Oraetlabora agradece Rogério e Zenóbia pela matéria abaixo relatada
Para
um novo Concílio
Iniciativa Internacional a favor de um Novo Concílio
(CADERNO
DE TRABALHO PARA O PERÍODO 2003 - 2004)
2002 - 2003
Balanço e perspectivas
15 de setembro de 2003
Proconcil
Ponto de Encontro e Mediação
proconcil@proconcil.org http://www.proconcil.org
ÍNDICE
Pág.
Apresentação...............................................................02
Introdução...................................................................02
Assinaturas de Bispos.....................................................05
PRIMEIRA PARTE: Respostas à Iniciativa.............................06
A) Contribuições de pessoas que apoiaram a Iniciativa..........07
B) Tendências entre as pessoas que pedem um novo Concílio.12
C) Objeções a um novo Concílio........................................13
D) Relação entre Pontificado e novo Concilio..................
....14
E) Para continuar avançando............................................15
SEGUNDA PARTE: Expectativas de futuro............................16
Consideração prévia........................................................16
A) Sobre o ambiente conservador......................................16
B) Sobre o ambiente progressista......................................18
C) Cenários pessimistas e otimistas...................................19
D) Importância dos sujeitos coletivos.................................20
E) Necessidade de mediações...........................................21
TERCEIRA PARTE: Perspectivas de trabalho.........................21
A) Marco temporal..........................................................22
B) Modelo organizativo....................................................23
C) Valores e atitudes......................................................23
D) Diálogo Igreja - Sociedade...........................................24
E) Alguns critérios metodológicos......................................24
Sobre os autores do documento........................................25
Apresentação
O
documento que lhes oferecemos é dirigido a todas as pessoas e comunidades
eclesiais interessadas em participar e dinamizar esta Iniciativa, que se inaugura
com uma carta dirigida ao Papa, na qual os signatários se manifestam
em favor de um Novo Concílio.
O apoio a essa carta é o eixo desta Iniciativa, que foi assinada, até
agora, por mais de 10.000 pessoas, entre as quais trinta e seis Bispos católicos.
Na elaboração deste documento participou um grande número
de pessoas (leigos, teólogos, religiosos, Bispos...). Os coordenadores
de Proconcil foram propondo sucessivos rascunhos, aos quais se foram incorporando
novos aspectos e considerações.
Agora, o texto se torna público e se trata de difundi-lo amplamente.
Sua função até o fim de 2004, é servir de instrumento
de trabalho, reflexão e comunicação, que nos permita continuar
avançando no processo de elaboração coletiva de uma estratégia
de transformação para a Igreja, eficaz, integradora e com uma
ampla participação do Povo de Deus.
Recomendamos usar este documento coletivamente, refletindo e debatendo sobre
ele no ambiente de suas comunidades, paróquias, dioceses, congregações,
etc.
Os comentários, opiniões e propostas que recebermos servirão
para publicar, no final de 2004, ou no começo de 2005, um novo documento,
mais amplo, mais matizado e mais profundo.
Como poderão ver, se trata de um "documento em processo", aberto
à participação do Povo de Deus, independentemente de seu
status ou das opiniões que tenham sobre a Igreja.
O fruto desse esforço coletivo será tornado público e oferecido
também à hierarquia eclesiástica, como expressão
de corresponsabilidade e compromisso com a marcha de nossa Igreja.
Introdução
A Iniciativa Internacional Para um Novo Concílio.
Em abril de 2002 tornou-se pública a carta aberta intitulada "Para
um novo concílio" pedindo ao Papa (ao atual ou outro, pois a Iniciativa
continua aberta indefinidamente) que convoque um novo Concílio Ecumênico,
com uma série de características http://www.proconcil.org); a
carta diz assim:
As pessoas abaixo assinadas, seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré,
solicitamos ao Papa, Bispo de Roma, em continuidade com o espírito do
Vaticano II, a convocação de um novo Concílio Ecumênico
que ajude a nossa Igreja Católica a responder evangelicamente, em diálogo
fraterno e com a maior colaboração possível com as demais
Igrejas Cristãs e as outras religiões, aos graves desafios da
Humanidade, em particular dos pobres, num mundo em rápida transformação
e cada vez mais interrelacionado.
Conscientes da dificuldade que acarreta a organização de um Concílio
Ecumênico, pedimos, dentro das novas facilidades de comunicação
e intercâmbio, que seja concebido como processo conciliar, participativo
e co-responsável, a partir das Igrejas Particulares, locais e continentais.
Propomos que se realize ao longo de um período de tempo suficientemente
amplo e com uma metodologia apropriada, para que a comunidade de crentes possa
pronunciar-se sobre os temas que considera mais importantes e urgentes, sendo
coletadas suas contribuições para o debate e as decisões
conciliares.
Em comunhão com toda a Igreja e particularmente com o sucessor de Pedro,
oramos para que o Espírito nos assista, para responder - com profecia
e esperança - ao desejo de diálogo e renovação que
inunda grande parte do Povo de Deus.
A esse desejo queremos respeitosamente responder, firmando esta petição.
Até o momento, esta petição foi apoiada por mais de 10.000
assinaturas de apoio de todos os setores da Igreja (leigos, diáconos,
religiosas e religiosos, sacerdotes...); entre elas se encontrem as assinaturas
de 36 Bispos católicos, que decidiram apoiar publicamente a Iniciativa.
É importante destacar e esclarecer os seguintes elementos:
1) As pessoas que promovem a petição se declaram cristãs
e católicas, ou seja, seguidoras de Jesus de Nazaré e membros
da Igreja Católica Apostólica Romana. Não obstante, a carta
é aberta ao apoio que queiram livremente prestar-lhe outras pessoas que
simpatizam com seu espírito.
2) A carta é dirigida ao Papa, como pessoa e como instituição,
por isso não se dirige unicamente ao atual, mas também ao que
vier a substituí-lo no futuro. É, por tanto, uma iniciativa aberta,
que uma vez tornada pública, tem vocação de manter-se como
um dos diversos referenciais favoráveis a um novo concílio.
3) Na carta se pede um novo Concílio Ecumênico, com a participação
e colaboração de outras Igrejas Cristãs e outras religiões,
enquanto possível. A iniciativa surge da Igreja Católica Apostólica
Romana, mas deveria ser facilitada ao máximo a participação
e colaboração de outras Igrejas Cristãs, e inclusive de
outras confissões religiosas.
4) O Concílio se realizaria em continuidade com o Vaticano II, ou seja,
atualizando e desenvolvendo sua herança, ao mesmo tempo em que se incorporariam
novos temas e preocupações. Os promotores da carta não
pensam que o Vaticano II esteja esgotado, mas sim ao contrário, consideram
que deve receber um novo impulso mediante um concílio que retome questões
pendentes e incorpore outras novas.
5) Espera-se do novo Concílio que ajude a Igreja a responder evangelicamente
aos grandes desafios da Humanidade, em especial dos homens e das mulheres atormentados
pela violência, a pobreza e a exclusão. Os abaixo assinados esperam
que, do processo conciliar surja um novo clima de renovação e
confiança, para enfrentar melhor os desafios que o mundo atual coloca
ao anúncio da palavra de Deus e a construção do Reino,
atuando, de preferência, a partir da realidade dos pobres.
6) O contexto que justifica a carta é um mundo em rápida transformação
e cada vez mais interrelacionado. As sociedades, as formas de produção
e reprodução da vida social estão se transformando muito
depressa, fenômeno que convoca a nós, cristãos, a renovarmos
nossa fé e nossas práticas religiosas. Os promotores da Iniciativa
se fazem eco dessa sensibilidade renovadora e do desejo de "pôr em
dia" a Igreja, que é comum a amplos setores da comunidade católica
e cristã. Assim sendo, decidem não entrar em detalhes acerca dos
temas concretos dessa renovação, pois consideram que a agenda
conciliar deveria brotar como fruto de uma ampla participação,
na medida em que se abram novos espaços para o diálogo e a comunicação.
7) Dadas as evidentes dificuldades de organizar um novo concílio, acreditamos
que possa ser concebido como processo conciliar, participativo e co-responsável,
fazendo uso das tecnologias e dos meios que facilitam a comunicação
e o intercâmbio, partindo das Igrejas Particulares, locais e continentais.
Para os promotores da carta as sessões conciliares no estilo do Vaticano
II, caso sejam necessárias, constituiriam uma parte entre outras, de
um processo mais amplo de participação, diálogo e tomada
de decisões, que abrangeria de maneira processual as diferentes Igrejas.
8) Os prazos de tempo deveriam ser suficientemente amplos, para facilitar a
participação ampla do Povo de Deus. O espírito da carta
é favorável a que um novo Concílio ofereça condições
eficazes que facilitem a participação do Povo de Deus em todos
os níveis, inclusive os debates e as decisões conciliares, e para
isto seria necessário definir procedimentos de eleição
que garantam a representatividade dos delegados.
9) A petição é feita de maneira respeitosa, manifestando
a vontade de comunhão com o Sucessor de Pedro e orando para que o Espírito
de Deus nos ajude a todos a encontrarmos caminhos de diálogo e renovação.
Os promotores tomaram o cuidado de não ofender a sensibilidade de ninguém
e não dar ocasião de que seja feita a acusação de
estar contra o Papa ou o governo atual da Igreja. Sua intenção
é contribuir para que sejam abertos novos caminhos de renovação,
sem excluir ninguém, comprometidos com a estabilidade e o fortalecimento
da Igreja Católica, e solidários com seu maior representante.
10) A forma de apoiar esta petição consiste em assiná-la
individualmente, mesmo se não se exclui a possibilidade de que haja assinaturas
coletivas de organizações. Mesmo se a simpatia e identificação
com a carta se exprime mediante uma assinatura, não se trata absolutamente
de uma campanha de pressão (de fato, não optamos por recolher
um número avassalador de assinaturas) ao contrário, trata-se de
uma iniciativa de sensibilização, para estimular a reflexão
e o debate sobre as condições, forma e conteúdos de um
futuro concílio ecumênico, integrador, favorável à
abertura - "aberturista" - e participativo.
