Ora Et Labora quer deixar claro para os amigos visitantes que não somos contra o celibato, pelo contrário, achamos que o celibato para Reino é um grande dom de Deus.
Só achamos que não necessariamente deva estar ligado ao Presbiterado e que se trata de uma disciplina da Igreja católica que pode ser mudada a qualquer momento, pois não é de ordem Divina.
Achamos que a imposição legal pode fazer aceitar o celibato como um ônus e daí nascem muitos problemas para a pessoa e para a Igreja.
O celibato quando é uma opção, fruto de maturidade espiritual e dedicação total a Deus através de serviço à comunidade torna a pessoa realizada e sempre aberta para o outro.
Quando ao contrário não é vivido, torna a pessoa recalcada, egoísta, arrogante, insegura, sempre à procura de aplausos: um eterno adolescente, sempre fugindo de si mesmo.
O celibato mal vivido leva a pessoa à procura de "baratas compensações", como alcoolismo, futilidades, autoritarismo, quando não degenera em vícios hediondos como pedofilia.
Achamos também que em nosso meio são poucos que vivem integralmente o celibato, logo é um dom de poucos.
Temos exemplos magníficos de pessoas celibatários como os santos; Francisco de Assis, Tereza de Calcutá, Irmã Dulce e milhares de padres, freiras e leigos celibatários que dedicam a vida toda em beneficio dos outros.
Estes seguem o Cordeiro Jesus em tudo: são especiais no Reino.
Mas também achamos que este dom não é dado a todos e pode até ser temporário, por que não divulgar a idéia, dedicar um período da vida totalmente à serviço do Reino, e depois se for o caso e decidir-se para vida conjugal.
Para mostrar que Ora Et Labora acredita no celibato aqui colocamos um trabalho de Mario Palumbo em ocasião de 50 anos de vida religiosa da sua irmã Angelina.


Bodas de ouro da irmã Angelina Palumbo de Jesus
11 de fevereiro 1953- 11 de fevereiro 2003

Ano Santo 1950: Angelina Palumbo postula o habito das Irmãzinhas da Assunção


Das praias napolitanas uma jovem, na flor da idade dos vinte anos, fugia dos seus pretendentes para correr em busca de Quem nunca vira, mas o amava, Quem nunca vira, mas nele depositava toda sua confiança.
Dizia a todos que seu namorado era forte, loiro dos olhos azuis.
Não podia ser comparado com nenhum outro jovem da Cidade.
Por toda a infância e adolescência havia esperado, ansiosa, o encontro com o Amado que, sem imaginar, estava ao seu lado, enquanto ajudava a mãe a criar seus sete irmãozinhos, enquanto os terrores da guerra e suas privações flagelavam o mundo.
Quando no Ano Santo, 1950, reiniciava o renascimento da economia italiana, O Amado a conduziu a Genzano.
Lá, a beira do lago de Nemi, como sobre o lago de Tiberiades, a flores do jardim e o nardo expandiam seus perfumes. Sentia a fragança do perfume do Amado-Amante.
Queria correr ao encontro, ser introduzida no tálamo do Rei,
receber suas ternuras. Ter a direita em baixo da cabeça e a
esquerda abraçando-a.
Vem o inverno!
uma cortina de neblina esconde o jardim e o azul do lago.
Já não se ouve mais a voz da tortura, nem as videiras expandem seus perfumes!
No lugar dos cabelos loiros e dos olhos azuis do Amante, eleva-se um muro: é o muro da dura realidade , do terrível quotidiano, da Fragilidade humana, Do olhar severo da Madre Superiora, em toda rigidez das Santas Regras. É a vida em comunidade , minha máxima penitência.
É a noite obscura dos sentidos . É a espada da cruz! É a renuncia à própria vida!


