Oraetlabora agradece Rogério e Zenóbia pela matéria abaixo relatada

Para um novo Concílio
Iniciativa Internacional a favor de um Novo Concílio

(CADERNO DE TRABALHO PARA O PERÍODO 2003 - 2004)
2002 - 2003
Balanço e perspectivas
15 de setembro de 2003
Proconcil
Ponto de Encontro e Mediação
proconcil@proconcil.org http://www.proconcil.org


ÍNDICE

Pág.
Apresentação...............................................................02
Introdução...................................................................02
Assinaturas de Bispos.....................................................05
PRIMEIRA PARTE: Respostas à Iniciativa.............................06
A) Contribuições de pessoas que apoiaram a Iniciativa..........07
B) Tendências entre as pessoas que pedem um novo Concílio.12
C) Objeções a um novo Concílio........................................13
D) Relação entre Pontificado e novo Concilio.................. ....14
E) Para continuar avançando............................................15
SEGUNDA PARTE: Expectativas de futuro............................16
Consideração prévia........................................................16
A) Sobre o ambiente conservador......................................16
B) Sobre o ambiente progressista......................................18
C) Cenários pessimistas e otimistas...................................19
D) Importância dos sujeitos coletivos.................................20
E) Necessidade de mediações...........................................21
TERCEIRA PARTE: Perspectivas de trabalho.........................21
A) Marco temporal..........................................................22
B) Modelo organizativo....................................................23
C) Valores e atitudes......................................................23
D) Diálogo Igreja - Sociedade...........................................24
E) Alguns critérios metodológicos......................................24
Sobre os autores do documento........................................25
Apresentação

O documento que lhes oferecemos é dirigido a todas as pessoas e comunidades eclesiais interessadas em participar e dinamizar esta Iniciativa, que se inaugura com uma carta dirigida ao Papa, na qual os signatários se manifestam em favor de um Novo Concílio.
O apoio a essa carta é o eixo desta Iniciativa, que foi assinada, até agora, por mais de 10.000 pessoas, entre as quais trinta e seis Bispos católicos.
Na elaboração deste documento participou um grande número de pessoas (leigos, teólogos, religiosos, Bispos...). Os coordenadores de Proconcil foram propondo sucessivos rascunhos, aos quais se foram incorporando novos aspectos e considerações.
Agora, o texto se torna público e se trata de difundi-lo amplamente. Sua função até o fim de 2004, é servir de instrumento de trabalho, reflexão e comunicação, que nos permita continuar avançando no processo de elaboração coletiva de uma estratégia de transformação para a Igreja, eficaz, integradora e com uma ampla participação do Povo de Deus.
Recomendamos usar este documento coletivamente, refletindo e debatendo sobre ele no ambiente de suas comunidades, paróquias, dioceses, congregações, etc.
Os comentários, opiniões e propostas que recebermos servirão para publicar, no final de 2004, ou no começo de 2005, um novo documento, mais amplo, mais matizado e mais profundo.
Como poderão ver, se trata de um "documento em processo", aberto à participação do Povo de Deus, independentemente de seu status ou das opiniões que tenham sobre a Igreja.
O fruto desse esforço coletivo será tornado público e oferecido também à hierarquia eclesiástica, como expressão de corresponsabilidade e compromisso com a marcha de nossa Igreja.

Introdução
A Iniciativa Internacional Para um Novo Concílio.
Em abril de 2002 tornou-se pública a carta aberta intitulada "Para um novo concílio" pedindo ao Papa (ao atual ou outro, pois a Iniciativa continua aberta indefinidamente) que convoque um novo Concílio Ecumênico, com uma série de características http://www.proconcil.org); a carta diz assim:
As pessoas abaixo assinadas, seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré, solicitamos ao Papa, Bispo de Roma, em continuidade com o espírito do Vaticano II, a convocação de um novo Concílio Ecumênico que ajude a nossa Igreja Católica a responder evangelicamente, em diálogo fraterno e com a maior colaboração possível com as demais Igrejas Cristãs e as outras religiões, aos graves desafios da Humanidade, em particular dos pobres, num mundo em rápida transformação e cada vez mais interrelacionado.
Conscientes da dificuldade que acarreta a organização de um Concílio Ecumênico, pedimos, dentro das novas facilidades de comunicação e intercâmbio, que seja concebido como processo conciliar, participativo e co-responsável, a partir das Igrejas Particulares, locais e continentais.
Propomos que se realize ao longo de um período de tempo suficientemente amplo e com uma metodologia apropriada, para que a comunidade de crentes possa pronunciar-se sobre os temas que considera mais importantes e urgentes, sendo coletadas suas contribuições para o debate e as decisões conciliares.
Em comunhão com toda a Igreja e particularmente com o sucessor de Pedro, oramos para que o Espírito nos assista, para responder - com profecia e esperança - ao desejo de diálogo e renovação que inunda grande parte do Povo de Deus.
A esse desejo queremos respeitosamente responder, firmando esta petição.
Até o momento, esta petição foi apoiada por mais de 10.000 assinaturas de apoio de todos os setores da Igreja (leigos, diáconos, religiosas e religiosos, sacerdotes...); entre elas se encontrem as assinaturas de 36 Bispos católicos, que decidiram apoiar publicamente a Iniciativa.
É importante destacar e esclarecer os seguintes elementos:
1) As pessoas que promovem a petição se declaram cristãs e católicas, ou seja, seguidoras de Jesus de Nazaré e membros da Igreja Católica Apostólica Romana. Não obstante, a carta é aberta ao apoio que queiram livremente prestar-lhe outras pessoas que simpatizam com seu espírito.
2) A carta é dirigida ao Papa, como pessoa e como instituição, por isso não se dirige unicamente ao atual, mas também ao que vier a substituí-lo no futuro. É, por tanto, uma iniciativa aberta, que uma vez tornada pública, tem vocação de manter-se como um dos diversos referenciais favoráveis a um novo concílio.
3) Na carta se pede um novo Concílio Ecumênico, com a participação e colaboração de outras Igrejas Cristãs e outras religiões, enquanto possível. A iniciativa surge da Igreja Católica Apostólica Romana, mas deveria ser facilitada ao máximo a participação e colaboração de outras Igrejas Cristãs, e inclusive de outras confissões religiosas.
4) O Concílio se realizaria em continuidade com o Vaticano II, ou seja, atualizando e desenvolvendo sua herança, ao mesmo tempo em que se incorporariam novos temas e preocupações. Os promotores da carta não pensam que o Vaticano II esteja esgotado, mas sim ao contrário, consideram que deve receber um novo impulso mediante um concílio que retome questões pendentes e incorpore outras novas.
5) Espera-se do novo Concílio que ajude a Igreja a responder evangelicamente aos grandes desafios da Humanidade, em especial dos homens e das mulheres atormentados pela violência, a pobreza e a exclusão. Os abaixo assinados esperam que, do processo conciliar surja um novo clima de renovação e confiança, para enfrentar melhor os desafios que o mundo atual coloca ao anúncio da palavra de Deus e a construção do Reino, atuando, de preferência, a partir da realidade dos pobres.
6) O contexto que justifica a carta é um mundo em rápida transformação e cada vez mais interrelacionado. As sociedades, as formas de produção e reprodução da vida social estão se transformando muito depressa, fenômeno que convoca a nós, cristãos, a renovarmos nossa fé e nossas práticas religiosas. Os promotores da Iniciativa se fazem eco dessa sensibilidade renovadora e do desejo de "pôr em dia" a Igreja, que é comum a amplos setores da comunidade católica e cristã. Assim sendo, decidem não entrar em detalhes acerca dos temas concretos dessa renovação, pois consideram que a agenda conciliar deveria brotar como fruto de uma ampla participação, na medida em que se abram novos espaços para o diálogo e a comunicação.
7) Dadas as evidentes dificuldades de organizar um novo concílio, acreditamos que possa ser concebido como processo conciliar, participativo e co-responsável, fazendo uso das tecnologias e dos meios que facilitam a comunicação e o intercâmbio, partindo das Igrejas Particulares, locais e continentais. Para os promotores da carta as sessões conciliares no estilo do Vaticano II, caso sejam necessárias, constituiriam uma parte entre outras, de um processo mais amplo de participação, diálogo e tomada de decisões, que abrangeria de maneira processual as diferentes Igrejas.
8) Os prazos de tempo deveriam ser suficientemente amplos, para facilitar a participação ampla do Povo de Deus. O espírito da carta é favorável a que um novo Concílio ofereça condições eficazes que facilitem a participação do Povo de Deus em todos os níveis, inclusive os debates e as decisões conciliares, e para isto seria necessário definir procedimentos de eleição que garantam a representatividade dos delegados.
9) A petição é feita de maneira respeitosa, manifestando a vontade de comunhão com o Sucessor de Pedro e orando para que o Espírito de Deus nos ajude a todos a encontrarmos caminhos de diálogo e renovação. Os promotores tomaram o cuidado de não ofender a sensibilidade de ninguém e não dar ocasião de que seja feita a acusação de estar contra o Papa ou o governo atual da Igreja. Sua intenção é contribuir para que sejam abertos novos caminhos de renovação, sem excluir ninguém, comprometidos com a estabilidade e o fortalecimento da Igreja Católica, e solidários com seu maior representante.
10) A forma de apoiar esta petição consiste em assiná-la individualmente, mesmo se não se exclui a possibilidade de que haja assinaturas coletivas de organizações. Mesmo se a simpatia e identificação com a carta se exprime mediante uma assinatura, não se trata absolutamente de uma campanha de pressão (de fato, não optamos por recolher um número avassalador de assinaturas) ao contrário, trata-se de uma iniciativa de sensibilização, para estimular a reflexão e o debate sobre as condições, forma e conteúdos de um futuro concílio ecumênico, integrador, favorável à abertura - "aberturista" - e participativo.