Além do conteúdo da carta, é importante ter em conta a Introdução que a precede, que diz o seguinte:
Esta
Iniciativa nasce de pessoas investidas em cargos de elevada responsabilidade
na Igreja Católica, que desejam oferecer uma contribuição
positiva ao anseio de diálogo e comunhão que uma grande parte
da comunidade eclesial está exprimindo.
A Iniciativa que se apresenta é independente de toda organização
eclesial ou social e, ao mesmo tempo, se oferece ao Povo de Deus para que possa
ser apoiada por todas as pessoas e instituições que se identifiquem
com ela. Consiste numa petição coletiva, dirigida respeitosamente
ao Papa, para que abra um processo conciliar em direção a um novo
Concílio Ecumênico da Igreja Católica.
Esta ação deve ser compreendida como uma expressão construtiva
para animar a comunhão na comunidade católica e conseguir um amplo
consenso, com o objetivo de que se possam abrir novos espaços de diálogo
e comunicação, nos quais seja possível exprimir, com liberdade
e misericórdia, preocupações, esperanças e novos
caminhos de renovação.
Um novo Concílio Ecumênico, em continuidade com o Concílio
Vaticano II, poderia ser uma oportunidade para toda a Igreja, com o fim de oferecer
a seus fieis e a toda a sociedade um rosto renovado, capaz de dar resposta eficaz
a seus desafios internos e às circunstâncias do mundo de hoje,
especialmente às realidades de desigualdade, pobreza, exclusão,
abusos e violência que afetam grande parte da Humanidade.
Certamente, a organização de um novo Concílio Ecumênico
precisa de um amplo processo preparatório, que, como processo conciliar,
permita a participação co-responsável de católicos
e católicas do mundo inteiro, assim como também a colaboração,
por quanto possível, de outras Igrejas Cristãs e de outras Religiões.
Desta
introdução destacaremos vários elementos que complementam
a carta dirigida ao Papa:
a) A iniciativa parte de pessoas com cargos de elevada responsabilidade na Igreja
Católica. De fato, em poucas semanas os Bispos firmatários já
eram mais de trinta. Além disto, durante estes meses, altos responsáveis
de diversas organizações eclesiais manifestaram seu apoio.
b) A intenção da carta é oferecer uma plataforma que facilite
a comunicação e o diálogo, tendo em conta um contexto eclesial
e social no qual parece difícil que perspectivas diferentes possam encontrar-se
e chegar a acordos. Os promotores querem contribuir para fortalecer a comunhão
eclesial, dando alento a uma cultura do diálogo e de respeito entre diferentes
setores da Igreja.
c) É uma iniciativa independente, não vinculada nem sujeita a
nenhuma organização eclesial ou social, ainda que esteja aberta
a apoios por parte de qualquer pessoa ou instituição que se identifique
com ela, sempre que tal apoio não desvirtue o espírito evangélico
que a anima.
d) O processo conciliar é o caminho preparatório de um novo concílio,
ainda que possa ser compreendido - como diz a carta, sem que seja contraditório
- como a forma que o novo Concílio adota, no qual as sessões conciliares,
no estilo do Vaticano II, seriam uma parte entre outras, de um processo que
não se esgotaria nelas, e que continuaria depois de sua realização.
e) Desejamos que esta ação seja recebida pela hierarquia e os
fieis de maneira construtiva, sem que ninguém se sinta ameaçado
por ela, nem dê ocasião a um processo em que haja vencedores ou
vencidos. A petição de um processo conciliar se coloca como oportunidade
para toda a Igreja, com a finalidade de dar alento à comunhão
no seio de um espaço de fé plural desde suas origens, no qual
possam conviver de maneira sã diversas sensibilidades e perspectivas
que se enriqueçam umas às outras, mesmo se dentro dos limites
estabelecidos pelos fundamentos da fé cristã, centrada no amor
e nas bem-aventuranças.
As respostas que esta Iniciativa suscitou foram muitas e variadas. Certamente,
na carta é formulada a petição de um novo Concílio
Ecumênico em termos muito gerais, para que possa ser tomada em consideração
e interpretada por diferentes sensibilidades, na intenção de motivá-las
para que contribuam com suas opiniões e suas propostas.
A intenção dos promotores não foi tanto definir em detalhes
porque, como, quando e em relação a quais temas deveria ser convocado
um novo Concílio, mas impulsar a reflexão e o debate sobre todas
estas questões, objetivo que vamos atingindo satisfatoriamente, de tal
maneira que é preciso aprofundá-los mais, ampliando a participação
e abrindo novos espaços de reflexão e debate.
QUESTÕES PARA ANIMAR O DEBATE.
1.-
Que impressão lhe causou a carta dirigida ao Papa? Que pontos dela lhe
parecem mais importantes?
2.- Depois de ter lido os esclarecimentos ao texto, que pontos fortes e fracos
se tornam visíveis na Iniciativa?
3.- Em que sentido esta Iniciativa pode ser compreendida como oportunidade e
em que sentido pode ser vivida como ameaça por alguns setores da Igreja?
NOTA:
Estamos interessados em conhecer suas opiniões
Por favor, escreva-nos: proconcil@proconcil.org
ASSINATURAS
DE BISPOS (Por ordem alfabética)
Arns, D.Paulo Evaristo Cardeal-Arcebispo Emérito de São Paulo.
BRASIL
Austregésilo de Mesquita Filho, D. Francisco Bispo Emérito de
Afogados de Ingazeira. PE. BRASIL
Balduino, D. Tomás Bispo Emérito de Goiás. GO. BRASIL
Calheiros Novaes, D. Waldyr Bispo Emérito de Volta Redonda. RJ.
BRASIL
Cappio, D. Frei Luiz Mário Bispo de Barra. BA. BRASIL
Casaldáliga, D. Pedro Bispo de São Félix de Araguaia. MT.
BRASIL
Cardelli, D. Héctor Sabatino Bispo de Concordia ARGENTINA
Castellanos Franco, D. Nicola Bispo Emérito de Palencia (España).
Missionário da base na BOLÍVIA
Ciocca Vasimo, D. Adriano Bispo Diocesano - Floresta BRASIL
D´Andrea, D. Luís Bispo de Caxias. MA. BRASIL
Dias, D. Apparecido José Bispo de Roraima. Boavista. RR. BRASIL
Fernandes, D. Luís Gonzaga (+) Bispo Emérito de Campina Grande
PB BRASIL
Fragoso, D. Antonio B. Bispo Emérito de Crateús. CE. BRASIL
Furtado de Brito, D. Jacinto Bispo de Crateús. CE. BRASIL
Gilles, D. Xavier Bispo de Viana. Maranhão. BRASIL
Grecchi, D. Moacyr Arcebispo de Porto Velho. RO. BRASIL
Hamao, D. Stephen Fumio Bispo Emérito de Yokohama. JAPÃO
Hesayne, D.Miguel Esteban Bispo Emérito de Viedma ARGENTINA
James, D. Manning Elías Bispo Diocesano de Valença RJ. BRASIL
Kräutler, D. Erwin Bispo Prelado de Xingú. PA. BRASIL
Labayen, Julio Xavier Bispo. FILIPINAS
López de Lama, D. Jesús Agustín Bispo Emérito de
Corocoró BOLIVIA
Luna Tobar, D. Luis Alberto Arcebispo Emérito de Cuenca. ECUADOR
Masserdotti, D. Franco Bispo de Balsas. Presidente do Conselho
Indigenista Missionário. MA. BRASIL
Messias de Oliveira, D. Emanuel Bispo Diocesano de Guanhães BRASIL
Morelli, D. Mauro Bispo de Caxias. RJ. BRASIL
Piña Batllevell, D. Joaquín Bispo de Puerto Iguazú. ARGENTINA
Pires, D. José Maria Arcebispo Emérito de João Pessoa.
PB. BRASIL
Possamai, D. Antonio Bispo de JI- Paraná. RO. BRASIL
Postma, D. Tiago (Jacobus Josef María) (+) Bispo Emérito de
Guarapés. PE. BRASIL
Prata de Carvalho, D. Diamantino Bispo de Campanha-MG BRASIL
Ramazzini, D. Alvaro Bispo de San Marcos. GUATEMALA
Rixen, D. Eugênio Bispo de Goiás. GO. BRASIL
Ruiz, D. Samuel Bispo Emérito de San Cristóbal de las Casas. MÉXICO
Valentini, D. Luiz Demétrio Bispo de Jales. SP. BRASIL
Werlang, D. Guilherme Antônio Bispo de Ipameri. GO. BRASIL
PRIMEIRA PARTE:
Respostas à Iniciativa
Nesta primeira parte, relataremos as diferentes reações que esta Iniciativa de petição de um novo Concílio suscitou. Faremos referência às opiniões em si mesmas, abstraindo das pessoas e/ou instituições em que tenham surgido, por dois motivos:
-
Primeiro, porque a idéia de um novo Concílio ainda é nova,
e por isto se pode prever que, na medida em que o projeto avance, muitas pessoas
e organismos modifiquem algumas atitudes frente a ele e introduzam novos matizes
em suas respostas.
- Em segundo lugar, porque, pela mesma razão, muitas destas opiniões
aparecem ainda pouco diferenciadas quanto a pessoas, entidades ou setores da
Igreja.
Queremos
definitivamente facilitar a evolução das opiniões, evitando
preconceitos e encarquilhamento de posturas, tanto a favor como contra um novo
Concílio.
