CARÁTER SACERDOTAL
VOCÊ DARIA ÊNFASE AO CARÁTER SACERDOTAL?
De tempo em tempo surge entre o clero a polemica em volta do caráter do Sacramento da Ordem. É uma discussão teológica importante que envolve especialmente teólogos e padres casados.
A maior parte dos padres casados possui ótima formação, são pessoas corajosas e honestas. Passaram bom tempo na praxe do trabalho de evangelização. Sobre tudo os distingue um profundo engajamento à pessoa de Cristo que os impulsiona ao amor incondicional aos irmãos. Tiveram coragem de assumir uma decisão nada fácil.
São pessoas preparadas e escolhidas para liderança e o pastoreio dos fieis. Não se discute se deve ou não obedecer cegamente à instituição que faz de conta, ou melhor, desejaria que não existissem.
Todos aceitam que, se ainda se tem fé em Cristo vivo, se ainda forem impulsionados para ação eucarística, que na expressão lapidária do GUERREIRO se trata de dar o sangue e o próprio corpo para os irmãos. Se realmente se quer isso, e não ficar em teorias, será que importa muito se este impulso divino vem diretamente do batismo, da crisma, da ordenação sacerdotal ou do presbiterado, como, parece ter acontecido nas primeiras comunidades cristãs onde tudo faz pensar que havia coordenadores, (presbíteros?) até entre as mulheres. Aqui, também, não se nega o valor da imposição das mãos e a milenar tradição litúrgico-pastoral que representa um valor inestimável. Discutir se o impulso divino para evangelização venha de quais canais parece não primordial nesse momento. Que diferença faria se o canal do Sopro Divino venha por caminhos diferentes?
Nós do Ora et Labora, cremos que o momento é de estarmos unidos no essencial, procurando como dizia João XXIII, aquilo que nos une e evitando aquilo que nos separa.
Quanto à carta ao Papa Bento XVI sabíamos que não seria levada em conta, mas foi ótima iniciativa: mostramos, mais uma vez, nossa disponibilidade. A intransigência vaticana está dando seus frutos: muitos estão saindo da inércia e entrando em ações em conjunto, assumindo posturas do transgressor profético.
A solidão no trabalho leva ao desanimo e é muito mais fácil, em qualquer ditadura, impelir praticas isoladas.
Tudo isso tem um custo, e enfrenta riscos, mas não é melhor fazer render o talento do que escondê-lo embaixo da terra?
Estão surgindo redes de evangelização à margem da instituição ou superando regrinhas canônicas. Há bispos, em comunhão com Roma, ordenando, em segredo, mulheres, padres mudando de ritos para continuar evangelizando, mesmo sendo casados. Até a afloração dos escândalos clericais é providencial e sugere a uma imediata volta à prática das instruções paulinas. Isso tudo pode parecer nocivo para a igreja e soar ofensa a ouvidos delicados, mas pode também ser gesto profético para a expansão do Reino e virem a modificar, lentamente, uma praxe eclesiástica que proporciona mais morte que vida.