Além do conteúdo da carta, é importante ter em conta a Introdução que a precede, que diz o seguinte:

Esta Iniciativa nasce de pessoas investidas em cargos de elevada responsabilidade na Igreja Católica, que desejam oferecer uma contribuição positiva ao anseio de diálogo e comunhão que uma grande parte da comunidade eclesial está exprimindo.
A Iniciativa que se apresenta é independente de toda organização eclesial ou social e, ao mesmo tempo, se oferece ao Povo de Deus para que possa ser apoiada por todas as pessoas e instituições que se identifiquem com ela. Consiste numa petição coletiva, dirigida respeitosamente ao Papa, para que abra um processo conciliar em direção a um novo Concílio Ecumênico da Igreja Católica.
Esta ação deve ser compreendida como uma expressão construtiva para animar a comunhão na comunidade católica e conseguir um amplo consenso, com o objetivo de que se possam abrir novos espaços de diálogo e comunicação, nos quais seja possível exprimir, com liberdade e misericórdia, preocupações, esperanças e novos caminhos de renovação.
Um novo Concílio Ecumênico, em continuidade com o Concílio Vaticano II, poderia ser uma oportunidade para toda a Igreja, com o fim de oferecer a seus fieis e a toda a sociedade um rosto renovado, capaz de dar resposta eficaz a seus desafios internos e às circunstâncias do mundo de hoje, especialmente às realidades de desigualdade, pobreza, exclusão, abusos e violência que afetam grande parte da Humanidade.
Certamente, a organização de um novo Concílio Ecumênico precisa de um amplo processo preparatório, que, como processo conciliar, permita a participação co-responsável de católicos e católicas do mundo inteiro, assim como também a colaboração, por quanto possível, de outras Igrejas Cristãs e de outras Religiões.

Desta introdução destacaremos vários elementos que complementam a carta dirigida ao Papa:
a) A iniciativa parte de pessoas com cargos de elevada responsabilidade na Igreja Católica. De fato, em poucas semanas os Bispos firmatários já eram mais de trinta. Além disto, durante estes meses, altos responsáveis de diversas organizações eclesiais manifestaram seu apoio.
b) A intenção da carta é oferecer uma plataforma que facilite a comunicação e o diálogo, tendo em conta um contexto eclesial e social no qual parece difícil que perspectivas diferentes possam encontrar-se e chegar a acordos. Os promotores querem contribuir para fortalecer a comunhão eclesial, dando alento a uma cultura do diálogo e de respeito entre diferentes setores da Igreja.
c) É uma iniciativa independente, não vinculada nem sujeita a nenhuma organização eclesial ou social, ainda que esteja aberta a apoios por parte de qualquer pessoa ou instituição que se identifique com ela, sempre que tal apoio não desvirtue o espírito evangélico que a anima.
d) O processo conciliar é o caminho preparatório de um novo concílio, ainda que possa ser compreendido - como diz a carta, sem que seja contraditório - como a forma que o novo Concílio adota, no qual as sessões conciliares, no estilo do Vaticano II, seriam uma parte entre outras, de um processo que não se esgotaria nelas, e que continuaria depois de sua realização.
e) Desejamos que esta ação seja recebida pela hierarquia e os fieis de maneira construtiva, sem que ninguém se sinta ameaçado por ela, nem dê ocasião a um processo em que haja vencedores ou vencidos. A petição de um processo conciliar se coloca como oportunidade para toda a Igreja, com a finalidade de dar alento à comunhão no seio de um espaço de fé plural desde suas origens, no qual possam conviver de maneira sã diversas sensibilidades e perspectivas que se enriqueçam umas às outras, mesmo se dentro dos limites estabelecidos pelos fundamentos da fé cristã, centrada no amor e nas bem-aventuranças.
As respostas que esta Iniciativa suscitou foram muitas e variadas. Certamente, na carta é formulada a petição de um novo Concílio Ecumênico em termos muito gerais, para que possa ser tomada em consideração e interpretada por diferentes sensibilidades, na intenção de motivá-las para que contribuam com suas opiniões e suas propostas.
A intenção dos promotores não foi tanto definir em detalhes porque, como, quando e em relação a quais temas deveria ser convocado um novo Concílio, mas impulsar a reflexão e o debate sobre todas estas questões, objetivo que vamos atingindo satisfatoriamente, de tal maneira que é preciso aprofundá-los mais, ampliando a participação e abrindo novos espaços de reflexão e debate.

QUESTÕES PARA ANIMAR O DEBATE.

1.- Que impressão lhe causou a carta dirigida ao Papa? Que pontos dela lhe parecem mais importantes?
2.- Depois de ter lido os esclarecimentos ao texto, que pontos fortes e fracos se tornam visíveis na Iniciativa?
3.- Em que sentido esta Iniciativa pode ser compreendida como oportunidade e em que sentido pode ser vivida como ameaça por alguns setores da Igreja?

NOTA:
Estamos interessados em conhecer suas opiniões
Por favor, escreva-nos: proconcil@proconcil.org

ASSINATURAS DE BISPOS (Por ordem alfabética)
Arns, D.Paulo Evaristo Cardeal-Arcebispo Emérito de São Paulo. BRASIL
Austregésilo de Mesquita Filho, D. Francisco Bispo Emérito de
Afogados de Ingazeira. PE. BRASIL
Balduino, D. Tomás Bispo Emérito de Goiás. GO. BRASIL
Calheiros Novaes, D. Waldyr Bispo Emérito de Volta Redonda. RJ.
BRASIL
Cappio, D. Frei Luiz Mário Bispo de Barra. BA. BRASIL
Casaldáliga, D. Pedro Bispo de São Félix de Araguaia. MT.
BRASIL
Cardelli, D. Héctor Sabatino Bispo de Concordia ARGENTINA
Castellanos Franco, D. Nicola Bispo Emérito de Palencia (España).
Missionário da base na BOLÍVIA
Ciocca Vasimo, D. Adriano Bispo Diocesano - Floresta BRASIL
D´Andrea, D. Luís Bispo de Caxias. MA. BRASIL
Dias, D. Apparecido José Bispo de Roraima. Boavista. RR. BRASIL
Fernandes, D. Luís Gonzaga (+) Bispo Emérito de Campina Grande
PB BRASIL
Fragoso, D. Antonio B. Bispo Emérito de Crateús. CE. BRASIL
Furtado de Brito, D. Jacinto Bispo de Crateús. CE. BRASIL
Gilles, D. Xavier Bispo de Viana. Maranhão. BRASIL
Grecchi, D. Moacyr Arcebispo de Porto Velho. RO. BRASIL
Hamao, D. Stephen Fumio Bispo Emérito de Yokohama. JAPÃO
Hesayne, D.Miguel Esteban Bispo Emérito de Viedma ARGENTINA
James, D. Manning Elías Bispo Diocesano de Valença RJ. BRASIL
Kräutler, D. Erwin Bispo Prelado de Xingú. PA. BRASIL
Labayen, Julio Xavier Bispo. FILIPINAS
López de Lama, D. Jesús Agustín Bispo Emérito de Corocoró BOLIVIA
Luna Tobar, D. Luis Alberto Arcebispo Emérito de Cuenca. ECUADOR
Masserdotti, D. Franco Bispo de Balsas. Presidente do Conselho
Indigenista Missionário. MA. BRASIL
Messias de Oliveira, D. Emanuel Bispo Diocesano de Guanhães BRASIL
Morelli, D. Mauro Bispo de Caxias. RJ. BRASIL
Piña Batllevell, D. Joaquín Bispo de Puerto Iguazú. ARGENTINA
Pires, D. José Maria Arcebispo Emérito de João Pessoa. PB. BRASIL
Possamai, D. Antonio Bispo de JI- Paraná. RO. BRASIL
Postma, D. Tiago (Jacobus Josef María) (+) Bispo Emérito de
Guarapés. PE. BRASIL
Prata de Carvalho, D. Diamantino Bispo de Campanha-MG BRASIL
Ramazzini, D. Alvaro Bispo de San Marcos. GUATEMALA
Rixen, D. Eugênio Bispo de Goiás. GO. BRASIL
Ruiz, D. Samuel Bispo Emérito de San Cristóbal de las Casas. MÉXICO
Valentini, D. Luiz Demétrio Bispo de Jales. SP. BRASIL
Werlang, D. Guilherme Antônio Bispo de Ipameri. GO. BRASIL


PRIMEIRA PARTE:

Respostas à Iniciativa

Nesta primeira parte, relataremos as diferentes reações que esta Iniciativa de petição de um novo Concílio suscitou. Faremos referência às opiniões em si mesmas, abstraindo das pessoas e/ou instituições em que tenham surgido, por dois motivos:

- Primeiro, porque a idéia de um novo Concílio ainda é nova, e por isto se pode prever que, na medida em que o projeto avance, muitas pessoas e organismos modifiquem algumas atitudes frente a ele e introduzam novos matizes em suas respostas.
- Em segundo lugar, porque, pela mesma razão, muitas destas opiniões aparecem ainda pouco diferenciadas quanto a pessoas, entidades ou setores da Igreja.