Como conclusão desta primeira porte, antecipamos que a petição
de um novo Concílio se revelou um instrumento eficaz para animar a reflexão
e o debate sobre as transformações de que a nossa Igreja precisa,
assim como os meios para alcançá-los. Entretanto, é necessário
admitir que é um projeto jovem, razoável para a maioria unicamente
se é colocado a médio e longo prazos, e que suscita uma ampla
variedade de expectativas e avaliações, que precisam ainda de
um grau maior de amadurecimento, contraste e convergência.
A) Contribuições das pessoas que apoiaram a Iniciativa.
Entre
as pessoas que apoiaram a Iniciativa e que, portanto, se identificam com o projeto
de um processo conciliar e de um novo Concílio, podemos encontrar uma
ampla diversidade de matizes, segundo:
As expectativas e objetivos frente a um futuro Concílio.
1. Sua continuidade frente ao Vaticano II.
2. A forma e metodologia que deveria adotar.
3. O lugar em que seria celebrado.
4. Os prazos e o momento em que se venha a realizar.
5. Seu caráter ecumênico e seu grau de abertura.
6. Relações entre transformação eclesial e transformação
social.
7. Os temas que deveria abordar e o alcance de suas decisões.
A.1. Segundo as expectativas e objetivos frente a um futuro Concílio:
Algumas
pessoas vêm no processo conciliar e no Concílio os meios para conseguir
certas reformas canônicas. As expectativas são diferentes, pois
encontramos:
q Pessoas que justificam um novo Concílio unicamente se abordar aquela
reforma que lhes parece fundamental.
q Pessoas que justificam um novo Concílio unicamente se abordar todas
as reformas que, a seu parecer, são necessárias para a Igreja.
q Pessoas que admitem um Concílio que realize, pelo menos, alguma das
reformas cuja necessidade está surgindo.
Há outras sensibilidades favoráveis a um novo Concílio,
que não colocam o acento tanto em conseguir reformas concretas, mas sim
em conseguir um clima presidido por um espírito de Caridade e em que,
através de diálogo, distensão e abertura, sejam fundamentadas,
de maneira integradora, as diferenças e os conflitos.
As pessoas que opinam desta maneira esperam também algum tipo de reforma,
mas pensam que a transformação na Igreja depende em boa parte,
de que haja novas possibilidades de comunicação e participação,
assim como de que se desenvolvam melhores atitudes de respeito e tolerância
à diversidade; e confiam que as transformações necessárias
sejam conseqüência destas novas relações.
Portanto, percebemos dois acentos diferentes, não necessariamente opostos,
ainda que em certa tensão dialética:
ü Um faz referência aos temas que devem nutrir a agenda conciliar
e os objetivos de reforma que se deveriam conseguir como conseqüência
de um processo conciliar.
ü Outro põe ênfase em conseguir um renovado clima de confiança,
respeito mútuo e capacidade de comunicação, fruto de um
processo conciliar no qual se vão procurando novas formas de harmonizar,
o mais possível, diferentes visões e projetos de Igreja.
A.2. Segundo sua continuidade frente ao Vaticano II:
O
Vaticano II é uma referência constante para todos os que apoiam
a idéia de um novo Concílio. É praticamente unânime
a apreciação de que o último Concílio não
está superado em muitos aspectos, nem totalmente desenvolvido em outros;
mas segundo alguns pontos de vista, isto não impede que comecemos a falar
já de um novo Concílio, pois este poderia atualizar e dar um novo
impulso às conclusões do anterior e, sobre tudo, ajudaria a Igreja
a responder melhor aos novos desafios do presente, a quarenta anos de distância
do Vaticano II.
Entretanto, entre os que apoiam o projeto de um novo Concílio há
uma ampla coincidência em que este não deveria supor um retrocesso
frente aos avanços que o Vaticano II realizou.
Alguns críticos da Iniciativa objetam que há o risco de que um
novo Concílio faça a Igreja retroceder a posições
anteriores ao Vaticano II, dada a influência que atualmente tem nela certos
setores que, a seu parecer, desejariam voltar a uma etapa preconciliar, ao menos
para corrigir o que eles consideram excessos que derivaram do Vaticano II.
Ainda que não tenhamos percebido sinais evidentes de que esses setores
estejam interessados num concílio restauracionista, podemos admitir como
razoável este temor; a questão é então se essa hegemonia
pode considerar-se definitiva, ou se, pelo contrário pode evoluir de
alguma maneira, como conseqüência de um processo conciliar.
A.3. Segundo a forma e metodologia que deveria adotar:
É
bastante generalizada a opinião de que um novo Concílio deveria
ser um novo tipo de Concílio, por diversas razões.
Entre as razões de tipo técnico, está o fato de que são
muitos milhares os Bispos (e outras pessoas) com os que teríamos que
contar nas sessões conciliares, se o marco formal fosse semelhante ao
Vaticano II.
Entre as de tipo metodológico, se destaca a opinião de que um
futuro concílio deveria prever novas fórmulas de participação
nos debates e na tomada de decisões, que não se limitassem unicamente
aos Bispos e Cardeais, mas que abrangessem amplamente o Povo de Deus, como mediação
do Espírito e sujeito ativo da transformação eclesial.
A conjunção de razões de tipo técnico e metodológico
faz duvidar da viabilidade de um Concílio que seguisse o mesmo esquema
que o Vaticano II.
Há pessoas às quais pareceria um grande avanço que os Bispos
tomassem suas decisões escutando previamente, com empatia e predisposição
integradora, a pluralidade de pontos de vista que os fiéis manifestam;
mas também é certo que uma parte importante da corrente favorável
ao novo Concílio afirma a necessidade de formas mais diretas de participação,
até o ponto de recusar a priori todo e qualquer procedimento conciliar
que não seja uma resposta satisfatória a este anseio.
Teve um eco especial a idéia de que o novo Concílio deva ser concebido
como processo, de maneira que não dependa unicamente de uma série
de atos institucionais centralizados (no estilo das sessões conciliares
dos anos 60), mas sim que "seja concebido como processo conciliar, participativo
e co-responsável, a partir das Igrejas particulares, locais e continentais".
A.4. Segundo o lugar em que venha a se realizar:
Uma
parte das opiniões recolhidas exprime que é significativo, inclusive
determinante, o lugar - ou os lugares - em que se venha a celebrar o futuro
Concílio. Segundo estes pontos de vista, se o Concílio fosse concebido
como um Vaticano III, continuaria sendo um concílio tradicional, de estilo
marcadamente romano e forte cunho centralista e hierárquico.
Há vozes que colocam a demanda por um novo Concílio em outro lugar,
diferente de Roma; preferivelmente em Jerusalém, ou em algum lugar em
que o contexto acompanhe com duas realidades a que o Concílio teria que
dar resposta:
ü A pobreza, a exclusão e a violência que milhões de
pessoas estão sofrendo, e
ü A diversidade religiosa e cultural, num mundo globalizado.
Fazendo uso das tecnologias da comunicação e avançando
em processo, a partir das Igrejas particulares, locais e continentais, seria
possível pensar também num Concílio que pudesse ser celebrado
simultânea e/ou assincronicamente, em diferentes lugares (e datas) do
mundo.
Segundo as opiniões recolhidas, um novo tipo de Concílio poderia
sustentar-se hoje, instrumentalmente, numa base tecnológica que há
poucas décadas ainda não existia e também usando um novo
modelo de comunicação, mais processual, dialógico, participativo
e extenso.
A.5. Segundo os prazos e o momento em que se realizaria:
Há
opiniões - muito poucas, ao que nos parece - que colocam a necessidade
de um Concílio quanto antes, para fundamentar as reformas que a Igreja
precisa e que consideram urgentes, se a Igreja não quer perder sua significação
social.
Pois bem, entre as pessoas que apoiam o projeto, parece ser predominante a idéia
de que é desejável e necessário um novo Concílio,
mas também admitem que atualmente, não apenas não há
condições, mas que poderia até mesmo ser contraproducente
uma convocação rápida, pois, sem um processo conciliar
adequado poderia fazer a Igreja retroceder, prejudicando não apenas os
setores reformadores ou favoráveis a uma abertura, mas até mesmo
o conjunto da instituição.
Neste sentido, estas opiniões exprimem que o projeto de um novo Concílio
é interessante a médio e longo prazos, sendo assim justificado
começar a falar sobre como deva ser um processo conciliar que venha a
contribuir na geração das condições necessárias,
para que este Concílio possa ser realmente integrador, favorável
à abertura e participativo.
Outras perspectivas acentuam que, independentemente da vontade favorável
ou não a um novo Concílio, a realidade atual pode ser interpretada
no sentido de que o processo conciliar já começou. Esta afirmação
se justifica a partir do momento em que uma parte significativa e crescente
da Igreja está abrindo debates, construindo pontes e refletindo sobre
suas próprias experiências e sobre as formas e conteúdos
que a transformação eclesial deve adotar, sem que as dinâmicas
de reação que já conhecemos até o momento consigam
neutralizar totalmente esse impulso.
A.6. Segundo seu caráter ecumênico e seu grau de abertura
Parece
um lugar comum que o novo Concilio deveria tomar em muita consideração
perspectivas diferentes e que a transformação eclesial depende
de que elas possam aprender e enriquecer-se de diferentes concepções
e experiências.
Para aquelas pessoas que desejam um novo Concílio, parece fora de toda
dúvida que ele deveria ter um caráter marcadamente ecumênico;
entretanto, não são unânimes os significados que cada qual
atribui a esta qualidade. Até o momento, podemos enumerar os seguintes:
q Há opiniões que afirmam que um novo Concílio só
tem sentido num plano de igualdade com outras Igrejas cristãs, e, inclusive,
com outras confissões religiosas (máxima horizontalidade macro-ecumênica).
q Há outras que pensam o ecumenismo em termos de aproximação
de todas as Igrejas Cristãs (máxima horizontalidade no ambiente
cristão, um Concílio pancristão no diálogo com outras
religiões).
q Finalmente, estão os que afirmam um Concílio para a Igreja Católica
Apostólica Romana, ainda que aberto ao diálogo e em colaboração
- até onde for possível - com outras Igrejas Cristãs e
outras religiões (máxima horizontalidade no ambiente da Igreja
Católica Apostólica Romana).
