Formatura Turma de Letras "Centro Unoversitário Moura Lacerda"
Agradeço sobremaneira pelo convite que muito me envaidece e também me deixa com uma responsabilidade imensa, pois se trata-se da formatura em letras e mais ainda, dos que comigo compartilharam de processo que nos levou para este dia tão especial e único.
Trata-se da formatura da Sabrina, do Wellington, da Janaina...
A responsabilidade torna-se maior frente à seleta presença dos mestres doutores e, sem medo de exagerar, infinita, pois vocês me incumbiram de ir com vocês até o Criador do Universo, Aquele que preparou para nós este dia!
Vocês agora, caros colegas, são oficialmente constituídos mestres e transmissores da palavra.
Mas o que é a palavra? Qual o seu valor? De onde vem a palavra?
No mundo em que vivemos a palavra está totalmente desacralizada, desvalorizada, banalizada. No Brasil, muitas vezes, as palavras são apelidadas de: blá, blá, blá.
Na Itália uma musica canta: parole, parole, parole...
Palavra é veiculo da comunicação humana: o que nós somos transmitimos, entramos em comunhão=comum união, nossa vida.
Através da palavra nosso ser penetra no ser de outra pessoa.
O hálito, o vento, o suspiro, o espírito, o ruá em hebraico, emana do nosso soma corpo, da nossa alma, do nosso eu, atinge o tu, o transforma em outra criatura e os dois crescem, se identificam. Podem ficar um: vivem ou definham e morrem juntos, por causa da palavra.
A palavra é espada de dois gumes: ela cria vida, ou fere até a morte.
A palavra, para os gregos é o logos, o por quê, o sentido.
Até poucos anos atrás dar a palavra era o mesmo que dar o próprio ser!
Os gregos receberam da cultura judaica a visão semítica da palavra, não podendo atingir, porém toda a plenitude hebraica. Etimologicamente dabar (palavra) é a essência, o âmago das coisas, o que se encontra nela escondido. Exprime o que está nas coisas.
Torna visível e atuante o que está no interior: a sua realidade dinâmica, a sua vocação. Ela é sempre eficaz. É poderosa.
Não se opõe à ação, pelo contrario, nela se inclui como elemento essencial, substancial.
A palavra é divina ela está com Deus deste do começo.
É a própria sabedoria. "Ab inicio et antes saeculos creata sum, et usque ad futurum saeculum não desinam...".
A sabedoria, a palavra, identifica-se, com o próprio Deus.
Com
a palavra cria céu e terra e todas as estrelas
In principio, creavit Deus coelum et terram, Terra autem erat inanis et vácua
dixitque Deus Fiat lux et lux facta est et Spiritus Dei ferebatur super água.
Et Dixit Deus Fiat...
Deus diz e tudo acontece!
Existiria um segredo nesta sarça ardente, que arde eternamente, explodindo em vida sem consumir-se?
O próprio Deus, na sua luz inacessível, nos vislumbra uma centelha de entendimento e na sua luz vemos a luz!
O Principio, inteligência infinita, gera o Dabar, o Logos, o Verbo, a Palavra no seu seio. Ruá, o Espírito, o feminino em Deus, o Amor, une em beijo eterno o Princípio e a Palavra, o Pai e o Filho e gera vida em sua beleza: (nomes formandos).
In Principio erat Verbum, et Verbum erat apud Deum! Em ARKÉ em o LOGOS, kai o LOGOS pros tom TEOM.
No princípio era o Verbo e o Verbo era Deus.
Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito!
E o Verbo se fez Carne e habitou entre nós, e vimos a sua gloria e a sua alegria é ficar com os filhos dos homens!
Tudo é realizado, surge do Verbo, da Palavra: esta solenidade, vocês, seus pais, os namorados, os professores, você Ana Claudia....
Não como vários graunzinhos de areia perdidos no fundo do oceano, nem como mito da Vênus, surgindo de concha marinha, mas como realidade única, nascidos do coração de Deus que é Dabar, Logos, Verbo, Palavra.
Se agora os nossos corações batem com mais força e uma aura de beleza se expande neste auditório, não é por efeito de cosméticos, mas é autor do Cosmo que pronuncia a Palavra, emite seu RUÁ-Espírito-de Amor vital.
O Espírito divino paira, sobre nós. Inunda com seu sorriso criador este auditório e muda a face da terra árida e vazia e a reveste de flores e de vida, que são vocês...
Cheio de entusiasmo se encanta e vê, que tudo é muito bonito!
Frente a tanto encantamento amoroso o desejo seria perenizar estes momentos sublimes e pedir com Pedro:
Senhor é bom ficarmos aqui... Mas a investidura que estamos para receber nos chama à missão: centenas de jovens nos esperam ansiosos.
As escolas tornaram-se distribuidoras de refeições. Pior ainda, aumenta o numero de jovens que não conhecem a figura paterna e até materna ou pela falta física ou porquê os pais não acham tempo para os filhos.
Muito além da palavra informativa saindo do cérebro esperam sentir o pulsar do nosso coração.
Não somos apenas distribuidores de informações. Aliás, a informação não chegará se não for enfronhada por uma boa dose de afetividade e firmeza. A tarefa é difícil! Exige-se um milagre.
O amor o fará. Com cinco pães é impossível saciar cinco mil pessoas, mas o Senhor nos diz dai-lo vocês de comer. O importante é iniciar a distribuição!
Aquele que com uma só palavra poderia transformar o mundo em Paraíso, nos da o privilégio de nós mesmos nos transformar em palavra viva e oferecer nossas forças, nossa alma, nosso corpo para servir de alimento para a transformação deste nosso País: este é o meu corpo, tomai e comei.
Meditação
Agora, cada um de nós, no silêncio do seu coração chame o seu Deus , que é o
nosso Deus: O deus da Assíria, e do Egito, da Grécia e de Roma, da Palestina e
de Jerusalém, do Iraque e de New York: da África, Austrália e Oceania, do Tigre
e do Eufrate, do Nilo, do Jordão e Gange. O deus de Buda, de Ramesses, de
Moisés, de Jesus Cristo, de Maomé, de Alan Kardek, de Gandi,dos índios, de
Martim Luter King, do Chico Xavier, da madre Teresa e da irmã Dulce.
Cada um de nós chame o seu Deus o Deus de seus pais e avôs, com os nomes que mais lhes é familiar: Senhor, Adonai, Alá, Shivá , Achê, Pai, Amor...
Céu e Terra, nenhuma galáxia, nome ou templo o circunscreve, Deus, Ele habita uma luz inacessível.
A
luz da vela representa, neste momento, a presença divina que nos habita, ilumina
e acalenta com seu amor.
Vamos, agora, estender, as mãos em direção à luz a chama da vela.
(Todas as luzes são apagadas e um fundo musical acompanha o silêncio e as poucas palavras de Mario Palumbo para ajudar a oração de cada qual).
Ao voltar ao normal batem -se palmas ao Deus que nos ama.