From: Francisco
To: Mario Palumbo
 

 Opinião sobre Bispo dodd dMPC


 
Mário/Tavares:
 
José Lino traduz o pensamento de muitas pessoas, que desejam contribuir para a construção de uma Igreja que revele Jesus Cristo aos homens de nossos dias. Para as pessoas que olham para hoje e para o amanhã, sem retrovisor ligado, Leonardo Boff escreveu um livro chamado " Nova Era: A Civilização Planetária".
Acrescento aos argumentos de José Lino uma citação literal deste livro  :
" ... Este cristianismo de dominação mostrou seu caráter dominador não só para fora, na missão, mas também internamente, nas relações entre os professantes. Ele se caracteriza por uma fortíssima centralização e sacralização do poder, pela subordinação de todos os que não pertencem à hierarquia e pela marginalização e exclusão das mulheres.
 Este tipo de cristianismo é parte do ocidente, na forma como pensa, se organiza e fala. Ele não é universal. Ele cria homogeneização do mesmo pela via da imposição como ocorreu com a romanização do catolicismo no mundo inteiro ...
Na medida em que o cristianismo oficial reforça os mecanismos de obediência de todos ao poder dos hierarcas, na medida em que reafirma suas fórmulas dogmáticas, controla as doutrinas, impõe seus ritos e se mostra severo em sua moral, mais aparece seu caráter ocidental e, por isso, acidental, sua incapacidade de suscitar esperança e de dizer uma palavra essencial aos que estão aquém e além de suas fronteiras.
 Ele se faz refém de seu próprio paradigma regional e expresa sua universalidade de forma alienada ou patológica como homogeinização do mesmo em todas as partes ou generalização de um particular imposto indistintamente a todas as expressões culturais ..."
(Leonardo Boff -Nova Era: A Civilização Planetária - Editora Ática - 1994 - pág. 50-51).
 
A seguir, Boff fala do profetismo no cristianismo e dos caminhos da esperança.
 
Sempre peço que  " O Espírito de Bondade nos conduza por um caminho sem obstálos".
Acredito que "um pequeno resto",  um "pequeno rebanho será instrumento de Deus para traçar os novos rumos. Certamente, as nudanças na instituição deverão ser profundas. Muitas normas disciplinares precisarão ser instituídas, incluindo aí a opcionalidade pelo celibato e as formas de rituais, bem como o modo de constituição das igrejas locais.
 
Com um abraço,
 
Francisco Resende
----- Original Message -----
From: José Lino de Araújo
To: Mario Palumbo
 

 Opinião sobre Bispo dodd dMPC


 
Olá, João Tavares,
Hoje, entrei no meu antigo e-mail que, na verdade, é de minha filha Juliana que é advogada, e, por acaso li novamente a notícia quer você nos deu, não sei quando, de uma idéia estapafúrdia de alguns que querem, seguindo Dom Milingo, sagrar bispos no MPC.
Resolvi dar também a minha opinião.
Isto é uma verdadeira sandice! Eu, estou falando por mim, não concordo com isso em hipótese alguma.
Aqui em Minas, embora haja muito tempo que temos em nosso pé um Arcebispo aposentado, Dom José Maria Pires, vulgo Dom Pelé, designado, inicialmente pelo Cardeal Dom Serafim, agora confirmado pelo atual Arcebispo, para nos acompanhar, leia-se, vigiar, tamanha loucura jamais passou pela nossa cabeça.
Tenho certeza de que não é assim que o MPC vai se firmar ou adquirir personalidade ou identidade. Precisamos sim que os Bispos e padres da ativa nos aceitem e nos respeitem. Estando, agora, do outro lado, podemos contribuir grandemente com eles. Não vamos concorrer com eles, mas só ajudar. As pregações da maioria continuam como as do nosso tempo, há 20, 30 ou mais anos atrás. O mundo se modificou, as cabeças mudaram, a sociedade evoluiu, mas eles, não. É fundamental que a Igreja (hierarquia) saiba que nós,  hoje casados, com os filhos maravilhosos e integentes que temos, não deixamos de ser padres. Eu acho que somos até mais! Tenho certeza de muitos vão censurar a minha pretensão, mas paciência! 
Infelizmente ainda acontecem algumas aberrações, aqui, é claro. Logo que cheguei a Belo Horizonte, há mais de trinta anos, um vigário, sabendo que eu era padre, me convidou para ser "ministro extraordinário da comunhão". Aceitei, mas ele me disse que eu deveria fazer um curso com os outros candidatos a ministro. (...) Mandei, naturalmente, que ele fosse tomar banho!
Atualmente as coisas não mudaram muito, pois, há pouco tempo, sugeri a Dom José Pires que nos aproveitasse no atendimento aos hospitais, podendo ministrar os sacramentos aos doentes, sabendo-se que os pastores protestantes percorrem os quatos dos hospitais todos os dias. Sabe o que ele (Bispo) me disse? Absolutamente! Antes, vocês devem começar pelas periferias. Mas não falou como e nem com que instrumentos. O Cardeal, procurado por nós, disse que não sabia se na diocese tinha alguma coisa para os Padres Casados fazerem. O Arcebispo atual, nas mesmas condições nos pediu um "projeto" para nos aproveitar como "escutadores" nas paróquias (...) Eu achei, data venia, que ele estava era tirando o corpo fora.
Assim, aqui, ao que parece, estamos marcando passo, diferentemente do que vem acontecendo em outros lugares.
A Igreja, povo de Deus está carente de padres e precisa de nós. Eu, hoje, com 69 anos, depois de trinta anos me colocando à disposição para ajudar, não vou para uma favela, nem à pau!  Apesar disso não podemos sair por aí trocando os pés pelas mãos, correndo atrás de qualquer aventureiro. Não obstante seus defeitos e "negações",  Pedro ainda é a "cefas". Foi a ele que Cristo entregou suas ovelhas. Não será provocando um cisma  bobo e inconseqüênte que vamos ser fiéis à nossa vocação de cristãos e, sobretudo, de padres.
Espero que no Congresso de Recife tenhamos a necessária sabedoria para rechaçar tais absurdos. Vamos dar um basta em tanta besteira. Concordo com o Lauro: "O Movimento a que pertencemos está dentro da Igreja Católica. O problema não é eclesiástico, mas eclesial". É urgente, urgentíssimo que se desmistifique o celibato, eis o xis da questão.  Não temos vocação para a acomodação e, muito menos, para o cisma.
Veni, Creator Spiritus!
BH. 14/11/07 - Lino