Tenho acompanhado as mensagens que você transmite como moderador do grupo dos padres casados, leio o jornal Rumos, e entro no Ora et Labora. Sobre o que tenho visto quero falar um pouco agora.
Fiquei simplesmente estarrecido com esta história de sagrar bispos do MPC. Meu Deus, aqui no Ceará, e nos encontros nacionais de que já participamos pelo Brasil afora nunca pensamos nisto!
Se as idéias de Mons. Milingo estão cativando tanto parte do MPC nacional, acho que nós aqui do Ceará somos um MPC marginal!
Sempre entendemos que somos um Movimento (MPC), não uma instituição (a experiência de institucionalização,como você bem sabe, foi trágica), muito menos uma igreja paralela.
Não nos interessa voltar a uma estrutura que abandonamos. Saímos dela justamente para sermos mais fiéis ao grande apelo de viver e, nas palavras de São Paulo, "levar ao mundo a inesgotável riqueza de Cristo".
Desde que participamos pela primeira vez de um encontro nacional, nos tempos do Felisbino, nos encantamos com a simplicidade do tríplice objetivo apresentado para o MPC: Fraternidade mútua, Diálogo com a hierarquia, Serviço ao Povo de Deus.
Aí está tudo. Mas para cumpri-los não precisamos ser bispos ou monsenhores ou cônegos, ou qualquer outro título da estrutura que deixamos para trás.
Vocês do Ceará não são absolutamente um MPC marginal. Pelo contrário, são e sempre foram um grupo dos mais unidos e mais autênticos.
Nem "as idéias de Mons. Milingo estão cativando tanto parte do MPC nacional".
Pelo contrário... Há sim um respeito à pessoa, à história e à coragem dele, mas há também sérias reservas à atuação dele, sobretudo no que diz respeito à sua relação com a seita de Moon, tão cheia de ambiguidades para qualquer cristão de média cultura e vivência.
Portanto, não te apoquentes demais com essa estória de sagrar Bispo ou Bispos do MPC.
Essa "novidade" está sendo forte e inoportunamente trabalhada pelo Ir. Alberto do ISE de Belém no seu saite e nos vários e-grupos que ele modera.
Mas, tirando duas pessoas que manifestaram esse desejo, exatamente o Paulo Lúcio de Vitória e o Aristides Pimentel de S. Paulo, não me consta que ninguém do MPC, inclusive e sobretudo a Direção Nacional, no Paraná, e a Direção do Encontro Nacional, em Recife, esteja levando essa estória a sério.
Mário Palumbo, do saite www.oraetlabora.com.br (nossa caixa de ressonância na internet) e eu, moderador do nosso e-grupo padrescasados@grupos.com.br e que, assim, lhe posso sentir o pulso, também não.
O Grupo de Brasília e vocês aí do Ceará, também acabam de manifestar vosso estranhamento.
De Minas e S. Paulo, também não captei notícias de vontade de termos Bispo ou Bispos nossos e, consequentemente, de provocar um cisma, criando mais uma igrejinha autocéfala.
Tenho testemunhos escritos de gente de todos esses grupos contra a idéia de Bispo do MPC.
Quero aqui ressalvar meu respeito a todos os que no MPC, para poderem continuar na plenitude do Ministério sacerdotal a que se sentem chamados, aderiram ou pensam em aderir a outras igrejas, já que, na igreja católica, isso está praticamente impossível.
Para esses defendo toda a liberdade de se agregarem a que igreja quiserem, na condição de o fazerem a nível pessoal, sem pedirem ou exigirem o aval ou empenho do MPC.
Já temos nessa situação alguns na ICAB, em igrejas ortodoxas, nos anglicanos e em algumas denominações brasileiras que usam o nome da vétero-católica.
Já tive oportunidade de dizer ao Ir. Alberto que pare com essa história de nos querer ensinar o que, como MPC, devemos fazer, pois ele e alguns seus prepostos, já chegaram e já estão passando das raias da conveniência e se tornando abusados e inconvenientes ao querem nos aconselhar e orientar, pior ainda, ao insistirem tanto para aceitarmos ter Bispos do MPC e fundarmos uma nova igreja.
Ele dá a impressão de se ter tornado líder da ação de D. Milingo no Brasil e, ao que parece, de querer promover uma grande união de todas as igrejinhas que pululam por aí: vétero-católicas de dúbia ascendência holandesa, várias ortodoxas, carismáticas católicas, o seu Instituto Santo Expedito de Belém, etc..
