Leitura da Semana (30.12.2007)
“Os Oceanos de Deus" (Dezembro de 1982) John Main OSB, THE PRESENT CHRIST (NY: Crossroad, 1991), pp. 111-112, 116-117.
Nossa vida é uma unidade porque está centrada no mistério de Deus. Mas para ver sua unidade temos que ver além de nós mesmos e com uma perspectiva maior do que geralmente vemos quando o auto interesse é nossa principal preocupação. Apenas quando começamos a abandonar o auto interesse e a auto consciência é que esta perspectiva maior começa a se abrir...
Uma outra forma de dizer que nossa visão se expande, é dizer que nós conseguimos ver além das meras aparências, na profundidade e significado das coisas... não apenas...em relação a nós mesmos mas...ao todo do qual fazemos parte. Este é o caminho do verdadeiro auto-conhecimento e por isto o verdadeiro auto-conhecimento é idêntico à verdadeira humildade. A meditação nos abre para uma forma preciosa de conhecimento…. Este conhecimento que se transforma em sabedoria... uma vez que saibamos, não mais por análises e definições, mas por participação na vida e espírito de Cristo.
A maior dificuldade é começar, tomar o primeiro passo, se lançar na profundidade e realidade de Deus como revelada em Cristo. Uma vez que tenhamos deixado a beira-mar do nosso próprio eu, nós, rapidamente, pegamos as correntes da realidade que nos dá sua direção e impulso. Quanto mais quietos e atentos estivermos, mais sensitivamente responderemos a estas correntes. E, então, mais absoluta e verdadeiramente espiritual se torna nossa fé.
Pela quietude no espírito nos movemos em direção ao oceano de Deus. Se tivermos a coragem de sairmos da beira-mar, não fracassaremos para encontrar esta direção e energia. Quanto mais nos distanciamos, mais fortes se tornam as correntes e mais profunda a nossa fé. Por um tempo, a profundidade da nossa fé é desafiada pelo paradoxo de que o horizonte de nossa destinação está sempre recuando. Aonde estamos indo com esta fé aprofundada? Gradualmente reconhecemos o significado da corrente que nos está guiando e vemos que o oceano é infinito.
Deixar a beira-mar é o primeiro grande desafio, mas é indispensável começar para encarar o desafio. Ainda que os desafios se tornem maiores depois, somos assegurados de que nos será dado tudo que é necessário para encará-los. Começamos dizendo o mantra. Recitando o mantra é estar sempre começando, retornando ao primeiro passo. Com o tempo aprendemos que há apenas um passo entre nós e Deus...Cristo deu este passo. Ele mesmo é o passo...A única forma de conhecer Cristo é entrar no seu mistério pessoal, deixando idéias e palavras para trás. Nós os deixamos para trás para entrar no silêncio do pleno conhecimento e amor para os quais a meditação está conduzindo cada um de nós.