Leonardo Boff concede entrevista para revista Epóca Novembro/2000, e fala sobre fé, casamento, Papa João Paulo II e muito mais.

Colocaremos aqui um trecho da entrevista se quiserem na íntegra mande-nos e-mail.

 

ÉPOCA: O senhor vai à missa?
Boff: Sou um cristão indignado, mas piedoso. Sinto grande saudade da missa solene que rezava todos os domingos com o coro dos Canarinhos de Petrópolis, não raro em latim e sempre com muito incenso.
Nas comunidades de base, e entre cristãos emigrados da instituição, mas não do Evangelho, continuo a celebrar, batizar, casar e enterrar os mortos. O último amigo que enterrei, a pedido dele próprio, foi Darcy Ribeiro.  

ÉPOCA: O casamento atrapalha a vida do sacerdote?
Boff: O celibato atrapalha muito mais que o casamento. O matrimônio faz o padre mais sensível aos problemas dos outros, porque os vive na própria pele. Ao celibatário é imposto um modo de ser que o torna distante do mundo real. Isso só se presta a uma Igreja que não quer dividir poder com ninguém, nem com mulher, filhos e família.

ÉPOCA: O senhor é favorável à ordenação de mulheres para o sacerdócio?
Boff: Toda teologia séria, hoje, diz que não há objeção à ordenação de mulheres. A objeção é ideológica. O patriarcalismo da hierarquia católica quer uma sociedade de homens para manter privilégios injustamente acumulados ao longo da História.

ÉPOCA: Como o senhor reage ao veto da Igreja Católica ao uso de preservativos?
Boff: Considero uma irresponsabilidade e uma inimizade com a vida. Mas não me surpreendo. Em fóruns internacionais, o Vaticano sempre vota questões relacionadas à família e à sexualidade ao lado das piores companhias: os xiitas, os fundamentalistas, os reacionários.

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