Ora et Labora agradece a matéria que o casal Mpcista Paulo e Sonia nos enviam.
E aqui nos permitimos um breve comentário.
O MPC é impulsionado por Sopro Divino que conduz a cada qual firme e suavemente, em direção a plenitude da vida do Povo de DEus. O coração de cada padre casado saberá sentir na circunstâncias em que vive, como atuar em beneficio do Reino.
Concordamos o com apelo do padre Paulo e esperamos que alguns membro do MPC possam ajudar a encontrar uma resposta adequada a problemática da situação.
Conhecemos o padre Paulo e sua família. Ele está a frente da comunidade não por vontade própria, por vaidade, ou por interesse.
A própria Comunidade que se encontrava sem pastor chamou-o para distribuir a palavra e ministrar os Sacramentos. Deste de algum tempo dedica-se a este "múnus" sem pedir nada em troca como seria seu direito para sua manutenção e da própria família.
ORA ET LABORA admira e apóia. Não duvida respeito do Mandato Divino ratificado também pelo novo Código de Direito Canônico.
Caberia talvez, um encontro de oração e dialogo entre alguns irmãos para conhecer o que o Espírito sugere para o caso.
ASSUMIR
OU ... DESISTIR
O
título pode transparecer um certo radicalismo, mas não é esta a nossa intenção.O
que queremos é mostrar que o MPC na prática não existe, ou, se existe, não funciona.
É preciso balançar a roseira e agitar os ramos. Com exceção de uns pouquíssimos
colegas que estão atuando isoladamente, sem nenhum apoio ou incentivo do MPC,
o grupo como associação representativa de uma classe, não faz nada, ainda não
assumiu absolutamente nada. Aqui na nossa região o povo pergunta sempre: “Onde
estão os Padres Casados?” E nós ficamos sem saber o que dizer. O povo está na
expectativa de que o Padre casado atue como padre e não como leigo. O teólogo
Hoornaert já deu o seu parecer de que o MPC tem quantidade e qualidade de pessoas
para criar uma instituição de padres casados atuante.
Concordamos
plenamente com esta opinião. Até ousamos ir além: A primeira coisa que precisamos
fazer é ganhar um rosto que nos identifique. Sim, colegas, colegas de todo o
Brasil, precisamos de uma identidade. Nossas coisas não funcionam porque não
temos uma definição do que somos e o que queremos.
Com
a devida vênia pela comparação e sem nenhum desmerecimento ou depreciação para
com a classe citada, mas o fato é que até o Sindicato das Prostituas funcionam,
por que elas sabem o que são e o que querem. Nós não nos decidimos nunca. Levamos
o nome de Padres Casados, mas agimos como leigos. É isto que o povo não entende.
O povo sabe reconhecer e distinguir as coisas, isto, não será a nossa recusa
de não querermos assumir como “padres” que irá mudar. As coisas são assim e
pronto. Não fomos nós que inventamos isto. Por isso penso que, ou ASSUMIMOS,
OU DESISTIMOS. Não há meio termo.
Então,
o primeiro é definir – ou mais que isto – é aceitar o que somos para só depois
estabelecer o que queremos. Um primeiro passo seria que erradicássemos do nosso
vocabulário a partícula “ex” pelo simples motivo de que quem é “ex” não existe.
Se você aceita ser um “ex”, deve aceitar também que você não é. E se você não
é, por que causa estará brigando? Ninguém me chama de “ex”, porque eu não fui.
Eu sou. Não aceite e não permita – a começar por você mesmo – que ninguém te
chame “EX” padre. A menos que você não queira assumir que é um padre casado.
É claro que você tem todo direito de não querer assumir. Quem sabe até já desistiu
de vez. É um sagrado direito que n´so respeitamos. Só achamos que quem já desistiu
não tem o direito de atrapalhar o projeto daqueles que ainda acreditam numa
igreja renovada e por isto se dispõe a ssumir com Padres Casados.
Com
isto definido de coração, de dentro para fora, não como imposição, podemos passar
ao segundo estágio do projeto, que é o da nossa ação na sociedade.
Existem
tarefas específicas para cada classe de profissionais. Todo mundo sabe o que
faz o médico, o farmacêutico, o advogado etc. Nós Padres Casados, precisamos
nos situar dentro desse contexto e arregaçar as mangas. É óbvio que nos dar
por satisfeitos só com nossas atividades estritamente profissionais (do magistério,
por exemplo). Isto é importante mas não é tudo. É preciso ir além. E esse ir
mais além que a sociedade precisa e espera de nós é a nossa contribuição prática
e generosa para o advento de uma igreja renovada, sem preconceitos e discriminações.
Somos
padres e somos casados. Esta é a nossa identidade. E ser casado é o nosso trunfo.
É só abrir os olhos para enxergar o que é que a sociedade quer e espera de nós.
Um padre forma comunidade, vive com ela, caminha com ela, luta e trabalha com
ela, alegra-se com ela e chora
com ela... celebra a vida com ela. Isto é o que um padre faz ou deve fazer numa
comunidade. Um padre casado tem tudo para fazer isto melhor que um solteiro,
pelo simples fato de ele já formar uma comunidade que é a família e suas ramificações.
Aqui
em Vitória (ES), formamos uma comunidade e caminhamos com ela. Nada mais natural
do que celebrar a vida e os valores da vida nessa comunidade. Aqui eu batizo,
instruo na catequese, faço a 1ª Eucaristia, celebro bodas e também os enterros.
Aos domingos nos reunimos para a Eucaristia do Senhor. Celebro com o meu povo
a vida que o Senhor nos dá. Mas não pensem só rezando e celebrando. Temos um
trabalho de cunho social na periferia da cidade, junto aos mais pobres.