Está assim cultivando e incentivando um estranho ecumenismo que mais parece um amontoado desconexo. E mostrando uma imensa vontade de aproveitarem a presença de D. Milingo no Brasil para criarem um impacto forte com o Vaticano, ordenando Diáconos, Padres e Bispos com comprovada sucessão apostólica, moeda muito escassa e bem duvidosa em várias dessas igrejinhas que se estão multiplicando por aí, do dia pata a noite, com vários caciques (Bispos, Padres e Diáconos), mas poucos ou nenhuns Índios: Povo, Fiéis.
A certeza da legítima sucessão apostólica garantida pela ordenação de D. Milingo, ou mesmo eventuais re-ordenações, sob condição, para sanar dúvidas sobre a validade de ordenações passadas por duvidosos bispos de várias igrejinhas, criaria um dado de fato, um substancial número de diáconos, padres e bispos validamente ordenados com quem, cedo ou tarde o Vaticano teria que entabular negociações, como aconteceu com a ICAB no Brasil e com o grupo de Lefèbvre, antes excomungado e agora reabilitado e com seu Instituto Pio X elevado à honra de Prelazia Pessoal com direito a rito litúrgico e a "ortodoxia" próprias...
Depois, pelo que tenho recebido e aferido de várias fontes, a maneira como eles estão aceitando e/ou recrutando essas "VOCAÇÕES" é, pelo menos, bem estranha: recebem com grande facilidade, qualquer um que se apresente como vocacionado, num estranhíssimo fenômeno de auto-vocação: cada um sendo juiz, avaliador de sua própria vocação... Independente de ter Filosofia e Teologia, formação espiritual séria, caminhada eclesial em grupos pastorais comprovada, amadurecimento e orientação afetivo-sexual, etc.
E eu que pensava que a vocação era um chamado do Bispo, ouvida a Comunidade, a pessoas seriamente preparadas, em todos os sentidos, para serem ordenadas para o serviço da Comunidade cristã e não para promoção pessoal...
Outro aspecto que considero muito negativo é querem aproveitar qualquer um que saiu do seminário ou de ordens e congregações religiosas sem ouvir, antes, seus superiores imediatos para, assim, aferirem o motivo da saída... e a seriedade ou falta de seriedade do candidato.
Tentei, nesta mensagem, numa linguagem propositalmente muito direta, para não deixar dúvidas, fazer o resumo:
- da intensa correspondência, nos últimos meses, com lideranças do MPC em vários Estados e com a Diretoria Nacional e a Diretoria do Encontro Nacional;
- das tomadas de posição de várias pessoas e grupos do MPC, preocupadas e um pouco atarantadas com tanta insistência e pressão por parte do Irmão Alberto para tomarmos atitudes pesadas e desafiadoras;
- das dúvidas e perplexidades surgidas em vários membros do MPC Nacional com a movimentação internacional e nacional de Mons. Milingo: Movimento dos Padres casados já; ordenação de vários bispos nos USA; Encontro de Atibaia; Encontro com o MPC de Brasília.
De qualquer maneira, assumo sozinho a responsabilidade pelo que expressei e aguardo manifestações dos colegas que acharem oportuno
dizer algo sobre o assunto, inclusive me contestar.
Quero também ressaltar que este posicionamento, além de uma já necessária clara demarcação de posições, tem por objetivo maior suscitar uma boa, serena e ampla discussão sobre NOVOS RUMOS PARA O MPC, para que, usando frase já comum, mas cunhada pelo Almir Simões de Salvador, o XVII Encontro Nacional de Recife, venha a ser de fato o Encontro da Virada.
Estou convencido de que se não resolvermos algo de sério e urgente em Recife, podemos aposentar de vez o MPC e nos recolher à nossa crônica incapacidade de ação e de atitude proféticas que até agora nos tem tolhido, para gáudio do Vaticano e da Hierarquia em geral (salvo poucas e honrosas exceções).
Um abraço
João Tavares
----- Original Message -----
From: Lauro Motta Agevir
To: João Tavares
Sent: Monday, October 29, 2007 11:58 AM
Subject: bispo no MPC
Meu caro Tavares:
estou me recuperando lentamente da grande cirurgia que fiz em agosto para tirar um câncer no pâncreas. Considero uma grande graça de Deus ter sobrevivido! Tenho recebido vários emails de colegas do MPC de vários estados, em solidaridade e sobretudo em oração para comigo. A todos sou muito agradecido. Estou na fase da quimioterapia que deverá durar até janeiro do ano que vem. Por isso não poderei estar com vocês no Recife.
