FAMÍLIA AGOSTINIANA

UM ENCONTRO DIFERENTE

 

Especial para ORA ET LABORA.                Escreve Vitório Henrique Cestaro,                          www.oraetlabora.com.br                                                      Padre Casado e Advogado.

 

Os egressos da Ordem Agostiniana Recoleta – padres e seminaristas maiores, a cada dois anos, celebram um ENCONTRO, com esposas e filhos, sem a solenidade e a programação de outros do gênero, ou seja, um evento simples, descontraído, porém, carregado de pesadas emoções, cujos pálpitos nenhum dos presentes resiste no ímpeto com que se extravasam, logo, nos primeiros abraços da chegada; outros, os mais ausentes, se deixam trair pelas lágrimas da saudade, incontidas nos eflúvios sentimentais que afloram nos cumprimentos iniciais, reconhecendo o colega, alguns, depois de tantos anos de separação.  

 

Tal ENCONTRO dá-se a cada dois anos, em lugares diferentes, sempre em casas ou colégios da Ordem, com a participação furtiva de um ou outro religioso.  Neste ano, foi o NONO, de 23 a 25 de julho, em Ribeirão Preto, nas dependências sociais da Igreja São José, ladeada, à direta, pelo Convento – Casa Provincial dos Agostinianos Recoletos; e, à esquerda, pelo prédio que é, hoje, um próprio escolar, de propriedade de seus Diretores, desconhecidos deste escriba.  Nesse prédio, antes de ser vendido, durante décadas, funcionou a Escola Apostólica São José, em que todos os egressos conviveram os anos de seminário menor, e, no qual, também, muitos seminaristas maiores, oriundos da Espanha, concluíram sua carreira. 

 

Compareceram ao ENCONTRO quase 150 egressos, com esposas, trazendo tantas lembranças e de matizes diferentes, o que fez o evento assaz animado e participativo, aliás, contando com a particularidade alvissareira, que não se deu em outros, que foi a participação de todos os Padres do local e de outros lugares, inclusive do Superior Provincial, Frei Antônio (Toninho) Junqueira, em todos os atos, inclusive, nos convescotes das noites regadas a cerveja e animadas de muita música ao vivo, nas vozes dos próprios encontristas.

 

É de se ressaltar, pois, a descontração e o vigor sentimental presentes nesse ENCONTRO, como ocorre em todos, cuja finalidade outra não é senão recordar os anos convividos, então, na clausura dos seminários, num regime de privações materiais, mas de muitas gratificações, representadas no ordenamento moral e espiritual da vida de cada um e no afinco dos estudos com a conquista do saber, cujo acervo lhes propiciou tantas facilidades na vida civil e nos empregos por que optaram, colocando-se bem no estado social em que vivem com seus familiares.

 

Quanto ao autor desta nota, só participou de dois dos ENCONTROS havidos, razão por que sente-se o mais ausente da FAMÍLIA AGOSTINIANA, pesando nessa condição a sua vida retirada nestas distâncias amazônicas e a solidão em que vive, órfão dos sentimentos que tanto emulam o convívio, fraterno e amigo, de que se vê privado na diáspora de sua vida, já decorridos quarenta e cinco anos, sendo dessa proporção geográfica o tamanho da saudade e das lágrimas incontidas com que se apresentou nos ENCONTROS de São Paulo, em 1992, de Franca, e, 2003, e, agora, de Ribeirão Preto.

 

Destarte, tanto o autor, como todos os Egressos,  vivem  uma  densa carga de reminiscências, que lhe são indeléveis, derivadas de um acervo inesgotável de feitos que marcaram os longos anos convividos, no Seminário Menor, em Ribeirão Preto, e, sobretudo, no Seminário Maior, na Capelinha de Franca, até se separarem, cada um para o destino que lhe foi confiado, ainda em vida religiosa; ou, depois, na vida civil, no campo profissional por que optaram.  Nesse sentido, todos os Egressos são altamente beneficiados com o cabedal de cultura que aquilataram, o que para muitos, senão para todos, constitui o  único bem ou o bem maior de toda a sua riqueza.

 

É no enlevo desses sentimentos e sob o condão de tantas lembranças que os Egressos da FAMÍLIA AGOSTINIANA acorrem para celebrar, a cada biênio, o ENCONTRO, com, apenas, a primeira manhã de reunião programada, com a conferência e debate de um tema atual adredemente preparada por um dos participantes, sendo o tempo restante opcional para visitas aos pontos turísticos ou comerciais do lugar ou de bate-papo entre os encontristas, que aproveitam para colocarem em dia suas vidas, cruzando opiniões de interesses pessoais e emulando-se nos exemplos de cada um. 