Queremos definitivamente facilitar a evolução das opiniões, evitando preconceitos e encarquilhamento de posturas, tanto a favor como contra um novo Concílio.
Como conclusão desta primeira porte, antecipamos que a petição de um novo Concílio se revelou um instrumento eficaz para animar a reflexão e o debate sobre as transformações de que a nossa Igreja precisa, assim como os meios para alcançá-los. Entretanto, é necessário admitir que é um projeto jovem, razoável para a maioria unicamente se é colocado a médio e longo prazos, e que suscita uma ampla variedade de expectativas e avaliações, que precisam ainda de um grau maior de amadurecimento, contraste e convergência.

A) Contribuições das pessoas que apoiaram a Iniciativa.

Entre as pessoas que apoiaram a Iniciativa e que, portanto, se identificam com o projeto de um processo conciliar e de um novo Concílio, podemos encontrar uma ampla diversidade de matizes, segundo:
As expectativas e objetivos frente a um futuro Concílio.
1. Sua continuidade frente ao Vaticano II.
2. A forma e metodologia que deveria adotar.
3. O lugar em que seria celebrado.
4. Os prazos e o momento em que se venha a realizar.
5. Seu caráter ecumênico e seu grau de abertura.
6. Relações entre transformação eclesial e transformação social.
7. Os temas que deveria abordar e o alcance de suas decisões.

A.1. Segundo as expectativas e objetivos frente a um futuro Concílio:

Algumas pessoas vêm no processo conciliar e no Concílio os meios para conseguir certas reformas canônicas. As expectativas são diferentes, pois encontramos:
q Pessoas que justificam um novo Concílio unicamente se abordar aquela reforma que lhes parece fundamental.
q Pessoas que justificam um novo Concílio unicamente se abordar todas as reformas que, a seu parecer, são necessárias para a Igreja.
q Pessoas que admitem um Concílio que realize, pelo menos, alguma das reformas cuja necessidade está surgindo.
Há outras sensibilidades favoráveis a um novo Concílio, que não colocam o acento tanto em conseguir reformas concretas, mas sim em conseguir um clima presidido por um espírito de Caridade e em que, através de diálogo, distensão e abertura, sejam fundamentadas, de maneira integradora, as diferenças e os conflitos.
As pessoas que opinam desta maneira esperam também algum tipo de reforma, mas pensam que a transformação na Igreja depende em boa parte, de que haja novas possibilidades de comunicação e participação, assim como de que se desenvolvam melhores atitudes de respeito e tolerância à diversidade; e confiam que as transformações necessárias sejam conseqüência destas novas relações.
Portanto, percebemos dois acentos diferentes, não necessariamente opostos, ainda que em certa tensão dialética:
ü Um faz referência aos temas que devem nutrir a agenda conciliar e os objetivos de reforma que se deveriam conseguir como conseqüência de um processo conciliar.
ü Outro põe ênfase em conseguir um renovado clima de confiança, respeito mútuo e capacidade de comunicação, fruto de um processo conciliar no qual se vão procurando novas formas de harmonizar, o mais possível, diferentes visões e projetos de Igreja.

A.2. Segundo sua continuidade frente ao Vaticano II:

O Vaticano II é uma referência constante para todos os que apoiam a idéia de um novo Concílio. É praticamente unânime a apreciação de que o último Concílio não está superado em muitos aspectos, nem totalmente desenvolvido em outros; mas segundo alguns pontos de vista, isto não impede que comecemos a falar já de um novo Concílio, pois este poderia atualizar e dar um novo impulso às conclusões do anterior e, sobre tudo, ajudaria a Igreja a responder melhor aos novos desafios do presente, a quarenta anos de distância do Vaticano II.
Entretanto, entre os que apoiam o projeto de um novo Concílio há uma ampla coincidência em que este não deveria supor um retrocesso frente aos avanços que o Vaticano II realizou.
Alguns críticos da Iniciativa objetam que há o risco de que um novo Concílio faça a Igreja retroceder a posições anteriores ao Vaticano II, dada a influência que atualmente tem nela certos setores que, a seu parecer, desejariam voltar a uma etapa preconciliar, ao menos para corrigir o que eles consideram excessos que derivaram do Vaticano II.
Ainda que não tenhamos percebido sinais evidentes de que esses setores estejam interessados num concílio restauracionista, podemos admitir como razoável este temor; a questão é então se essa hegemonia pode considerar-se definitiva, ou se, pelo contrário pode evoluir de alguma maneira, como conseqüência de um processo conciliar.

A.3. Segundo a forma e metodologia que deveria adotar:

É bastante generalizada a opinião de que um novo Concílio deveria ser um novo tipo de Concílio, por diversas razões.
Entre as razões de tipo técnico, está o fato de que são muitos milhares os Bispos (e outras pessoas) com os que teríamos que contar nas sessões conciliares, se o marco formal fosse semelhante ao Vaticano II.
Entre as de tipo metodológico, se destaca a opinião de que um futuro concílio deveria prever novas fórmulas de participação nos debates e na tomada de decisões, que não se limitassem unicamente aos Bispos e Cardeais, mas que abrangessem amplamente o Povo de Deus, como mediação do Espírito e sujeito ativo da transformação eclesial.
A conjunção de razões de tipo técnico e metodológico faz duvidar da viabilidade de um Concílio que seguisse o mesmo esquema que o Vaticano II.
Há pessoas às quais pareceria um grande avanço que os Bispos tomassem suas decisões escutando previamente, com empatia e predisposição integradora, a pluralidade de pontos de vista que os fiéis manifestam; mas também é certo que uma parte importante da corrente favorável ao novo Concílio afirma a necessidade de formas mais diretas de participação, até o ponto de recusar a priori todo e qualquer procedimento conciliar que não seja uma resposta satisfatória a este anseio.
Teve um eco especial a idéia de que o novo Concílio deva ser concebido como processo, de maneira que não dependa unicamente de uma série de atos institucionais centralizados (no estilo das sessões conciliares dos anos 60), mas sim que "seja concebido como processo conciliar, participativo e co-responsável, a partir das Igrejas particulares, locais e continentais".

A.4. Segundo o lugar em que venha a se realizar:

Uma parte das opiniões recolhidas exprime que é significativo, inclusive determinante, o lugar - ou os lugares - em que se venha a celebrar o futuro Concílio. Segundo estes pontos de vista, se o Concílio fosse concebido como um Vaticano III, continuaria sendo um concílio tradicional, de estilo marcadamente romano e forte cunho centralista e hierárquico.
Há vozes que colocam a demanda por um novo Concílio em outro lugar, diferente de Roma; preferivelmente em Jerusalém, ou em algum lugar em que o contexto acompanhe com duas realidades a que o Concílio teria que dar resposta:
ü A pobreza, a exclusão e a violência que milhões de pessoas estão sofrendo, e
ü A diversidade religiosa e cultural, num mundo globalizado.
Fazendo uso das tecnologias da comunicação e avançando em processo, a partir das Igrejas particulares, locais e continentais, seria possível pensar também num Concílio que pudesse ser celebrado simultânea e/ou assincronicamente, em diferentes lugares (e datas) do mundo.
Segundo as opiniões recolhidas, um novo tipo de Concílio poderia sustentar-se hoje, instrumentalmente, numa base tecnológica que há poucas décadas ainda não existia e também usando um novo modelo de comunicação, mais processual, dialógico, participativo e extenso.

A.5. Segundo os prazos e o momento em que se realizaria:

Há opiniões - muito poucas, ao que nos parece - que colocam a necessidade de um Concílio quanto antes, para fundamentar as reformas que a Igreja precisa e que consideram urgentes, se a Igreja não quer perder sua significação social.
Pois bem, entre as pessoas que apoiam o projeto, parece ser predominante a idéia de que é desejável e necessário um novo Concílio, mas também admitem que atualmente, não apenas não há condições, mas que poderia até mesmo ser contraproducente uma convocação rápida, pois, sem um processo conciliar adequado poderia fazer a Igreja retroceder, prejudicando não apenas os setores reformadores ou favoráveis a uma abertura, mas até mesmo o conjunto da instituição.
Neste sentido, estas opiniões exprimem que o projeto de um novo Concílio é interessante a médio e longo prazos, sendo assim justificado começar a falar sobre como deva ser um processo conciliar que venha a contribuir na geração das condições necessárias, para que este Concílio possa ser realmente integrador, favorável à abertura e participativo.
Outras perspectivas acentuam que, independentemente da vontade favorável ou não a um novo Concílio, a realidade atual pode ser interpretada no sentido de que o processo conciliar já começou. Esta afirmação se justifica a partir do momento em que uma parte significativa e crescente da Igreja está abrindo debates, construindo pontes e refletindo sobre suas próprias experiências e sobre as formas e conteúdos que a transformação eclesial deve adotar, sem que as dinâmicas de reação que já conhecemos até o momento consigam neutralizar totalmente esse impulso.