Eu
e Sônia temos duas filhas, mas já universitária, plenamente engajadas neste
trabalho conosco. Trabalho como balconista numa loja e sou o sacerdote desse
povo que me escolheu e me aceita casado. Isto só é possível porque nunca admiti
se um “ex” e nunca me comprei como tal. “Ex” não é, esta a minha filosofia.
Minha identificação é Padre Casado. E a identidade do MPC qual é ?
Coragem,
turma ! O povo espera muito de nós e a própria Igreja precisa de nós para renovar-se.
Mas, tanto o povo quanto a Igreja precisam de nós como Padres Casados, não como
“ex-padres” fé e coragem. Um abraço.
De
Vitória, ES, Pe. Paulo Lúcio e Sonia
VITÓRIA
(ES), 16.03.03.
Oba!
Viva! Enfim temos uma página na Internet: www.oraetlabora.com.br
parabéns ao colega Mário Palumbo, idealizador e criador da mesma. É preciso
que doravante cada um de nós se sinta responsável por esta página, enviando
artigos, sugestões, colaborando com o que for possível, porque está em jogo
o nosso ideal de lutar por uma igreja renovada.
Vamos
a luta, colegas. Não desanimemos!
Coloque
nesta página a sua experiência para o enriquecimento de todos. Ou seja, fale
sobre o que você está fazendo ou deseja em prol de um projeto de igreja renovada.
Esposas
e filhos estão sendo convocadas a colaborar. Acreditamos que o segredo do sucesso
de uma empresa é cada um se sentir responsável por ela. Para isto, é preciso
ter uma boa dose de fé e de amor. A fé dá coragem para lutar e o amor faz o
resto.
Obrigada
ao Mário pelo seu idealismo que nos proporcionou uma forma de comunicações rápida
e prática. Precisamos agora, e muito, esta página e nos comunicarmos assiduamente,
pois é da comunicação que vem o crescimento.
Agora
um recado para Diretoria do MPC:
O
teólogo Eduardo Hoornaert já deu o seu parecer sobre a criação legal de uma
Associação (não sei bem qual poderia ser o nome mais adequado para isso, mas
idéia é esta), de uma entidade que desse respaldo legal para nossas atividades
de Padres Casados.
Ótima
idéia! Mas precisa sair do papel e ser posta em prática. A Diretoria do MPC
esta esperando o que?
Já
passou da hora de mostrarmos para o mundo que somos capazes de contribuir efetivamente
para a renovação da Igreja. Fazemos um apelo à Diretoria do MPC no sentido de
que encampe a idéia do Hoornaert, colocando-a em prática.
Aqui
em Vitória já fazemos algo neste sentido, conforme foi noticiado na última edição
do nosso jornal RUMOS. Formamos e estamos caminhando já faz algum tempo. Mas
temos dificuldades quando se trata de algo requer um certo respaldo legal.Sentimos
que o MPC deve assumir a responsabilidade da criação de uma entidade que nos
permita ter o respaldo legal naquilo que fazemos. Por exemplo: quando eu batizo
alguém ou abençôo um casamento em minha comunidade, não tenho como emitir uma
certidão comprobatória daquele ato- coisa muito importante para o povo – porque
não posso e não vou transmitir a idéia que fundei um “igrejola” particular.
Essas coisas têm que ser feita sim, porque o povo precisa delas, mas têm que
ser feitas em nome de uma entidade, uma igreja – seja lá que nome for – mas
que seja representativa dos Padres Casados. Isto é que é importante.
Deve
ficar claro que nem eu nem nenhum de nós tem o direito de fundar uma igrejola
particular. Minha comunidade aqui em Vitória não tem esta conotação. Nós, individualmente,
não temos esse direito. Mas o MPC, órgão representativo de uma classe marginalizada
dentro da Igreja tem o direito e o dever de criar este cisma, dando cobertura
legal para as nossas atividades, mas ou menos como aconteceu com os padres do
bispo Lefèbvre. Eles fizeram um movimento de resistência dentro da Igreja –
um verdadeiro cisma – com o apoio incondicional de bispos ultraconservadores,
e hoje recebem o reconhecimento do Papa, que reconheceu seus direitos na Igreja
criando uma Prelazia pessoal.
Nós
temos muitos bispos casados no MPC, mas, ao que parece, nenhum tem coragem de
assumir o Movimento na perspectiva de um cisma, único caminho que vejo em condições
de levar a um diálogo respeitoso. Precisamos de bispos que se disponham a nos
assumir como movimento de contestação. Do contrário, ficaremos eternamente como
estamos.
Por
favor, Diretoria do MPC, pense nisto. Precisamos que a idéia posta em prática.
Sabemos
que o MPC conta com ótimos juristas que saberão como encaminhar o assunto.
Nossa
idéia é que o MPC faça pela “esquerda” da Igreja o que o bispo Lefèbvre fez
pela “direita”. Imaginamos que temos o mesmo direito e pronto. Não vemos outra
saída.
Se
derem a esse Movimento o nome de cisma, não faz mal. Assumiremos as consequencias.
O fato é que, ou partimos para ação prática ou nós mesmos nos cançaremos de
muito blá-blá-blá. Esta é a nossa opinião muito sincera.
Precisamos
lutar com as armas que temos e o povo espera isto de nós. Recentemente as pesquisas
de opinião mostraram que 87% da população aceita o ministério do Padre Casado.
O que estamos esperando para começar a agir. Uma licença do Papa?
Pe.
Paulo Lúcio e Sônia / Vitória – ES