Até o momento, este é um dos pontos mais difusos quanto à
sua visualização concreta. Quanto mais nos afastamos da perspectiva
específica de um Concílio Ecumênico para a Igreja Católica
- com a participação e colaboração de outras Igrejas
e Confissões, até onde for possível - mais difícil
é imaginar como poderia ser outro tipo de Concílio Ecumênico
(macroecumênico, pancristão...).
Em todo caso, para os promotores da Iniciativa a favor de um novo Concílio,
estas perspectivas não são necessariamente projetos opostos, ainda
que sejam diferentes. Pode ser sugestivo pensar na possibilidade de trabalhar
ecumenicamente em vários níveis, buscando as maneiras como os
processos possam enriquecer-se mutuamente.
Talvez as possibilidades de um processo conciliar não se esgotem apenas
num Concílio para a Igreja Católica Apostólica e Romana,
ainda que isto seja necessário; esta seria inclusive uma condição
necessária para poder avançar na relação com outras
Igrejas Cristãs, outras Religiões e outras perspectivas antropológicas,
éticas e filosóficas.
A.7.
Segundo as relações entre transformação eclesial
e
transformação social
Pudemos
constatar que há opiniões que sustentam ser muito difícil
que a Igreja Católica se transforme e que por isto é melhor concentrar-se
mais na ação social, entendida como trabalho em favor dos pobres
e da transformação das estruturas sociais que geram injustiça.
Entretanto, parece que, na medida em que se aprofundavam na relação
entre transformação eclesial e transformação social,
estas opiniões foram se matizando no sentido de que:
q Qualquer transformação profunda, tanto na Igreja como na sociedade,
não é tarefa fácil, mas nem por isso é menos importante
continuar trabalhando, tanto no ambiente eclesial como no social, pois ambos
se implicam mutuamente.
q A Igreja não existe à margem da sociedade, e, mesmo se a podemos
considerar como um sistema específico, com regras próprias de
funcionamento, não tem um grau de autonomia total com relação
a outros sistemas sociais sobre os quais exerce influência e pelos quais
é influenciada.
q A Igreja, na medida em que se dobre sobre si mesma e se feche às transformações,
além de se fragilizar internamente, perde capacidade de incidir socialmente,
e diminui a sua credibilidade.
q Em um mundo que se transforma rapidamente, no qual os interesses econômicos
dominam sobre considerações éticas, é muito importante
rever e aprofundar uma fundamentação moral de usos, critérios
e costumes sociais, e este pode ser um importante papel para as instituições
religiosas.
A.8. Segundo os temas que deveria abordar e o alcance de seus conteúdos:
Até agora, os que colocam a necessidade de um novo Concílio, fazem-no referindo-se, total ou parcialmente, aos seguintes temas:
A) Temas relativos ao papel das Igrejas no mundo de hoje:
1.-
Os desafios que a globalização, as desigualdades e as condições
de pobreza e injustiça em que vive a maioria da Humanidade colocam para
as Igrejas.
2.- Interculturalidade e diversidade num mundo em que coexistem diferentes concepções
de Deus e do Ser Humano, da organização social e dos direitos
e deveres das pessoas.
3.- Moral sexual e familiar. Formas de viver a sexualidade, de experimentar
a maternidade e de entender o conceito de família, dentro do respeito
aos princípios básicos dos valores evangélicos, a legalidade
democrática e os Direitos Humanos.
4.- Concepções sobre a Vida, com relação às
descobertas científico-técnicas no campo da biotecnologia e da
engenharia genética, no marco atual de intercâmbios e de regulação
política e econômica global.
5.- A inserção das Igrejas no seio de sociedades crescentemente
secularizadas, em que existe um pluralismo ético e religioso no qual
a aconfessionalidade do Estado é um valor admitido majoritariamente.
6.- Contribuições das Igrejas para a Paz, a Justiça e a
Integridade da Criação
B) Temas disciplinares e de organização eclesiástica:
7.-
O papel da mulher na Igreja: Igualdade, participação na tomada
de decisões, acesso da mulher ao sacerdócio...
8.- O celibato. Valorização positiva do celibato, mas também
de outras formas de vida consagrada. Não obrigatoriedade do celibato
para ter acesso aos ministérios ordenados; reintegração
e consideração positiva dos sacerdotes casados.
9.- Renovação ministerial. Diversidade de ministérios ao
serviço das comunidades e do mundo,
10.- Refundação da vida religiosa. Atualização dos
conselhos evangélicos. Potenciação do laicado vinculado
ao carisma das congregações. As relações intercongregacionais
e sua projeção eclesial e social.
11.- A função do Papado. Novas visões sobre o Primado de
Pedro. A colegialidade dos Bispos.
12.- Democratização das estruturas eclesiais: melhores condições
de comunicação e expressão; mais liberdade interna; maior
participação dos fiéis na tomada de decisões; maior
corresponsabilidade e colaboração entre clérigos e leigos.
13.- Reforma da Cúria: Transparência e regulamentação,
dentro de um sistema de direitos e de garantias no funcionamento do aparelho
eclesiástico.
14.- Formulação e desenvolvimento de uma constituição
para a Igreja, na qual se exprimam os principais valores em que se sustenta
a instituição, e os direitos e deveres fundamentais dos fiéis.
C) Temas relativos ao ecumenismo e à unidade das Igrejas Cristãs:
15.-
Diálogo e colaboração interreligiosa em geral, para contribuir
ao desenvolvimento humano, à paz e concórdia entre as pessoas
e entre as sociedades.
16.- Macroecumenismo: abertura da Igreja a outras experiências de fé.
17.- Desenvolvimento da Igreja Universal, em sentido místico e profético,
em que seja possível uma maior pluralidade teológica, organizativa
e de expressões de fé, ao mesmo tempo que se fortalecem a comunhão
e a capacidade de trabalho em comum.
18.- A abertura da Igreja às perspectivas não confessionais, fortalecendo
a capacidade de diálogo y colaboração com outras instâncias
e mediações sociais.
B) Tendências entre aqueles que pedem um novo Concílio.
Todos os matizes que realçamos até agora, podem ser encaixadas, basicamente, entre duas grandes tendências, que poderíamos definir como:
-
A tendência de "máximos".
- A tendência de "mínimos".
B.1. A tendência de "máximos":
A
tendência de máximos parece ser a que propõe um Concílio
para obter reformas de grande formato na Igreja Católica - Apostólica
Romana, - ou na relação entre Igrejas e/ou confissões religiosas.
Normalmente, estas expectativas coincidem com afirmações no sentido
de que o Concílio não deveria ser realizado em Roma e que teria
que ser realmente democrático e participativo, e deveria, inclusive,
ser precedido de uma reforma da Cúria.
Nessa mentalidade, o Concílio aparece como o instrumento para obter,
num curto período de tempo, transformações radicais na
direção de uma Igreja mais evangélica e próxima
a um ideal de Igreja que tenha seu referencial nos primeiros tempos do cristianismo.
O processo conciliar parece ser concebido como uma acumulação
de forças para pressionar em favor dessas transformações,
ou, numa versão mais moderada, como um processo de diálogo do
qual se espera a conversão radical dos que até agora resistem
às reformas.
As expectativas muito elevadas quanto à forma em que o Concílio
se realize, e as mudanças que possa acarretar, parecem ser associadas
a atitudes firmes, que resistem a contemporizar com realidades ou posições
divergentes.
Uma virtude evidente dessas posições é que oferecem uma
visão clara e concreta dos temas que lhes parecem significativos, de
seus objetivos fundamentais e as expectativas que põem em processo de
mudança.
B.2. A tendência de "mínimos":
A
tendência de "mínimos" é aquela que parece aspirar
a que um novo Concílio sirva, pelo menos, para obter um clima melhor
de convivência entre perspectivas teológicas e eclesiológicas
diversas, um clima que mude atitudes e contribua a fortalecer a comunhão
intraeclesial, mediante o diálogo, o respeito mútuo e a tolerância.
Essa perspectiva acentua o modelo de comunicação, os fundamentos
e estruturas de participação e as atitudes e metodologias que
favorecem o diálogo, a tomada de decisões e os acordos. Há
quem peça o cessar de sanções e condenações,
para favorecer o clima de confiança que deve presidir o processo.
Para os que têm esta sensibilidade, o processo conciliar seria mais ainda,
um caminho de diálogo para distender as relações, gerar
confiança e chegar a acordos que tornem possível uma Igreja em
que convivam, de maneira plural e respeitosa, uma variedade de teologias e práticas
eclesiais.
Mesmo se consideram recomendável que o futuro Concílio não
se celebre em Roma, isto não lhes parece uma condição imprescindível;
do mesmo modo, desejam um alto grau de participação, mas não
exigem como condição prévia que seja um Concílio
radicalmente democrático (por exemplo, no sentido das democracias representativas
ou das democracias diretas).
Para essas pessoas, a única coisa a se evitar firmemente é dar
passos atrás, com relação aos avanços que o Vaticano
II trouxe para a Igreja.
Ainda que pareça que se possa esperar dessa perspectiva um alto grau
de flexibilidade e adaptabilidade a cenários diferentes, é difícil
encontrar nela definições concretas sobre os temas que deveriam
fazer parte da agenda conciliar, e muito menos sobre as reformas concretas que
teriam que ser exigidas.
Entre a tendência de máximos e a de mínimos existe uma tensão
que poderia ser produtiva se conseguisse enriquecer-se com o amplo espectro
de posições intermédias, que deveriam procurar conjugar,
em graus diferentes (sobre necessidades, temas e objetivos) e flexibilidade
para aceitar outras posições e conseguir compromissos aceitáveis
para todas as partes.
