|
Queridos
irmãos
do MPC.
Tenho seguido
com
ansiedade
as preparações
e os debates
a respeito
do próximo
encontro
Nacional,
em
Recife.
Por
motivos
de compromissos
pessoais
não
posso ainda
assegurar
a mim
mesmo
o prazer
de estar
presente.
As três
perguntas
do Miro me
levam a reflexões
calcadas pelo
roteiro
que
ele
traça.
(1) o MPC para
mim
não
é uma vocação,
mas
uma condição.
Recebi a ordenação,
e após
32 anos,
a dez
anos
e meio
atrás,
casei-me. Participei de
encontros
Nacionais
e de atividades
locais.
Não
vejo exclusão
de quem
quer
que
seja, pelo
simples
fato
de alguns
optarem por
uma dada
direção.
Abri mão
do exercício
canônico
do Ministério
Presbiteral, segundo
a carta
que
dirigi na Páscoa
de 1996 ao então
Papa
JP II, porque
divergia da
concentração de
poderes
nas mãos
do Clero,
discordava da
Antropologia
sobre
a qual
esta concentração
de poder
se assenta,
e consequentemente, da
exclusão
dos leigos,
das mulheres
e dos jovens.
Divergia, ainda,
dos caminhos
da ICAR na América
Latina,
pelo
desmonte,
promovido pelo
Vaticano,
dos esforços
consagrados em
Medellín e Puebla. O "postulador" do
meu
processo
me
avisou que
não
existe afastamento, ou
exclusão
do Ministério
canônico,
e por
isto
meu
pedido
não
procedia. O correto
seria pedir
'dispensa
do celibato'
eclesiástico.
Esta dispensa não
existia nas minhas
intenções,
e só
então
encarei abertamente
a questão
de um
casamento.
Não
se trata
de cansaço
por
estar
no escanteio,
nem
de desejo
de voltar
a exercer
qualquer
Ministério
reconhecido que
seja, mas
de lutar
por
uma transformação em
que
a falta
de sentido
desta situação
se torne patente.
Por
isto
apoio
a luta
de quem
se opõe a esta
distorção lutando
por
aceitação,
tanto
das mulheres
casadas com
ordenados,
quanto
das que
desejam se ordenar,
como
estratégia
legítima de
transformação. Perde
sentido,
assim,
o pertencer
ou
não,
formalmente,
a esta ou
aquela Igreja.
A concreticidade das
opções apóia os
caminhos
individuais
em
que
se instauram as
vocações.
Não
vejo resquícios
de exclusão
'automática',
mas
características
de caminhos
vocacionais diversificados. (2)
já
existe, e a Vozes
publicou, uma pesquisa
a respeito
dos Padres
Casados
brasileiros,
e o Leonardo Boff foi
alvo de perseguição,
entre
outras cousas, por
tê-la tornado
possível.
Certamente
a situação
já
mudou nos
últimos
dez
anos,
e é necessário
promover
uma outra
pesquisa.
Nos
encontros
Nacionais
de que
participei, tive a
alegria de
conhecer
a irmãos
sofridos e lutadores,
companheiros
ansiosos
por
causa
do fechamento
eclesiástico
e colegas
animados
pela
abertura
que
já
se manifesta
nas bases
'eclesiais', no Povo
de Deus
que
caminha.
Há, na ambigüidade
destas histórias
pessoais,
certamente,
espera
cansativa pela
atitude
do Vaticano,
e já
houve alguma coisa
de concreto
em
prol
dos Padres
Casados.
Em
Belo
Horizonte
vivi tentativas
de apoio,
e tive notícias
de esforços
feitos
no mundo
inteiro.
Parece-me, entretanto,
que
a divergência
de motivações torna
muito
difícil
a organização
de atividades
sistemáticas.
Em
muitos
casos,
em
que
procurei fazer
algo,
os próprios
interessados, por
se terem afastado
recentemente,
rejeitavam
terminantemente
qualquer
aproximação...
(3) A terceira
pergunta
é mais
claramente
irônica,
mas
espelha
um
problema
real:
para
que
convidar
padres
'da ativa',
ordenados
não
casados,
para
o encontro
de ordenados
casados?
O Encontro
Nacional
deve apostar
suas
fichas
no encontro
animador
de irmãos,
que
convivem, por
motivos
extremamente
diversificados, a
mesma
condição,
que
refletem sobre
esta condição,
sobre
o sentido
da vocação
que
ela
concretiza. Entregar-me às
atividades
que
o Reino
de Deus
coloca em
minhas
mãos
é a plenificação da
Vocação 'sacerdotal'
que
vivi durante
32 anos
na condição
clerical, da qual
abri mão
por
se ter
tornado
um
empecilho
contraditório.
Não
desejo
a mínima
readmissão,
mas
me
torno
respeitado no que
faço para
corroborar
a caminhada
de quem
tem como
objetivo
construir
a Igreja
'nova'
que
já
cresce no seio
das estruturas
ainda
fortes,
mas
sempre
mais
claramente
ilegítimas. Esta falta
de legitimidade
não
é uma característica
privativa
da igreja
Católica
Apostólica Romana,
e por
isto
carece de sentido
a opção
por
uma outra
denominação.
Os Encontros
Nacionais
são
encontros
de amigos,
companheiros
de caminhada,
militantes
da mesma
luta,
irmãos
na mesma
vocação
pluriforme. Também
por
isto
não
me
atrai, quanto
ao próximo encontro,
a questão
de Milingo, ou
de ordenação
de Bispos
casados.
Podendo ir,
eu
e minha
mulher
nos
alegraríamos por
outros
motivos.
Um abraço forte. Rogério I.A. Cunha – Contagem
MG
COLEGAS DO MPC,
Solicito que, os que estiverem interessados, façam a sua Inscrição
para o XVII Encontro Nacional do MPC/Associação Rumos,
a realizar em Recife, de 10 a 13 de Janeiro,
de 2008.
Para informações, consultar página principal de
www.oraetlabora.com.br
João Tavares
Moderador do e-grupo
padrescasados@com.br
|