A.6. Segundo seu caráter ecumênico e seu grau de abertura

Parece um lugar comum que o novo Concilio deveria tomar em muita consideração perspectivas diferentes e que a transformação eclesial depende de que elas possam aprender e enriquecer-se de diferentes concepções e experiências.
Para aquelas pessoas que desejam um novo Concílio, parece fora de toda dúvida que ele deveria ter um caráter marcadamente ecumênico; entretanto, não são unânimes os significados que cada qual atribui a esta qualidade. Até o momento, podemos enumerar os seguintes:
q Há opiniões que afirmam que um novo Concílio só tem sentido num plano de igualdade com outras Igrejas cristãs, e, inclusive, com outras confissões religiosas (máxima horizontalidade macro-ecumênica).
q Há outras que pensam o ecumenismo em termos de aproximação de todas as Igrejas Cristãs (máxima horizontalidade no ambiente cristão, um Concílio pancristão no diálogo com outras religiões).
q Finalmente, estão os que afirmam um Concílio para a Igreja Católica Apostólica Romana, ainda que aberto ao diálogo e em colaboração - até onde for possível - com outras Igrejas Cristãs e outras religiões (máxima horizontalidade no ambiente da Igreja Católica Apostólica Romana).
Até o momento, este é um dos pontos mais difusos quanto à sua visualização concreta. Quanto mais nos afastamos da perspectiva específica de um Concílio Ecumênico para a Igreja Católica - com a participação e colaboração de outras Igrejas e Confissões, até onde for possível - mais difícil é imaginar como poderia ser outro tipo de Concílio Ecumênico (macroecumênico, pancristão...).
Em todo caso, para os promotores da Iniciativa a favor de um novo Concílio, estas perspectivas não são necessariamente projetos opostos, ainda que sejam diferentes. Pode ser sugestivo pensar na possibilidade de trabalhar ecumenicamente em vários níveis, buscando as maneiras como os processos possam enriquecer-se mutuamente.
Talvez as possibilidades de um processo conciliar não se esgotem apenas num Concílio para a Igreja Católica Apostólica e Romana, ainda que isto seja necessário; esta seria inclusive uma condição necessária para poder avançar na relação com outras Igrejas Cristãs, outras Religiões e outras perspectivas antropológicas, éticas e filosóficas.

A.7. Segundo as relações entre transformação eclesial e
transformação social

Pudemos constatar que há opiniões que sustentam ser muito difícil que a Igreja Católica se transforme e que por isto é melhor concentrar-se mais na ação social, entendida como trabalho em favor dos pobres e da transformação das estruturas sociais que geram injustiça.
Entretanto, parece que, na medida em que se aprofundavam na relação entre transformação eclesial e transformação social, estas opiniões foram se matizando no sentido de que:
q Qualquer transformação profunda, tanto na Igreja como na sociedade, não é tarefa fácil, mas nem por isso é menos importante continuar trabalhando, tanto no ambiente eclesial como no social, pois ambos se implicam mutuamente.
q A Igreja não existe à margem da sociedade, e, mesmo se a podemos considerar como um sistema específico, com regras próprias de funcionamento, não tem um grau de autonomia total com relação a outros sistemas sociais sobre os quais exerce influência e pelos quais é influenciada.
q A Igreja, na medida em que se dobre sobre si mesma e se feche às transformações, além de se fragilizar internamente, perde capacidade de incidir socialmente, e diminui a sua credibilidade.
q Em um mundo que se transforma rapidamente, no qual os interesses econômicos dominam sobre considerações éticas, é muito importante rever e aprofundar uma fundamentação moral de usos, critérios e costumes sociais, e este pode ser um importante papel para as instituições religiosas.
A.8. Segundo os temas que deveria abordar e o alcance de seus conteúdos:

Até agora, os que colocam a necessidade de um novo Concílio, fazem-no referindo-se, total ou parcialmente, aos seguintes temas:

A) Temas relativos ao papel das Igrejas no mundo de hoje:

1.- Os desafios que a globalização, as desigualdades e as condições de pobreza e injustiça em que vive a maioria da Humanidade colocam para as Igrejas.
2.- Interculturalidade e diversidade num mundo em que coexistem diferentes concepções de Deus e do Ser Humano, da organização social e dos direitos e deveres das pessoas.
3.- Moral sexual e familiar. Formas de viver a sexualidade, de experimentar a maternidade e de entender o conceito de família, dentro do respeito aos princípios básicos dos valores evangélicos, a legalidade democrática e os Direitos Humanos.
4.- Concepções sobre a Vida, com relação às descobertas científico-técnicas no campo da biotecnologia e da engenharia genética, no marco atual de intercâmbios e de regulação política e econômica global.
5.- A inserção das Igrejas no seio de sociedades crescentemente secularizadas, em que existe um pluralismo ético e religioso no qual a aconfessionalidade do Estado é um valor admitido majoritariamente.
6.- Contribuições das Igrejas para a Paz, a Justiça e a Integridade da Criação

B) Temas disciplinares e de organização eclesiástica:

7.- O papel da mulher na Igreja: Igualdade, participação na tomada de decisões, acesso da mulher ao sacerdócio...
8.- O celibato. Valorização positiva do celibato, mas também de outras formas de vida consagrada. Não obrigatoriedade do celibato para ter acesso aos ministérios ordenados; reintegração e consideração positiva dos sacerdotes casados.
9.- Renovação ministerial. Diversidade de ministérios ao serviço das comunidades e do mundo,
10.- Refundação da vida religiosa. Atualização dos conselhos evangélicos. Potenciação do laicado vinculado ao carisma das congregações. As relações intercongregacionais e sua projeção eclesial e social.
11.- A função do Papado. Novas visões sobre o Primado de Pedro. A colegialidade dos Bispos.
12.- Democratização das estruturas eclesiais: melhores condições de comunicação e expressão; mais liberdade interna; maior participação dos fiéis na tomada de decisões; maior corresponsabilidade e colaboração entre clérigos e leigos.
13.- Reforma da Cúria: Transparência e regulamentação, dentro de um sistema de direitos e de garantias no funcionamento do aparelho eclesiástico.
14.- Formulação e desenvolvimento de uma constituição para a Igreja, na qual se exprimam os principais valores em que se sustenta a instituição, e os direitos e deveres fundamentais dos fiéis.

C) Temas relativos ao ecumenismo e à unidade das Igrejas Cristãs:

15.- Diálogo e colaboração interreligiosa em geral, para contribuir ao desenvolvimento humano, à paz e concórdia entre as pessoas e entre as sociedades.
16.- Macroecumenismo: abertura da Igreja a outras experiências de fé.
17.- Desenvolvimento da Igreja Universal, em sentido místico e profético, em que seja possível uma maior pluralidade teológica, organizativa e de expressões de fé, ao mesmo tempo que se fortalecem a comunhão e a capacidade de trabalho em comum.
18.- A abertura da Igreja às perspectivas não confessionais, fortalecendo a capacidade de diálogo y colaboração com outras instâncias e mediações sociais.

B) Tendências entre aqueles que pedem um novo Concílio.

Todos os matizes que realçamos até agora, podem ser encaixadas, basicamente, entre duas grandes tendências, que poderíamos definir como:

- A tendência de "máximos".
- A tendência de "mínimos".

B.1. A tendência de "máximos":

A tendência de máximos parece ser a que propõe um Concílio para obter reformas de grande formato na Igreja Católica - Apostólica Romana, - ou na relação entre Igrejas e/ou confissões religiosas.
Normalmente, estas expectativas coincidem com afirmações no sentido de que o Concílio não deveria ser realizado em Roma e que teria que ser realmente democrático e participativo, e deveria, inclusive, ser precedido de uma reforma da Cúria.
Nessa mentalidade, o Concílio aparece como o instrumento para obter, num curto período de tempo, transformações radicais na direção de uma Igreja mais evangélica e próxima a um ideal de Igreja que tenha seu referencial nos primeiros tempos do cristianismo.
O processo conciliar parece ser concebido como uma acumulação de forças para pressionar em favor dessas transformações, ou, numa versão mais moderada, como um processo de diálogo do qual se espera a conversão radical dos que até agora resistem às reformas.
As expectativas muito elevadas quanto à forma em que o Concílio se realize, e as mudanças que possa acarretar, parecem ser associadas a atitudes firmes, que resistem a contemporizar com realidades ou posições divergentes.
Uma virtude evidente dessas posições é que oferecem uma visão clara e concreta dos temas que lhes parecem significativos, de seus objetivos fundamentais e as expectativas que põem em processo de mudança.

B.2. A tendência de "mínimos":

A tendência de "mínimos" é aquela que parece aspirar a que um novo Concílio sirva, pelo menos, para obter um clima melhor de convivência entre perspectivas teológicas e eclesiológicas diversas, um clima que mude atitudes e contribua a fortalecer a comunhão intraeclesial, mediante o diálogo, o respeito mútuo e a tolerância.
Essa perspectiva acentua o modelo de comunicação, os fundamentos e estruturas de participação e as atitudes e metodologias que favorecem o diálogo, a tomada de decisões e os acordos. Há quem peça o cessar de sanções e condenações, para favorecer o clima de confiança que deve presidir o processo.
Para os que têm esta sensibilidade, o processo conciliar seria mais ainda, um caminho de diálogo para distender as relações, gerar confiança e chegar a acordos que tornem possível uma Igreja em que convivam, de maneira plural e respeitosa, uma variedade de teologias e práticas eclesiais.
Mesmo se consideram recomendável que o futuro Concílio não se celebre em Roma, isto não lhes parece uma condição imprescindível; do mesmo modo, desejam um alto grau de participação, mas não exigem como condição prévia que seja um Concílio radicalmente democrático (por exemplo, no sentido das democracias representativas ou das democracias diretas).
Para essas pessoas, a única coisa a se evitar firmemente é dar passos atrás, com relação aos avanços que o Vaticano II trouxe para a Igreja.
Ainda que pareça que se possa esperar dessa perspectiva um alto grau de flexibilidade e adaptabilidade a cenários diferentes, é difícil encontrar nela definições concretas sobre os temas que deveriam fazer parte da agenda conciliar, e muito menos sobre as reformas concretas que teriam que ser exigidas.
Entre a tendência de máximos e a de mínimos existe uma tensão que poderia ser produtiva se conseguisse enriquecer-se com o amplo espectro de posições intermédias, que deveriam procurar conjugar, em graus diferentes (sobre necessidades, temas e objetivos) e flexibilidade para aceitar outras posições e conseguir compromissos aceitáveis para todas as partes.