B.3. Abertura, reforma ou refundação:
Essas
tendências - máximos e mínimos - podem ser consideradas
os extremos de um eixo, no qual é raro encontrar posições
absolutamente polarizadas num sentido ou no outro. Ao longo deste eixo, podemos
encontrar, basicamente, três tipos de sensibilidades:
q A sensibilidade "favorável à abertura".q A sensibilidade
"reformadora".q A sensibilidade "refundadora". êTendência
de "máximos"ô Sensibilidade "refundadora"ô
Sensibilidade "reformadora"ô Sensibilidade " aberturista
"éTendência de "mínimos"
As
preocupações da sensibilidade favorável à abertura
se concentram mais nas atitudes e nas metodologias, e menos no programa de reformas
concretas. O processo conciliar é concebido como processo de comunicação,
distensão, diálogo e acordo com outros setores eclesiais.
A sensibilidade reformadora enfatiza reformas concretas. O processo conciliar
é visto como acumulação de forças, denúncia
de insuficiências ou contradições da Igreja e pressão
sobre a hierarquia; ainda que os setores moderados não excluam negociar
e pactuar acordos.
Por último, a sensibilidade refundadora aspira a uma mudança radical
das estruturas eclesiais e se preocupa sobretudo em construir, a partir da prática,
o tipo de Igreja a que aspira. A partir desta perspectiva, o processo conciliar
é um caminho de construção autônoma desse tipo de
Igreja, dentro da Igreja Católica... enquanto for possível.
C) Objeções a um novo Concílio
As
razões daqueles que se opuseram à proposta de começar a
trabalhar em direção a um novo Concílio, podem ser resumidas
nos seguintes pontos:
1. É desnecessário.
2. É inoportuno.
3. É inútil.
4. É complicado.
1. É desnecessário: Argumentando que o Vaticano II não
está esgotado e deve desenvolver-se ainda mais. Para fazer frente aos
desafios que o mundo de hoje coloca para a Igreja, basta, por agora, o Vaticano
II. Também há quem opine que os sínodos são, por
agora, instrumento suficiente para fundamentar o diálogo.
Tendo em conta esta opinião, parece recomendável aprofundar o
sentido que o Vaticano II teve para a Igreja, como se puseram em prática
suas conclusões até o momento, e que novos temas e realidades
podem não encontrar nelas um tratamento adequado ou suficiente.
2. É inoportuno: alguns exprimem que os setores ultraconservadores poderiam
aproveitá-lo para acabar com o que o Vaticano II teve de abertura ou
renovação. Para pedir um novo Concílio teríamos
que esperar que mude esta correlação de forças, ou que
o futuro Papa tenha a força e o a coragem suficiente para pôr freio
a possíveis intentos de involução.
Essa objeção deveria ser levada em conta para enriquecer o processo
conciliar com atitudes e colocações que evitem os jogos de "soma
zero", nos quais uns ganham, outros perdem. Também ajuda a não
desvalorizar o papel do Papa como elemento motivador do processo e também
como agente regulador de conflitos e símbolo de comunhão.
3. É inútil: Acham que nem este Papa nem a Cúria estariam
dispostos a facilitar algum processo de reforma ou abertura. Segundo esta opinião,
teríamos que esperar um novo Papa, com sensibilidade favorável
à abertura, ou, inclusive, esperar uma reforma da Cúria.
Esse ponto de vista obriga a questionar a nossa imagem a respeito daquilo que
uns setores de Igreja pensam sobre os outros; também sugere a importância
de explorar e compreender o complexo sistema de necessidades e interesses que
está por baixo da estrutura eclesiástica.
4. É complicado: Porque consideram que fazer um novo Concílio,
com a realidade atual da Igreja (milhares de Bispos mais de uma centena de cardeais,
movimentos leigos de massa...) seria um problema prático muito difícil
de resolver.
Certamente esta é uma dificuldade que não se deveria ocultar,
e que não parece ter solução sem um questionamento do modelo
tradicional de Concílio, e sem pensar em novas bases organizativas, tecnológicas
e metodológicas que deveriam ser gradativamente experimentadas.
---o0o---
Levando
em conta estas objeções, haveria várias linhas de reflexão
a se desenvolverem:
O Vaticano II: Antecedentes, evolução, atualidade, possibilidades
e limitações:
1. Como se poderia sugerir um processo Conciliar e um Concílio do qual
ninguém saia "derrotado" e no qual os diversos setores e a
Igreja em seu conjunto possam enriquecer-se mutuamente.
2. Quais são as necessidades e interesses que existem na Igreja e que
deveriam ser levadas em conta para conseguir entrar em acordos.
3. Que tipo de Concílio seria tecnicamente possível e com que
metodologia.
NOTA:
Estamos interessados em conhecer suas opiniões.
Por favor, escreva a proconcil@proconcil.org
D) Relação entre Pontificado e novo Concílio
Entre
as pessoas que apoiam ou recusam a petição de um novo concílio,
predomina claramente a opinião de quem com João Paulo II é
muito improvável a sua convocação. Como comentamos, alguns
criticam a Iniciativa porque a consideram inoportuna, contraproducente e inútil,
tendo em conta o perfil deste Papa e o atual funcionamento da Cúria.
É bastante comum, nas opiniões recolhidas, fazer depender a possibilidade
de um novo Concílio (favorável à abertura e em continuidade
com o espírito do Vaticano II) do fato de que seja convocado por um Papa
progressista, compreendendo-se com esta expressão um Papa tolerante com
a dissidência, com capacidade de diálogo, vontade reformadora e
postura integradora.
Muitas opiniões exprimem que se a convocatória for feita por um
Papa qualificado como conservador (um pontífice eleito entre os cardeais
que estão alinhados sem muitas divergências com o magistério
de João Paulo II), o objetivo da convocação seria fechar
ainda mais a Igreja, consolidando a linha atual e liquidando qualquer pretensão
de reforma de caráter democratizador ou mesmo favorável à
abertura.
O esquema de pensamento mais comum é o seguinte:
Papa "progressista"AberturaConcílio como oportunidade Papa
"conservador"InvoluçãoConcílio como ameaça
Esta visão costuma ser acompanhada de um certo pessimismo, no sentido
de duvidar da possibilidade real de que o futuro Papa tenha uma postura favorável
à abertura ou que, se a tiver, possa contar com a colaboração
das pessoas que dirigem atualmente os principais centros de poder da Igreja.
E) Para continuar avançando
1.
A reflexão e o debate sobre um futuro Concílio já vinham
acontecendo antes do surgimento dessa Iniciativa, a qual não fez mais
que dar-lhe um novo impulso e tentar sistematizar algumas idéias a seu
respeito.
2. Globalmente considerada, a Iniciativa conseguiu que a chama conciliar não
se apague e renasça como possibilidade de futuro. Entretanto, é
evidente que são muitas as interrogações e as dificuldades
que um projeto deste tipo deve enfrentar.
3. Ainda há muito a se fazer e as declarações ou depoimentos
públicos, além de serem importantes, precisam do reforço
que lhes possam trazer diversas atividades de pesquisa, formação,
reflexão e debate.
4. Entre as pessoas que apoiam esse projeto, parece especialmente necessário
procurar posições comuns e pontos de vista complementares.
5. As objeções dos que têm dúvidas ou não
estão de acordo com um novo Concílio são dignas de consideração
e deveriam ser apreciadas como um estímulo para amadurecer o projeto.
6. Possivelmente o conceito de processo conciliar e o horizonte de um novo Concílio
só virão a ser eficazes quando forem nutridos de todas as sensibilidades
comprometidas em ajudar a Igreja a desenvolver sua missão evangelizadora
no mundo de hoje.
QUESTÕES PARA ANIMAR O DEBATE
1.-
Que impressão você tem das respostas que esta Iniciativa provocou?
Em que medida este documento corresponde à realidade que você conhece?
2.- Que conclusões você tiraria depois da leitura delas? No seu
parecer, quais deveriam ser as prioridades?
3.- Por favor opine sobre estas duas hipóteses:
q "Um Papa conservador que dirige um processo relativamente favorável
à abertura".
q "Setores conservadores comprometidos com uma abertura moderada em certos
aspectos".
NOTA:
Estamos interessados em saber sua opinião.
Por favor, escreva a proconcil@proconcil.org
SEGUNDA PARTE:
Expectativas de futuro
Vistas
as diferentes respostas e atitudes que a petição de um novo Concílio
suscitou, podemos afirmar que, como projeto a médio ou longo prazo, tem
capacidade para abrir novos caminhos de reflexão, estimular a criatividade
e mobilizar esforços transformadores.
O ponto de partida ou princípio de realidade que adotamos para propor
uma estratégia de transformação eclesial pode ser resumido
da seguinte maneira:
"O futuro da Igreja Católica é difícil de ser previsto,
os cenários de futuro são incertos e pouco evidentes."
No final dessa segunda parte, argumentaremos a necessidade de que emerjam sujeitos
coletivos capazes de impulsionar, sustentar e desenvolver os processos de mudança.
Entre eles, será necessário contar com sujeitos com carisma mediador,
capazes de facilitar o encontro e a comunicação entre diferentes
setores da Igreja.
Procuraremos estabelecer a relação entre estes sujeitos coletivos
e um processo conciliar viável, em direção a um novo Concílio
integrador, favorável à abertura e participativo.
Para ir apresentando tudo isto, começaremos dando conta - em grandes
traços - das atitudes e expectativas de futuro expressas por diferentes
setores da Igreja.
Consideração
prévia
Não há dúvida de que toda tentativa de classificar a realidade
supõe uma redução de suas possibilidades; mas isto aparece
como um momento inevitável do processo de criação do conhecimento.
