de: Roldano Giuntoli
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Leitura da Semana (06.01.2008)

Preparando-se para o Nascimento" John Main OSB, THE PRESENT CHRIST (NY: Crossroad, 1991), pgs. 39-40.

Tradução Roldano Giuntoli

Um dos temores que encontro mais freqüentemente, nas pessoas que começam a meditar, como meio de diária peregrinação, é o de que a jornada para seu próprio coração, para esse espaço infinito, possa levá-las ao isolamento, longe do conforto e da familiaridade do conhecido, para o desconhecido.  Este é um temor inicial compreensível. Ao dizermos “deixar para trás o familiar”, isso freqüentemente significa “deixar para trás a superficialidade” e, isso pode criar uma sensação de vazio, à medida que nos expomos a uma maior profundidade e a uma realidade mais substancial.  Levamos algum tempo, para nos adaptar a essa nova sensação de pertencer, de um novo parentesco, que parece colocar todos os nossos relacionamentos em uma nova ordem.  O nosso “voltar ao lar”, pode nos dar a sensação de um “sem lar”.

Com o tempo, compreendemos que, nessa nova experiência da inocência, de deleite no dom da vida, estamos deixando para trás a infantilidade e, adentrando a maturidade completa que Jesus desfruta no Pai, a totalidade de seu amor, que entra e se expande em nossos corações, no Espírito.  Não será apenas agora, no início de nossa peregrinação, que precisaremos do amor humano e, da inspiração de outros.  Mas, é agora, ao encontrarmos um largo horizonte que nos é pouco familiar, que sentimos uma carência especial, da energia da comunidade com outros.   Abrirmo-nos a eles, expande, por sua vez, nossa sensibilidade a suas carências.  E, assim que o mantra nos conduza para mais longe de nosso auto-centramento, nos voltaremos mais generosamente para os outros, recebendo, em troca, seu apoio.  Na verdade, nosso amor pelos outros, é a única maneira verdadeiramente cristã de medirmos nosso progresso na peregrinação da prece.

O compromisso que, a princípio, essa jornada nos exige, é pouco familiar.  Demanda fé, talvez uma certa negligência para começar.   Porém, uma vez que tenhamos começado, será a natureza de Deus, a natureza do amor, que nos fará voar, ensinando-nos, por experiência própria, que nosso compromisso é com a realidade, que nossa disciplina é a prancha que nos impulsiona à liberdade.  Só podemos provar que é infundado o temor de que a jornada seja mais de “partida”, do que de “chegada”, por experiência própria.  Esta é uma jornada em que, afinal, só a experiência conta.   As palavras ou textos de outras pessoas só podem adicionar alguma luz à realidade completamente verdadeira, completamente presente e, completamente pessoal, que vive em seu coração e, em meu coração.  Milagrosamente, podemos adentrar essa experiência juntos e, descobrirmos a comunhão, exatamente onde a comunicação parecia falhar.

E, a jornada para nosso próprio coração é uma jornada para todos os corações.  E, sob o primeiro raio de luz do verdadeiro, compreendemos que essa é a comunhão, que é o reino, que Jesus nasceu para estabelecer e, no qual, ele novamente nasce em todo coração humano, para que compreenda.