B.3. Abertura, reforma ou refundação:

Essas tendências - máximos e mínimos - podem ser consideradas os extremos de um eixo, no qual é raro encontrar posições absolutamente polarizadas num sentido ou no outro. Ao longo deste eixo, podemos encontrar, basicamente, três tipos de sensibilidades:
q A sensibilidade "favorável à abertura".q A sensibilidade "reformadora".q A sensibilidade "refundadora". êTendência de "máximos"ô Sensibilidade "refundadora"ô Sensibilidade "reformadora"ô Sensibilidade " aberturista "éTendência de "mínimos"

As preocupações da sensibilidade favorável à abertura se concentram mais nas atitudes e nas metodologias, e menos no programa de reformas concretas. O processo conciliar é concebido como processo de comunicação, distensão, diálogo e acordo com outros setores eclesiais.
A sensibilidade reformadora enfatiza reformas concretas. O processo conciliar é visto como acumulação de forças, denúncia de insuficiências ou contradições da Igreja e pressão sobre a hierarquia; ainda que os setores moderados não excluam negociar e pactuar acordos.
Por último, a sensibilidade refundadora aspira a uma mudança radical das estruturas eclesiais e se preocupa sobretudo em construir, a partir da prática, o tipo de Igreja a que aspira. A partir desta perspectiva, o processo conciliar é um caminho de construção autônoma desse tipo de Igreja, dentro da Igreja Católica... enquanto for possível.

C) Objeções a um novo Concílio

As razões daqueles que se opuseram à proposta de começar a trabalhar em direção a um novo Concílio, podem ser resumidas nos seguintes pontos:
1. É desnecessário.
2. É inoportuno.
3. É inútil.
4. É complicado.
1. É desnecessário: Argumentando que o Vaticano II não está esgotado e deve desenvolver-se ainda mais. Para fazer frente aos desafios que o mundo de hoje coloca para a Igreja, basta, por agora, o Vaticano II. Também há quem opine que os sínodos são, por agora, instrumento suficiente para fundamentar o diálogo.
Tendo em conta esta opinião, parece recomendável aprofundar o sentido que o Vaticano II teve para a Igreja, como se puseram em prática suas conclusões até o momento, e que novos temas e realidades podem não encontrar nelas um tratamento adequado ou suficiente.
2. É inoportuno: alguns exprimem que os setores ultraconservadores poderiam aproveitá-lo para acabar com o que o Vaticano II teve de abertura ou renovação. Para pedir um novo Concílio teríamos que esperar que mude esta correlação de forças, ou que o futuro Papa tenha a força e o a coragem suficiente para pôr freio a possíveis intentos de involução.
Essa objeção deveria ser levada em conta para enriquecer o processo conciliar com atitudes e colocações que evitem os jogos de "soma zero", nos quais uns ganham, outros perdem. Também ajuda a não desvalorizar o papel do Papa como elemento motivador do processo e também como agente regulador de conflitos e símbolo de comunhão.
3. É inútil: Acham que nem este Papa nem a Cúria estariam dispostos a facilitar algum processo de reforma ou abertura. Segundo esta opinião, teríamos que esperar um novo Papa, com sensibilidade favorável à abertura, ou, inclusive, esperar uma reforma da Cúria.
Esse ponto de vista obriga a questionar a nossa imagem a respeito daquilo que uns setores de Igreja pensam sobre os outros; também sugere a importância de explorar e compreender o complexo sistema de necessidades e interesses que está por baixo da estrutura eclesiástica.
4. É complicado: Porque consideram que fazer um novo Concílio, com a realidade atual da Igreja (milhares de Bispos mais de uma centena de cardeais, movimentos leigos de massa...) seria um problema prático muito difícil de resolver.
Certamente esta é uma dificuldade que não se deveria ocultar, e que não parece ter solução sem um questionamento do modelo tradicional de Concílio, e sem pensar em novas bases organizativas, tecnológicas e metodológicas que deveriam ser gradativamente experimentadas.

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Levando em conta estas objeções, haveria várias linhas de reflexão a se desenvolverem:
O Vaticano II: Antecedentes, evolução, atualidade, possibilidades e limitações:
1. Como se poderia sugerir um processo Conciliar e um Concílio do qual ninguém saia "derrotado" e no qual os diversos setores e a Igreja em seu conjunto possam enriquecer-se mutuamente.
2. Quais são as necessidades e interesses que existem na Igreja e que deveriam ser levadas em conta para conseguir entrar em acordos.
3. Que tipo de Concílio seria tecnicamente possível e com que metodologia.

NOTA:
Estamos interessados em conhecer suas opiniões.
Por favor, escreva a proconcil@proconcil.org

D) Relação entre Pontificado e novo Concílio

Entre as pessoas que apoiam ou recusam a petição de um novo concílio, predomina claramente a opinião de quem com João Paulo II é muito improvável a sua convocação. Como comentamos, alguns criticam a Iniciativa porque a consideram inoportuna, contraproducente e inútil, tendo em conta o perfil deste Papa e o atual funcionamento da Cúria.
É bastante comum, nas opiniões recolhidas, fazer depender a possibilidade de um novo Concílio (favorável à abertura e em continuidade com o espírito do Vaticano II) do fato de que seja convocado por um Papa progressista, compreendendo-se com esta expressão um Papa tolerante com a dissidência, com capacidade de diálogo, vontade reformadora e postura integradora.
Muitas opiniões exprimem que se a convocatória for feita por um Papa qualificado como conservador (um pontífice eleito entre os cardeais que estão alinhados sem muitas divergências com o magistério de João Paulo II), o objetivo da convocação seria fechar ainda mais a Igreja, consolidando a linha atual e liquidando qualquer pretensão de reforma de caráter democratizador ou mesmo favorável à abertura.
O esquema de pensamento mais comum é o seguinte:
Papa "progressista"AberturaConcílio como oportunidade Papa "conservador"InvoluçãoConcílio como ameaça

Esta visão costuma ser acompanhada de um certo pessimismo, no sentido de duvidar da possibilidade real de que o futuro Papa tenha uma postura favorável à abertura ou que, se a tiver, possa contar com a colaboração das pessoas que dirigem atualmente os principais centros de poder da Igreja.

E) Para continuar avançando

1. A reflexão e o debate sobre um futuro Concílio já vinham acontecendo antes do surgimento dessa Iniciativa, a qual não fez mais que dar-lhe um novo impulso e tentar sistematizar algumas idéias a seu respeito.
2. Globalmente considerada, a Iniciativa conseguiu que a chama conciliar não se apague e renasça como possibilidade de futuro. Entretanto, é evidente que são muitas as interrogações e as dificuldades que um projeto deste tipo deve enfrentar.
3. Ainda há muito a se fazer e as declarações ou depoimentos públicos, além de serem importantes, precisam do reforço que lhes possam trazer diversas atividades de pesquisa, formação, reflexão e debate.
4. Entre as pessoas que apoiam esse projeto, parece especialmente necessário procurar posições comuns e pontos de vista complementares.
5. As objeções dos que têm dúvidas ou não estão de acordo com um novo Concílio são dignas de consideração e deveriam ser apreciadas como um estímulo para amadurecer o projeto.
6. Possivelmente o conceito de processo conciliar e o horizonte de um novo Concílio só virão a ser eficazes quando forem nutridos de todas as sensibilidades comprometidas em ajudar a Igreja a desenvolver sua missão evangelizadora no mundo de hoje.

QUESTÕES PARA ANIMAR O DEBATE

1.- Que impressão você tem das respostas que esta Iniciativa provocou? Em que medida este documento corresponde à realidade que você conhece?
2.- Que conclusões você tiraria depois da leitura delas? No seu parecer, quais deveriam ser as prioridades?
3.- Por favor opine sobre estas duas hipóteses:
q "Um Papa conservador que dirige um processo relativamente favorável à abertura".
q "Setores conservadores comprometidos com uma abertura moderada em certos aspectos".
NOTA:
Estamos interessados em saber sua opinião.
Por favor, escreva a proconcil@proconcil.org


SEGUNDA PARTE:
Expectativas de futuro

Vistas as diferentes respostas e atitudes que a petição de um novo Concílio suscitou, podemos afirmar que, como projeto a médio ou longo prazo, tem capacidade para abrir novos caminhos de reflexão, estimular a criatividade e mobilizar esforços transformadores.
O ponto de partida ou princípio de realidade que adotamos para propor uma estratégia de transformação eclesial pode ser resumido da seguinte maneira:
"O futuro da Igreja Católica é difícil de ser previsto, os cenários de futuro são incertos e pouco evidentes."
No final dessa segunda parte, argumentaremos a necessidade de que emerjam sujeitos coletivos capazes de impulsionar, sustentar e desenvolver os processos de mudança. Entre eles, será necessário contar com sujeitos com carisma mediador, capazes de facilitar o encontro e a comunicação entre diferentes setores da Igreja.
Procuraremos estabelecer a relação entre estes sujeitos coletivos e um processo conciliar viável, em direção a um novo Concílio integrador, favorável à abertura e participativo.
Para ir apresentando tudo isto, começaremos dando conta - em grandes traços - das atitudes e expectativas de futuro expressas por diferentes setores da Igreja.

