14/06/2006
Cardíacos submetidos à técnica nos EUA tiveram uma redução na pressão sangüínea,
afirma estudo.
Hipótese é que meditação module resposta do sistema nervoso ao estresse; grupo
ressalta que técnica não substitui cuidados médicos.
A meditação transcendental faz bem ao coração que sofre. Muita gente não
acredita, por duvidar de tudo que venha de Maharishi Mahesh Yogi, ex-guru dos
Beatles envolvido no passado em denúncias de sexo com suas fiéis. Mas quem diz,
agora, é a sexta revista médica mais influente do mundo, a "Archives of Internal
Medicine" (archinte.amaassn.org).
A maioria dos médicos e cientistas tende a encarar terapias alternativas como
charlatanice. Mas alguns cardiologistas mantêm a mente aberta, sem descuidar da
medicina baseada em evidências.
Cathleen Merz é um deles. Pesquisadora do Centro Médico Cedars-Sinai e
professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Estados Unidos, ela não
parece preocupada com o risco para sua reputação. Informa que não teve
dificuldade para publicar seu estudo. "Archives" foi o primeiro periódico
procurado e aceitou de pronto o artigo. Não é todo dia que um periódico
científico de grande impacto publica estudos sobre medicina alternativa.
"Somos investigadores estabelecidos em testes clínicos fisiológicos, [o estudo]
foi patrocinado pelos Institutos Nacionais de Saúde e usamos metodologia
rigorosa em todos os nossos estudos clínicos", tranqüiliza a médica, que não
pratica a meditação transcendental (MT). "É importante assinalar que estudamos o
benefício incremental da MT além dos cuidados médicos de praxe."
Seu grupo foi um dos que estabeleceram o vínculo entre problemas nas artérias
coronárias e o estresse, mas não vinha obtendo bons resultados com medicamentos
para controlá-lo. Decidiu então testar a chamada "técnica padronizada de
administração do estresse". No caso, a MT, codificada e ministrada por
discípulos Maharishi no mundo todo, desde 1957.
Não-praticantes
Os 84 participantes do estudo tinham doença coronariana prévia e eram pacientes
do Cedars-Sinai. Foram divididos em dois grupos: um recebeu aulas de MT durante
16 semanas, o outro, palestras sobre vida saudável de mesma duração. A instrução
de MT foi coordenada por três pesquisadores da Universidade Maharishi de
Administração, em Iowa (EUA), os únicos dos oito co-autores que praticavam
meditação.
"Ninguém da equipe primária de investigação pratica a MT. Nós consultamos um
grupo de MT por serem especialistas na intervenção, mas eles não se envolveram
na condução do estudo nem na análise dos dados", esclarece Maura Paul-Labrador,
a primeira autora do estudo.
O grupo aleatoriamente designado para a MT apresentou melhoras estatisticamente
significativas em dois fatores de risco, na comparação com o grupo de controle:
pressão sangüínea e resistência à insulina (quando o corpo não responde bem a
esse hormônio regulador da taxa de açúcar no sangue). Ao lado do colesterol alto
e da circunferência da cintura, são elementos do diagnóstico da síndrome
metabólica que afeta um quarto da população dos EUA e aumenta suas chances de
morrer do coração.
A hipótese do grupo de Merz é que a meditação module a resposta do sistema
nervoso ao estresse da vida contemporânea, uma bateria de sinais enviados ao
corpo que compõe a chamada ativação neuro-humoral. Ela pode conduzir a uma série
de problemas crônicos, como inflamações, que aumentam o risco de uma falha fatal
do coração.
"O ensino de MT é altamente padronizado, de modo que o treinamento de mais de 50
participantes nos três anos de estudo foi consistente ao longo do tempo",
explica Labrador.
No passado, as alegações de efeitos cientificamente comprováveis da MT deram
origem a uma controvérsia acalorada, com acusações de fraude e preconceito. Mas
Merz avisa que já está estudando a possibilidade de pedir financiamento para
fazer um estudo maior ainda.
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NA INTERNET - Leia mais sobre a polêmica em torno da MT en.wikipedia.org/wiki/Transcendental-meditation
Autor: MARCELO LEITE
Fonte: O Estado de São Paulo