DE: Félix Filho
PARA:  Mario Palumbo
 Padres na Balada
 
Amigos,
 
vejam, abaixo, matéria publicada na Folha de Pernambuco desta quarta-feira, dia 18/07, sobre a nova geração de padres.
Esses, são da diocese de Garanhuns, agreste de Pernambuco. Um lugar pobre e sofrido.
A nova geração, além de conservadora, está preocupada somente no seu bem estar.
Nada contra uma cervejinha. Eu, prefiro um bom vinho.
Mas, esses caras passam do limite. Frequentam boates e, principalmente, as noites quentes do Recife.
E o Papa conservador como fica???? E a volta do Latim?????
Será que a moda pega????
 
Félix
 
 18/07/2007
Da missa à farra
Padres deixam a batina depois da pregação e saem para curtir a balada
GARANHUNS - Eles saem para as baladas, dançam, curtem, tomam chope e outras bebidas "quentes". Eles são jovens e são padres. O comportamento dessa nova geração de sacerdotes está causando polêmica e abrindo grandes discussões no meio da igreja. Quando chega o final de semana, os padres encostam as batinas e dividem o mesmo espaço em bares ou restaurantes com jovens e adolescentes, bebem e se divertem até altas horas da noite sem nenhum tipo de constrangimento.

Uns têm um estilo mais reservado e outros não vêem problemas em passar a noite em festas de rua, onde as atrações são bandas de forró, axé ou pagode. Edson Viana, 33, é um desses "homens de batina" que gosta de sair em companhia de amigos e enfrenta críticas dos fiéis. Pároco da Igreja de São Sebastião, ele encara com naturalidade a situação e chega a se comparar a Jesus Cristo. "Jesus tinha a fama de ser comilão. Jesus também tinha a fama de ser beberrão e muita gente hoje tem prazer em falar dos padres dizendo que os padres são beberrões. Do mesmo jeito se falava de Jesus. Nem ele escapou da língua do povo. De um povo que não faz nada e quer ser santinho. Já ouvi uma senhora dizer: isso aí é padre nada, é um beberrão. Do mesmo jeito era com Jesus", justifica. Na página que mantém no site de relacionamentos Orkut, o padre confirma o seu gosto pela bebida.

O padre Marcelo Protásio, 36, da Catedral de Santo Antônio, também reza pela mesma cartilha e aceita convites de amigos para sair e se divertir em lugares públicos. Marcelo costuma fazer comemorações na casa paroquial sempre que termina alguma programação festiva na igreja. Nessas festinhas particulares, não falta bebida para dar ânimo ao ambiente. "Todo mundo está convidado para tomar um quentão agora", disse ao final de uma de suas missas ainda no altar. O tradicional quentão nordestino é uma mistura de gengibre, vinho, cravo e cachaça. Protásio também já promoveu grandes festas na frente da igreja comemorando dia de Santo com bandas de forró e pagode.
"O fato de eu beber cerveja não quer dizer que eu vou deixar de ser homem de Deus. Não vejo nada demais em tomar uma cerveja. Existem fatores positivos nisso. Por exemplo, quanto mais próximos das pessoas nós estivermos, mais possibilidades nós teremos de fazer a experiência de Deus na vida delas", alega. "Tem gente que só toma refrigerante, mas tem um comportamento completamente contrário a uma pessoa que diz ter fé em Deus", completa.
 

CURTIÇÃO

José Emerson Alves da Silva, 32, é outro padre que gosta de curtir a vida como qualquer outro jovem. Ele é da paróquia de Jupi, mas vai a festas de rua em toda a região. Sem dar ouvidos ao que o povo pensa, o padre cai no passo. "Em todas as festas da região as pessoas costumam me ver. Nós temos que ter uma presença em todas as camadas da sociedade. Uma cerveja não vai fazer mal a ninguém. O mal está na forma como o sujeito se comporta ao beber", esclarece. O religioso é natural de Palmeirina e está sendo cotado na cidade para disputar um cargo político no futuro.
Paralelamente ao estilo de vida que cada um segue, eles desenvolvem trabalhos sociais nas comunidades das igrejas, cumprem rigorosamente as atividades eclesiásticas e aconselham fiéis que procuram ajuda nas salas de confissão. Ao mesmo tempo em que os jovens padres adotam esse tipo de comportamento, os sacerdotes de mais idade se dedicam mais para a vida religiosa. Apesar de ser bem mais velho do que os novos padres, Frei Joaquim Machado, 77, não critica o comportamento daqueles que estão começando a vida sacerdotal. "Eu mesmo bebo cerveja ou qualquer outro tipo de bebida. O erro está em exagerar na bebida. Agora ir a bar ou restaurante, aí já não é comigo. Eu acho que pode beber quando estiver sozinho", acredita.

 

7/18/2007
Bispo também consome bebidas

Não é à toa que os jovens sacerdotes freqüentam festas e consomem bebidas alcoólicas. Pelo menos na diocese de Garanhuns, eles têm o aval do bispo dom Irineu Roque Sherer. "Eu também gosto de tomar uma cervejinha", adianta. De acordo com o líder maior da diocese, não existe problema algum em um padre tomar vinho ou umas cervejinhas porque, segundo ele, o próprio Jesus Cristo foi consumidor de bebida alcoólica. "Jesus realmente foi visto como um beberrão", acrescenta. "Ele gostava tanto da bebida que introduziu o vinho na celebração eucarística", completa.
Dom Irineu garante que a opinião que tem sobre o assunto polêmico tem respaldo na doutrina bíblica. A interpretação que Sherer faz sobre o que a Bíblia ensina é de que o Livro Sagrado "quer que nós sejamos felizes". Segundo ele, o fato de um padre ou um bispo consumir bebidas alcoólicas depende muito dos costumes de cada região. "Quando fui padre no Sul era normal jogar baralho no fim de tarde. Aqui as pessoas já estranham esse comportamento", explica. "Que mal faz tomar uma cervejinha depois de três horas de celebração, quando você fica bastante suado ao sair do altar? O mal está na visão crítica das pessoas. Quem olha é que tem o coração sujo", afirma o bispo.
 

Ele disse ainda que os fiéis ficavam chateados quando ele não aceitava o convite para ir a alguma festa. "Lá as pessoas ficavam até chateadas quando a gente não ia tomar uma cerveja", dispara. Com relação à participação dos padres nas festas de rua, o religioso aponta uma justificativa, segundo ele, bíblica: "Jesus foi na casa de Levi e na casa de Zaqueu, que foram pessoas tidas como pecadoras e, além disso, ele freqüentava vários ambientes públicos".
 

A reportagem procurou ouvir a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a respeito do assunto polêmico. O secretário geral da regional Nordeste 2, padre José Albérico, disse que a CNBB tem competência apenas para tratar de assuntos que envolvem bispos. Como dom Irineu apóia o comportamento dos padres e disse que também bebe, o representante da entidade declarou que "o bispo fala apenas por ele e isso não quer dizer que a CNBB tenha o mesmo pensamento". Segundo o padre José Albérico, o assunto precisa ser levado a uma discussão interna e devido a isso evitou aprofundar a discussão. "É preciso fazer uma reunião para ver o que a CNBB delibera. Não posso dar um depoimento isolado a respeito disso", diz. Segundo ele, as declarações de dom Irineu serão levadas à próxima conferência.