 

SARAUS NOTURNOS - As noites, que varam as madrugadas, são transformadas em sarau lítero-musical, em que, espalhados em grupos ou em pessoa, os participantes cantam e decantam suas emoções, interpretando os mais belos cantos, clássicos e religiosos; declamam, em verso ou em prosa, peças de riquíssimo valor literário ou improvisam, eloquentemente os sentimentos que lhes vão no fundo d’alma.

 

É belo e comovedor, então, assistir os Egressos, quase todos, com não menos de cinqüenta anos, alguns, já setentões, soltando a voz, ainda volumosa, uns ao estilo de barítonos, outros de tenores dramáticos, outros com inflamada oratória,  relembrando os tempos de seminaristas maiores, como faziam na Capelinha de Franca, nas noites festivas promovidas em datas memoráveis do calendário interno, da Igreja ou da Ordem.  Então, sim, eram promovidos solenes saraus, com prévia organização, pela Academia de Ciências e Letras “Fr. Santa Rita Durão”,  agremiação interna, cuja Diretoria era responsável por aquelas celebrações.  No brasão da Academia, fulgurava o lema “SCIENTIA ET CHARITAS”, própria da Ordem, fundada pelo Sábio e Santo Bispo de Hipona, identificando os ideais acadêmicos na sublimação do mesmo espírito agostiniano.

 

O autor teve a honra de ser presidente desse benemérito silogeu, eleito por três vezes e distinguido com o título de Presidente Honorário Perpétuo, cuja comenda enriquece o seu escrínio de “HONRA AO MÉRITO” e é um dos apanágios de sua vida.  Como presidente, elevou a instituição da condição de simples grêmio literário para a categoria de Academia, como se intitula, com estatuto próprio e personalidade jurídica. 

 

Quanto ao sarau do ENCONTRO, na verdade, foi gratificante e salutar reviver as gratas lembranças dos tempos de seminário, com os cantos, discursos e poesias, com o mesmo brilhantismo daquelas jornadas acadêmicas de valor cultural requintado, imprimindo ao evento um toque comovedor de saudade, envolvendo a todos os presentes nas recordações e nos sentimentos fraternos, que constituem o elo místico com que se identificam durante toda a vida. 

 

FINAL DO ENCONTRO - Esse é o molde e o afã com que se realiza o ENCONTRO bienal da Família Agostiniana, como descrito, diferente de todos no gênero, com o afluxo de um grande número de seus egressos.  O evento termina no terceiro dia, um domingo, com a celebração da Santa Missa, com a presença normal dos fiéis, cujo sermão fica por conta de um dos participantes  Falou o egresso, Paulo Roberto Gatto, que, entre o significado histórico do evento e as lembranças revividas, recordou, com oportuna propriedade, o convívio social que a Família Agostiniana daquela Igreja São José sempre manteve com o vizinho e colaborador, íntimo daquela comunidade e dos seminaristas, Sr. Ângelo Sarti, já falecido, e até hoje mantido com a Família, cujas Filhas, já idosas, permanecem fiéis ao estilo de vida do Genitor, sobretudo, sendo o esteio do coro que se ouve naquele templo religioso.

 

O orador não deixou de relevar o espírito religioso e o cabedal de cultura com

que, hoje, os egressos se firmam vitoriosos na vivência do seu estado civil, sem perderem o espírito agostiniano, abeberado na formação moral e espiritual recebida, uns naquele seminário Menor, outros, depois, na Capelinha de Franca, porém, agora revigorado no ENCONTRO findo, mesmo à distância do convívio comunitário, honrados e emulados nos sentimentos filiais de amor e eternamente gratos à Ordem Agostiniana Recoleta.

MÁRIO PALUMBO - UM CONVIDADO ESPECIAL.  Foi convidado especial para o ENCONTRO o ex-Monge Benedito e Padre casado, MÁRIO PALUMBO, amigo de toda a Família Agostiniana, que participou do evento.  Na primeira noite, falou do site ORAETLABORA que mantém para uso e consumo de todos os egressos de Ordens Religiosas e de interesse de todo e qualquer movimento de egressos e/ou padres casados.  Também, falou do modelo de meditação cristã, promovido no mundo inteiro por Dom Laurence Freemam, e que realiza, todos os sábados, na Casa de Meditação “DISCIPLINA PACIS”, que mantém na Av. Costabile Romano, 1744, a partir das 17:00 h.  (A propósito, o autor informa que, no dia 24 de julho, compareceu com um número considerável de convidados, sendo que o ato foi inovado com uma piedosa concelebração da Eucaristia, no rito das primícias apostólicas [1ª Cor. 11,23-29], com a presença de um Padre celibatário, de três Padres Casados e de um Diácono, numa cerimônia comovedora, no final aplaudida por todos, que, desde então, vem se repetindo, semanalmente.  O autor só tem a lamentar não poder fazer-se presente, costumeiramente. Obrigado, Mário Palumbo, pela sua presença no ENCONTRO, por seu trabalho, dedicado e operoso, pela nossa causa, e pelos seus exemplos de vida !!!).

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