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Campanha da fraternidade 2008 : "Escolha,
pois a vida" (Dt 30,19)
Prezados Irmãos e Irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese
de Umuarama:
A Igreja do Brasil celebra pela 45ª vez a Campanha da Fraternidade (CF),
cujo tema é: "Fraternidade e defesa da vida", e o lema: "Escolhe, pois a
vida" (Dt 30,19). Como nos anos passados, a CF acontece no tempo da
Quaresma, momento forte de conversão da Igreja em preparação à Páscoa do
Senhor Jesus. Deste modo, a CF quer ser um estímulo de mudança profunda de
vida para todos nós, no sentido de buscarmos uma fidelidade ainda maior ao
Deus criador e doador da vida. De fato, eis a mensagem central da Páscoa:
o Ressuscitado venceu a morte e tornou-se o "Autor da vida" (At 3,15) nos
cristãos e nas cristãs que nele acreditam e querem pautar suas vidas por
esta certeza de fé.
O lema bíblico da CF deste ano fundamenta-se em Dt 30,15-20. Num momento
decisivo de sua caminhada pelo deserto, antes da entrada na Terra
Prometida, Moisés reúne o seu povo e o provoca para renovar, de forma
solene e definitiva, a Aliança com o Deus libertador. Era preciso
"escolher entre os caminhos que conduzem à vida e à felicidade, ou os
caminhos que conduzem à morte e à desgraça" (cf. Dt 30,15). Ao povo cabia
a escolha decisiva entre "a vida e a morte, entre a bênção ou a maldição"
(cf. Dt 30,19) e era disto que dependia o seu futuro.
Creio que hoje também a realidade atual nos desafia e nos provoca a
tomarmos uma decisão: a favor da vida ou a favor da morte! Há caminhos de
morte que levam a destruir os bens que recebemos de Deus. Constata-se que
existe entre nós uma verdadeira "cultura de morte", uma cultura sem Deus e
sem seus mandamentos. A experiência comprova que nem sempre a vida humana
é considerada um valor absoluto; nem sempre a vida de cada pessoa humana é
promovida e defendida, desde o nascimento até à morte. Como alertava
Moisés ao povo contra a tentação do coração ser "seduzido a adorar e
servir a outros deuses" (cf. Dt 30,17), hoje a vida humana é escravizada e
oprimida pelos ídolos do poder, da riqueza e do prazer imediato e
passageiro. Tudo isto causa a injustiça social que gera a ignorância, a
fome, a violência, a criminalidade, o sofrimento, o descaso pela saúde, o
aborto, a destruição do meio ambiente... Todos hão de concordar: deste
modo, "nós não podemos prolongar nossos dias sobre a terra" (cf. Dt 30,18)
e o futuro da humanidade ficará seriamente comprometido.
Há, porém, outros caminhos de vida verdadeira e plena para todos, de vida
digna e realmente feliz para cada ser humano. Voltando uma vez mais ao
discurso de Moisés, ele assim o conclui: "Escolham a vida... amem e
obedeçam ao seu Deus... porque Ele é a sua vida e o prolongamento de seus
dias... e desse modo vocês poderão habitar sobre a terra" que Deus lhes
preparou (cf. Dt 30, 19b-30).
O próprio texto-base da CF/2008, na terceira parte do "Agir em
defesa da vida", apresenta algumas experiências muito
interessantes e importantes para que sejam realizadas e atualizadas de
acordo com cada contexto local. Eis algumas dessas sugestões:
(1)
Diante da exigência da caridade cristã, é preciso assumir uma postura de
acolhida e de discernimento diante das ameaças à vida;
(2)
Desenvolver a espiritualidade da vida;
(3)
Defender a vida a partir de uma educação afetivo-sexual integral;
(4)
Priorizar o valor da família, pois é nela que o ser humano aprende a ser
"verdadeiramente humano";
(5)
Incentivar a reflexão sobre a defesa da vida nos ambientes universitários,
científicos e técnicos;
(6)
Assegurar que os meios de comunicação social estejam a serviço da vida
plena e integral;
(7)
Acolher a gestante em dificuldade e seu filho;
(8)
Apoiar os menores em situação de risco;
(9)
Apoiar as pastorais que trabalham na defesa da vida;
(10)
Assegurar que as políticas públicas e a participação política defendam a
vida em todas as suas manifestações;
(11)
Promover a paz como fonte da vida e da justiça para todos.
Oxalá
possam surgir, à luz dessas sugestões, novas e eficazes experiências em
nossos grupos de reflexão, em nossas CEBs e paróquias.
Eis, então, irmãos e irmãs, o forte apelo da CF/2008: "Escolhamos, pois, a
vida" (cf. Dt. 30,19). Unamos nossos esforços para tomarmos atitudes
firmes e eficazes que demonstrem a conversão pessoal e causem uma
verdadeira transformação da sociedade que seja realmente fraterna,
solidária e justa para todos. Acreditemos plenamente que a promoção e a
defesa da vida só poderão ser feitas a partir dos critérios vividos por
Jesus de Nazaré e atualizados por sua Igreja.
A todos abençôo em nome de Deus, criador e doador da vida!
Dom Vicente Costa, Bispo Diocesano de Umuarama |