Consideração prévia
Não há dúvida de que toda tentativa de classificar a realidade supõe uma redução de suas possibilidades; mas isto aparece como um momento inevitável do processo de criação do conhecimento.
Já dissemos na Introdução que queremos evitar uma classificação excessiva das reações que a petição de um novo Concílio suscitou; para isto, renunciamos a nomear diretamente pessoas e instituições de cujas posições tivemos conhecimento, considerando que, para continuar avançando, precisamos construir categorias nas quais possam ser enquadradas, não as pessoas, mas as opiniões e atitudes que se manifestaram.
Somos conscientes de que existem muitas maneiras de descrever a estrutura eclesial e de nomear seus componentes. Aqui escolhemos aquela que nos parece mais útil - com a informação de que dispomos - para descrever as expectativas e atitudes perante eventuais transformações na Igreja.
Ainda que, talvez, seja inútil dizer, é importante "não confundir o mapa com o território". Estamos seguros de que o quadro que apresentamos a seguir será melhorado e enriquecido conforme venham a ser colocados em relevo novos matizes e diferenças.
Setores eclesiais - Do ambiente conservador:
· Conservadores e restauracionistas
· Conservadores centristas.
- Do ambiente progressista:
· Progressistas do Vaticano II.
· Neoconciliares.

A) Sobre o ambiente conservador.

Os setores mais identificados com o magistério de João Paulo II aspiram provavelmente a que este perdure por muito tempo e que seu sucessor mantenha uma linha continuista.
Não é muito aventurado supor que, atualmente, a maioria dos cardeais, Bispos, religiosos e leigos vinculados às estruturas oficiais da Igreja condividem essa expectativa.
Dentro desta ala continuista e conservadora, cremos que se possam diferenciar vários setores, que identificaremos como "conservadores e restauracionistas" por um lado, e "conservadores centristas" por outro.

A.1. Conservadores e restauracionistas

Em geral, chamamos conservadores aqueles que defendem sem mais o magistério de João Paulo II, opondo-se a recolocações sobre qualquer tema que lhes pareça que ponham em xeque a autoridade do Papa e dos Bispos.
Condividindo no fundo este apego, os restauracionistas, nostálgicos de certas concepções preconciliares (anteriores ao Vaticano II), possivelmente desejariam que o novo Papa adote posições mais restritivas, ao menos em relação a três temas:
a) A abertura ecumênica e o diálogo interreligioso.
b) A atitude da Igreja frente aos povos não cristãos.
c) Os pedidos de perdão formulados pela Igreja, em relação ao passado.
No conjunto, conservadores e restauracionistas se mostram muito aguerridos frente a qualquer inclinação reformadora que queira abordar questões como o celibato, o papel da mulher na eucaristia, o divórcio, o aborto ou a homossexualidade e a mesma coisa acontece com respeito a tudo o que consideram verdades dogmáticas.
É comum, entre eles, afirmar que há temas que estão absolutamente fechados, dos quais é proibido falar; sustentam firmemente também que é inadmissível qualquer diálogo que possa conduzir a acordos com quem estiver definitivamente equivocado em sua interpretação da doutrina cristã e do fato eclesial.
Estes setores percebem os setores reformadores ou favoráveis à abertura como um câncer dentro da Igreja, que é necessário extirpar ou, se não for possível, neutralizar isolando-o do resto da comunidade dos fiéis.
Entre o setor mais radicalizado nestas posições e o setor conservador centrista - de que falaremos mais abaixo - existe uma fronteira difusa, composta por pessoas que em alguns momentos podem parecer monoliticamente fechadas a toda mudança progressista, mas em outros momentos podem projetar uma imagem aberta ao diálogo. Consideramos oportuno pesquisar mais profundamente em que contextos, com relação a quais temas e frente a quais interlocutores acontecem estas mudanças de atitude.

A.2. Conservadores centristas.

O que chamamos setor conservador centrista, ainda que de maneira tímida, dá mostras de ter uma postura mais pragmática. Existe uma faixa de dirigentes eclesiais de perfil conservador, partidários de ampliar e aprofundar as vias de diálogo, tanto no interior da Igreja, como entre a Igreja e a sociedade, ao menos para distender e fundamentar alguns conflitos; inclusive alguns se mostram partidários de certas reformas disciplinares, contanto que venham de Roma.
O difícil nestes momentos é ponderar a amplidão deste setor e sua flexibilidade real em aceitar algumas mudanças ou reformas. Este setor poderia emergir com mais clareza se o Papa facilitasse a abertura, mas também poderia acontecer que uma agudização do extremismo ultra-conservador e/ou restauracionista os induzisse a exercer um papel mais ativo na procura de uma abertura.
É um setor que tende a apoiar-se no legado do Vaticano II e em certos aspectos do magistério de João Paulo II para tentar oferecer um rosto de Igreja mais moderado, dialogante e negociador, evitando todo pronunciamento que possa ser interpretado como ruptura ou contradição de fundo com o Papa atual.
Uma coisa que, segundo alguns, é um obstáculo para o diálogo com setores progressistas é o sentir-se questionados por eles como "pouco evangélicos", enquanto eles, por sua vez, acusam os progressistas de estar pouco comprometidos com a instituição eclesiástica.
Entre alguns de seus membros se nota um certo temor de que um novo Concílio - ou qualquer projeto de mudança muito ambiciosa - dê asas aos setores mais radicalizados, tanto para a esquerda como para a direita do espectro eclesial, deteriorando ainda mais a imagem pública do catolicismo e tornando mais difícil a governabilidade da instituição.
Se isto for certo, teríamos que perguntar se para a ala conservadora centrista as reformas em si mesmas são o principal problema, ou, muito mais, a questão está em como gerenciar as mudanças, mantendo um alto nível de coerência frente à etapa anterior, assim como uma forte coesão e estabilidade institucional da Igreja.
Poderíamos pensar que o status quo atual, apesar de suas insuficiências e problemas, permite a esse setor ter uma posição mais segura em seus postos de condução na Igreja, sentindo-se incapazes de administrar as polarizações e conflitos que um eventual Concílio possa deslanchar.
Esses mesmos dirigentes destacam o papel dos leigos na Igreja, assinalam a importância da colegialidade, reconhecem a necessidade de maior intercâmbio em nível episcopal e se declaram a favor dos sínodos, mas, em compensação, se opõem ao Concílio; reconhecendo, portanto, a necessidade de maior diálogo e participação na Igreja, mas sempre no marco de estruturas controláveis e de alcance limitado quanto à sua influência nas prerrogativas do Papa e da Cúria.

Ambiente conservador (alguns traços nucleares):
Conservadores Imobilismo +
Fidelidade sem matizes
Restauracionistas
Preconciliarismo +
endurecimento de certas posições
Conservadores centristas
Diálogo sob controle +
adatação a novas linhas oficiais

B) Sobre o ambiente progressista.

Na primeira parte deste documento já nos extendemos na descrição dos setores que apoiam, com mais ou menos matizes, o projeto de um novo Concílio integrador, favorável à abertura e participativo. Este setor poderia ser incluído dentro de um espaço heterogêneo que poderíamos chamar ambiente progressista, mas não o esgota, porque também nesta ala é necessário incluir pessoas e organizações que manifestaram seu desacordo com a idéia de um novo Concílio.
Portanto, em relação às dinâmicas de mudança da Igreja, entre os que desejam uma Igreja mais democrática, flexível, tolerante e comprometida socialmente, encontramos opiniões que se podem enquadrar basicamente em dois campos que chamaremos:
- Progressistas do Vaticano II
- Neoconciliares

B.1. Progressistas do Vaticano II:

São aquelas posições que reivindicam a atualidade e validez deste Concílio e sustentam a inoportunidade de se propor outro novo, apoiando-se, sobretudo, no argumento de que, se fosse convocado, a composição atual da Igreja poderia até mesmo provocar um retrocesso nas posições mais avançadas.
Dentro deste setor, há também diferenciações: há os que afirmam de maneira taxativa que não é hora de falar de um novo Concílio e, em compensação, há outros que admitem que se possa começar a falar disto, sempre que não se formule como um projeto de realização imediata, ou a curto prazo.
Ainda que esta segunda atitude possa ser um ponto de coincidência com o setor neoconciliar (favorável a um novo Concílio), a diferença se apoiaria melhor no grau de ceticismo e de compromisso com relação ao processo conciliar.

B.2. Neoconciliares:

Este setor seria representado majoritariamente por aquelas pessoas que consideram oportuno começar a falar de um novo Concílio e impulsionar, a partir das bases, um processo conciliar, sem que isto suponha negar a riqueza do Vaticano II.
Neste setor é comum a idéia de que vivemos numa época que requer novas questões para as quais o último Concílio não tem respostas suficientes.
Outra característica deste setor é que nele, muitas opiniões coincidem em que o novo Concílio não pode ser uma reprodução, em versão moderna, do Vaticano II; e que é preciso incorporar nele um conceito diferente da participação e da corresponsabilidade.
Não nos estendemos nos pormenores que este setor abrange, pois já o fizemos na primeira parte do documento, quando falamos de favoráveis à abertura, reformadores e refundadores.

C) Cenários pessimistas e otimistas.

