A verdadeira dificuldade em definir a consciência cristã é que esta não
é nem coletiva nem individual. É pessoal, e é uma comunhão de santos.
Do ponto de vista da oração, quando digo consciência estou falando da
que é mais profunda do que a consciência moral. Quando rezo, não estou
mais falando com Deus nem comigo amado por Deus. Quando rezo, a Igreja
reza em mim. Minha oração é a oração da Igreja.
Isto não se aplica apenas à liturgia: aplica-se também à oração
particular, porque sou membro de Cristo. Para rezar de forma válida e
profunda, tem de ser com a consciência de mim como sendo mais do que
apenas eu mesmo quando rezo. Em outras palavras, não sou só um indivíduo
quando rezo, e não sou apenas um indivíduo com graça quando rezo. Quando
rezo, sou, em certo sentido, todo mundo. A mente que reza em mim é mais
do que minha própria mente; e os pensamentos que me vêm são mais do que
os meus próprios pensamentos porque, quando rezo, esta consciência
profunda é um lugar de encontro entre eu e Deus, e do amor comum de
todos. É a vontade e o amor comuns da Igreja encontrando-se com a minha
vontade e a vontade de Deus na minha consciência quando rezo.”
Thomas Merton in Alaska,
de Thomas Merton
(New Directions Press, New York),1988, p. 134-135