Já dissemos na Introdução que queremos evitar uma classificação
excessiva das reações que a petição de um novo Concílio
suscitou; para isto, renunciamos a nomear diretamente pessoas e instituições
de cujas posições tivemos conhecimento, considerando que, para
continuar avançando, precisamos construir categorias nas quais possam
ser enquadradas, não as pessoas, mas as opiniões e atitudes que
se manifestaram.
Somos conscientes de que existem muitas maneiras de descrever a estrutura eclesial
e de nomear seus componentes. Aqui escolhemos aquela que nos parece mais útil
- com a informação de que dispomos - para descrever as expectativas
e atitudes perante eventuais transformações na Igreja.
Ainda que, talvez, seja inútil dizer, é importante "não
confundir o mapa com o território". Estamos seguros de que o quadro
que apresentamos a seguir será melhorado e enriquecido conforme venham
a ser colocados em relevo novos matizes e diferenças.
Setores eclesiais - Do ambiente conservador:
· Conservadores e restauracionistas
· Conservadores centristas.
- Do ambiente progressista:
· Progressistas do Vaticano II.
· Neoconciliares.
A) Sobre o ambiente conservador.
Os
setores mais identificados com o magistério de João Paulo II aspiram
provavelmente a que este perdure por muito tempo e que seu sucessor mantenha
uma linha continuista.
Não é muito aventurado supor que, atualmente, a maioria dos cardeais,
Bispos, religiosos e leigos vinculados às estruturas oficiais da Igreja
condividem essa expectativa.
Dentro desta ala continuista e conservadora, cremos que se possam diferenciar
vários setores, que identificaremos como "conservadores e restauracionistas"
por um lado, e "conservadores centristas" por outro.
A.1. Conservadores e restauracionistas
Em
geral, chamamos conservadores aqueles que defendem sem mais o magistério
de João Paulo II, opondo-se a recolocações sobre qualquer
tema que lhes pareça que ponham em xeque a autoridade do Papa e dos Bispos.
Condividindo no fundo este apego, os restauracionistas, nostálgicos de
certas concepções preconciliares (anteriores ao Vaticano II),
possivelmente desejariam que o novo Papa adote posições mais restritivas,
ao menos em relação a três temas:
a) A abertura ecumênica e o diálogo interreligioso.
b) A atitude da Igreja frente aos povos não cristãos.
c) Os pedidos de perdão formulados pela Igreja, em relação
ao passado.
No conjunto, conservadores e restauracionistas se mostram muito aguerridos frente
a qualquer inclinação reformadora que queira abordar questões
como o celibato, o papel da mulher na eucaristia, o divórcio, o aborto
ou a homossexualidade e a mesma coisa acontece com respeito a tudo o que consideram
verdades dogmáticas.
É comum, entre eles, afirmar que há temas que estão absolutamente
fechados, dos quais é proibido falar; sustentam firmemente também
que é inadmissível qualquer diálogo que possa conduzir
a acordos com quem estiver definitivamente equivocado em sua interpretação
da doutrina cristã e do fato eclesial.
Estes setores percebem os setores reformadores ou favoráveis à
abertura como um câncer dentro da Igreja, que é necessário
extirpar ou, se não for possível, neutralizar isolando-o do resto
da comunidade dos fiéis.
Entre o setor mais radicalizado nestas posições e o setor conservador
centrista - de que falaremos mais abaixo - existe uma fronteira difusa, composta
por pessoas que em alguns momentos podem parecer monoliticamente fechadas a
toda mudança progressista, mas em outros momentos podem projetar uma
imagem aberta ao diálogo. Consideramos oportuno pesquisar mais profundamente
em que contextos, com relação a quais temas e frente a quais interlocutores
acontecem estas mudanças de atitude.
A.2. Conservadores centristas.
O
que chamamos setor conservador centrista, ainda que de maneira tímida,
dá mostras de ter uma postura mais pragmática. Existe uma faixa
de dirigentes eclesiais de perfil conservador, partidários de ampliar
e aprofundar as vias de diálogo, tanto no interior da Igreja, como entre
a Igreja e a sociedade, ao menos para distender e fundamentar alguns conflitos;
inclusive alguns se mostram partidários de certas reformas disciplinares,
contanto que venham de Roma.
O difícil nestes momentos é ponderar a amplidão deste setor
e sua flexibilidade real em aceitar algumas mudanças ou reformas. Este
setor poderia emergir com mais clareza se o Papa facilitasse a abertura, mas
também poderia acontecer que uma agudização do extremismo
ultra-conservador e/ou restauracionista os induzisse a exercer um papel mais
ativo na procura de uma abertura.
É um setor que tende a apoiar-se no legado do Vaticano II e em certos
aspectos do magistério de João Paulo II para tentar oferecer um
rosto de Igreja mais moderado, dialogante e negociador, evitando todo pronunciamento
que possa ser interpretado como ruptura ou contradição de fundo
com o Papa atual.
Uma coisa que, segundo alguns, é um obstáculo para o diálogo
com setores progressistas é o sentir-se questionados por eles como "pouco
evangélicos", enquanto eles, por sua vez, acusam os progressistas
de estar pouco comprometidos com a instituição eclesiástica.
Entre alguns de seus membros se nota um certo temor de que um novo Concílio
- ou qualquer projeto de mudança muito ambiciosa - dê asas aos
setores mais radicalizados, tanto para a esquerda como para a direita do espectro
eclesial, deteriorando ainda mais a imagem pública do catolicismo e tornando
mais difícil a governabilidade da instituição.
Se isto for certo, teríamos que perguntar se para a ala conservadora
centrista as reformas em si mesmas são o principal problema, ou, muito
mais, a questão está em como gerenciar as mudanças, mantendo
um alto nível de coerência frente à etapa anterior, assim
como uma forte coesão e estabilidade institucional da Igreja.
Poderíamos pensar que o status quo atual, apesar de suas insuficiências
e problemas, permite a esse setor ter uma posição mais segura
em seus postos de condução na Igreja, sentindo-se incapazes de
administrar as polarizações e conflitos que um eventual Concílio
possa deslanchar.
Esses mesmos dirigentes destacam o papel dos leigos na Igreja, assinalam a importância
da colegialidade, reconhecem a necessidade de maior intercâmbio em nível
episcopal e se declaram a favor dos sínodos, mas, em compensação,
se opõem ao Concílio; reconhecendo, portanto, a necessidade de
maior diálogo e participação na Igreja, mas sempre no marco
de estruturas controláveis e de alcance limitado quanto à sua
influência nas prerrogativas do Papa e da Cúria.
Ambiente conservador (alguns traços nucleares):
Conservadores Imobilismo +
Fidelidade sem matizes
Restauracionistas
Preconciliarismo +
endurecimento de certas posições
Conservadores centristas
Diálogo sob controle +
adatação a novas linhas oficiais
B) Sobre o ambiente progressista.
Na
primeira parte deste documento já nos extendemos na descrição
dos setores que apoiam, com mais ou menos matizes, o projeto de um novo Concílio
integrador, favorável à abertura e participativo. Este setor poderia
ser incluído dentro de um espaço heterogêneo que poderíamos
chamar ambiente progressista, mas não o esgota, porque também
nesta ala é necessário incluir pessoas e organizações
que manifestaram seu desacordo com a idéia de um novo Concílio.
Portanto, em relação às dinâmicas de mudança
da Igreja, entre os que desejam uma Igreja mais democrática, flexível,
tolerante e comprometida socialmente, encontramos opiniões que se podem
enquadrar basicamente em dois campos que chamaremos:
- Progressistas do Vaticano II
- Neoconciliares
B.1. Progressistas do Vaticano II:
São aquelas posições que reivindicam a atualidade e validez
deste Concílio e sustentam a inoportunidade de se propor outro novo,
apoiando-se, sobretudo, no argumento de que, se fosse convocado, a composição
atual da Igreja poderia até mesmo provocar um retrocesso nas posições
mais avançadas.
Dentro deste setor, há também diferenciações: há
os que afirmam de maneira taxativa que não é hora de falar de
um novo Concílio e, em compensação, há outros que
admitem que se possa começar a falar disto, sempre que não se
formule como um projeto de realização imediata, ou a curto prazo.
Ainda que esta segunda atitude possa ser um ponto de coincidência com
o setor neoconciliar (favorável a um novo Concílio), a diferença
se apoiaria melhor no grau de ceticismo e de compromisso com relação
ao processo conciliar.
B.2. Neoconciliares:
Este setor seria representado majoritariamente por aquelas pessoas que consideram
oportuno começar a falar de um novo Concílio e impulsionar, a
partir das bases, um processo conciliar, sem que isto suponha negar a riqueza
do Vaticano II.
Neste setor é comum a idéia de que vivemos numa época que
requer novas questões para as quais o último Concílio não
tem respostas suficientes.
Outra característica deste setor é que nele, muitas opiniões
coincidem em que o novo Concílio não pode ser uma reprodução,
em versão moderna, do Vaticano II; e que é preciso incorporar
nele um conceito diferente da participação e da corresponsabilidade.
Não nos estendemos nos pormenores que este setor abrange, pois já
o fizemos na primeira parte do documento, quando falamos de favoráveis
à abertura, reformadores e refundadores.
C) Cenários pessimistas e otimistas.
Essa
descrição sumária de sujeitos coletivos da Igreja pode
fazer pensar que a correlação de forças hoje existente
só permite prever um cenário de continuidade frente à etapa
anterior, inclusive de agudização de traços mais conservadores
do atual pontificado.
Entre os setores progressistas, os que estão convencidos de que este
cenário é inevitável tendem a afirmar uma estratégia
de sobrevivência, baseada, essencialmente, na tentativa de manter, contra
a corrente e sem fazer muito barulho, certas formas de ser Igreja e de viver
o compromisso cristão.
Os que assim pensam não são necessariamente contra um novo Concílio,
mas tendem a pensar o processo conciliar em termos de intercâmbio e construção
de redes que dêem continuidade à experiência das comunidades
de base, à reflexão teológica independente, ao compromisso
sociopolítico fundamentado na opção evangélica pelos
pobres...
