Amigo Mário, lendo o e-mail de Pe. Paulo Lucio achei que podia dar algumas opiniões sobre o assunto. Vão aí em anexo algumas sugestões. Talvez ajudem em alguma coisa.

    Quanto à tradução do artigo do Pe. Marcos, já encaminhei a mesma. Em breve irei enviá-la.

    Meu abraço amigo! Celia.

 

 

 

AOS  PADRES  CASADOS

 

“Brilhe vossa luz diante dos homens para que vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).

 

         Faz muitos anos que me sinto ligado aos padres casados, não diretamente nas suas atividades, mas em pensamento e de coração. É por isso que gostaria de dar algumas sugestões em resposta ao apelo de Pe. Paulo Lúcio no seu e-mail do dia 13/04 p.p. para o MPC em ter seu bispo ou bispos.

 

         Na minha opinião chegou a hora de os padres casados realizarem a  organização para a escolha de seus bispos, tendo em mente não um cisma, mas a UNIDADE NA DIVERSIDADE. Não sou eu que vou lembrar o quanto os primeiros apóstolos diversificaram as suas atividades nos diversos países onde foram atuar, constituindo Igrejas de acordo com a época e a cultura de cada povo. Até hoje temos no Oriente as Igrejas católicas ligadas a Roma, reconhecidas pelo Vaticano, com seus padres casados e também os celibatários por opção. Refiro-me aos Maronitas, Melquitas, Uniatas, Armênios ... Na prática acredito que seria interessante, antes de mais nada, verificar quem dos padres casados realmente quer continuar a exercer o ministério, fazendo a listagem dos mesmos. Depois sugiro que este grupo escolha seus bispos entre eles. Formar um colegiado de bispos para coordenar este trabalho seria o mais indicado. Uma sugestão para sagrar estes bispos seria convidar alguns bispos de diversas Igrejas como a Anglicana, Ultrecht... que certamente aceitarão o convite e assim já se fortificará a inter-comunhão das diversas Igrejas Cristãs que já a possuem e ao mesmo tempo cada uma preserva a sua identidade própria. Para propor isso considero mais uma vez que é na UNIDADE DA DIVERSIDADE que se encontra a riqueza espiritual e não na uniformidade. A Igreja-Jesus-Cristo é uma, é única!!! Por que manter separado o que é intrinsecamente uno, formando o Corpo Místico de Cristo? “Pai, que todos sejam um, assim como tu e eu somos um” (Jo 17,21).

 

         Como os padres casados vão atuar na prática? Isto também é uma questão a ser debatida e estudada juntamente com os bispos escolhidos. Vão constituir paróquias conforme o modelo existente? Vão trabalhar com multidão, com massas de pessoas, ou vão constituir verdadeiras Comunidades Cristãs onde cada pessoa se sente integrada, participativa com condições de crescimento humano-espiritual? Tudo isto vai fazer a diferença em a Igreja ser profética ou não. Para sermos “luz diante dos homens” não o seremos isolados, mas comunitariamente. Este é um grande desafio que seria bom levar em consideração: a evangelização na Comunidade Cristã e a vivência cristã direta e eficiente! O padre casado integrado e interagindo na Comunidade que preside. Não como alguém superior, mas igual a todos, destacando-se, porém, no serviço e dedicação a todos e a todas.

 

         Este seria um passo para frente, para o futuro, que certamente produzirá seus frutos abundantes com o passar do tempo. É preciso ousar! É preciso ser testemunha da fé autêntica. Depois do passo para o casamento, os padres casados certamente têm muito mais a dar de si para a edificação do Reino de Deus! Só “uma luz colocada em cima do candeeiro é que pode iluminar”!

 

         Desculpem a minha intromissão, mas acredito que mais pessoas, também mulheres deveriam opinar sobre este assunto!

 

Contem com minha prece para que o Espírito Santo de Deus ilumine e agracie este novo passo!

 

Meu abraço amigo e fraterno!

 

Pr. Maria Celia Bach