Lembra quando, recém formada enfermeira, te deixaram sozinha para vestir um cadáver, sua vontade era fugir. Recebeste um solene rimprovero da madre superiora?
Meu amado, ei-lo postando-se
atrás da nossa parede,
espiando pelas grades,
espreitando pela janela.
O meu amado fala, me diz:
"Levanta-se, minha amada,
o Ressuscitado me diz:
Angelina, me amas, mais do que estes?
Vai, aos meus irmãos!
Levanta-se, minha amada
formosa minha, venha a mim !
Pomba minha
que se aninha nos vãos do rochedo,
na fenda dos barrancos...
pois a sua face é tão formosa. Deixe-me ver a tua face,
deixe-me ouvir a sua voz,

Vai na rua Bixio para ajudar os doentes pobres!Em meu leito, pela noite,
procurei o amado do meu coração;

Procurei-o e não o encontrei!(Ct, 3-1)
Si, Rabboni, te procurava, onde não podia encontrar-te, nas consolações espirituais,sobre o leito do meu egoísmo,não no despogiamento total de mim mesma até te encontrar na fusão e compaixão de todos e para com todos os seres, como uma só coisa contigo e em Ti.
Si, Raboni, não posso tocar você, Devo primeiro tocar as suas chagas nos seus irmãos, para anunciar a todos que você vive, que você é o Ressuscitado, que a morte está definitivamente morta!
Vou levantar-me,
vou rondar pela cidade,
pelas ruas,pelas praças
procurando o amado da minha alma...(Ct,3-2)

Irei na rua Bixio (rua Bixio foi o primeiro trabalho da Irmã Angelina) Lá poderei ver, tocar o meu Senhor!Visitando os doentes verei a face do Senhor: Fratrem vidisti,Dominum vidisti!
Você viu um irmão,você viu o Senhor!

Nos anos 1955-60,estudante de teologia em Roma,querida irmã Angelina, meu coração ficava apertado quando te via, em plena juventude, na feira da praça Vittoria fazendo as compras ara os seus doentes pobres! Sabia que na casa do doente você era enfermeira e domestica e tudo com alegria e sem poder aceitar um copo de água.Você sabe que sempre gostei de espiritualidade, mas mais por leituras do que de prática! Por isso não entendia e não compreendo, pois compreender significa assumir.
Desde então meio século se passou e você continua a tratar das feridas do Crucificado, tratando e servindo os seus doentes, suportando com alegria ingratidões e incompreensões. De outro lado ninguém pode ser maior do que o Mestre na oferta da maior prova de amor,que é doar a vida para os irmãos!
Em minha ultima visita em Roma, você se arrastava, com fatiga para ir ao encontro dos irmão de Jesus. Estávamos na praça São João, pedi para você ir procurar um bom médico.
A sua resposta ficou esculpida no meu coração: " Mario, devo-me consumir para eles!" Continuo com o mesmo conselho para você. Admiro,porem o seu belíssimo casamento e sou feliz de ser amigo do Esposo...
Filhas de Jerusalém,
pelas cervas e gazela do campo,
eu conjuro vocês:
não despertem, não acordem o amor,
até que ele o queira!(Ct 3,5)
Mais de meio século,
Sem vê-lo, creste nele,
sem vê-lo o amaste!

Mais de meio século de um amor louco!
Agora O amas mais ainda, mesmo sem ter consciência,
Você O amou e acreditou Nele,sem nunca vê-Lo!
Isto te da uma alegria indizível e gloriosa,
pois alcanças o tálamo nupcial:
A plenitude da fusão com o Amado.
Meio século de amor não é nada em comparação aos bilhões de anos luzes do Amante. Tudo que você fez e faz é nada! Ele te ama infinitamente mais!
Nos aplaudindo a esta loucura, arrastados pelo Vento Divino, repetimos: Maranata!
Com Maria de Nazaré, protótipo da plenitude de Deus em uma criatura e do vazio que uma criatura pode oferecer,contigo, repetimos, admirados

maranata e cantamos
Magnificat! Si, O Senhor faz maravilhas !

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