From: Prof. José Vicente
To: Mario Palumbo

 Dom Flávio Cappio é aliado da velha oligarquia bahiana que quer a permanência da miséria - diz Etevaldo Dias



Bispo teme o fim da pobreza no semi-árido

O bispo d.Luiz Flávio Cappio, de Barra, na Bahia, se comporta como alguém que acha o fim da pobreza é uma ameaça a sua igreja. Ele faz greve de fome em uma região onde pessoas passam fome a vida inteira. O bispo está em declarada greve de fome há 20 dias contra as obras que levarão uma parcela das águas do rio São Francisco para o semi-árido.

Não há nada que a obra possa fazer que piore a duríssima vida da gente do semi-árido. Nada mesmo. Esta é uma região de altos índices de desemprego, agricultura de subsistência e grande exportadora de mão de obra jovem para as periferias das metrópoles.

Não li até agora nenhum argumento razoável do bispo que justifique sua disposição de morrer fome contra as obras.

O bispo diz que o governo não abriu diálogo sobre o projeto. Mente feio. O diálogo existe há mais de 25 anos. Esta não é uma obra que foi inventada pelo governo do presidente Lula. O governo de FHC tentou, mas não conseguiu implementá-la .

Está sendo planejada há décadas. Todos os procedimentos de meio ambiente, sociais e de diálogo com a sociedade foram realizados à exaustão.

Foram realizadas audiências públicas em todos os estados e principais cidades da região desde o governo Fernando Henrique. Em 1998, se não me engano, o governo da Bahia, na época contrário a obra, conseguiu na Justiça que se suspendessem as audiências públicas. Isto mesmo, suspendeu não as obras mas o debate sobre as obras.

O bispo alinha-se com velha oligarquia baiana que sempre foi contra a obra temendo que o desenvolvimento do semi-árido desviasse investimentos da Bahia para outros estados nordestinos.

Transposição das águas do rio são Francisco é uma denominação infeliz porque parece que o risco será transposto ou desviado de rumo. Não é isto. O rio continuará o mesmo. Não vai ficar menor ou mais raso.
Uma pequena parcela das águas, 3%, da gigantesca represa de Sobradinho, descerá pela calha do rio São Francisco até a cidade de Floresta de onde será levada por rede de canais para o semi-árido, para abastecer reservatórios e açudes..

O que não falta no semi-árido são açudes.

Talvez seja a região com mais açudes no mundo.

Construir açudes era a felicidade de políticos e empreiteiras. Nunca resolveram o problema das secas. Obviamente, barragens construídas em rios que secam também secam.

Os canais do são Francisco servirão para garantir abastecimento perene a esta rede de açudes. Isto é, em tempos de estiagem as águas do São Francisco vão compensar e regularizar a rede de açudes do semi-árido.

O semi-árido tem extensas manchas de terras férteis, sol o ano todo e, por ser seca, com baixo risco de pragas agrícolas. É ideal para produção de frutas. Sua localização exigirá poucos investimentos para estabelecer corredores de exportação.

Basta chegar à água que junto virá o desenvolvimento. E parece que o fim da miséria assusta o bispo.