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From: Padre Gilberto Luiz Gonzaga
To: 'ora et labora
Sent: Friday, February 15, 2008 10:03 PM
Subject: biografia do falecido Pe. Leo Nicolau Orth

Caros amigos Mário e João.

Dias atrás, exatamente 9 p.p., faleceu meu grande amigo e colega de ordenação, Leo Nicolau Orth, catarinense.

No anexo vai sua breve biografia, para edificação de todos nós. Mais um santo!

E, também, breve biografia da viúva Elfrida, que se unirá às demais viúvas.

Abraços do Gilberto.

 

PADRE LEO NICOLAU ORTH

Léo Nicolau Orth nasceu em Bom Principio do Maratá, SC, em 07/07/1928. Filho de José Augusto Orth e Catarina Wogel, é o mais velho de 11 irmãos. Iniciou seus estudos em Azambuja (Brusque, SC) onde permaneceu até 1948. Foi então para São Leopoldo, RS, onde fez 3 anos de Filosofia. Em 1952, por ordem do Bispo D. Daniel, foi lecionar no Seminário de Lages, SC, até 1953. Daí partiu para o Pontifício Colégio Pio Brasileiro em Roma, onde ficou até 1957 cursando Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana. Em 25/2/1956, juntamente com 24 colegas recebeu a ordem de presbiterato na Basílica de São Paulo.

De volta ao Brasil em setembro de 1957, foi mandado para Piritiba até o Natal daquele ano. Depois foi transferido para o Seminário Diocesano de Lages, lecionando até 1966. Foi professor de Latim, Grego, Inglês, História Geral e Eclesiástica, procurando sempre dar o máximo de si aos seus alunos. Foi admirado por todos.

Sua vida tornou-se atribulada desde 1961, quando iniciaram suas doenças. Tratou-se com especialistas em várias cidades. Fez diversas cirurgias no estômago e na bexiga.

De 1967 a 1977, ficou em Porto União, na Diocese de Caçador, cuja Diocese era quase toda do clero religioso. Por isso sentiu-se estranho como presbítero secular. Após reflexão profunda pediu dispensa de Roma. Devidamente dispensado, decidiu receber o sacramento de Matrimônio sem jamais desvalorizar seu sacerdócio. Retirou-se para sua trilha de quase eremita.  Lecionou na Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória. Continuou sempre a dar aulas e orientações particulares para Graduação e Pós Graduação.

Sua vida após a aposentadoria foi sempre muito reservada, na sua casa, onde mantinha uma biblioteca; ali passava horas por dia estudando, pesquisando e rezando.

Em 2006 uma paralisia facial revelou neoplasia na parótida. Duas cirurgias e vários exames não conseguiram detectar o sítio primário de desenvolvimento de seu câncer, que se espalhou rapidamente para os ossos. Lutou bravamente durante dois anos, preparando-se espiritualmente para o dia de seu fim. Escreveu centenas de páginas históricas, conhecimentos que ainda não tinha colocado no papel e que virão a ser publicados futuramente por sua família. Produziu, também, um testamento espiritual, cujo conteúdo pediu a seus familiares só tomarem conhecimento depois de sua partida. Viveu dia após dia com a consciência de que estava próximo de partir. Perdoou a todos que um dia o ofenderam e pediu perdão por tudo que possa ter feito de errado.

Pediu para ser levado ao hospital apenas quando suas forças se esgotassem e não tivesse mais condições de ficar em casa aos cuidados de sua família. Faleceu no dia 09/02/2008, apenas dois dias depois de ser internado. Foi para os braços do Pai em estado de graça, deixando sua esposa e familiares com uma profunda paz no coração, e também com uma grande saudade.

Em um de seus últimos apontamentos escreveu: “Em todos esses anos e principalmente nesta hora difícil e de dor fui encorajado, confortado e muitíssimo auxiliado pela valente e amada esposa Elfrida”. Não teve filhos, mas adotou de coração 3 de seus sobrinhos e afilhados: Rodrigo Augusto, Lia Maris e Diego Augusto Orth Ritter, quem agora se sentem órfãos.

ELFRIDA SCHORR ORTH

 

Elfrida Schorr Orth nasceu no Maratá, em 20/05/1930. Filha de José Schorr e Carolina Schorr. Fez seus estudos primários na escola Isolada de Maratá, SC; seu curso Complementar e Normal Regional em Rodeio, SC; Normal Magistério em Porto União, SC, e Curso de História na Faculdade de Ciências e Letras de Joinville, SC. Trabalhou como professora de 1948 até 1977 quando se aposentou pelo Estado.

Sua jornada de magistério incluiu escolas em Santa Tereza (Rio do Sul), Apiúna (Indaial), Rodeio, no Colégio e no Grupo Escolar Osvaldo Cruz, e principalmente 17 anos de dedicação como diretora concursada no Grupo Escolar Plácido Olímpio de Oliveira, em Joinville. Residia dentro da própria escola, em humildes dependências. Chegou a atender 2 mil alunos que se dividiam em 4 turnos diários escolares.

Durante os anos em que dirigiu o colégio fortaleceu a união entre professores e alunos, criou sistemas de gestão escolar inovadores, como as comissões escolares, onde cada professor se incumbia de cuidar de uma tarefa: disciplina, atividades culturais, notas escolares, etc. Jamais descuidou dos aspectos morais de alunos, de educá-los como verdadeiros cristãos. Em uma ocasião, quando da visita do Bispo dom Gregório, este declarou a toda a comunidade escolar: “neste local eu sinto Deus presente!” Em outra ocasião uma criança escreveu numa redação: “nossa Escola é diferente das outras, porque aqui existe paz, amor e amizade entre diretora, professores e alunos.”

Em 1974 pediu dispensa da Congregação das Irmãs Catequistas, mas continuou trabalhando como Diretora da mesma Escola. Casou-se em 8/2/1978 com Padre Leo Nicolau Orth, quando ele já tinha também sua dispensa de Roma. Trabalharam juntos ainda na mesma Escola, ele como professor de Inglês e Diretor de plantão pedagógico.

Aposentaram-se na mesma época, fixando então residência em Porto União, SC, para ficar próximos de seus familiares e viver sua aposentadoria. Elfrida jamais deixou de fazer caridade, de pregar o amor de Deus e muito menos ensinar. Vive seu magistério até hoje. E impressiona a todos com sua fé, mesmo nos momentos mais difíceis.

Cuidou amorosamente de seu marido a vida toda e com mais afinco e paciência nos seus dois últimos anos de vida, acometido pelas dores do câncer nos ossos. Pedia a Deus forças para poder cuidar dele até o fim sem jamais se cansar ou desanimar. Seu pedido foi atendido. Passou à condição de viúva no dia 09/02/2008, um dia após completar 30 anos de casamento.

Não possui filhos de sangue. No entanto adotou, junto com seu marido, como filhos de coração a quem ajudou a educar e alfabetizar, três sobrinhos e afilhados: Rodrigo, Lia e Diego Orth Ritter.