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O GALO, A BELA E O QUINTAL
Já conheço esta história de outros e melhores carnavais. Mas esta é verdadeira! A Margarida sempre desejou o despertar ao canto do galo, como no tempo da infância. Será pra não deixar a criança morrer dentro dela? Outro dia trouxe em casa um belo galo preto, crista bem acesa! O dia inteiro ficou parado, sem sair do lugar. O galo foi salvo de um cativeiro de 30 x 40cm. O coitado que recebeu o apelido de Cativo, ficou parado também todo o segundo dia, apesar de ter na sua frente um espaço enorme para ciscar, andar. Nada remove o nosso Cativo. Excogitou-se um estratagema: colocou-se milho e água um pouco distante dele: não funcionou! Acostumado, desde a adolescência a ficar parado naqueles poucos centímetros, vê a água, o milho, não se mexe nem um milímetro. Afinal, condicionado pelo criador a receber a alimentação balanceada entre vitaminas e proteínas, gloria do senhor, não teria que fazer esforço nenhum. Ser a alegria das franguinhas, nem pensar: o dono procura os frangotes das chocadeiras, tudo fica mais barato e eficiente... Por isso o Cativo, mesmo fora da gaiola, ainda espera o senhor a trazer comida e bebida na frente do bico: só pode ser ração balanceada e cientificamente e "escolasticamente", preparada por quem tem o monopólio do saber. Sem querer interveio a Bela, com um choque de excomunhão. Não interessa como foi a saída do cativeiro, mesmo se sem querer. Saiu da gaiola! A Bela é um filhote de mini poodle de 15 cm. Com a vivacidade toda dela, evadiu-se da repartição e correu em direção do Cativo. Este levou um susto mortal que o arremessou direto na piscina. Boiando feito um ganso, só com o pescoço fora da água e cacarejando, sem se mexer, deu o que fazer para tirá-lo da água!
A inércia virou sua segunda natureza. Você pode ir perto dele pegá-lo, mudar de lugar, ele é dócil, não reage, você o coloca em outro lugar, lá ele fica, sem ação...Só sabe obedecer, obedecer, obedecer. Não há duvida que mais dias, menos dias o Cativo avançará nos espaços amplos do seu quintal para a conquista do reinado pelo qual foi criado!
Qualquer semelhança com a inércia clerical, do MPC dos leigos ou de grande maioria de empregados ou funcionários públicos, sujeitos que não sabem ou não querem abrir-se para o mundo da vida e da liberdade, é pura coincidência; A semelhança do bispo que comina excomunhão não poderia cair na categoria do sacrilégio? Cruz! credo! Ave maria! E o MPC espera o que? Imergido como está até o pescoço no seu saudosismo não enxerga o espaçoso e belo quintal do Reino?
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