O Cala
Boca do Rei!
Todo
menino
passou por
isso
ao menos uma
vez:
ter de encarar um valentão na escola. Todo mundo já foi para o recreio passando por uma odisséia
mental, temendo o moleque
mais velho
e mais forte,
espancador de menores e ladrão de merenda. Todos conhecem o tipo.
E todos evitavam
cruzar
com ele,
claro. Quanto
maior a distância,
menor o problema.
Mas alguns
usavam uma tática
oposta: viviam puxando o saco
do sádico
mirim. Eram os baba-ovos de plantão, que
compravam a simpatia dele com as adulações. Quando
o valentão escolhia um
deles pra
extravasar
sua violência
natural, a saída
do puxa-saco agredido era
fingir que tudo não
passava de uma brincadeirinha do amigão. Diminuía o
tempo
de surra e salvava as
aparências.
Assim o puxa-saco
continuava amiguinho do covardão e tentava fazer com que os outros acreditassem que
era apenas
uma travessura. E
afinal,
quase nem
tinha doído,
gente.
Semana passada
Lulla riu de Hugo Chávez quando foi
chamado de sheick da Amazônia e de magnata do petróleo, entre
outras graves
ofensas.
Tudo televisionado. O riso nervoso, forçado, demonstrava claramente
que Lulla tinha
medo. Lulla morre de medo
de Chávez, o valentão boquirroto. Lulla fez o papel de amiguinho para apanhar menos. Lulla
foi ironizado, espezinhado, humilhado por
Hugo Chávez , na Cúpula Ibero-Americana, ocorrida no Chile. Riu nervoso, quase histérico, para disfarçar a humilhação
mundial que passava. Não só ele, mas, aos olhos do mundo,
todo o Brasil foi, de
novo, agredido verbalmente
pelo
venezuelano. O mesmo que chamou nosso
Congresso de
papagaio
dos americanos. O
rei
da Espanha não comunga desses pensamentos. Não
agiu como Lulla, fingindo que era tudo brincadeirinha do amigão do
peito.
Não foi fraco,
não foi
pusilânime.
Quando Chavez falou
mal
da Espanha e do ex-primeiro-ministro José Maria Aznar, chamando-o de fascista, ouviu o merecido cala-boca. O rei Juan Carlos, um
homem educado,
piloto
aposentando da Força Aérea espanhola, fidalgo
que bem
representa seu
país, deu seu
recado
ao ditador. E ao
mundo:
chega desse
imbecil.
Algo que
não ouviu do
presidente
brasileiro! Lulla perdeu uma
excelente
chance de mostrar
que não
somos idiotas e
que
ele não
é covarde. Estamos mal.
Lulla riu (riu!) ao ouvir as
ofensas
ironicamente dirigidas ao Brasil e à sua
triste figura,
como se fosse um
nobre cavaleiro
Dom Quixote;
digo, Sancho Pança.
Moinhos
que o digam. Cervantes foi honrado pelo seu rei. E nós
fomos humilhados pelo
nosso
presidente, mais
ainda que
pelo falastrão
venezuelano. É de chorar!
Justamente
quem deveria,
pela
força de seu
cargo, defender o Brasil
de Chávez, preferiu fingir
que
a pancada não
doeu. Achou melhor
assim. Lulla só
mostra
as garras com
os menores,
como
o jornalista americano
Larry Rother, que relatou as paixões etílicas do presidente
e quase foi deportado
pelo
"crime". Com os mais parrudos, age diferente.
Chegou a ficar amicíssimo de Fernando Collor,
José Sarney e Orestes Quércia, a quem antigamente chamava de ladrões.
Com Evo Morales
não foi diferente.
O boliviano espoliou e humilhou o Brasil invadindo
militarmente
a Petrobrás, com
transmissão
ao vivo pela
TV mundial. Lulla fez que não era com ele. Como se a pedrada
não tivesse atingido suas costas. O rei espanhol
mostrou que
tudo
tem limite. Fez com
Chávez o que Churchill fez com Hitler em
1938: avisou ao mundo o perigo que
representa um
tirano
demente e armado
até
os dentes. Parece
que
Juan Carlos teve mais sucesso que o inglês em sua empreitada. O alerta foi ouvido.
