O SAUDOSO PADRE JOSÉ DIAS NOS DEIXA UM A GRANDE HERANÇA.
O GRÃO DE TRIGO SEPULTADO NÃO MORRE, PRODUZ FRUTOS.
21/03/2003
Há
sete anos faleceu José Dias. Viveu a radicalidade da bem-aventurança evangélica:
“Bem aventurados os que tem fome de justiça e os que sofrem perseguições por
causa da justiça”. Enfrentou com galhardia,
até com
teimosia os poderosos.
Para
proteger as classes dos educadores fundou aqui em Ribeirão Preto, o Sindicato
dos Professores das Escolas Particulares.
Exigindo
o respeito das leis e a pontualidade do pagamento, teve que enfrentar até expulsões
das escolas.
Em
nosso país presidentes de clubes, associações e sindicatos, continuam a ficar
ricos, perpetuar-se no cargo e transmiti-lo aos parentes e amigos.
Não
é o caso de José, Fundador e Presidente do Sindicato não se enriqueceu e a família
continua na herança espiritual deixada.
A
Ruth vive da modesta aposentadoria e continua evangelizando com sua palestras.
Estevão
que deveria ser o herdeiro natural na Presidência do Sindicato, trabalha tempo
integral como advogado trabalhista.
Ele não faz comercio com a justiça, mas trabalha para à justiça.
A
Lívia é farmacêutica e como o pai, não se vende a corrupção. Outro dia
interrogando-a
se os remédios que ela vende são mais barato, respondeu que não havia
esta possibilidade, pois os remédios são tabelados.
Perguntando
porque algumas farmácias anunciam descontos de até 70%, ela respondeu-me que
muitos destes descontos são possíveis devido ao roubo de cargas de remédios.
Mas
a herança de José não se limitou a sua família. Ela se estendeu a milhares de
ex-alunos que dele assimilaram, sede e fome de justiça.
José
nos deixou há sete anos. O legado do Cristo que ele transmitiu continua.
Todos
os anos, na Semana Santa, alunos e antigos jovens dos anos 70 (Pastoral da Juventude)
se reúnem para juntos refletir e assimilar a palavra do Cristo ( este ano será
em Tambaú/2003)
Não
chegou a conhecer o MPC; com certeza ele nos pertence pois o Espírito de Deus
está com ele.
IN MEMÓRIA DE JOSÉ DIAS DA COSTA
No
dia 26/01/1996, na residência da viúva Ruth ,o Padre Tiãozinho, uns dos jovens
do grupo do falecido José Dias,celebra a missa de Sétimo Dia. Estavam presentes
uns trinta amigos. Acorreram de várias partes do Brasil, entre eles o teólogo
Luis Baraúna e Mario Palumbo.
O
José, 62 anos, era intransigente quando se tratava da defesa da verdade e da
justiça. Fundou o sindicato dos professores das escolas particulares. Junto
com a esposa Ruth, vivia para a educação e da educação. Lecionavam em quase
todas as faculdades e colégios de Ribeirão Preto e de todos foram expulsos.
Uma
das razões que o deixava triste era assistir à resignação dos professores, que
não tinham coragem de se unir para a luta em defesa dos próprios direitos. Culpava
a cultura escravista do País. Sofreu demais por causa das calúnias que lhe encurtaram
a vida. Se a luta dele tivesse sido na floresta ou campo, talvez uma espingarda
covarde o teria feito sofrer menos. Era também diretor do colégio do Estado.
A própria entidade de classes dos Diretores
(UDEMO)assumiu a defesa de
José, mais foi tarde. Durante sua agonia e por ocasião das varias Missas encomendadas,
acorreram pessoas de Belo Horizonte, Rio, São Paulo, Uberlândia, ligados a ele
pelo seu grupos de amigos engajados por grandes ideais. Sua casa era a casa
dos amigos.
O
reitor do colégio Marista, do qual foi expulso, confessou que aprendeu a trabalhar
com jovens com Padre José. A amiga Dirce testemunhou que o José sempre foi evangelizador,
seja no ministério pastoral, seja na escola ou no sindicato.
