Amigos(as),
Comunico que, no dia 26 de fevereiro pp., faleceu em Salvador JEAN BAUZIN, com setenta e nove anos de vida. Sua vida tem muito a ver com a renovação litúrgica e com o ecumenismo na igreja católica. Ele costumava dizer: Os documentos do Vaticano II relativos à liturgia ainda não foram devidamente estudados no Brasil. Nos anos 1960, esse beneditino francês foi chamado por Dom Timóteo, do Mosteiro de São Bento em Salvador, para colaborar na renovação litúrgica dentro das instituições religiosas católicas do país. Nos tempos da repressão, ele foi um dos animadores do 'Grupo Moisés' que se reunia regularmente no Mosteiro. Foi ele quem trouxe para Salvador o documento 'Ouvi os Clamores de meu Povo', em 1972, e colaborou na proteção de estudantes perseguidos pelas forças da repressão. Após deixar o Mosteiro, ensinou durante trinta anos na Universidade Católica de Salvador e formou uma geração de estudiosos em áreas religiosas, como ficou patente na missa de despedida celebrada na tarde do dia 26. Foi Diretor do Instituto de Teologia Ecumênica de Salvador. Pesquisou longamente no Arquivo Público, na Biblioteca Pública e em bibliotecas religiosas assuntos relacionados com as religiões populares em Salvador. Por iniciativa própria, ele abriu um espaço de diálogo com o universo protestante na Bahia, como ficou mais uma vez comprovado pelo comparecimento de diversos pastores protestantes no seu enterro. Ultimamente andou entusiasmado pelos sinais de superação da doutrina da ‘transsubstanciação’ (da hóstia no corpo de Jesus na hora da missa) e pela retomada da adoção da antiga tradição da ‘epiclese’ (memória da ceia de Jesus), que ele pensou detectar em diversos ambientes católicos pelo mundo afora. Sempre atualizado, ele ainda defendeu com ardor essa tese no Encontro Nacional dos Padres Casados, realizado em Salvador no mês de janeiro pp. Foi sua última colaboração em público. Faleceu depois de uma cirurgia cardíaca. Na hora do enterro ouvi pessoas dizerem que ele foi o maior ativador do movimento litúrgico, aqui em Salvador. O melhor articulador ecumênico em áreas católicas, igualmente. Dilma, sua esposa há vinte anos, pretende usar sua experiência em organização de bibliotecas para dar continuidade ao trabalho de Jean, no sentido de possibilitar o acesso ao valioso acervo de livros e documentos acerca de teologia litúrgica e ecumênica a estudantes e pesquisadores(as).
Eduardo Hoornaert.