Inferno dantesco  e Sexta-feira Santa

 

Antonio Palocci diz sofrer o inferno dantesco. O que tem reconhecimento internacional e é chamado pelos mais ferrenhos adversários como o melhor ministro da economia que o Brasil já teve, agora está sendo jogado, na execração da turba, em uma verdadeira sexta-feira santa. Os principais assessores e antigos amigos e “admiradores oportunistas” agora escondem-se nas trevas do mais covarde silêncio. Quem, por motivos de política partidária, é obrigado a vir a público, aprova a demissão e o julgamento rigoroso da lei! Lei esta pisoteada, ou endeusada conforme a conveniência.   Os maiores algozes e “juizes”, ironicamente, são exatamente aqueles que se safam da lei, quando os próprios interesses pessoais os impelem a modificar o placar eletrônico da casa da lei. Ora a lei! Era por isso que o profeta Isaias chamava a lei humana de pano da mestruada? É indiscutível, não podemos aceitar os erros, aliás, magnanimamente reconhecidos. Cometeram-se erros primários e  até falcatruas graves que as velhas raposas da política não teriam cometidas ou teriam, com certeza, transformadas em façanhas em prol do povo!

Foi violado o direito da privacidade do cidadão, mas surgir pai biológico ocasional, pode? Não sou a favor deste ou daquele partidos ou pessoas. Sou a favor do ideal do desenvolvimento do Brasil, da lei e do bom senso.

A justiça humana é necessária e quando não impulsionada pela febre partidária, pela ganância do poder, ela é indispensável, mesmo que, das vezes, caolha. Não sou a favor do fim justificando os meios. Nem a favor da mentira ou de esconder os fatos. Todo mundo sabia? Pode até ser!

Quantos políticos, mandatários do momento, na Casa da lei são “inocentes”  tiraram o pão dos famintos e direcionaram nas próprias fazendas a água destinada ao sertão da seca?

Se fosse examinada a vida de cada político, poucos ficariam sem culpa, deveríamos cassá-los a todos. Então não haveria comando algum no País, visto que voltar à ditadura só pode piorar tudo.

Há momentos na história dos países onde urge a necessidade de agir e as leis e a ganância das pessoas obrigam a determinas condutas.

A Itália do pós-guerra,passou por momentos dramáticos. O partido comunista largamente subvencionado pela URSS tinha oito milhões de votantes. Era o maior partido comunista em um país democrático. Mais um pouco pegaria o poder e, com certeza a Itália, seria mais um país satélite da

URSS, ou seja, poderia passar pelas amarguras das ditaduras soviéticas como a Albânia... O Vaticano entrou no caso com a excomunhão contra quem votasse no partido comunista.  Os políticos da democracia cristã, nas eleições usaram dinheiro e meios ilegais vindo de fora para evitar a vitória comunista. Verdadeiras ilegalidades. Tomando os fatos fora da conjuntura histórica, o Vaticano seria antiético... os políticos corruptos. Nesta conjuntura que fazer? Mudar a Constituição? Seria válido e haveria tempo para isso?

Na luta política posterior no anseio de chegar ao poder chegam os arautos da lei e jogam na lama e no ostracismo verdadeiros patriota como o ancião Giulio Andreotti que passa anos pelo inferno dantesco e sexta da paixão pela perseguição da lei! Não deve ter acontecido algo de semelhante com Juscelino Kubitschek? Que se indaguem os fatos, mas que se vejam, também à luz do idealismo, dos serviços prestados à Nação e não somente  a possíveis  arranjos, muitas vezes necessários  para compor apoios sem os quais não seria possível governar. Precisaria que, neste momento, a compaixão, fosse ao menos igual à raiva. Toda esta sede de “justiça” não quer acobertar uma verdadeira conspiração daqueles que nunca se conformaram que um simples operário, considerado analfabeta, pudesse ter tanto sucesso e até liderança internacional? Pensaram que, em pouco tempo, a “incapacidade” dele o fariam cair no desprezo total do povo. Mas qual a desilusão, apesar de todos os escândalos os índices da aprovação popular sempre se mantiveram altos e próximos às eleições, precisa chegar ao Lula! O Brasil está passando por um período difícil, mas muito promissor, pois o que de arrogância acontecia à luz do sol e era aceita como normal, agora é rejeitada hipocritamente pelos mesmos que até ontem assim agiam, em plena impunidade e anuência da sociedade. Com a crise as instituições são fortalecidas, a prática coronelista vai desaparecer paulatinamente. A arrogância está principalmente na estrutura e praxe da velha oligarquia que a sociedade sempre  aceitou e que continua. Mudar, governar, navegar neste mar de lama sem concessões é possível? A turba que se omite agora, ou que grita crucifica-o e talvez,  todos nós, sejamos os mais culpados por eleger gananciosos que só pensam nos próprios interesses, crucificando inteligências superiores e gente que trouxe reais benefícios ao País, com verdadeiro amor à Pátria! Infelizmente é uma verdade: amiúde, não sabemos perdoar a quem nos faz o bem! Por isso crucifica-o! Futuramente, porém, a história sepultará o nome dos que nada fazem e erguerá altares aos patriotas!

                                                         Mario Palumbo

                                                   (não é petista nem amigo do Palocci)