de: Roldano Giuntoli
para: Mario Palumbo

Leitura da Semana

"Carta Três"

De Laurence Freeman OSB, WEB OF SILENCE (London: Darton, Longman, Todd, 1996), pgs. 28-29, 31.

Tradução de Roldano Giuntoli

 

O amor gera tudo aquilo que nós separamos, em nossas mentes, em diferentes funções de nossa relação com Deus; ele cria; ele alimenta, cresce e orienta; ele redime; ele lança raízes e transcende; ele corrige e cura. Na revelação cristã do significado do amor, a meditação é o poder da prece que prende nossa atenção no imóvel ponto da conversão. . . . A criarmos raízes neste local de transformação, que não é geográfico, mas, espiritual, nosso próprio e mais profundo centro, nos modificamos: deixamos de ser uma aproximação, uma mera imitação de nós mesmos, para nos tornarmos o exato original de quem nós somos.

“Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual.  E não vos conformeis com este mundo, mas, transformai-vos, renovando a vossa mente” (Romanos 12:1-2).

A vida do espírito na natureza humana é uma contínua repadronização.  O salto de fé, a cujo aperfeiçoamento dedicamos nossas vidas, é simplesmente o único salto pelo qual deixamos que nossas mentes sejam transformadas e, que todo nosso ser seja transfigurado.  Em vez de lermos “este mundo”, leiamos “ego”: a parcela que pensa que é o todo.  Ele veio a bloquear involuntariamente e, a distorcer inconscientemente, o mistério da vida, em razão dos padrões que ele criou através da dor e da rejeição; a percepção de um mundo sem amor. [. . . .]

Mesmo se a meditação nada mais fosse do que uma breve imersão diária no reino interior, mereceria nossa completa atenção.  Porém, ela é mais do que uma fuga temporária da prisão de nossos padrões de medo e de desejo.  Por mais complexos que sejam esses padrões, que nos fazem temer a morte e o verdadeiro amor que são necessários ao nosso crescimento e sobrevivência, a meditação os simplifica a todos.

Dia após dia, meditação após meditação, esse processo de simplificação prossegue.  Gradualmente nos tornamos mais destemidos, até saborearmos a total liberdade do medo, na felicidade de nos sentirmos libertos das imagens e recordações do desejo.  E, então, e, até mesmo antes disso, nos tornamos úteis aos outros, aptos a amar sem medo ou desejo. . . livres para servir o Ser, que é o Cristo interior.

WEB OF SILENCE

Love does everything that we separate in our minds into different functions of our relationship with God: it creates; it nurtures, evolves and guides; it redeems; it roots and transcends; it corrects and heals. In the Christian revelation of the meaning of love, meditation is the power of prayer that holds our attention at the still point of conversion. . . .By being rooted in this place of transformation, which is not geographical but spiritual, our own inmost centre, we are changed from being an approximation, a mere imitation of ourselves, into the exact original of who we are.

“I implore you by God’s mercy to offer your very selves to him: a living sacrifice, dedicated and fit for his acceptance, the worship offered by mind and heart. Adapt yourselves no longer to the pattern of this present world, but let your minds be remade and your whole nature thus transformed” (Romans 12:1-2).

The life of the spirit in human nature is a continual repatterning. The step of faith we spend our lives perfecting is simply the one step by which we let our minds be remade and our whole being transfigured. For “this present world” let us read “ego”: the part that thinks it is the whole. It has come involuntarily to block and unconsciously to distort the mystery of life because of the patterns it has formed through pain and rejection; the perception of a world without love. [. . . .]

Even if meditation were no more than a brief daily dip into the kingdom within us it would merit our complete attention. But it is more than a temporary escape from the prison of our patterns of fear and desire. Complex as these patterns are, making us fear the death and the true love that are necessary for our growth and survival, meditation simplifies them all.

Day by day, meditation by meditation, this process of simplification proceeds. We become gradually more fearless until in the joy of being released from the images and memories of desire we taste total freedom from fear. And then—and even before then—we becomes of use to others, able to love without fear or desire . . . released to serve the Self which is the Christ within.