From: Prof. José Vicente
To: Mario Palumbo

 

JOSÉ, SILÊNCIO E CONTEMPLAÇÃO - UMA REFLEXÃO SIMPLES

Como você se chama?

JOSÉ, RESPONDERÃO MUITOS!

Nome tão fácil de pronunciar e tão significativo. José é também o esposo de Maria, pai adotivo de Jesus,a quem também foi revelado o grande mistério do Deus que se fez homem no seio da Virgem Maria.

Impressiona-me, e espero que também a você, o silêncio de José no Evangelho. Deus fala com ele, revela-lhe seu plano de amor e ele decide cumprir a vontade de Deus, como o fez Nossa Senhora. No entanto, ele jamais disse palavra. É uma dessas pessoas que muito faz sem nada dizer, em contraposição aos que falam muito, mas nada fazem.

José é uma figura meio esquecida por todos nós. Nós o separamos de Nossa Senhora, embora ele tivesse a mesma missão dela e com ela tenha assumido a vinda de Cristo. Não nos deixou nenhuma palavra dita ou escrita. Só silêncio! Mas seu silêncio é contemplação. A narração bíblica da criação do mundo mostra o universo mergulhado no silêncio. E Deus contemplava cada obra nascida de suas mãos.

Olhemos para José: Ele tambem permaneceu em silêncio, contemplando os desígnios divinos: O Filho de Deus sendo gerado em Maria!

São José é o Patrono universal da Igreja. Com ele temos que aprender a contemplar a universalidade da Salvação, do Deus que veio para libertar-nos, também aos que jaziam sem vida. Veio para os pobres, os pecadores, os doentes, os sofredores, os excluídos.

O silêncio de José, ao mesmo tempo em que nos faz pensar nos motivos pelos quais ainda hoje tantos irmãos e irmãs nossos jazem à margem da vida, também nos pergunta porque não vamos ao encontro dos jovens abandonados, das crianças jogadas nas ruas e praças.

Também nos faz pensar por que não contestamos as decisões palacianas que favorecem grupos privilegiados e machucam a dignidade de tantos irmãos?

Religião preocupada em cumprimento de normas, de ritos perfeitos e rubricistas, de liturgias impecáveis,mas que não vai ao encontro do sofredor e do marginalizado, não é religião verdadeira, nem agrada a Deus.

Há muitos preocupados com a perfeição litúrgica, mas e os pobres podem ficar à margem da vida e das celebrações dela? ,

Com José aprendemos a contemplar o Deus da vida, mas também a cumprir seus desígnios no hoje, no aqui e agora, como ele cumpriu silenciosamente a vontade de Deus juntamente com Nossa Senhora.

Não separemos José de Nossa Senhora, mas também não separemos nossa vida da fé, nem a fé da vida.