No
últimos dias, a doença o fechou no silêncio, mas foi um silêncio rico de Deus
e do amém que volta a e meia conseguia
balbuciar. Para o escrevente fez questão de deixar o antigo Breviário Romano,
como legado de união com Deus entre nós.
Ministrou
o Óleo dos Enfermos, seu discípulo, Padre Sebastião e celebrou a Missa na residência.
Artigo de Mario Palumbo Publicado no Jornal Rumos em maio de 1996
Mataram
José Dias! Foi padre, professor, diretor de escola estadual. Foi profeta. Profeta
é quem enxerga, anuncia e ama. José enxergava a hipocrisia da sociedade mesmo
que aninhasse no clero. Com ele não existia , jogo de cintura ou jeitinho brasileiro.
Como
padre tinha Cristo como guru. Ele devia ser encontrado não na procissões, mas
autenticidade, honestidade e bondade do coração. Por isso atraía os jovens que
ainda se reúnem das varias partes do Brasil em volta de seus ideais. Para uma
maior autenticidade para viver
seu amor mais concretamente decidiu se casar.
Leigo,
como o mestre Jesus, se dedicou totalmente a educação exercendo na escola o
seu ministério. Tratava-se agora de semear no coração da juventude através das
disciplinas curriculares, o amor, a liberdade a honestidade e a união entre
si. alguns jovens chegaram a se formar graças a ajuda financeira de José.
O
próprio diretor do Colégio Marista confessou sobre o corpo de José que aprendera
trabalhar com os jovens com ele. Para melhorar o ensino nas escolas era, para
o Dias, imprescindível a união dos mestres imbuídos
de ideais e não acorrentados ao miserável salário. Por isso, fundou o
sindicato dos professores das escolas
particulares, contando com o apoio dos colegas. Iniciou a luta contra as fortes
estruturas mercenárias, perdeu porém a batalha. Ele e a Ruth perderam os empregos
de todas as escolas particulares onde lecionavam.
A
decepção foi grande: beneficiou do sindicato ficou no
muro , fingiu não ver, se acovardou frente a exigência da luta. A espada
do sofrimento atravessou as entranhas de José.
Valeria
a pena continuar a lutar pela classe?
A
esperança não morre. Surge a idéia do SINPAAE (Sindicato dos Professores e Auxiliares
de Administração Escolar). A união da comunidade será o caminho. Já nasceram
em varias partes nasceram escolas cooperativistas. O comandante enxergava muito
longe os marinheiros não estavam à altura do novo Colombo. Era preciso joga-lo
às ondas. Assim nasceram intrigas, acusações, calunias que levaram a processo.
Certo de sua honestidade não quis mudar de colégio diariamente enfrentava seus
algozes, continuando imprertérrito seu trabalho. O processo demorou demais,
José queria que aparecesse a verdade, está demorou. Entrou em depressão, estourou
um câncer que em poucos dias tirou-o do nosso convivio.
Até
o fim do ano letivo muito doente se arrastava
pelas íngremes escadas da UNIP para levar seu sacerdócio educacional.
ainda teve força de participar de uma reunião da Udemo, onde aconselhou os colegas
não imita-lo. O preço seria muito alto.
A
doença o fechou em profundo silêncio.
Volta
em meia ouvia babulciar amém do sacerdote, que disse sim ao Mestre, do profeta
que cumprira antecipadamente a missão e que entrega seu espírito ao Pai e sua
mensagem de amor e luta a nós todos.
Após
três anos de profunda angustia, que acelerou o falecimento do Professor
José Dias, a procuradora do Estado Maria Clara Gazzoli, declara nulo o processo.
Infelizmente José Dias não sobreviveu. A justiça humana chegou tarde.
Mataram José, não mataram seu ideal.
Artigo
do Palumbo publicado
na Tribuna de Ribeirão Preto 25/01/1997