De uma carta de Thomas Merton*
“Você me pergunta sobre minha maneira de meditar. Não costumo escrever sobre isto, então peço-lhe manter a discrição. Em testemunho de apreço e amizade digo-lhe o seguinte: falando rigorosamente, tenho um modo muito simples de orar. Está inteiramente centrado na fé pela qual, unicamente, podemos ter a experiência da presença de Deus. Poder-se-ia dizer que este fato dá à minha meditação o caráter descrito pelo Profeta: estar diante de Deus como se o víssemos. No entanto, não significa imaginar isto ou aquilo, nem tampouco conhecer uma imagem precisa de Deus; a meu ver isso seria uma espécie de idolatria. Trata-se, ao contrário, de adora-lO como ser invisível, que está infinitamente para além da nossa imaginação, da nossa compreensão e da possibilidade de percebe-lO como o TUDO. Minha oração tem uma característica principal muito forte chamada FANA (aniquilação em árabe ). Existe no meu coração esta grande sede de perceber abrangentemente o NADA de tudo que não é Deus. Minha oração é, portanto, uma espécie de louvor que surge e se eleva do centro do NADA e do SILÊNCIO. Se ainda estou presente como eu, considero este fato como algo que se situa fora do meu controle – e somente Ele pode removê-lo. Se é da Sua vontade pode, então, Ele, transformar o NADA em claridade total. Se Ele não o quer, o NADA se manifesta (seems itself to be).
Aí está o meu caminho habitual de oração, onde Meditação não é pensar sobre isso ou aquilo, mas uma busca direta da Face do Invisível que não pode ser encontrada se não nos perdemos n’ Ele, o Invisível... Vamos, portanto, adorar, louvar Deus e orar pelo mundo tão conturbado e confuso”.
*Carta a Dr. Prof. CH. Abul Azir da Universidade de Karachi – Paquistão, publicada em The Hidden Ground of Love, New York, 1985.
Extraído do Boletim MEDITAÇÃO CRISTÃ Nª 35