O pensamento do Papa Bento XVI,
segundo o cardeal Ratzinger
Encontro com alguns jornalistas da Agência Zenit
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 19 de abril de 2005 (ZENIT.org).- O anúncio de Cristo e seu Evangelho em um mundo relativista é para o novo Papa, Bento XVI, um dos desafios centrais da Igreja.
-Ante a busca atual de espiritualidade, muita gente recorre à meditação transcendental. Que diferença há entre a meditação transcendental e a meditação cristã?
--Cardeal Ratzinger: Em poucas palavras, diria que o essencial da meditação transcendental é que o homem se expropria do próprio eu, une-se com a universal essência do mundo; portanto, fica um pouco despersonalizado. Pelo contrário, na meditação cristã, não perco minha personalidade, entro em uma relação pessoal com a pessoa de Cristo, entro em relação com o «Tu» de Cristo, e deste modo este «eu» não se perde, mantém sua identidade e responsabilidade. Ao mesmo tempo abre-se, entra em uma unidade mais profunda, que é a unidade do amor que não destrói. Portanto, diria em poucas palavras, simplificando um pouco, que a meditação transcendental é impessoal, e neste sentido «despersonalizante». Enquanto que a meditação cristã «é personalizante» e abre a uma unidade profunda que nasce do amor e não da dissolução do eu.