DE QUE FORMA O MPC ENCARA A REALIDADE DOS PADRES CASADOS?
UMA NOVA TENTAÇÂO
Não posso participar do encontro de Recife mas quero colaborar na reflexão porque, apesar da idade, me sinto
membro vivo da comunidade dos padres casados que acompanhei desde o seu inicio (1987: encontro de Brasília).
Eu li todas as intervenções dos colegas, tenho muita estima pelos assessores que irão conduzir os trabalhos do
encontro de Recife, mas tenho uma firme poisção sobre alguns pontos que não poderão ser esquecidos, antes de
tomar qualquer decisão.
1º Assino em baixo a preocupação do presidente Armando: ai de nós se nos deixarmos “enquadrar” em um
organismo, ainda que religioso, cristalizado numa opção
eclesiástica dissidente. Acabaria a essência do nosso “profetismo”com tudo aquilo que pode significar a
palavra “Movimento”. o pluralismo, a liberdade criativa, o sonho de transformar a igreja católica.
2º A palavra “virada” ( dizem:este Congresso será o congresso da VIRADA) necessita da nossa vigilante
atenção. Já tentaram varias vezes de “virar” o MPC e , sempre por maioria, rejeitamos isso como uma traição ao
MPC. Isso provocou divisões internas, até hoje presentes e doloridas no Movimento. Agora aparece de novo esta
tentação.
3º O convite, claro e positivo, ao “associativismo” é valido e urgente. Nós todos pecamos neste sentido. Onde
estão as obras nascidas do conjunto dos padres casados, localmente ou nacionalmente, onde estão nossas reuniões
regulares, as festas das nossas famílias, os encontros dos nossos filhos, e mais: quantos de nós permanecem
fiéis às CEBs e a inserção nas comunidades? Quantos valorizam o seu ser “padre casado”? O isolamento eclesial e
o individualismo religioso predominam entre nós, sobretudo quando forem resolvidos adequadamente os problemas
financeiros e sociais.
Se a Igreja “ nasce no povo por obra do Espírito Santo” como poderá mudar a igreja a fundação de uma nova
igrejinha fatalmente clerical?
4º No recentíssimo livro: “Padres para amanhã” do bispo alemão Fritz Lobinger (edição Paulus). missionário na
África ( com a apresentação de Dom Demetrio Valentini da CNBB) se afirma a clara necessidade ( só o Vaticano é
cego) de ordenar homens bons (“viri probati”) mas que isso poderá acontecer somente quando adequadamente
conscientizada a igreja da Europa. Quer dizer que o movimento deve ser mundial e deve nascer do interior da
igreja. Nenhum “cisma”, mesmo com grande repercussão tipo aquele do bispo Lefebvre, poderá desestabilizar de
um só centímetro a Santa (?) Igreja.
5º Sabemos que ( se ainda acreditamos no Sacramento da Ordem) que ninguém (nem o papa) poderá cancelar em nós
esta realidade sacerdotal, que ninguém nos poderá expulsar da igreja (somos batizados e legitimamente casados)
e mesmo não tendo a sorte de lidar nas nossas dioceses com um bispo aberto e acolhedor ( eu tenho,
infelizmente, um dos bispos mais conservadores do Brasil), nada nos impede de estar presentes na vida diocesana
e de poder assim ajudar o povo de Deus. Se isso incomoda a hierarquia não é de admirar: a função dos profetas
foi sempre um espinho nas instituições estabelecidas e acomodadas.
Sergio Bernardoni. Goiânia.Go