14 de Setembro de 2002
Palavra de Mario Palumbo em ocasião da colação de Grau da 45ª Turma de Letras do Centro Universitário Moura Lacerda

Em arké, em o logos kai o logos em pros ton Teon Kai Teos em o logos.

In Principio erat Verbum et Verbum erat apud Deus et Deus erat Verbum...

Não se assustem com o latinorum. Foi convidado para realizar uma oração ecumênica e enxertar alguma frase latina. Como recusar isso aos queridos novos colegas? Coloquei também grego para maior aproximação à època dos dinossauros. É interessante que enquanto tudo convida a dar espaço aos mais jovens, os colegas que se formam me dão o prazer e a honra de participar da cerimônia que coroa a luta pela láurea universitária.

Queridos amigos e colegas, algo de transcendental aconteceu entre nós!

Vocês me convidaram, com a incumbência de uma reflexão e oração ecumênica, ou seja, algo que transcenda os limites das religiões.

Em outras palavras, vocês querem vislumbrar o vulto de Deus, em tudo que vivenciamos e vivemos!

Haec dies quam fecit Dominus: exultemos et laetemur in ea!

Sim, o Senhor fez este dia! Alegremo-nos e exultemos!

Nenhum fotógrafo poderá documentar toda a exultança, a alegria, o fulgor do sol, o brilho das estrelas que cintila nos vossos olhos, pois é o sorriso, o sussurro de Deus, que se irradia em vocês!

É o fiat criador: Fiat lux et lux facta est. Seja feita a luz!

Aqui, agora, Deus cria e sorri com admiração, com complacência e vê que tudo é bom! Et vidit quod esset boum!

Que este sussurro divino que paira sobre esta assembléia, seja a estrela a nortear cada momento da nossa vida!

Que a explosão da felicidade de Deus inebrie os dias da nossa vida!

Oxalá, soubesse medir toda a profundidade do vosso desejo em querer transformar, em cantos e danças de exultanças, a celebração da formatura e perpetua-la ad aeternum!

A formatura, a láurea, que sacramenta a vida de vocês é das letras: isso me entusiasma cada vez mais.

As letras formam a palavra. Verbo é a palavra por excelência, pois ela É e Faz. Sintaticamente o verbo é luz da oração, o logos, o porque, a finalidade, a comunicação, o diálogo, a plenitude, a unidade na pluralidade.

O papel dos humanos é criar, construir, aceitar, transmitir a palavra.

A formatura dá a vocês a investidura de profissionais da palavra!

Vocês, agora, serão declarados professores, especialistas da palavra, do diálogo divino entre os humanos e por conseqüência e com Deus!

Do logos, do verbo, surge a fé inconsciente das coisas e a fé consciente dos homens.

Todas as manhãs o sol oferece um fulgurante espetáculo, sempre renovado.

Nas trevas da noite, o pássaro pressente, a chegada da luz e com seu canto, convida a aurora a descortinar seu deslumbrante cenário.

O canto inconsciente das aves é a musica da Palavra. É Deus que paira sobre as trevas, e a tudo da individualidade e vida.

Na natureza o logos, a palavra, tudo cria e organiza sem que os seres tenham consciência, automaticamente.
Aos humanos delega o magnífico poder criativo.

Agora, vocês, especialistas das letras, assumem o papel de construtores conscientes da palavra: cada grãonzinho de areia, cada gota de água, a imensidão das galáxias e o peixinho que habita as profundezas marinas, são letrinhas a espera que os mestres do logos, vocês, gerem a Palavra que brote em mais vida, canto de exultança e de louvor nas mentes e mais ainda, nos corações dos futuros discípulos.

O pássaro não sabe que cantando está chamando a aurora!

O pássaro canta inconscientemente o amanhecer.

Nos conscientemente construindo a palavra do diálogo, do amor no coração das pessoas, ignoramos que estamos realizando algo infinitamente maior daquilo do qual temos consciência. O que é isso?

No início desta breve fala disse que algo de transcendental aconteceu entre nos que extrapola, e muito, a desinência do genitivo plural das rosarum e do latinorun . O tempo inexoravelmente apaga tudo: o latinorum, e também nossas imagens.

O diálogo que a Palavra gerou e gera no silêncio de Deus e da nossa meditação, criou algo de imperecível entre nos!

Nós nos pertencemos. Vocês, agora, são eu e eu sou vocês! Tudo que aconteceu entre nos vai continuar nos nossos filhos netos e descendentes!

Mas, como o pássaro, nas trevas da noite, sem saber, canta o amanhecer e descortina a aurora, nos também, na cultura da violência e da morte, estamos construindo a cultura da paz e da vida. Recebendo e transmitindo o logos, o Verbum da palavra do amor e perdão, sem poder imaginar todo seu alcance, estamos transformando a sociedade em comunidade. Não é algo de abstrato ou utópico. Nossa palavra quando é verdadeira é convite ao ágape, banquete do amor. Ela realiza a promessa do Verbo: aonde dois ou três tiverem reunidos no Amor, EU estarei no meio deles.

Parafraseando Santo Agostinho diria:

Quando, recebemos, e transmitimos a palavra do sonho, do amor estamos recebendo e construindo o Corpo de Deus, que somos nos!

Nesta hora realizamos o sonho de Deus em nos: Et Verbum Caro factum est et habitavit in nobis.

 

 

 

M E D I T A Ç Ã O

De pé recebamos a luz da vela, símbolo da luz divina.
A palavra da verdade e do amor é a luz do mundo.
Estender as mãos em direção da vela.
Sentamos com a coluna ereta.
Estendamos a mão direita em direção à vela.
Trazer a mão direta sobre o peito
Colocar a mão esquerda sobre a direita
Sei que não é fácil agora,mas procuremos
Em profundo silêncio interior e exterior,
Fechar os olhos
Respirar lenta e profundamente.
Inspirando encher os pulmões, coração e todo nosso ser de sentimentos de gratidão, amor, paz, plenitude,felicidade...
Expirando lentamente queremos espalhar para o mundo afora:
paz, amor, felicidade.
Agora, como criança no colo materno de Deus, simplesmente, saboreamos a maravilha de estar com o Amor! Aquele que é mais intimo a nos que nós a nos mesmos, Aquele que primeiro nos amou!
De pé, de mãos dadas, para testemunhar que só podemos amar a Deus na medida que nos amamos, audemos dicere:
Pater noster qui es in caelis, santificetur nomem tuum.
Advniat regnum tuum.
Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.
Panem nostrum quotidianum da nobis hodie.
Et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris.
Et ne nos inducas in tentationem: sed libera nos a malo. Amen.
 

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