Bispo teme o
fim da pobreza
no semi-árido
O bispo d.Luiz
Flávio Cappio,
de Barra, na
Bahia, se
comporta como
alguém que acha
o fim da pobreza
é uma ameaça a
sua igreja. Ele
faz greve de
fome em uma
região onde
pessoas passam
fome a vida
inteira. O bispo
está em
declarada greve
de fome há 20
dias contra as
obras que
levarão uma
parcela das
águas do rio São
Francisco para o
semi-árido.
Não há nada que
a obra possa
fazer que piore
a duríssima vida
da gente do
semi-árido. Nada
mesmo. Esta é
uma região de
altos índices de
desemprego,
agricultura de
subsistência e
grande
exportadora de
mão de obra
jovem para as
periferias das
metrópoles.
Não li até agora
nenhum argumento
razoável do
bispo que
justifique sua
disposição de
morrer fome
contra as obras.
O bispo diz que
o governo não
abriu diálogo
sobre o projeto.
Mente feio. O
diálogo existe
há mais de 25
anos. Esta não é
uma obra que foi
inventada pelo
governo do
presidente Lula.
O governo de FHC
tentou, mas não
conseguiu
implementá-la .
Está sendo
planejada há
décadas. Todos
os procedimentos
de meio
ambiente,
sociais e de
diálogo com a
sociedade foram
realizados à
exaustão.
Foram realizadas
audiências
públicas em
todos os estados
e principais
cidades da
região desde o
governo Fernando
Henrique. Em
1998, se não me
engano, o
governo da
Bahia, na época
contrário a
obra, conseguiu
na Justiça que
se suspendessem
as audiências
públicas. Isto
mesmo, suspendeu
não as obras mas
o debate sobre
as obras.
O bispo
alinha-se com
velha oligarquia
baiana que
sempre foi
contra a obra
temendo que o
desenvolvimento
do semi-árido
desviasse
investimentos da
Bahia para
outros estados
nordestinos.
Transposição das
águas do rio são
Francisco é uma
denominação
infeliz porque
parece que o
risco será
transposto ou
desviado de
rumo. Não é
isto. O rio
continuará o
mesmo. Não vai
ficar menor ou
mais raso.
Uma pequena
parcela das
águas, 3%, da
gigantesca
represa de
Sobradinho,
descerá pela
calha do rio São
Francisco até a
cidade de
Floresta de onde
será levada por
rede de canais
para o
semi-árido, para
abastecer
reservatórios e
açudes..
O que não falta
no semi-árido
são açudes.
Talvez seja a
região com mais
açudes no mundo.
Construir açudes
era a felicidade
de políticos e
empreiteiras.
Nunca resolveram
o problema das
secas.
Obviamente,
barragens
construídas em
rios que secam
também secam.
Os canais do são
Francisco
servirão para
garantir
abastecimento
perene a esta
rede de açudes.
Isto é, em
tempos de
estiagem as
águas do São
Francisco vão
compensar e
regularizar a
rede de açudes
do semi-árido.
O semi-árido tem
extensas manchas
de terras
férteis, sol o
ano todo e, por
ser seca, com
baixo risco de
pragas
agrícolas. É
ideal para
produção de
frutas. Sua
localização
exigirá poucos
investimentos
para estabelecer
corredores de
exportação.
Basta chegar à
água que junto
virá o
desenvolvimento.
E parece que o
fim da miséria
assusta o bispo.