DIMENSÃO SACRAMENTAL DA MEDITAÇÃO

 

Dom Laurence Freeman

 

Pergunta de Manuel De La Nuez, comentada por D. Laurence Freeman no encerramento do Retiro de 2005, em diálogo com o autor.

 

-         Podemos conceber a meditação como sacramento.

-         Os cristãos terão que ser contemplativos ou não serão cristãos. A Igreja sem contemplação perde profundidade, se torna superficial.

 

A meditação, o silêncio, são sacramentos, sinais da presença de Deus no mundo e constituem a mais verdadeira motivação para sermos fieis a esta prática.

O conceito, a idéia de sacramento é central no cristianismo. É um sinal que, uma vez celebrado, torna real o que significa. Neste sentido, a igreja é sacramento de Cristo e cada um de nós, um sinal. A contribuição de cada um é sempre única, singular, como nossa própria identidade.

A meditação é um sacramento porque celebra a presença de Cristo dentro de nós, entre nós. “Onde dois ou três se reunirem em meu nome, estarei entre eles”. No grupo de meditação, aquele que está a meu lado fisicamente, está em conexão comigo e, juntos no silêncio permanecemos abertos á presença do Cristo. É o silêncio que nos traz a presença de Cristo. Reverenciando o silêncio no grupo, como reverenciamos na missa, a Escritura, o Pão e o Vinho consagrados, que tornam presente o corpo de Cristo. A contemplação é um trabalho do amor, um caminho de amor, um caminho de amor em que estamos atentos á presença do amado. A Meditação é, pois um novo meio de entender, de transmitir o sacramento e a oração.

Há tanta fome de Deus! É importante mostrar como podemos nos relacionar com ELE; o grupo é sinal de fidelidade ao ensinamento de Jesus, fiel a este ensinamento e aberto á sua prática.

O grupo de meditação não é um grupo de terapia, não é um grupo social agradável onde se conversa. Devemos procurar assumir e conservar sua dimensão sacramental, ensinar e aprofundar a compreensão da tradição que seguimos. Há uma renovação da experiência quando a aprofundamos - a novidade é garantida pelo aprofundamento do que conhecemos e seguimos. A Meditação propriamente dita será assim preparada com mais unção e a partilha do que experimentamos, sua decorrência natural.

 

Boletim do Rio de Janeiro – Meditação Cristã nº 34