Essa descrição sumária de sujeitos coletivos da Igreja pode fazer pensar que a correlação de forças hoje existente só permite prever um cenário de continuidade frente à etapa anterior, inclusive de agudização de traços mais conservadores do atual pontificado.
Entre os setores progressistas, os que estão convencidos de que este cenário é inevitável tendem a afirmar uma estratégia de sobrevivência, baseada, essencialmente, na tentativa de manter, contra a corrente e sem fazer muito barulho, certas formas de ser Igreja e de viver o compromisso cristão.
Os que assim pensam não são necessariamente contra um novo Concílio, mas tendem a pensar o processo conciliar em termos de intercâmbio e construção de redes que dêem continuidade à experiência das comunidades de base, à reflexão teológica independente, ao compromisso sociopolítico fundamentado na opção evangélica pelos pobres...
Os mais otimistas tendem a pensar que esta é a via mais eficaz para conseguir uma refundação da Igreja, libertando-a de estruturas hierárquicas e de desvios absolutistas e autoritários. O novo Concílio teria interesse então, se permitisse avançar mais ou menos nesta direção.
Sem dúvida, esta perspectiva traz um elemento de muito interesse, que é a tensão por manter e desenvolver uma maneira de ser Igreja, mesmo nos cenários mais difíceis, resistindo às pressões de marginalizar ou mesmo expulsar os que compartilham e praticam essa espiritualidade.
Entretanto, embora esta leitura pessimista - e a estratégia que dela deriva - deva ser considerada, talvez não seja tão evidente que seja aquele o único cenário possível.
Nas condições descritas (hegemonia conservadora, marginalização dos setores progressistas...) chama a atenção o fato de que um setor da esquerda eclesial confie ainda em que o próximo Papa, e até mesmo setores da Cúria dêem uma resposta positiva às demandas de abertura e mudança.
Esta confiança se funda na crença de que a Igreja, como sistema, tem um certo tipo de inteligência corretora, segundo a qual, na história contemporânea, a cada pontificado se segue outro que corrige seus excessos, tendendo a posições de centro, pragmáticas e moderadas.
Assim sendo, a João Paulo II deveria suceder um Papa de perfil mais progressista, com preocupações sociais, mas mais atento aos problemas internos da Igreja, com certa capacidade de alimentar o diálogo, fundamentar as dissidências e reequilibrar as relações entre diferentes setores eclesiais. Já comentamos na primeira parte, que muitos pensam que um Papa deste tipo seria mais favorável a um Concílio integrador, favorável à abertura e participativo que outro de perfil mais conservador ou continuista frente ao magistério de João Paulo II.
Pois bem, essa "Lei do pêndulo" poderia abrir outro tipo de cenário. Poderia ser um Papa de perfil conservador o que viesse a dirigir algum processo de abertura, inclusive mediante um Concílio. Também na Cúria é possível que existam inquietações frente ao debilitamento global da imagem da Igreja, à perda de significado social do fato cristão, à rigidez de certas estruturas eclesiais e à defasagem social de algumas questões disciplinares, como conseqüência de uma hegemonia fundamentalista demasiado duradoura.

D) Importância dos sujeitos coletivos.

A questão não é negar alguma das possibilidades apontadas, mas sim de perguntar se as mudanças esperadas podem depender unicamente da personalidade do Papa ou de uma suposta inteligência sistêmica que viria iluminar os dirigentes da Igreja para corrigir os desequilíbrios.
Talvez as mudanças - no sentido de abertura que muitos desejam - dependem também de como vão se comportar outros setores da Igreja, de sua visão da realidade, de seus valores, interesses, atitudes e estratégias. Podemos supor que a inteligência dos diferentes setores da Igreja nutre a inteligência global do sistema.
Por outro lado, as mudanças exigem uma certa base estrutural sobre a qual se possam realizar, e também a existência de sujeitos coletivos com capacidade para impulsionar, sustentar e desenvolver as novas propostas.
Atualmente não é difícil coincidir em que os setores progressistas da Igreja se encontram afastados demais dos centros de decisão, onde poderiam servir de suporte a uma abertura relativamente ambiciosa. Como também parece muito descabido pensar que agora, e no futuro imediato, com João Paulo II ou sem ele, os setores que cresceram à sua sombra irão manter um elevado nível de influência nas estruturas eclesiais.
Evidentemente, este panorama não significa nem que seja impossível qualquer tipo de abertura, nem que os setores progressistas sejam uma realidade insignificante, como o demostra o notável apoio social que recebem e sua crescente expansão nas bases da Igreja, ainda que sejam marginalizados dos centros de poder.
O importante é que as mudanças, para que sejam profundas e duradouras, precisam de uma base eclesial ampla, consciente, madura, organizada e com capacidade de regeneração. Ainda que haja condições para que essa base social se amplie e se transforme em sujeito da mudança, esta é uma tarefa que precisará ainda de muito tempo e esforço, para que possam aparecer resultados de dimensão profunda.
O processo conciliar, a partir deste ponto de vista, pode-se compreender como o caminho em virtude do qual se vai construindo este sujeito coletivo.

E) A necessidade de mediações.

Acabamos de dizer que um dos objetivos do processo conciliar seria conseguir uma base eclesial ampla e qualitativamente preparada para impulsionar, sustentar e desenvolver as mudanças na Igreja. Porém, logo em seguida acrescentamos que, possivelmente, esta estratégia "a partir da, e em direção à base", não proporcione os resultados desejados, na ausência de mediações que facilitem a comunicação.
Construir estas pontes é necessário, a fim de melhorar o conhecimento mútuo entre setores eclesiais, derrubar estereótipos, desenvolver a capacidade de diálogo e de estabelecer acordos que satisfaçam um leque mais amplo de expectativas. Falamos de mediações e mediadores que facilitem o encontro entre as bases da Igreja, entre as bases e a hierarquia, entre setores da hierarquia e entre a Igreja e a sociedade.
Afinando ainda mais o que dissemos sobre o processo conciliar: este seria o processo em virtude do qual se constrói a base eclesial animadora e sustentadora da mudança, mas também e ao mesmo tempo, o processo no qual se desenvolvem as mediações que facilitam a comunicação e contribuem a manter a coesão e o equilíbrio dinâmico do sistema (no sentido de evitar sua desorganização), de maneira integradora e participativa.

CONDIÇÕES PARA AVANÇAR EM DIREÇÃO A UM NOVO CONCÍLIO:
PROCESSO CONCILIAR
ü Desenvolvimento de uma base eclesial
que anime e sustente o processo de mudança.
ü Desenvolvimento de mediações e mediadores
que facilitem a comunicação
e contribuam para a coesão e equilíbrio do sistema.

NOVO CONCÍLIO
(integrador, propício à abertura, participativo)

QUESTÕES PARA ANIMAR O DEBATE

1.- Você acredita que a descrição acima exposta dos diferentes setores de Igreja e de suas expectativas de futuro está de acordo com a realidade? Que aspectos você acha oportuno incorporar à análise?
2.- O que é que você acha que cada um dos setores de que falamos deseja de bom para a Igreja?
3.- Que objetivos comuns você acredita que estes setores poderiam compartilhar? Em que ambientes ou terrenos pode ser mais fácil a colaboração entre eles? Em que condições?

NOTA:
Estamos interessados em conhecer sua opinião.
Por favor, escreva a proconcil@proconcil.org

TERCEIRA PARTE:
Perspectivas de trabalho

Na primeira parte deste documento, descrevemos as respostas que a Iniciativa a favor de um novo Concílio suscitou até agora. Do que foi dito, podemos deduzir que é uma sugestão capaz de mobilizar energias transformadoras; entretanto, parece que é necessário aprofundar muito mais a definição do projeto e amadurecê-lo, em diálogo com diferentes agentes eclesiais e sociais.
Na segunda parte falamos do elevado nível de incerteza que o futuro da Igreja Católica suscita e as expectativas que os diferentes setores eclesiais têm a respeito dele. Afirmamos que, para avançar no processo conciliar, é necessário o desenvolvimento de sujeitos coletivos que promovam e sustentem as mudanças, assim como também de mediadores e mediações, que facilitem a comunicação e contribuam para a coesão e o estabelecimento de equilíbrios dinâmicos na Igreja.
Nesta terceira parte queremos formular algumas idéias, critérios e propostas gerais para impulsionar na prática o processo conciliar.
No essencial, acreditamos que o objetivo principal consiste em dar impulso a uma corrente plural e decentralizada, de pessoas, coletivos e instituições que, partilhando um mesmo espírito, trabalhem autonomamente e se comuniquem entre elas, mediante redes que favoreçam os intercâmbios e a colaboração entre elas.
É necessário que estas redes cristãs - plurais, diversas -, protagonistas e sujeitos da mudança, se constituam numa cultura de diálogo e respeito à diferença; e para isto algumas pessoas e organismos terão que exercer um papel mediador, que facilite, onde houver dificuldades, a busca de soluções colaborativas aos conflitos.

A) Marco temporal.

A menos que João Paulo II, ou o próximo Papa, nos surpreendam com a convocatória de um novo Concílio, não há sinais claros - até mesmo o contrário - de que na hierarquia eclesiástica haja ainda uma vontade majoritária de impulsionar esse projeto; embora seja certo ele que parece suscitar cada vez mais interesse e que há pessoas em muitos ambientes da Igreja que simpatizam com ele.
Além disto, a atual composição e estrutura de relações na Igreja Católica não parece a mais favorável a que um hipotético Concílio possa ser tão integrador, promotor de abertura e participativo, como muitos desejam.
Tudo isto convida a afirmar que o futuro Concílio não pode nem deve ser um projeto imediato, nem a curto prazo, mas sim um horizonte a médio e longo prazos, em direção ao qual é preciso começar a trabalhar, sem que seja possível determinar um intervalo concreto de tempo.
Que não seja um projeto imediato não significa que não seja necessário, nem estimulante; ao contrário, precisamente por não ser "para amanhã", permite ir criando e avaliando as condições que as mudanças requerem, entendendo que prazos amplos são um bem para a Igreja em seu conjunto.
Em outras palavras, a idéia de um novo concílio deve ser colocada em termos estratégicos; em conseqüência, será necessário perguntar quais são as etapas pelas quais se deve passar e como será preciso fazê-lo.
Se a tentativa de concretizar o período de tempo necessário para conseguir um Concílio integrador, de abertura e participativo, é praticamente impossível, dada a complexidade do projeto e o estágio inicial deste processo, não é tão impossível assim propor um período de tempo razoável para que o sujeito eclesial coletivo que deve sustentar o processo de mudança, chegue a alcançar um grau de desenvolvimento significativo.
Falar de dez ou quinze anos de trabalho neste sentido não parece arriscado demais, tendo em conta que este pode ser o intervalo de tempo no qual se produza uma transição de importância no conjunto da Igreja.

