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Sent: Wednesday, November 14, 2007 5:35 PM
Subject: Opinião sobre Bispo dodd dMPC
Olá, João Tavares,
Hoje, entrei no meu antigo e-mail que, na verdade, é de minha filha
Juliana que é advogada, e, por acaso li novamente a notícia quer você
nos deu, não sei quando, de uma idéia estapafúrdia de alguns que querem,
seguindo Dom Milingo, sagrar bispos no MPC.
Resolvi dar também a minha opinião.
Isto é uma verdadeira sandice! Eu, estou falando por mim, não concordo
com isso em hipótese alguma.
Aqui em Minas, embora haja muito tempo que temos em nosso pé um
Arcebispo aposentado, Dom José Maria Pires, vulgo Dom Pelé, designado,
inicialmente pelo Cardeal Dom Serafim, agora confirmado pelo atual
Arcebispo, para nos acompanhar, leia-se, vigiar, tamanha loucura jamais
passou pela nossa cabeça.
Tenho certeza de que não é assim que o MPC vai se firmar ou adquirir
personalidade ou identidade. Precisamos sim que os Bispos e padres da
ativa nos aceitem e nos respeitem. Estando, agora, do outro lado,
podemos contribuir grandemente com eles. Não vamos concorrer com eles,
mas só ajudar. As pregações da maioria continuam como as do nosso tempo,
há 20, 30 ou mais anos atrás. O mundo se modificou, as cabeças mudaram,
a sociedade evoluiu, mas eles, não. É fundamental que a Igreja
(hierarquia) saiba que nós, hoje casados, com os filhos maravilhosos e
integentes que temos, não deixamos de ser padres. Eu acho que somos até
mais! Tenho certeza de muitos vão censurar a minha pretensão, mas
paciência!
Infelizmente ainda acontecem algumas aberrações, aqui, é claro. Logo que
cheguei a Belo Horizonte, há mais de trinta anos, um vigário, sabendo
que eu era padre, me convidou para ser "ministro extraordinário da
comunhão". Aceitei, mas ele me disse que eu deveria fazer um curso com
os outros candidatos a ministro. (...) Mandei, naturalmente, que ele
fosse tomar banho!
Atualmente as coisas não mudaram muito, pois, há pouco tempo, sugeri a
Dom José Pires que nos aproveitasse no atendimento aos hospitais,
podendo ministrar os sacramentos aos doentes, sabendo-se que os pastores
protestantes percorrem os quatos dos hospitais todos os dias. Sabe o que
ele (Bispo) me disse? Absolutamente! Antes, vocês devem começar pelas
periferias. Mas não falou como e nem com que instrumentos. O Cardeal,
procurado por nós, disse que não sabia se na diocese tinha alguma coisa
para os Padres Casados fazerem. O Arcebispo atual, nas mesmas condições
nos pediu um "projeto" para nos aproveitar como "escutadores" nas
paróquias (...) Eu achei, data venia, que ele estava era tirando o corpo
fora.
Assim, aqui, ao que parece, estamos marcando passo, diferentemente do
que vem acontecendo em outros lugares.
A Igreja, povo de Deus está carente de padres e precisa de nós. Eu,
hoje, com 69 anos, depois de trinta anos me colocando à disposição para
ajudar, não vou para uma favela, nem à pau! Apesar disso não podemos
sair por aí trocando os pés pelas mãos, correndo atrás de qualquer
aventureiro. Não obstante seus defeitos e "negações", Pedro ainda é a "cefas".
Foi a ele que Cristo entregou suas ovelhas. Não será provocando um
cisma bobo e inconseqüênte que vamos ser fiéis à nossa vocação de
cristãos e, sobretudo, de padres.
Espero que no Congresso de Recife tenhamos a necessária sabedoria para
rechaçar tais absurdos. Vamos dar um basta em tanta besteira. Concordo
com o Lauro: "O Movimento a que pertencemos está dentro da Igreja
Católica. O problema não é eclesiástico, mas eclesial". É urgente,
urgentíssimo que se desmistifique o celibato, eis o xis da questão. Não
temos vocação para a acomodação e, muito menos, para o cisma.
Veni, Creator Spiritus!
BH. 14/11/07 - Lino