PERCEPÇÃO DO CRISTO MAHATMA GANDHI
(CRISTO VISTO POR GANDHI)
Cristo é a maior força espiritual que o homem até hoje conheceu. Ele é o exemplo mais nobre de quem deseja dar tudo sem nada pedir. Vejo em Cristo o supremo modelo: manifestou, como nenhum espírito, a vontade de Deus. Ele pertence aos homens de todas as raças que conservam a fé dos antepassados. Ele é todo amor. O amor, seu supremo mandamento, é dirigido antes de tudo aos mais fracos, aos abandonados.
Vejo em Cristo o homem perfeito e em sua morte na Cruz o mais lindo exemplo de sacrifício. Jesus ofereceu sua vida na Cruz e Pilatos venceu. Não concordo. Jesus venceu e a história do mundo deu-nos amplas provas. A aceitação, a glorificação do sofrimento e do sacrifício levaram Cristo à Cruz, acontecimento eterno na história da humanidade, acontecimento que deve inspirar nossa vida.
O Cristo histórico é verdadeiro, sem dúvida nenhuma. Não se pode negar a autenticidade dos testemunhos de seus apóstolos que nos referiram suas palavras e ações. Mas a história de Cristo é a mais verdadeira das verdades históricas: encarna a lei eterna do amos. Cristo, de fato, não só carregou sua Cruz há mil e novecentos anos, mas morre e renasce a cada dia. Seria pouco consolador para o mundo depender apenas de um Deus histórico, morto há mais de mil e novecentos anos.
Vocês, cristãos, assimilam e fazem sua a essência do sacrifício representado pelo pão e pelo vinho da Eucaristia. Sacrifício que se tornou moeda de resgate do mundo por meio do ato mais perfeito que existe... “ Tudo está consumado”, foram as últimas palavras de Cristo.
Cristo não carregou a cruz somente há mil e novecentos anos: carrega-a hoje e morre e ressuscita dia após dia.
Aconteceu-me muitas vezes de não saber por onde começar. Então abri o Novo Testamento e de sua mensagem recebi a luz. Não é necessário que eu condivida a fé dos cristãos para que Cristo exerça influência na minha vida... Eu rejeito sua carga de pecado... Eu me sinto um com o Criador. Mas Cristo não pertence só ao Cristianismo, pertence ao mundo inteiro. Estou convencido de que se Cristo voltasse abençoaria a vida de muitos que nunca ouviram seu nome, mas que, com sua vida foram um exemplo vivo das virtudes que ele praticou: amar o próximo mais que a si mesmo e fazer o bem a todos e o mal a ninguém.
Bebam nas fontes do Evangelho!
Um cristão poderia encontrar na repetição do nome de Jesus o mesmo bálsamo que o hindu encontra na Romanama. Essa repetição vem da mesma essência do nosso ser. Ela cura todos os sofrimentos e permite viver muitos dias sem comida para o corpo, mas não sem oração. È uma força ilimitada. Comparada com ela, a bomba atômica não é nada.
Não confundam os ensinamentos de Jesus com aquilo que acontece na civilização de hoje...
Não obstante toda a fé que vocês têm em sua civilização, conservem um bocadinho de humildade. Bebam na fonte do Sermão da Montanha, ouçam o que Cristo ensinou. Seus ensinamentos são válidos para cada um de nós. O Sermão da Montanha foi-me direto ao coração. Eu estava transbordando de alegria lendo o Evangelho: encontrava a confirmação de minhas idéias exatamente onde esperava encontra-la.
Os homens não são suficientemente humildes, suficientemente desapegados dos bens e do poder, para poderem compreenderem a mensagem de Cristo. Quando ouço cantar “Glória a Deus e paz na terra” pergunto onde se presta hoje floria para Deus e onde existe paz na terra. Enquanto a faz for fome não saciada, enquanto não eliminamos a violência de nossa sociedade, Cristo não terá nascido.
MEDITAÇÃO CRISTÃ - BOLETIM DO RIO DE JANEIRO Nº 42 PAG 8 JULHO DE 2007
(Transcrição parcial de tópico do capítulo "Assim pensava o Mahatma" do livro Mahatma Grandhi - o Apostolo da não violência Org. por Humberto Rohden. São Paulo Editora Martin Claret, 2005)