Janayna  -  3

 

Sábado, dia 20 de outubro, nossa Janayna , aparentemente nos deixou.

Em seu derradeiro leito florido em cores brancas, a “ Menina dos cabelos arco íris” esbanjava serenidade e beleza.

 As carícias e  abraços dos pais, irmãos e amigos despedaçavam os corações dos enfermeiros, assistentes sociais, presentes e especialmente da Tânia a quem ela se referia como mãe careta.

Na solenidade do silencio amoroso ainda ecoava a mensagem da menina star a dar valor a vida. Contradição do mistério da morte-vida!

Aquele corpo bonito martirizado, por tantos inúteis  interventos da ciência,

agora é revestido da luz do arco-íres do paraíso.

Só o Sopro divino podia dar força para Janayna a ser líder de felicidade e ternura nas celebrações dominicais, e depois, a noite, a dançar no salão paroquial de muleta.

Pode este Espírito Santo de Deus que habitou a Janayna deixa-la dentro do sepulcro? Com certeza, agora, milhares de anjos dançam com ela

revestida do novo corpo espiritual de Cristo.

 Não haviam palavras que pudessem  aliviar a dor dos presentes. Foi então entoado um pai nosso. Na sala, de repente, se fez um sagrado silencio  e um suave canto de “anjos subindo e descendo” encheu-se a sala de felicidade misturada de dor.

Janayna, parece dormir para nós, não, ela não  está morta. No colo amoroso do Pai vela por nós a incentivar a viver com alegria e plenamente estes poucos dias e a nos dizer que o amor não desaparece jamais.  

Nele estamos juntos

Com Santo Agostinho repetimos:

 

  O amor não desaparece jamais
 
"A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do caminho.
Eu sou Eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo
Dêem-me o meu nome que vocês sempre me deram; falem comigo como vocês sempre falaram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do criador.
Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem,sorriam, pensem em mim. rezem por mim
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo, sem nenhum traço de sombra.
A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho..."
                                                                                            Santo  Agostinho