Igreja não é templo,
não é sinagoga, não é mesquita.
Não é o santuário onde os fiéis se reúnem para cultuar a Deus. Igreja é
gente, e não lugar. É a assembléia de pecadores perdoados; de incrédulos
que se tornam crentes; de pessoas espiritualmente mortas que são
espiritualmente ressuscitadas; de apáticos que passam a ter sede do Deus
vivo; de soberbos que se fazem humildes; de desgarrados que voltam ao
aprisco.
Igreja é mistura de raças diferentes, distâncias
diferentes, línguas diferentes, cores diferentes, nacionalidades diferentes,
culturas diferentes, níveis diferentes, temperamentos diferentes. A única
coisa não diferente na Igreja é a fé em Jesus Cristo.
A Igreja não é igreja ocidental nem igreja oriental.
Não é Igreja Católica Romana nem igreja protestante. Não é igreja
tradicional nem igreja pentecostal. Não é igreja liberal nem igreja
conservadora. Não é igreja fundamentalista nem igreja evangelical. A Igreja
não é Igreja Adventista, Igreja Anglicana, Igreja Assembléia de Deus, Igreja
Batista, Igreja Congregacional, Igreja Deus é Amor, Igreja Episcopal, Igreja
Holiness, Igreja Luterana, Igreja Maranata, Igreja Menonita, Igreja
Metodista, Igreja Morávia, Igreja Nazarena, Igreja Presbiteriana, Igreja
Quadrangular, Igreja Reformada, Igreja Renascer em Cristo nem igrejas sem
nome.
A Igreja é católica (universal), mas não é romana. É
universal (católica) mas não é a Universal do Reino de Deus. É
de Jesus Cristo, mas não dos Santos dos Últimos Dias. Porque é universal,
não é igreja armênia, igreja búlgara, igreja copta, igreja etíope, igreja
grega, igreja russa nem igreja sérvia. Porque é de Jesus Cristo, não é de
Simão Pedro, não é de Miguel Cerulário, não é de Martinho Lutero, não é de
Simão Kimbangu, não é de Sun Myung Moon, não é de João Paulo II.
Em todo o mundo e em toda a história, a única pessoa que pode
chamar de minha a Igreja é o Senhor Jesus Cristo. Ele declarou a Cefas: “Tu
és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mt 16.18).
Não há nada mais inescrutável e fantástico do que a Igreja de
Jesus Cristo. Ela é o mais antigo, o mais universal, o mais
antidiscriminatório, o mais inexpugnável e o mais misterioso de todos os
agrupamentos. Dela fazem parte os que ainda vivem (igreja militante) e os
que já se foram (igreja triunfante). Seus membros estão entrelaçados, mesmo
que, por enquanto, não se conheçam plenamente. Todos igualmente são
“concidadãos dos santos” (Ef 2.19), “co-herdeiros com Cristo” (Ef 3.6; Rm
8.17) e “co-participantes das promessas” (Ef 3.6). Eles são nada menos e
nada mais do que a Família de Deus (Ef 2.19; 3.15). Ali, ninguém é corpo
estranho, ninguém é estrangeiro, ninguém é de fora. É por isso que, na
consumação do século, “eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com
eles” (Ap 21.3).
A Igreja de Jesus, também chamada Igreja de Deus (1 Co 1.2;
10.22; 11.22; 15.9; 1 Tm 3.5 e 15), Rebanho de Deus (1 Pe 5.2), Corpo de
Cristo (1 Co 12.27) e Noiva de Cristo (Ap 21.2), tem como Esposo (Ap 21.9),
Cabeça (Cl 1.18) e Pastor (Hb 13.20) o próprio Jesus.
A tradicional diferença entre igreja visível e igreja
invisível não significa a existência de duas igrejas. A Igreja é uma só (Ef
4.4). A igreja invisível é aquela que reúne o número total de redimidos,
incluindo os mortos, os vivos e os que ainda hão de nascer e se converter.
Eventualmente pode incluir pecadores arrependidos que nunca freqüentaram um
templo cristão nem foram batizados. Somente Deus sabe quantos e quais são:
“O Senhor conhece os que lhe pertencem” (2 Tm 2.19). A igreja visível é
aquela que reúne não só os redimidos, mas também os não redimidos, muito
embora passem pelo batismo cristão, se declarem cristãos e possam galgar
posições de liderança. É a igreja composta de trigo e joio, de verdadeiros
crentes e de pseudocrentes. Dentro da igreja visível está a igreja
invisível, mas dentro da igreja invisível nunca está toda a igreja visível.
A Igreja de Jesus é uma só, porém é conhecida imperfeitamente na terra e
perfeitamente no céu.