Carta de Felipe Aquino para D. Pedro Casaldáliga.

 

 "D. Pedro Casaldáliga,

 

Lamento profundamente o seu artigo A VERDADE, PILATOS, É... onde o sr. mostra que apesar de já advertido cordialmente pelo Vaticano continua incorrigível, envenenando o povo com a teologia da libertação, que aniquila

a verdadeira fé, subverte a salvação soteriológica como disse o então Ratzinger.

Por que será que ele agora é Papa? Deixe-me dizer que é porque o Espírito Santo o escolheu através dos cardeais, de maneira tão rápida... Ou será que os cardeais para o sr. também são fantoches.

Não D. Casaldáliga, Cristo conduz a sua Igreja, ou será que não acreditas mais nisso? (Mt 28,20; Jo 16,12-13; 14,15.16, favor conferir). Se não cres mais nisso, não deverias estar mais nessa Igreja, por coerência. "Quem vos ouve a mim ouve, qeum vos rejeita a mim rejeita" (Lc 10,16).

Chega D. Casaldáliga de pessoas como o sr, que mesmo como bispo emérito, carregado de anos, continua como Boff, Betto, Jon, etc. a discordar da Igreja, a criticar o Papa e tudo mais. Seria mais conveniente e coerente deixar o redil que o Papa conduz e não agitar mais este Rebanho que "o Senhor conquistou com o seu sangue" (At 20,28).

Sinceramente tenho que lhe dizer; o sr. ja´agitou muito esta America Latina; por que naõ vai agora descansar na sua Espanha tão longe de Deus, tão atéia, tão descristianizada; Cristo agradeceria a sua volta para lá para reacender lá, na sua terra, o Cristianismo que agoniza. Tenha agora um pouco de amor a seu povo eu agoniza na fé. Disso o sr. nunca falou nada.

Aprovar o aborto, a eutanásia , o casamento de homossexuais, a ordenação de mulheres, etc, para voces da teologia da libertação naõ tem nada demais... que horror! É como se Cristo e o Espirito Santo tivessem enganado a Igreja

durante 2000 anos.

Não espere não uma mudança do Papa bávaro, Ratzinger, o Espirito Santo o fez Papa para vencer o ateismo e a ditadura do relativismo religioso e moral que a teologia da libertação encobre e aprova na surdina. Por favor, não descaracterize a viagem do nosso Pastor, do "Joseph de Deus" que vem a nós. Não jogue o povo de novo contra ele e contra a Igreja, mais uma vez como fez duramente com João Paulo II. D. Casaldáliga, D. Paulo Arns ja está descansando embora entre nós, tambem D. Luciano Mendes, D. Ivo, D. Hipólito...um a um dos que erraram o caminho, o Espirito Santo está

retirando do palco. Me desculpe, diante do seu artigo, não pude me calar, para o bem da Igreja e dos seus filhos.

 Prof. Felipe Aquino"

 

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 SEGUEM, ABAIXO, DUAS RESPOSTAS: DO PE. JOSÉ ANTÔNIO E DO PE. GERALDO, AMBOS DA DIOCESE DE MARIANA.

 

 

 Brasília, 9 de abril de 2007 

 Prof. Aquino,

 

  Li seu comentário sobre o artigo de Dom Pedro Casaldáliga A Verdade, Pilatos, é... Não imaginava que seu fundamentalismo e sua fúria contra a teologia da libertação e seus teólogos chegassem a tanto. Tão pouco poderia

supor que trouxesse sementes de xenofobia em sem coração. Sim, porque propor a dom Pedro que volte para sua pátria de origem é, no mínimo, sinal de xenofobia. Esse como os demais sentimentos expressos em sua resposta não coadunam, em absoluto, com o ser cristão. Sua defesa da fé cristã e da Igreja nos passa a imagem de um cristão modelar, ilibado, portanto, não lhe caberiam tais sentimentos.

 Que o senhor faça opção por uma eclesiologia alienada e alienante, alimentada por uma cristologia, da mesma forma, desencarnada e a-histórica, a gente compreende e aceita. Agora, desqualificar com linguagem arrogante, xenófoba, fundamentalista, homens que fazem e fizeram de sua vida, tal como Cristo, um aniquilamento em favor dos pobres e excluídos, é imoral, antiético, anticristão. O amor deles pela Igreja de Cristo é de tal profundidade que ultrapassou sua capacidade de compreendê-los. Talvez isso o tenha deixado confuso, perturbado, levando-o a escrever o que escreveu.

 Sua resposta, prof. Aquino, revelou seu desequilíbrio diante do plural e diferente que marcam não só a sociedade como também a Igreja nela inserida.

Mais ainda. Transpirou ódio contra homens que são referência para a Igreja do Brasil e cuja vida é admirada por todos que sonham com uma Igreja servidora dos pobres. O senhor tem ciúmes por não ser capaz de dar semelhante testemunho da fé?

 Ah, se o senhor conhecesse esses homens!.... Mas, fique tranqüilo. A grandeza deles, sua honra, seus méritos, não serão afetados por suas palavras. Tanto os que caminham conosco, dom Pedro e dom Paulo, quanto os que, merecidamente, participam da Glória do Pai, dom Luciano e dom Hipólito (para ficar apenas nos que foram citados em seu artigo) já perdoaram seu desvario. A santidade deles é infinitamente maior que seu fundamentalismo arrogante e preconceituoso. Esta é sua sorte: o coração deles é grande o suficiente para perdoar os míopes na fé.