Os mais otimistas tendem a pensar que esta é a via mais eficaz para conseguir
uma refundação da Igreja, libertando-a de estruturas hierárquicas
e de desvios absolutistas e autoritários. O novo Concílio teria
interesse então, se permitisse avançar mais ou menos nesta direção.
Sem dúvida, esta perspectiva traz um elemento de muito interesse, que
é a tensão por manter e desenvolver uma maneira de ser Igreja,
mesmo nos cenários mais difíceis, resistindo às pressões
de marginalizar ou mesmo expulsar os que compartilham e praticam essa espiritualidade.
Entretanto, embora esta leitura pessimista - e a estratégia que dela
deriva - deva ser considerada, talvez não seja tão evidente que
seja aquele o único cenário possível.
Nas condições descritas (hegemonia conservadora, marginalização
dos setores progressistas...) chama a atenção o fato de que um
setor da esquerda eclesial confie ainda em que o próximo Papa, e até
mesmo setores da Cúria dêem uma resposta positiva às demandas
de abertura e mudança.
Esta confiança se funda na crença de que a Igreja, como sistema,
tem um certo tipo de inteligência corretora, segundo a qual, na história
contemporânea, a cada pontificado se segue outro que corrige seus excessos,
tendendo a posições de centro, pragmáticas e moderadas.
Assim sendo, a João Paulo II deveria suceder um Papa de perfil mais progressista,
com preocupações sociais, mas mais atento aos problemas internos
da Igreja, com certa capacidade de alimentar o diálogo, fundamentar as
dissidências e reequilibrar as relações entre diferentes
setores eclesiais. Já comentamos na primeira parte, que muitos pensam
que um Papa deste tipo seria mais favorável a um Concílio integrador,
favorável à abertura e participativo que outro de perfil mais
conservador ou continuista frente ao magistério de João Paulo
II.
Pois bem, essa "Lei do pêndulo" poderia abrir outro tipo de
cenário. Poderia ser um Papa de perfil conservador o que viesse a dirigir
algum processo de abertura, inclusive mediante um Concílio. Também
na Cúria é possível que existam inquietações
frente ao debilitamento global da imagem da Igreja, à perda de significado
social do fato cristão, à rigidez de certas estruturas eclesiais
e à defasagem social de algumas questões disciplinares, como conseqüência
de uma hegemonia fundamentalista demasiado duradoura.
D) Importância dos sujeitos coletivos.
A
questão não é negar alguma das possibilidades apontadas,
mas sim de perguntar se as mudanças esperadas podem depender unicamente
da personalidade do Papa ou de uma suposta inteligência sistêmica
que viria iluminar os dirigentes da Igreja para corrigir os desequilíbrios.
Talvez as mudanças - no sentido de abertura que muitos desejam - dependem
também de como vão se comportar outros setores da Igreja, de sua
visão da realidade, de seus valores, interesses, atitudes e estratégias.
Podemos supor que a inteligência dos diferentes setores da Igreja nutre
a inteligência global do sistema.
Por outro lado, as mudanças exigem uma certa base estrutural sobre a
qual se possam realizar, e também a existência de sujeitos coletivos
com capacidade para impulsionar, sustentar e desenvolver as novas propostas.
Atualmente não é difícil coincidir em que os setores progressistas
da Igreja se encontram afastados demais dos centros de decisão, onde
poderiam servir de suporte a uma abertura relativamente ambiciosa. Como também
parece muito descabido pensar que agora, e no futuro imediato, com João
Paulo II ou sem ele, os setores que cresceram à sua sombra irão
manter um elevado nível de influência nas estruturas eclesiais.
Evidentemente, este panorama não significa nem que seja impossível
qualquer tipo de abertura, nem que os setores progressistas sejam uma realidade
insignificante, como o demostra o notável apoio social que recebem e
sua crescente expansão nas bases da Igreja, ainda que sejam marginalizados
dos centros de poder.
O importante é que as mudanças, para que sejam profundas e duradouras,
precisam de uma base eclesial ampla, consciente, madura, organizada e com capacidade
de regeneração. Ainda que haja condições para que
essa base social se amplie e se transforme em sujeito da mudança, esta
é uma tarefa que precisará ainda de muito tempo e esforço,
para que possam aparecer resultados de dimensão profunda.
O processo conciliar, a partir deste ponto de vista, pode-se compreender como
o caminho em virtude do qual se vai construindo este sujeito coletivo.
E) A necessidade de mediações.
Acabamos
de dizer que um dos objetivos do processo conciliar seria conseguir uma base
eclesial ampla e qualitativamente preparada para impulsionar, sustentar e desenvolver
as mudanças na Igreja. Porém, logo em seguida acrescentamos que,
possivelmente, esta estratégia "a partir da, e em direção
à base", não proporcione os resultados desejados, na ausência
de mediações que facilitem a comunicação.
Construir estas pontes é necessário, a fim de melhorar o conhecimento
mútuo entre setores eclesiais, derrubar estereótipos, desenvolver
a capacidade de diálogo e de estabelecer acordos que satisfaçam
um leque mais amplo de expectativas. Falamos de mediações e mediadores
que facilitem o encontro entre as bases da Igreja, entre as bases e a hierarquia,
entre setores da hierarquia e entre a Igreja e a sociedade.
Afinando ainda mais o que dissemos sobre o processo conciliar: este seria o
processo em virtude do qual se constrói a base eclesial animadora e sustentadora
da mudança, mas também e ao mesmo tempo, o processo no qual se
desenvolvem as mediações que facilitam a comunicação
e contribuem a manter a coesão e o equilíbrio dinâmico do
sistema (no sentido de evitar sua desorganização), de maneira
integradora e participativa.
CONDIÇÕES
PARA AVANÇAR EM DIREÇÃO A UM NOVO CONCÍLIO:
PROCESSO CONCILIAR
ü Desenvolvimento de uma base eclesial
que anime e sustente o processo de mudança.
ü Desenvolvimento de mediações e mediadores
que facilitem a comunicação
e contribuam para a coesão e equilíbrio do sistema.
NOVO
CONCÍLIO
(integrador, propício à abertura, participativo)
QUESTÕES PARA ANIMAR O DEBATE
1.-
Você acredita que a descrição acima exposta dos diferentes
setores de Igreja e de suas expectativas de futuro está de acordo com
a realidade? Que aspectos você acha oportuno incorporar à análise?
2.- O que é que você acha que cada um dos setores de que falamos
deseja de bom para a Igreja?
3.- Que objetivos comuns você acredita que estes setores poderiam compartilhar?
Em que ambientes ou terrenos pode ser mais fácil a colaboração
entre eles? Em que condições?
NOTA:
Estamos interessados em conhecer sua opinião.
Por favor, escreva a proconcil@proconcil.org
TERCEIRA
PARTE:
Perspectivas de trabalho
Na
primeira parte deste documento, descrevemos as respostas que a Iniciativa a
favor de um novo Concílio suscitou até agora. Do que foi dito,
podemos deduzir que é uma sugestão capaz de mobilizar energias
transformadoras; entretanto, parece que é necessário aprofundar
muito mais a definição do projeto e amadurecê-lo, em diálogo
com diferentes agentes eclesiais e sociais.
Na segunda parte falamos do elevado nível de incerteza que o futuro da
Igreja Católica suscita e as expectativas que os diferentes setores eclesiais
têm a respeito dele. Afirmamos que, para avançar no processo conciliar,
é necessário o desenvolvimento de sujeitos coletivos que promovam
e sustentem as mudanças, assim como também de mediadores e mediações,
que facilitem a comunicação e contribuam para a coesão
e o estabelecimento de equilíbrios dinâmicos na Igreja.
Nesta terceira parte queremos formular algumas idéias, critérios
e propostas gerais para impulsionar na prática o processo conciliar.
No essencial, acreditamos que o objetivo principal consiste em dar impulso a
uma corrente plural e decentralizada, de pessoas, coletivos e instituições
que, partilhando um mesmo espírito, trabalhem autonomamente e se comuniquem
entre elas, mediante redes que favoreçam os intercâmbios e a colaboração
entre elas.
É necessário que estas redes cristãs - plurais, diversas
-, protagonistas e sujeitos da mudança, se constituam numa cultura de
diálogo e respeito à diferença; e para isto algumas pessoas
e organismos terão que exercer um papel mediador, que facilite, onde
houver dificuldades, a busca de soluções colaborativas aos conflitos.
A) Marco temporal.
A
menos que João Paulo II, ou o próximo Papa, nos surpreendam com
a convocatória de um novo Concílio, não há sinais
claros - até mesmo o contrário - de que na hierarquia eclesiástica
haja ainda uma vontade majoritária de impulsionar esse projeto; embora
seja certo ele que parece suscitar cada vez mais interesse e que há pessoas
em muitos ambientes da Igreja que simpatizam com ele.
Além disto, a atual composição e estrutura de relações
na Igreja Católica não parece a mais favorável a que um
hipotético Concílio possa ser tão integrador, promotor
de abertura e participativo, como muitos desejam.
Tudo isto convida a afirmar que o futuro Concílio não pode nem
deve ser um projeto imediato, nem a curto prazo, mas sim um horizonte a médio
e longo prazos, em direção ao qual é preciso começar
a trabalhar, sem que seja possível determinar um intervalo concreto de
tempo.
Que não seja um projeto imediato não significa que não
seja necessário, nem estimulante; ao contrário, precisamente por
não ser "para amanhã", permite ir criando e avaliando
as condições que as mudanças requerem, entendendo que prazos
amplos são um bem para a Igreja em seu conjunto.
Em outras palavras, a idéia de um novo concílio deve ser colocada
em termos estratégicos; em conseqüência, será necessário
perguntar quais são as etapas pelas quais se deve passar e como será
preciso fazê-lo.
