Caros Líderes de Grupo e Amigos,
Em Outubro, mais de 200 meditantes se reuniram numa bela região do Canadá para celebrar a vida e os ensinamentos de John Main, neste aniversário dos 25 anos. Foi um feliz e memorável seminário com meditantes de 17 países (Brasil, Cingapura, Índia, México, Portugal, Nova Zelândia, EUA, Itália, Reino Unido, Filipinas, Alemanha, Curaçao, Barbados, Venezuela e Austrália) e, um grande número de canadenses. Cheguei a Orford, Quebec ao anoitecer e, ao acordar na manhã seguinte, olhei para a beleza de perder o fôlego da campanha canadense, com as maravilhosas cores das folhas de outono, que chovem ouro. O momento era apropriado para simplesmente ficar sentado observando o farfalhar e a dança das folhas ao vento revigorante. A riqueza da campanha estava alinhada com a riqueza do programa do seminário.
Cada uma das principais apresentações se iniciou com uma inspiradora série de reflexões com música, poesia e fotos incrívelmente belas e emocionantes compiladas por Dr Bal Mount, começando com A Celebration of our Global Community. Charles Taylor, um dos principais filósofos da atualidade, fez o discurso de abertura intitulado “Christian Meditation and the Mutations of Contemporary Religious Life”. Sarah Bachelard, uma jovem teóloga australiana, apresentou “John Main’s Contribution to Contemplative Theology today”. Com a inspiradora palestra de Yvon Théroux “John Main OSB: Prophete des temps nouveax”, introduziu-se a complexidade da tradução simultânea, para os que não falavam francês. Dr Bal Mount, que já foi apresentador de um seminário anterior e, amigo pessoal de John Main, apresentou de modo emocionante seu “Journey to Personal and Social Transformation” Peter Ng, o coordenador nacional de Cingapura e, executivo dos negócios internacionais, fez uma apresentação inspiradora: “The Contemplative Executive – Leading from the Heart”. Dom Laurence encerrou o seminário com “Living here and now: Spirituality in a Global Village”, no qual resumiu os temas das palestras entremeando-os com os ensinamentos de John Main. As palestras foram gravadas e serão publicadas no futuro.
Os trabalhos centraram-se em diferentes aspectos, da Comunidade, dos Grupos, apresentação da meditação às crianças e às escolas, o curso Raízes, vícios e, um painel que compartilhou as memórias de Dom John. Porém, o coração do seminário foi nossa meditação. 200 pessoas chegaram como estranhos entre si, das mais diversas partes do mundo, mas, através da interação e, no silêncio, de nossa meditação, nos tornamos a comunidade de amor, de que Dom John tão frequentemente falava..
Polly Schofield preparou um mostruário dos arquivos das cartas e das recordações de Dom John e, havia um afluxo constante de pessoas lendo acerca dos primeiros dias da comunidade e, maravilhando-se com as fotos. Estendemos nossos agradecimentos a Mark e Polly Schofield e sua equipe, pela coordenação deste maravilhoso seminário em tributo a John Main.
Nosso último evento será a Missa de Aniversário a ser celebrada por Dom Laurence em 29 de Dezembro, às 14:30, na catedral de Westminster em Londres. Ela será seguida de uma recepção no hall da catedral, onde Dom Laurence e outros compartilharão suas recordações de John Main. Caso você ou algum participante de seu grupo esteja visitando Londres nesse dia, estará convidado a se juntar à comunidade do Reino Unido e, aos meditantes de várias partes do mundo nessa feliz celebração. A catedral se encontra na Victoria Street SW1, a 3 min de caminhada da estação Victoria. Caso possa participar, entre em contato uk@wccm.org
Notícias: A newsletter de Dezembro será uma edição especial do aniversário de John Main e, será publicada em breve.
Programação: O John Main Seminar de 2008 será levado a efeito entre os dias 15 e 17 de Agosto na cidade histórica de Mainz, na Alemanha. O seminário será conduzido pelo cardeal Walter Kasper com o tema: União: Local e Global.
Advento é um tempo de reflexão em nossas vidas, de esperar, de ouvir, de desacelerar, apesar do burburinho a nossa volta. Assim nos diz John Main: Muitas vezes, parece que corremos pela vida em grande velocidade, enquanto que em nosso coração está a chama essencial do ser. Nossa correria frequentemente a leva a ponto de se extinguir. Porém, quando nos sentamos para meditar, em imobilidade e simplicidade, a chama começa a queimar brilhante e firme.
Com as
Bençãos do Advento – Pauline

Coluna de Dom Laurence
O silêncio é mais do que uma ausência de barulho. Sentarmo-nos duas vezes ao dia, no John Main Center for Meditation and Inter-Religious dialogue na Georgetown University, bem no meio de um agitado campus norte-americano, é uma gota de silêncio em um oceano de barulho, uma lasca de imobilidade em uma enchente de atividade. Aviões voam por sobre nossas cabeças a intervalos regulares, caminhões da FedEx engatam suas marchas lá fora na rua. Estudantes passam a caminho da biblioteca ou do refeitório, conversando em grupos ou falando ao celular. Normalmente chegam às suas conclusões importantes momentos após terem se separado quando, então, se voltam para gritar seus comentários finais, por sobre a perigosa rota de outras conversações.