Por causa da cirurgia tive de me lecenciar das aulas que dava no Itep (Instituto Teologico e Pastoral do Ceará). Estou confinado em casa recebendo, mais do que nunca, o amor da Ester e de meus filhos que se desdobram em dedicação. Neste confinamento, proibido de receber visitas, encontro no micro um meio de evitar o isolamento total do mundo.
Tenho acompanhado as mensagens que você transmite como moderador do grupo dos padres casados, leio o jornal Rumos, e entro no Ora et Labora.
Sobre o que tenho visto quero falar um pouco agora.
Fiquei simplesmente estarrecido com esta história de sagrar bispos do MPC. Meu Deus, aqui no Ceará, e nos encontros nacionais de que já participamos pelo Brasil afora nunca pensamos nisto!
Se as idéias de Mons. Milingo estão cativando tanto parte do MPC nacional, acho que nós aqui do Ceará somos um MPC marginal!
Sempre entendemos que somos um Movimento (MPC), não uma instituição (a experiência de institucionalização,como você bem sabe, foi trágica), muito menos uma igreja paralela. Não nos interessa voltar a uma estrutura que abandonamos. Saimos dela justamente para sermos mais fiéis ao grande apelo de viver e, nas palavras de São Paulo, "levar ao mundo a inesgotável riqueza de Cristo".
Desde que participamos pela primeira vez de um encontro nacional, nos tempos do Felisbino, nos encantamos com a simplicidade do tríplice objetivo apresentado para o MPC: Fraternidade mútua, Diálogo com a hierarquia, Serviço ao Povo de Deus.
Aí está tudo. Mas para cumpri-los não precisamos ser bispos ou monsenhores ou cônegos, ou qualquer outro título da estrutura que deixamos para tras.
Esta história de ser bispo "dentro da sucessão apostólica" porque sagrado dor Mons. Milingo que fará uma sagração válida, isto se parece muito com o que fez o Bispo de Maura em tempos passados. Aceitar isso é caminhar para tras e não no rumo do terceiro milênio.
Pois nós, aqui no Ceará, simplesmente tendo em mente aqueles três objetivos, tão singelos e tão profundos, caminhamos miuito bem e nos sentimos realmente "padres casados católicos". Queremos, claro, a renovação da Igreja, jamais defenderemos a lei do celibato (a lei, pois a vocação é outra coisa), e outras coisas mais que achamos errado na Igreja. Nunca fomos molestados por isso. É verdade que tivemos a sorte de possuir um arcebispo esclarecido (Dom Aloiso Lorscheider) que nos deu total apoio. Uma vez ele me mostrou uma carta secreta, confidencial, que havia recebido de Roma, exigindo a demissão dos padres casados que ensinam no Itep. Ele foi pesssoalmente a Roma se explicar, e ao voltar nos manteve. "Quem conhece vocês sou eu e não um cardeal romano que nunca andou aqui".
Em nossas reuniões mensais (o calendário é seguido fielmente) sempre passamos rem revista o que fazemos.
O atual arcebispo de Fortaleza nos respeita muito. Além dos três professpores no Itep, o atual coordenador da pastoral da arquidiocese é um padre casado, quem cuida do site da arquidiciose na internet é outro padre casado. Temos colegas à frente de trabalhos sociais, com movimentos de casais e sempre atendemos aos colegas vigários que nos convidam para pregação, preparação de crisma, comunhão, etc. Assim, não temos necessidade nenhuma de criar uma igreja paralela. O Movimento a que pertencemos está dentro da Igreja Católica. Não para acomodação mas para vivência. Se queremos reformá-la precisamos ficar dentro dela e não criar outra que, certamente voltará aos mesmos vícios de tudo aquilo que condenamos na velha estrutura. O problema não é eclesiástico, mas eclesial.
Espero que no Recife a pauta preparada seja cumprida. Lamento muito não poder rever meus queridos companheiros, não ouvir a palavra do Eduardo Hoornaert, não abraçar o Felix, o Almir, o Maurinho, O Francisco, enfim não vou mais citar nomes senão cometo injustiça! Que não percam tempo em criar igrejas, mas simplesmente aprofundem e melhorem que nosso movimento tem feito até agora.
Não sei se fui claro no que lhe queria transmitir em nome dos colegas do MPC do Ceará. Vou parar por aqui pois já estou um pouco cansado, quebrando a ordem do médico oncologista que me recomendou repouso absoluto.
Receba, juntamente com Sofia, um grande abraço do amigo, sempre amigo,
Lauro.