B) Modelo organizativo.

O desenvolvimento de um sujeito coletivo amplo, maduro e capaz de impulsionar e sustentar mudanças na Igreja, requer provavelmente estruturas leves, flexíveis, adatadas aos diferentes contextos. Não parece razoável pensar que uma única organização ou movimento possa dirigir unilateralmente este processo.
Consideramos que os conceitos de "Corrente" e "Rede" são os mais apropriados para avançar num processo de convergência e articulação das diferentes sensibilidades que formam o complexo sistema eclesial.
q "Corrente" no sentido de que vai recolhendo em seu seio as contribuições que cada um faz, a partir de seu próprio ambiente.
q "Rede" enquanto vai conectando diferentes pessoas, coletivos e instituições eclesiais que condividem um mesmo espírito e objetivos semelhantes, intercambiando experiências e colaborando entre si.
Necessariamente, esta corrente de redes cristãs para a mudança, terá que sustentar-se em muitas iniciativas e esforços que, com a autonomia de umas e outras - mas partilhando um mesmo espírito - se realizam a partir de estruturas já existentes (paróquias, comunidades, congregações, dioceses, associações, movimentos...).
Para que este modelo seja eficaz e sustentável a longo prazo, é necessário que os sujeitos e as organizações ampliem suas competências comunicativas, fazendo uso de Internet, aprendendo e desenvolvendo metodologias participativas, habilidades de escuta ativa e de expressão positiva, etc...
Ao mesmo tempo, o processo conciliar precisa de pessoas com carisma mediador que possam facilitar - horizontal e verticalmente - a comunicação e os acordos entre diferentes pessoas, coletivos, instituições e setores eclesiais.
Ainda que seja necessário encontrar fórmulas específicas em cada um dos contextos, é imprescindível dotar de recursos e estabilidade os dispositivos que mantêm conectadas estas redes e que dinamizam a corrente; tendo em conta a experiência acumulada, esta é uma condição básica para conseguir um desenvolvimento sustentado e sustentável do processo conciliar.

C) Valores e atitudes.

Partimos da idéia de que na Igreja todos os setores têm algo interessante a contribuir e, ao mesmo tempo, todos podem enriquecer-se com as contribuições dos demais.
A solidariedade, a tolerância e o respeito à diversidade são valores imprescindíveis para que o processo possa ser realmente integrador, aberto e participativo. Ao mesmo tempo, a capacidade de escuta e o esforço por valorizar e procurar compreender diferentes preocupações, necessidades e interesses também parecem atitudes necessárias para avançar nesse sentido.
Para avançar poderíamos retomar as grandes aspirações do Vaticano II (com relação ao ecumenismo, volta às fontes, diálogo com o mundo...) e imprimir-lhes um novo impulso. É importante cultivar um espírito de caridade em tudo e de comunhão com a diversidade.
Não parece viável renovar a Igreja, para que seja possível uma melhor convivência entre perspectivas diferentes, se não se desenvolve nela uma cultura de diálogo, da tolerância e do respeito mútuo, sustentada não apenas nestes valores, mas também em estruturas e procedimentos menos verticais e mais participativos.
Entre as principais atitudes negativas a serem transformadas, podemos assinalar:
- Os preconceitos e as idéias feitas acerca de pessoas e instituições.
- As atitudes de suspeita e de recusa permanente, não tanto às idéias, mas também às pessoas e/ou instituições.
- As represálias e condenações a iniciativas de reforma e de debate sobre certos temas que surgem no interior da Igreja.
- A unilateralidade das interpretações a respeito de determinadas condutas e acontecimentos, etc.
Na medida em que diferentes setores da Igreja se comprometam em animar espaços de comunicação e diálogo, presididos por um clima de liberdade, respeito e tolerância, serão criadas melhores condições para que estas atitudes evoluam de maneira positiva.

D) Diálogo Igreja - Sociedade.

O processo conciliar nos convida a fortalecer os vínculos e a comunicação com numerosas instâncias sociais, com o objetivo de enriquecer a transformação eclesial, com diferentes contribuições e perspectivas.
O diálogo Igreja-Sociedade terá que se realizar provavelmente em muitos níveis e adotar diversas formas, porém pode ter especial importância o escutar e partilhar idéias acerca da missão social da Igreja, provenientes de dois ambientes interrelacionados e complementares:
· Dos setores sociais com os quais se vêm partilhando compromissos em favor da paz, da justiça social, da dignidade da mulher, dos Direitos Humanos, do Meio Ambiente, etc.
· Dos setores que trabalham ativamente no desenvolvimento das democracias, ativando e potenciando o papel das cidadanias em diferentes esferas da vida social (política, economia, cultura, religião...)
Ao mesmo tempo, o desenvolvimento de uma cultura de diálogo e a construção de mediações no interior das Igrejas, pode realimentar-se com uma prática social mediadora, na qual as Igrejas facilitem o diálogo e os acordos entre movimentos, organizações e instituições diversas, em todos aqueles ambientes em que for preciso aglutinar esforços para fazer frente a todo tipo de discriminação que atente contra a dignidade humana.
Por último, a construção plural de redes cristãs para a mudança (mudança nas Igrejas, mudança nas sociedades) convida a explorar o potencial de participação eclesial que existe naquelas pessoas que, céticas ou decepcionadas, se afastaram das Igrejas, ou resistem a aproximar-se delas por temerem ou recusarem suas estruturas autoritárias, seu magistério pouco dialogal, ou por considerarem que falta coerência entre o que se prega e o que se faz
Para favorecer este diálogo e este papel mediador na sociedade é muito importante que se dê visibilidade à abertura ao fato de que as Igrejas - ou setores significativos delas - estão dispostas a promover sua própria mudança.

E) Alguns critérios metodológicos.

Para impulsionar novos espaços de participação, diálogo e colaboração, sugerimos que se levem em conta os seguintes critérios:
ü Fortalecer múltiplas instâncias de comunicação positiva e de diálogo dentro da Igreja, entre diferentes setores eclesiais, num clima de liberdade, respeito e criatividade.
ü Gerar novos espaços e fundamentos de comunicação entre a Igreja e outras instituições, movimentos e setores sociais, além de aproveitar e enriquecer os que já existem.
ü Lançar pontes que facilitem um maior diálogo e comunicação de experiências e tentativas entre a hierarquia e as bases eclesiais, favorecendo a reflexão sobre diferentes experiências comunitárias, pastorais, ministeriais, litúrgicas, etc.
ü Buscar o máximo possível de participação, tanto em termos qualitativos, como quantitativos, criando e utilizando instrumentos complementares, além dos já oficialmente estabelecidos.
ü Garantir o respeito e reconhecimento que todas as pessoas merecem, seja qual for seu papel na Igreja e sua opinião sobre como ela deve evoluir.
ü Escutar também opiniões e propostas externas à Igreja, que podem enriquecer os pontos de vista dos cristãos e cristãs.
ü Partilhar as experiências de diálogo interreligioso e de colaboração ecumênica que estão acontecendo, das quais participam membros da Igreja Católica; recolhendo suas preocupações e suas contribuições.
ü Fazer circular a informação através de diferentes instâncias eclesiais, de comunidades e de coletivos diversos, utilizando os meios de comunicação, tanto eclesiais como sociais.

QUESTÕES PARA ANIMAR O DEBATE
1.- Que sentido e que valor tem para você o conceito de "processo conciliar"? quais são as principais idéias e conclusões que você destacaria?
2.- Em relação a que temas você acha que se poderia desenvolver este processo? Que experiências conhece? Qual a sua opinião sobre elas?
3.- Em seu ambiente de trabalho, quais seriam as prioridades? Como concretizaria seus esforços de comunicação e colaboração com outras pessoas e grupos afins?

NOTA: Estamos interessados em conhecer suas opiniões.
Por favor, escreva a proconcil@proconcil.org

Sobre os autores do documento:
Este documento é fruto de um trabalho coletivo, no qual os autores exerceram a função de coordenar e redigir os sucessivos rascunhos, sintetizando e integrando as diferentes contribuições que iam recebendo.
Emília Robles e Javier Malagón foram, entre 1996 e 2002, coordenadores da Corrente Somos Igreja no Estado Espanhol; entre 1998 e 2002 foram membros da equipe de coordenação internacional de IMWAC (International Movement We Are Churchj - Movimento Internacional Nós Somos Igreja) e em 2002 coordenaram o Encontro Internacional para a Renovação da Igreja Católica "Outra Igreja é possível".
Atualmente, expirado seu mandato em Nós Somos Igreja, são coordenadores de Proconcil, ponto de encontro e mediação da Iniciativa independente Para um Novo Concílio.
Profissionalmente, trabalham juntos como consultores de instituições, em temas de comunicação interna e externa, facilitando processos de participação na gestão da mudança.
Emília Robles é psicóloga e Javier Malagón comunicólogo, ambos são especialistas em mediação institucional e em intervenções sistêmicas.

TRADUÇÃO E REVISÃO BRASILEIRA
DE ROGÉRIO I. DE ALMEIDA CUNHA

oraetlabora1@terra.com.br

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