Enquanto isso, no centro de meditação, o prédio mais velho do campus (construído no mesmo ano em que foi construída a Casa Branca), estudantes praticam aquilo em que John Main acreditava até sua morte, vinte e cinco anos atrás, “de que não há nada mais importante para os homens e mulheres de nosso tempo, do que redescobrir o valor e o significado do silêncio”. Para os orientadores da meditação é uma benção meditar com crianças ou universitários. Eles não a encaram com objeções pré-meditadas, ou com dúvidas, mas a aceitam, assim como, um homem sedento recebe um copo de água. O significado da experiência deles se segue à experimentação da mesma, assim como, sentimos o verdadeiro prazer trazido pela comida depois de termos começado a comê-la. Muitos dos que comparecem regularmente, não falam muito a respeito. Eles não estão sendo avaliados e, não precisam impressionar o professor. Talvez eles não tenham tempo para falar a respeito, assim como, os mais velhos não têm tempo para fazê-la. Mas, eles se sentem genuinamente gratos à meditação e, ao apoio diário para que continuem com ela. Obviamente, muitos nunca comparecem para meditar, muito tímidos, muito ocupados, ou eles nunca nem mesmo pensam a respeito, enquanto outros a experimentam e não voltam. Muitos estudantes, no entanto, comparecem ao centro isoladamente, fora dos períodos normais, quando suas agendas estressadas permitem.
Não há dúvida de que a existência de um centro físico de contemplação no campus, dedicado ao silêncio, em complemento a outros tipos de ministério do campus, é valiosa e utilizada. Ainda assim, ela se defronta com a maioria das forças que constituem a universidade e outros tipos da vida institucionalizada de hoje. O verdadeiro silêncio da meditação causa, portanto, um impacto social desconfortável. Ele expõe os falsos silêncios que distorcem e impedem os interesses humanos.
Aqui em Washington, por exemplo, existem numerosas populações hispânicas e afro-americanas. A grande maioria deles são serviçais, que fazem as tarefas manuais ou servis, que a elite branca não tem tempo ou gosto de fazer. Na universidade eles formam a maioria das equipes de manutenção e de fornecimento de alimentos e, existe, como em outros lugares, uma convenção ou muro de silêncio, entre os servidores e aqueles que são servidos. Há também silêncio acerca da existência desse silêncio. Somos ocupados demais para praticar o verdadeiro silêncio e, ocupados demais para perceber como estamos presos na armadilha do silêncio negativo, onde a comunicação está sufocada.
Exceção feita à população que se volta à meditação diária, antes que a Casa Branca inicie sua próxima guerra, qual é a esperança de se sair deste mergulho de nariz tanto espiritual quanto cultural?
Tal como os padres do deserto sabiam, a ganância e o orgulho são maiores inimigos da contemplação, do que a luxúria. É o dinheiro que coordena as forças de nossa insanidade e, nos prende em nossos envelopes isolados de indiferença. Muitos dos fragmentos de conversa que você presencia ao passar por uma rua norte-americana, são sobre o dinheiro, preços das coisas, ou débitos pessoais. No campus, a maioria das conversas, felizmente, parecem ser acerca de romances (as idéias são em geral deixadas na sala de aula). Ainda assim, os imigrantes silenciosos, notados apenas quando pedem por educação e serviços médicos e, aqui por verdadeira pobreza, por apoio a suas famílias, nos ensinam algo diferente e inestimável.
Semana passada alguns mexicanos estavam pintando o interior de nossa casa. Quando terminaram seu trabalho, comecei a conversar com um deles e, lhe pedi para fazer um pequeno serviço extra na cozinha. Ele me disse francamente que estava aqui ilegalmente, esperando poder obter logo seus papéis, de modo a poder visitar seus pais no México, para que eles pudessem ver seu neto de cinco anos de idade, pela primeira vez. Ele possuía uma franqueza e uma fluência para com a verdade, em seu pobre inglês, que se destacava do costumeiro nível de discurso. Ele me pareceu satisfeito de poder quebrar o muro de silêncio que normalmente o separa de seus empregadores. Ao terminar o serviço, lhe ofereci algum dinheiro. De modo pouco norte-americano, ele se esquivou, recusando-o, com um gesto de dignidade humana muito maior que o orgulho, totalmente desafiador ao dinheiro. Ele me deixou purificado, em um tipo diferente de silêncio. E, fiquei pensando se a salvação, para essa sociedade norte-americana que se auto-estrangula, virá, não apenas do silêncio, mas, do sul.
Com muito amor
Laurence
Freeman OSB
De:
wccm@christianmeditationaustralia.org [mailto:wccm@christianmeditationaustralia.org]
Enviada em: Tuesday,
December 04, 2007 7:22 AM
Para: rgiuntoli@uol.com.br
Assunto: WCCM news and Fr
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