu romance histórico, mesmo com as maravilhosas Reingard, Rosária, ou qualquer que seja o nome da rosa.

Do livro " Caminhos para o Caminho" do Mario Palumbo-Edições Cefil-Londrina

:: Voltar ::