From: zimnezdroje@hotmail.com
To: padrescasados@grupos.com.br

 

 3 perguntas - colocações


 

Nos anos 90 ouvi da boca de um padre capixaba seguintes palavras (que ele ouviu de um outro, alemão): 

"Uma comunidade religiosa é um lugar, onde as pessoas vivem juntas, mas não se conhecem, não se amam e quando alguém morre, ninguém chora por ele."

Seria verdade?:-)

Maioria dos meus 14 anos de sacerdócio romano passei em Angola, no Vale do Jequitinhonha e no sertão baiano. Naquele tempo também pedimos, para que um colégio ou uma paróquia rica da Congregação assumir as paróquias missionárias. Nunca conseguimos.

Nos meados dos anos 90 o bispo de Almenara, Vale do Jequitinhonha, conseguiu "Dioceses irmãs" do sul de Minas Gerais (Guaxupé, Pouso Alegre e mais uma), mas na prática, nem conseguiu um padre sequer, nem outro tipo de apoio. Solidariedade e irmandade, sim, mas na maioria dos casos só no papo. Ce la vie!:-)

Miro

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From: fassisresende@uol.com.br
To: padrescasados@grupos.com.br
Sent: Sunday, November 18, 2007 9:54 PM
Subject: Re: [padres casados - mpc] 3 perguntas - colocações

 
Caro amigo:
 
O cristianismo no seu início cresceu porque os cristãos perseveraavam no ensinamento dos apóstolos, na fração do pão e, entre eles, não havia necessitados. Não era isto o que ocorria?
Há uns 36 anos atrás, eu era membro de uma equipe paroquial de uma freguesia rica em S. Paulo. Havia paróquias vizinhas onde os padres passavam necessidade. Você já notou que paróquia rica não ajuda a pobre?
Minha ordem religiosa era proprietária de bons hospitais em S. Paulo. Você sabia que ela não atendia grastuitamente outras congregações religiosas, nem mesmo padres ou bispos? Acaso alguma faculdade ou colégio de propriedade de religiosos ou religosas oferece bolsa de estudos, regularmente, para outros religiosos ou padres?
Quando deixei a ordem religiosa, a única coisa que ofereceram foi um corte para mandar fazer o terno.
 
Acho que muitos de nós saímos porque não podíamos dizer: vejam como eles se amam!
O casamento estava num segundo plano.
 
Fora do clero, há muita gente que mudou e há muita gente que continua pensando sómente em si e na instituiçãp onde está.
 
Queremos ser idealistas e ter o sonho de Jesus Cristo. Queremos olhar para a frente!
 
Charles de Foucauld viveu a espiritualidade de Nazaré. Vida oculta pode ser muito frutuosa para o Corpo Místico de Cristo. Não tenhamos pressa de ver as mudan ças. O tempo histórico é longo e Deus é eterno.
 
Com um abraço,
 
Francisco Resende
----- Original Message -----
From: zimnezdroje@hotmail.com
To: padrescasados@grupos.com.br
Sent: Sunday, November 18, 2007 12:50 PM
Subject: [padres casados - mpc] 3 perguntas - colocações

 

Quero fazer três perguntas, colocações...

 

1. Assistindo a troca de e-mails por causa da identidade do MPC (questão de Milingo, etc.) vi que a conclusão foi seguinte: MPC É UM MOVIMENTO DOS PADRES CASADOS QUE CONTINUAM LIGADOS A IGREJA CATÓLICA APOSÓLICA ROMANA. Significa que todos os padres casados, que continuariam a lutar para exercer a sua vocação sacerdotal, pastoral, missionária, etc., em outras Igrejas cristãs, pois deixaram de iludir-se sobre um lugar para eles na ICR ou cansaram de ficar num escanteio e decidiram, por enquanto, militar sob outras siglas, automaticamente estão excluídos do MPC?

 

2. João, parece que você já têm mais que 250 endereços dos padres casados no Brasil? Por que nunca fizeram uma pesquisa – questionário com x perguntas, para saber: a visão deles, ansiedades deles, avaliação da atuação do MPC no passado, propostas para o futuro deste movimento, etc?

No passado estive falando com o pastor Elben sobre a sua pesquisa entre os padres casados. Responderam poucos, mas responderam bastante, para ele poder fazer e publicar uma avaliação para a realidade dos padres casados, que interessava muito a ele, a um pastor protestante. Creio que a fraqueza do MPC fica mais no medo de mudar certos “rumos”... Existe muita nostalgia, muita cansativa espera pela atitude do Vaticano, mas nenhum alvo mais concreto para ser alcançado em pró dos padres casados.

 

3. Vejo que MPC está muito bem de recursos, pois quer bancar a passagem e estadia a dois padres em ativa, NÃO CASADOS, entretanto não vi nem uma oferta de ajudar na passagem e estadia em Recife quanto aos padres casados sem recursos, com graves problemas financeiros, etc. A vinda e a participação destes padres não seria muito mais viável e valiosa, do que daqueles dois? Bastaria de convidar algum representante do clero de Recife, que poderia vir a pé para o encontro de janeiro, sem muitos gastos.

Já escrevi em 2005 sobre a atitude de alguns dos padres casados com quem falei, que foram para os encontros do MPC uma vez  e nuca mais queriam ir. Eles foram lá buscar um grupo unido e solidário, foram acabar som sua solidão, mas encontraram choro, nostalgia, muito papo  EGOISTA, depois do qual cada um voltou às suas costas para os outros, mais ricos voltando para casa de avião ou de carros, mais pobres de ônibus, sem preocupar-se com a união, solidariedade, etc. É, o que me disseram, mas não só no Brasil...

 

Abraços do sertão seco e quente,

Miro