Gente boa,
Estou REPASSANDO dois
e-mails do amigo Mário Palumbo sobre a permanência de Mons. Milingo no
Brasil até ao fim do ano.
A sua vontade de que entremos na sua barca é evidente. Mas há, a meu
ver, diversos pontos não claros na Pessoa e no Projeto de Mons.
Milingo, bastante bem colocados, se não erro, por um grupo de Padres
casados norte-americanos, sobretudo no que se refere à sua conexão
coreana e à Igreja do Rev. Moon.
Por isso,
pessoalmente, ainda estou bastante reticente em relação a Mons.
Milingo e à sua cruzada para mobilizar os Padres casados a nível
mundial, num desafio aberto e parece que eficiente às pétreas
estruturas vaticanas. Não estou muito certo do que o povo de Deus
vai pensar de toda essa novidade...
Mas o fato indiscutível é
que, enquanto ele age, agita e propõe e se expõe, toma atitudes
eficientes e claras na Igreja e paga seu preço por elas nós, pelo
contrário, como tantos outros grupos nacionais de Padres casados, vimos
fracassando vistosamente: falamos, falamos... mas não concluímos nada, a
nível de atitudes e de tomada individual e coletiva de posições "epifânicas",
que mostrem e digam alguma coisa à Igreja e à Sociedade... sobre o que
nós de fato pensamos e queremos de novo e de específico para o Reino de
Deus. E que preço estamos dispostos a pagar por e para isso.
Todos sabemos que, salvo
raras exceções, temos assistido no Brasil, no Vaticano e no mundo, à
determinação oficial e/ou oficiosa, ora explícita, ora implícita, de a
Hierarquia nos ignorar por completo, pior de nos reduzir a algo menos do
que cristãos comuns.
Se Roma é eterna, nós não
somos. Se ela é estática, muitos de nós somos dinâmicos. Se ela volta
para Trento, muitos de nós gostaríamos de ver realizados e implementados
a letra e o espírito do Vaticano II, sem hermenêuticas esvaziadoras
de 40 anos depois.
Por isso acho que
está na hora de quem, em consciência, se sentir chamado a um ministério
sacerdotal mais pleno, seguir seu caminho e, com discernimento e
coragem, procurar seu espaço, fazer suas escolhas, disposto,
naturalmente, a pagar o seu preço.
Dentro, preferivelmente,
ou fora, se dentro não houver possibilidade: o Reino é bem mais amplo do
que os limites da Igreja que se chama "católica", mas que, como Sharon e
Bush, se está cercando de altos muros orgulhosos e excludentes. Que
saudades de João XXIII....
Posso até não estar de
acordo com esta ou aquela opção concreta, notar, nos que querem
arriscar, maior ou menor profundidade e clareza de atitudes e posições,
mas penso que devemos respeitar as opções de cada um.
O diálogo é um caminho de
mão dupla. E se, depois de tantas tentativas, a Hierarquia resolve
insistir em nos ignorar e continua a fazer de conta que nós não
existimos, pois que cada um siga o caminho que sua consciência e
o Espírito Santo lhe indicar.
Sou super-zeloso pela
Unidade do Rebanho de Cristo, mas não a qualquer preço. E, como aprendi
em Gálatas e Romanos, sei que Deus nos fez para a LIBERDADE
(responsável, naturalmente), não para a LEI.
Não vamos,
então, amordaçar o Espírito... que sopra onde e quando quer... e que,
com certeza não é monopólio do Vaticano e das Conferências Episcopais,
sempre mais reduzidas ao silêncio obsequioso e castrador que o Vaticano,
desde há quase trinta anos, lhes vem impondo e que eles,
Bispos, (carreiristas ou medrosos?) submissamente e pouco dignamente vêm
aceitando, aviltando sempre mais a sua missão de fautores do Reino em
união, sim, mas não em submissão servil e sub-humana ao sempre mais
imperialista Bispo de Roma e à sua Corte.
Afinal, eles são tão
Bispos da sua Diocese como o Papa é Bispo de Roma. Ele é o
primus inter pares, não o dono da Igreja ou dos Bispos.