 Como o senhor está bastante desinformado sobre a biografia dos que afirma terem "errado o caminho", envio, anexos, alguns depoimentos e testemunhos acerca da vida e da obra de dom Luciano com quem convivi 18 anos na diocese primaz de Minas Gerais. Sinto, portanto, o dever imperioso de dizer-lhe que, ao ofender dom Luciano, o senhor ofendeu toda a

Arquidiocese de Mariana e a Igreja do Brasil.  Ao terminar, faço minhas as palavras de dom Demétrio Valentini, bispo de

Jales (SP):  "A morte permitiu também que D. Luciano usasse da mesma delicadeza que sempre teve com as autoridades eclesiais, que nem sempre compreenderam sua grandeza de ânimo. Completados 75 anos, já tinha apresentado ao Papa sua

carta de renúncia. Pois bem, a morte de D. Luciano livrou a Igreja de um constrangimento crucial: dispensar os serviços de uma pessoa tão indispensável como D. Luciano! Deus mesmo se encarregou de aceitar, não sua renúncia, mas sua própria vida. Agora, o povo está disposto a dispensar a Igreja de outro constrangimento: canonizar logo D. Luciano. Pois todos já

temos completa certeza, a mesma do centurião ao pé da cruz: Verdadeiramente, este homem foi um santo!"

 

Igualmente, faço minha a afirmação de Cândido Mendes ao discursar minutos antes do sepultamento de seu irmão cuja vida e obra jamais se apagarão de nossa memória:

 "Não sei se a melhor forma de falar de Dom Luciano é: 'Enfim, descansou'. Descansou coisa nenhuma! Dom Luciano, necessariamente em Deus, vai continuar, não na facilidade do apenas merecer a vida eterna. Ele já está fazendo muito barulho na comunhão dos santos no que efetivamente representa esta condição.

 Também não me digam que temos um santinho lá no céu. Por favor, Dom Luciano não é, primeiro, nenhum diminutivo, a não ser o diminutivo carinho. Em segundo lugar, o que quero salientar é que o que Dom Luciano nos dá, definitivamente, é a alegria do céu trazida para a terra. Dom Luciano não é um santinho lá. Ele é a presença invasora, permanente, da graça e de Deus entre nós".

 

 Com votos de feliz páscoa,

  Pe. Geraldo Martins

 Assessor da CNBB - Comunicação e Informática

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Carta a Felipe Aquino

 

Sr. Aquino;

Tenho certeza absoluta de que você não conheceu dom Luciano e não conhece dom Paulo Evaristo, dom Pedro Casaldáliga e outros pastores que critica.

Quem conhece não teria a coragem de escrever o que você escreveu. Convivi por mais de 15 anos com dom Luciano. Sou testemunha do seu amor incondicional à Igreja, a Jesus Cristo, aos pobres e sofredores, aos presidiários, aos enfermos. Sou testemunha das noites passadas em claro, das viagens de ônibus, da presença nos lugares mais simples. Sempre mostrou ao

povo um Deus mãe, como sempre enfrentou com coragem profética os que exploram e oprimem.

Já com câncer, pouco antes de ser internado pela última vez, se juntou ao povo que lutava por energia elétrica mais barata, para enfrentar os soldados que atacavam aquela gente simples a cavalo, com armas e cachorros.

Se você conhecesse um por cento do que fez e foi dom Luciano, não teria a petulância e a falta de respeito de dizer que o Espírito Santo o tirou do palco.

Isso dói lá no fundo do coração, porque é um insulto ao próprio Deus, é pisotear a memória de alguém que deixou uma vida de conforto, no seio de uma família abastada, para viver pobre e pelos pequenos. É espezinhar a honra de alguém

que é venerado por tantos e tantos que o veneram.

É pena que você não tenha tido a honra de conhecê-lo, de saborear da sua sabedoria e santidade, da sua sensibilidade e coragem profética.

Você também não conhece dom Paulo. Não sabe do seu sofrimento, da sua coragem, dos riscos que correu durante o tempo da ditadura, para defender torturados e  injustiçados. Ou você faz parte dos torturadores? Ou você é da elite que

sempre pisou e explorou o povo brasileiro?

Você não conhece dom Pedro, que deixou um país europeu, que abriu mão de qualquer conforto para se embrenhar no interior mais esquecido do Brasil, numa região onde padres e bispos se negam a ir, para ser pastor e enfrentar os

donos do poder e do dinheiro. Que viu morrer um companheiro, quando a intenção era matá-lo, justamente quando defendiam uma mulher marginalizada e injustiçada.

Perdão, mas essas pessoas falam muito mais de Jesus Cristo do que você e até mesmo que nosso querido papa. São sinais e encarnação do Jesus simples, que era boa notícia para os pequenos e sofredores, e uma pedra no sapato para os

grandes e opressores.

É pena que a diocese de Mariana tenha aberto as portas para receber nos próximos dias um grupo de evangelizadores da Canção Nova. Esse grupo não poderia ser bem-vindo numa Igreja onde seu pastor é considerado como alguém que errou o

caminho. Um grupo que tem alguém capaz de dizer que "João Paulo II escondeu D. Luciano em Mariana".

Pelo menos de minha parte, vocês não merecem nossa acolhida. Já dei meu parecer contra a vinda do grupo a Barbacena, onde trabalho, e vou encaminhar meu repúdio a Viçosa, onde vão se apresentar.

Que Deus o perdoe.

Pe. José Antonio de Oliveira

 

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 "Porém, não busqueis poder no amor

Que só quem da sua lei se sente escravo

Pode considerar-se realmente livre."

(Fernando Pessoa)