Assunto: Celebret completo completo
Data: Fri, 04 May 2001 14:40:56 -0300
De: palumbo <palumbo@highnet.com.br>
Para: João Tavares <tavaresj@elo.com.br>

Este e-mail foi enviado ao então Presidente do MPC João Tavares. Talvez valha a pena ler de novo e ver se após 6 anos avançamos em nossa caminhada.

C E L E B R E T


Caro Presidente MPC, obrigado sempre pelos E-mails. Devagar nos vamos
descobrindo este novo meio de comunicação e muito devagar vamos usa-lo.
Também nos somos Igreja e como ela,só mudamos muito depois que o mundo
muda. Estamos amarrados aos nossos pequenos esquemas e mesmo quando a
gaiola se abre para os espaços do céu da liberdade continuamos a nos
questionar, mas ressuscitou mesmo? Será que posso desistir de
circuncidar -me?
Já falei isso até para a revista "Hoc Facite" que tem muitos mérito, mas
não deixa de implorar a autorização do Vaticano para que nos padres
casados possamos celebrar,ou administrar sacramentos.Depois de tantos
pedidos está na hora de deixar em paz o Vaticano e aguardar quando ele
quiser acordar!
O Espírito de Deus já escancarou as portas, primeiro com o nosso Batismo
e para quem tem consciência mais delicada com o canon 1335. Na família,
no trabalho, com os nossos amigos temos um campo imenso de trabalho.Se
nos formos autênticos, espontaneamente,sem precisar de investiduras e
vestes especais ,com certeza seremos procurados, pois tendo conosco a paz
de Deus, o pedido de receber o mesmo Deus será automático, mesmo quando
não expresso verbalmente. Há muitos padres casados que visitam
doentes, encarcerados, eu mesmo até o ano retrasado,toda semana,estava
nas escolas e me encontrava com mais de 1500 alunos por semana. Não sou
nenhum santo, mas os alunos me rodeavam procurando algo mais e este algo
mais, é Deus, que tentava transmitir. O exemplo do Pe. Paulo de Vitória
com o qual concelebrei está ai. Já me pediram missa e quando achar que
a turma estiver mais preparada celebraremos a Palavra com o Pão e Vinho
sem incomodar a autoridade eclesiástica. Pedir licenças, nestes
casos, se o bispo não for bem evangélico, seria criar para ele um problema
de consciência inutilmente. Acredito que a nossa situação é até mais
propicia para a evangelização do que para os celibatários e para isso
dou graças a Deus. Nossos colegas clérigos, muitas vezes, não passam de
meros funcionários de uma instituição com o peso de 2000 anos e quando
procuram ser autênticos, entram em um forte dilema de como conciliar a
simplicidade evangélica e as complicações eclesiásticas.
O diálogo com os bispos é necessário, mas mais a nível de caridade do
que de disciplina clerical. Você está de parabéns pela procura do
diálogo!
Caro João e santa Sofia, se tiver errado me corrijam. Se acharem que tem
algo certo passem para frente esta mensagem, quem sabe, possa ajudar a
alguém. Há muita gente, padres casados e suas famílias, de braços
cruzados esperando ou suspirando decretos papais e assim, se deixa apagar o
fogo que o Espírito acendeu em nos, através do Batismo e da Ordenação! Há
muita gente esperando que passemos Cristo para eles, a maneira não
interessa. Lembrem-se Batismo e cânon 1335! Deixemos a epiqueia com os
canonistas! Este cânon poderá até ser eliminado e interditado pois a
perfídia humana desconhece lugares sagrados e é sem limite. A história
relata até que ponto podemos ser ridículos, quando um papa, com toda sua
pompa chega a mandar exumar seu predecessor e solenemente excomungá-lo!
Apesar disso sabemos professar nossa fé:" Tu es Petrus..."quando o galo
não estiver cantando e quando a "disciplina" eclesiástica não tiver
"extinguido" o Espírito!
Será que esta excessiva preocupação com a celebração, em nós, não se
confunde com a vontade de voltar a comer as cebolas e as vantagens do
estado clerical?
Se o desejo for puro, arregacemos as mangas e vamos à luta com o
exemplo de vida, o amor ao próximo no dia a dia. A pregação verbal e a
celebração serão uma conseqüência e exigência à qual deveremos atender.
Um abraço. Mario Palumbo