Europa cansou de Chávez. O rei disse
o que muitos
pensam, mas
não
falam. O venezuelano odeia a Espanha, um
país que
enriqueceu à custa de muito trabalho duro. Muito diferente da Venezuela, que
empobrece a olhos
vistos,
não obstante
as fortunas arrecadadas com a exportação
de petróleo, cujos
lucros vão
diretamente para
o ralo do
populismo
e da corrida
armamentista. Na escola
em
que o rei
Juan Carlos ministra aulas, Lulla ainda
está no primário. E Chávez o espera no recreio,
para
roubar nossa
merenda. Fernando
Montes Lopes Advogado
Li este artigo, que
recebi de várias pessoas, pensei, e não gostei. Não
entro no mérito das poucas afirmações objetivas do texto,
mas o estilo
é marcantemente
sintomático. É
Um estilo
inteligente e atraente,
como denúncia,
e que, por
isto mesmo,
esconde o objetivo
real.
Em
primeiro lugar,
a grafia "Lulla" tem
como objetivo
identificar o Lula
com a corrupção
do Collor.
Em
segundo lugar
as atitudes escolhidas e a maneira depreciativa
de descrevê-las reforçam a tese do FHC,
de que é necessário
fazer o povo desprezar ao máximo
o Lula, como
ignorantão, abestalhado, débil mental, covarde. É o jeito que têm de
atingir o mais
profundamente
possível, ideologicamente, o projeto em andamento, no
Brasil e na América Latina, de um governo
controlado por
grupos
que têm mais
proximidade e prestam mais
atenção à
qualidade
de vida dos mais
pobres.
Por
isto também,
a insistência em
criar clima
de desprezo pelo Evo Morales e Chávez, explorando
tanto
quanto se pode o
lado
apresentado como
negativo, e aproximando do Lula
estas caricaturas fedorentas. É o
instrumento
ideológico eficaz,
já
usado por Hitler e Goebbels para demonizar os
judeus perante
a "opinião
pública" alemã da década
de trinta do século passado.
O avesso deste
quadro
apresenta o que
este
tipo de denúncias
realmente deseja.
Finalmente, o Rei
não
tinha nada
que mandar ninguém na América latina
calar a boca.
Quem não
se cala é o
sangue
de milhões e
milhões
de índios que
os antepassados dele mandaram massacrar. O que
não se cala
são as gerações
genocidadas. Há mais de cem anos que as nações
latinoamericanas se tornaram politicamente independentes
da Espanha, e ele
não
tem nem autoridade
moral nem
institucional, menos ainda política para, numa reunião política de presidentes,
vir mandar
calar
quem quer
que seja. Sua
reação infantil
e pretensiosa indica que ainda não conseguiram compreender
o que é o mundo
novo criado, não pelos
descobridores que vieram com bacamartes
e soldados que
estupraram milhares de índias, em nome da "fé
cristã", mas pelas gerações
cuja memória
não se calará.
Porque
é que a casa
real e a "elite"
européia ainda
não
se calaram? A atitude que
incomodou o Monarca foi justamente a denúncia
do comportamento
fascista
de seus súbditos,
auxiliares
submissos. O rei
percebeu que o atingido era ele, e toda a História
de opressão que
os países Hibéricos exerceram sobre nós, nos séculos passados, e ainda
num presente que
tenta não
acabar de se calar.
Para mim fala mais alto quem diz que, desde o ano
2004, seis
milhões
de pessoas superam,
anualmente, a linha de
pobreza, aumentando o número
de brasileiros inseridos no
cenário
ativo político,
cultural e econômico. O que não se cala é o aumento acelerado
de trabalhadores
com
carteira assinada e regularizada e um salário mínimo assegurado – com
as garantias
ainda
não destruídas pelo
mercado – que
já duplicou o poder
de compra dos
assalariados
mais pobres.
Prefiro prestar atenção
às políticas
sociais,
cuja eficácia
irrita quem prefere
que
o Brasil continue sendo Brasil dos Estados
Unidos, brandindo a "Mídia" como metralhadora
aniquiladora do pensamento, estupradora
da inteligência e cultura.
Estas informações,
sim, vou pesquisar
atentamente, e refletir.
Rogério - Teólogo