Se a tentativa de concretizar o período de tempo necessário para
conseguir um Concílio integrador, de abertura e participativo, é
praticamente impossível, dada a complexidade do projeto e o estágio
inicial deste processo, não é tão impossível assim
propor um período de tempo razoável para que o sujeito eclesial
coletivo que deve sustentar o processo de mudança, chegue a alcançar
um grau de desenvolvimento significativo.
Falar de dez ou quinze anos de trabalho neste sentido não parece arriscado
demais, tendo em conta que este pode ser o intervalo de tempo no qual se produza
uma transição de importância no conjunto da Igreja.
B) Modelo organizativo.
O
desenvolvimento de um sujeito coletivo amplo, maduro e capaz de impulsionar
e sustentar mudanças na Igreja, requer provavelmente estruturas leves,
flexíveis, adatadas aos diferentes contextos. Não parece razoável
pensar que uma única organização ou movimento possa dirigir
unilateralmente este processo.
Consideramos que os conceitos de "Corrente" e "Rede" são
os mais apropriados para avançar num processo de convergência e
articulação das diferentes sensibilidades que formam o complexo
sistema eclesial.
q "Corrente" no sentido de que vai recolhendo em seu seio as contribuições
que cada um faz, a partir de seu próprio ambiente.
q "Rede" enquanto vai conectando diferentes pessoas, coletivos e instituições
eclesiais que condividem um mesmo espírito e objetivos semelhantes, intercambiando
experiências e colaborando entre si.
Necessariamente, esta corrente de redes cristãs para a mudança,
terá que sustentar-se em muitas iniciativas e esforços que, com
a autonomia de umas e outras - mas partilhando um mesmo espírito - se
realizam a partir de estruturas já existentes (paróquias, comunidades,
congregações, dioceses, associações, movimentos...).
Para que este modelo seja eficaz e sustentável a longo prazo, é
necessário que os sujeitos e as organizações ampliem suas
competências comunicativas, fazendo uso de Internet, aprendendo e desenvolvendo
metodologias participativas, habilidades de escuta ativa e de expressão
positiva, etc...
Ao mesmo tempo, o processo conciliar precisa de pessoas com carisma mediador
que possam facilitar - horizontal e verticalmente - a comunicação
e os acordos entre diferentes pessoas, coletivos, instituições
e setores eclesiais.
Ainda que seja necessário encontrar fórmulas específicas
em cada um dos contextos, é imprescindível dotar de recursos e
estabilidade os dispositivos que mantêm conectadas estas redes e que dinamizam
a corrente; tendo em conta a experiência acumulada, esta é uma
condição básica para conseguir um desenvolvimento sustentado
e sustentável do processo conciliar.
C) Valores e atitudes.
Partimos
da idéia de que na Igreja todos os setores têm algo interessante
a contribuir e, ao mesmo tempo, todos podem enriquecer-se com as contribuições
dos demais.
A solidariedade, a tolerância e o respeito à diversidade são
valores imprescindíveis para que o processo possa ser realmente integrador,
aberto e participativo. Ao mesmo tempo, a capacidade de escuta e o esforço
por valorizar e procurar compreender diferentes preocupações,
necessidades e interesses também parecem atitudes necessárias
para avançar nesse sentido.
Para avançar poderíamos retomar as grandes aspirações
do Vaticano II (com relação ao ecumenismo, volta às fontes,
diálogo com o mundo...) e imprimir-lhes um novo impulso. É importante
cultivar um espírito de caridade em tudo e de comunhão com a diversidade.
Não parece viável renovar a Igreja, para que seja possível
uma melhor convivência entre perspectivas diferentes, se não se
desenvolve nela uma cultura de diálogo, da tolerância e do respeito
mútuo, sustentada não apenas nestes valores, mas também
em estruturas e procedimentos menos verticais e mais participativos.
Entre as principais atitudes negativas a serem transformadas, podemos assinalar:
- Os preconceitos e as idéias feitas acerca de pessoas e instituições.
- As atitudes de suspeita e de recusa permanente, não tanto às
idéias, mas também às pessoas e/ou instituições.
- As represálias e condenações a iniciativas de reforma
e de debate sobre certos temas que surgem no interior da Igreja.
- A unilateralidade das interpretações a respeito de determinadas
condutas e acontecimentos, etc.
Na medida em que diferentes setores da Igreja se comprometam em animar espaços
de comunicação e diálogo, presididos por um clima de liberdade,
respeito e tolerância, serão criadas melhores condições
para que estas atitudes evoluam de maneira positiva.
D) Diálogo Igreja - Sociedade.
O
processo conciliar nos convida a fortalecer os vínculos e a comunicação
com numerosas instâncias sociais, com o objetivo de enriquecer a transformação
eclesial, com diferentes contribuições e perspectivas.
O diálogo Igreja-Sociedade terá que se realizar provavelmente
em muitos níveis e adotar diversas formas, porém pode ter especial
importância o escutar e partilhar idéias acerca da missão
social da Igreja, provenientes de dois ambientes interrelacionados e complementares:
· Dos setores sociais com os quais se vêm partilhando compromissos
em favor da paz, da justiça social, da dignidade da mulher, dos Direitos
Humanos, do Meio Ambiente, etc.
· Dos setores que trabalham ativamente no desenvolvimento das democracias,
ativando e potenciando o papel das cidadanias em diferentes esferas da vida
social (política, economia, cultura, religião...)
Ao mesmo tempo, o desenvolvimento de uma cultura de diálogo e a construção
de mediações no interior das Igrejas, pode realimentar-se com
uma prática social mediadora, na qual as Igrejas facilitem o diálogo
e os acordos entre movimentos, organizações e instituições
diversas, em todos aqueles ambientes em que for preciso aglutinar esforços
para fazer frente a todo tipo de discriminação que atente contra
a dignidade humana.
Por último, a construção plural de redes cristãs
para a mudança (mudança nas Igrejas, mudança nas sociedades)
convida a explorar o potencial de participação eclesial que existe
naquelas pessoas que, céticas ou decepcionadas, se afastaram das Igrejas,
ou resistem a aproximar-se delas por temerem ou recusarem suas estruturas autoritárias,
seu magistério pouco dialogal, ou por considerarem que falta coerência
entre o que se prega e o que se faz
Para favorecer este diálogo e este papel mediador na sociedade é
muito importante que se dê visibilidade à abertura ao fato de que
as Igrejas - ou setores significativos delas - estão dispostas a promover
sua própria mudança.
E) Alguns critérios metodológicos.
Para impulsionar novos espaços de participação, diálogo
e colaboração, sugerimos que se levem em conta os seguintes critérios:
ü Fortalecer múltiplas instâncias de comunicação
positiva e de diálogo dentro da Igreja, entre diferentes setores eclesiais,
num clima de liberdade, respeito e criatividade.
ü Gerar novos espaços e fundamentos de comunicação
entre a Igreja e outras instituições, movimentos e setores sociais,
além de aproveitar e enriquecer os que já existem.
ü Lançar pontes que facilitem um maior diálogo e comunicação
de experiências e tentativas entre a hierarquia e as bases eclesiais,
favorecendo a reflexão sobre diferentes experiências comunitárias,
pastorais, ministeriais, litúrgicas, etc.
ü Buscar o máximo possível de participação,
tanto em termos qualitativos, como quantitativos, criando e utilizando instrumentos
complementares, além dos já oficialmente estabelecidos.
ü Garantir o respeito e reconhecimento que todas as pessoas merecem, seja
qual for seu papel na Igreja e sua opinião sobre como ela deve evoluir.
ü Escutar também opiniões e propostas externas à Igreja,
que podem enriquecer os pontos de vista dos cristãos e cristãs.
ü Partilhar as experiências de diálogo interreligioso e de
colaboração ecumênica que estão acontecendo, das
quais participam membros da Igreja Católica; recolhendo suas preocupações
e suas contribuições.
ü Fazer circular a informação através de diferentes
instâncias eclesiais, de comunidades e de coletivos diversos, utilizando
os meios de comunicação, tanto eclesiais como sociais.
QUESTÕES
PARA ANIMAR O DEBATE
1.- Que sentido e que valor tem para você o conceito de "processo
conciliar"? quais são as principais idéias e conclusões
que você destacaria?
2.- Em relação a que temas você acha que se poderia desenvolver
este processo? Que experiências conhece? Qual a sua opinião sobre
elas?
3.- Em seu ambiente de trabalho, quais seriam as prioridades? Como concretizaria
seus esforços de comunicação e colaboração
com outras pessoas e grupos afins?
NOTA:
Estamos interessados em conhecer suas opiniões.
Por favor, escreva a proconcil@proconcil.org
Sobre
os autores do documento:
Este documento é fruto de um trabalho coletivo, no qual os autores exerceram
a função de coordenar e redigir os sucessivos rascunhos, sintetizando
e integrando as diferentes contribuições que iam recebendo.
Emília Robles e Javier Malagón foram, entre 1996 e 2002, coordenadores
da Corrente Somos Igreja no Estado Espanhol; entre 1998 e 2002 foram membros
da equipe de coordenação internacional de IMWAC (International
Movement We Are Churchj - Movimento Internacional Nós Somos Igreja) e
em 2002 coordenaram o Encontro Internacional para a Renovação
da Igreja Católica "Outra Igreja é possível".
Atualmente, expirado seu mandato em Nós Somos Igreja, são coordenadores
de Proconcil, ponto de encontro e mediação da Iniciativa independente
Para um Novo Concílio.
Profissionalmente, trabalham juntos como consultores de instituições,
em temas de comunicação interna e externa, facilitando processos
de participação na gestão da mudança.
Emília Robles é psicóloga e Javier Malagón comunicólogo,
ambos são especialistas em mediação institucional e em
intervenções sistêmicas.
TRADUÇÃO
E REVISÃO BRASILEIRA
DE ROGÉRIO I. DE ALMEIDA CUNHA