LUIZ JOÃO BARAÚNA (FREI GUILHERME BARAÚNA, da ordem dos franciscanos)

- Nasceu na cidade de Nova Trento, Santa Catarina, em 6 de janeiro de 1929.

- Seus pais: Diamantino Baraúna e Ana Voltoloni Baraúna

- Entrou no Seminário Menor de Nova Palma com 11 anos de idade

- Completou a graduação em Filosofia em Curitiba, em 1951.

- Foi ordenado sacerdote em 30 de junho de 1955.

- Doutor em Teologia pelo Pontifício Ateneu Antonianum, em Roma, em 1959, com tese sobre A natureza da co-redenção de Maria na Teologia moderna.

- Foi professor de Teologia em Petrópolis, Redator da Revista Sponsa Christi da editora Vozes, Pesquisador na Pontifícia Academia Mariana Internacional, de 1961 a 1965

- No CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO SEGUNDO foi assessor do episcopado brasileiro (CNBB) e Perito oficial do Concílio no seu III e IV período.

- Após o Concílio,optou pelo sacramento do matrimônio. Trabalhou em várias empresas, como tradutor, gerente de desenvolvimento e gerente de recursos humanos. Foi pesquisador convidado da PUC de São Paulo.

- Sobre sua atuação no Concílio, deixou o seguinte depoimento:

“Desde setembro de 1961, vivi em Roma, trabalhando na Pontifícia Academia Mariana. Mas eu estava lá em janeiro de 1959, concluindo o doutorado, quando fomos todos surpreendidos pelo anúncio de João XXIII, convocando o Concílio. Acompanhei o desenvolvimento do Concílio até sua conclusão em dezembro de 1965.

Com o início do Concílio em 11 de outubro de 1962, os bispos brasileiros começaram a se reunir na Domus Mariae, onde eu residia. Entre eles despontava o secretário geral da CNBB, Dom Helder Câmara. O assessor teológico Frei Boaventura Kloppenburg, me chamou a participar das reuniões diárias da Congregação Geral do Concílio.

Sem deixar de participar das congregações gerais diárias, passei a preocupar-me com o pós-concílio. Á medida que avançavam as discussões conciliares, pareceu-me indispensável preparar a Igreja do Brasil para a recepção da Constituição sobre a Liturgia, fornecendo subsídios para a implementação da Reforma Litúrgica, aprovada em dezembro de 1963. Trabalhei durante dez meses para recrutar e coordenar uma equipe de 22 especialistas (dez brasileiros e doze estrangeiros) e editar, pela Vozes, já em 1964, a obra A Sagrada Liturgia renovada pelo Concílio, que foi seguida de edições em italiano, espanhol e inglês, pois os bispos desses países julgaram-na muito útil.

Fui nomeado perito do Concílio em 1964, pelo Papa Paulo VI, por indicação dos bispos brasileiros. Mas ainda em dezembro de 1963 comecei a trabalhar num projeto de alcance bem maior, desta vez em torno da Constituição sobre a Igreja, cujas discussões avançavam lentamente. Nesse projeto participaram 59 colaboradores de 13 países diferentes, inclusive os melhores teólogos que estavam cuidando da redação da Lumen Gentium, como Congar, De Lybac, Rahner, Ratzinger, Dániélu, Cheny, Skilebex e outros. Em dezembro de  1965 o livro A Igreja do Vaticano II foi publicado simultaneamente no Brasil, pela Vozes, e na Itália, pela Editora Vallecchi. Depois houve edições em francês, alemão, inglês, espanhol e holandês. Após o fim do Concílio, fui recebido com um grupo de colaboradores em audiência pelo Papa Paulo VI, que agradeceu e elogiou o livro, notando, também a necessidade de cuidar de interpretar bem os documentos do concílio. Onze dias depois recebí uma carta do Secretário de Estado do Vaticano, pedindo que numa próxima edição fossem modificados dois artigos, o de Joseph Ratzinger e o de Charles Meller.

De julho de 1965 até julho de 1966 trabalhei no projeto de organização de uma equipe de especialistas para elaborar o comentário da constituição Gaudium et Spes. Foram 25 autores de onze países diferentes, resultando na obra A Igreja no mundo de hoje. Dessa vez, a primeira edição foi a italiana, depois a francesa, a alemã e só depois a brasileira, lançada em 1967.

 - Frei Boaventura Kloppenburg, hoje bispo, escreveu em 1967 o seguinte: Este é o terceiro documento conciliar para o qual nosso confrade Frei Guilherme Baraúna nos preparou todos os elementos necessários e úteis a fim de podermos ler, estudar, compreender, viver e fazer viver os principais ensinamentos do supremo Magistério Eclesiástico hoje. São documentos que hão de fecundar nossa mentalidade, informar nossa espiritualidade, reger nosso comportamento e orientar nossa ação pastoral. No Concílio, houve um novo Pentecostes que nos deu 16 documentos. Para 3 deles já temos subsídios, no Brasil, graças á iniciativa e ao trabalho de Frei Guilherme. Não tenho dúvidas em afirmar que o recente Sínodo dos Bispos (do mundo todo) pensou nos 3 volumes coordenados por Frei Guilherme quando disse: - Muitos teólogos incansável e proficuamente trabalharam para que a obra encetada pelo Concílio desse os seus frutos. Todos os padres do Sínodo concordam em amplamente recomendar esse trabalho.