ORA ET LABORA COMENTA CARTA DO SERGIO AO VATICANO E A RESPOSTA.
Caríssimo Sergio, Ora et Labora recebe com alegria a sua
carta à Congregação do Clero que aqui publicamos, com a
resposta da mesma Congregação.
Ora et Labora, não representa a opinião do MPC, isso dá
mais liberdade e agilidade para expressar um parecer.
Sua carta manifesta uma grande dose de zelo, confiança, humildade, sofrimento
e amor para com muitos nossos colegas e em relação à Igreja.
Você coloca o dedo na ferida: "completo fechamento da hierarquia...
forçando os padres casados a destruir-lhe até a lembrança
do caráter indelével do Sacramento... danos para a Igreja".
Também faz menção "ao espírito de caridade
e fraternidade com o qual muitos bispos (brasileiros) nos tratam, mas de maneira
individual e quase às escondidas, sempre temerosos das regras impostas
por Roma".
Você diz, com toda submissão, que "talvez seja urgente criar
um novo espírito nas relações entre igreja hierárquica
e padres casados".
Qual a resposta do "Congregatio pro Clericis?
O apelo às regras da igreja, a citação do cânon 976
do CIC, e sua relativa explicação.
Em qualidade de funcionário o pobre Mons. Mauro Piacenza, não
tinha outra alternativa e não podia nem pensar da existência do
cânon 1335 do mesmo CIC, aliás, este canôn deve ter entrado
no Código por intervenção demoníaca.
Caro Bernadoni, às vezes, no trânsito, a situação,
obriga você a cometer alguma pequena infração, naturalmente
você não para o carro no meio da rua e vai à procura do
guarda para pedir-lhe licença de transgredir uma norma. Se, por absurdo,
você o fizesse, além de causar um transtorno maior, também
colocaria um problema de consciência no coitado do servidor do estado
e se ele o orientasse a transgredir, poderia até perder o emprego.
Com toda a unção de fé e melífluo amor à
igreja, qualquer "torquemada" assim deve agir, mesmo porque o "Pastor
universal tem assistência divina" assim estabeleceu e, em nome desta
assistência é que se cometeram milhares de atrocidades e tudo,
pro bono animarum, e até pode-se queimar uma pessoa viva, etc.
Sua iniciativa, caro Sergio, é válida, especialmente, em relação
ao diálogo com a, com os nossos bispos. Mas quando a tentativa encontra
uma parede de aço, não seria melhor deixar que a história
cumpra o seu curso continuando com o nosso trabalho e assim dando-lhe um empurrãozinho?
Talvez alguém pode se chocar com esta posição, por isso
aqui quero afirmar minha fé na autoridade do Papa, mas só quando
fala ex-catedral, ou seja, unido a toda à igreja, povo de Deus em união
Do Pai, Filho e Espírito Santo e com a Colegialidade.
É evidente que manifesto meu respeito à hierarquia, pois deve
agir como líder humano, muitas vezes, pode errar e a história
não mente, porém tenho obrigação de consciência
de alertar o meu superior e, se for o caso desobedecer, como fizeram muitos
Santos que, com dor, mas também com altivez, souberam mandar às
favas as leis humanas e ouvir (obedecer vem de obaudire) mais à consciência
do que às regras transitórias.
Não sou contra a hierarquia, apesar de que dela tenho mais uma interpretação
de serviço no amor, mas gostaria de citar Santo Irineu que dizia que
o pastor que não esteja em sintonia com a fé do povo (Colegialidade)
deve ser demitido.
Assim fez São João Gualberto, que pediu ao Papa que demitisse
o Bispo e o Abade de Florença, pois eram simoníacos. Como o Papa
não o escutou, o Santo, contra as leis canônicas, apelou à
prova do fogo e assim o próprio povo de Florença expulsou bispo
e abade.
Caro Bernardoni, não quero expulsar ninguém, nem tirar chapéus
cardinalícios da cabeça de ninguém apesar de pensar que
faz tempo que são obsoletos, porém amigavelmente lhe peço,
vamos continuar nosso trabalho, sem mais perturbar os pobres monsenhores!
Outra observação que faria e sobre o conceito de igreja.
Geralmente é usado de maneira equivocada fazendo passar por igreja apenas
o clero e deixando de lado o Povo de Deus.
A consciência clerical é legalista e a tal obediência entre
"tamquam cadáver" é motivo de massacre das consciências,
fez perder boa parte da igrejas orientais e é de grande empecilho para
o ecumenismo.
Não somos teólogos, gostaríamos que especialistas em dogmática,
história e juristas aprofundassem mais o assunto.
Isso se tornaria em grande beneficio do clero e dos fieis, pois só a
verdade liberta.
Caro Sergio, desculpe alguma coisa achamos que nós temos poderosas armas
na mão:
1. a oração para que Roma se vista do avental do serviço
em prol do diálogo e do amor e não apenas da lei;
2. a união entre nós;
3. a compaixão e ação em prol dos rejeitados.
Receba, Sergio, um forte abraço em Ora et
Labora.