To:
Mario Palumbo
Re: pedido de informações e a função de anfitrião.
Caro Mário:
Li a argumentação das várias pessoas..
Diz a vivência cristã: tudo concorre para o bem
dos que amam a Deus.
A bem da verdade, todo aquele que ama a Deus e
pratica a justiça pertence à Igreja, o Corpo Místico de Cristo.
Então, a organização do Encontro de Recife tem
seus objetivos e o que fizer irá ser bem recebido.
Pessoalmente eu não acho que o centro do MPC
seja a história do casamento de padre.
Esta questão entra no bojo da questão principal:
a reconstrução da Igreja, a partir do clamor do povo, para atender as
necessidades de evangelizar do tempo em qque vivemos.
Vejo que muita gente argumenta que o MPC está
patinando.
Será? Jesus teria sido um sucesso de massa em
seu tempo?
Sempre estivemos ao lado das comunidades
eclesiais de base, uma nova forma de ser Igreja. É verdade que os golpes
desferidos nestas comunidades e na Teologia da Libertação foram criéis e
ainda o são. Veja o recente episódio da alteração do documento da CELAM.
A Hierarquia não pode afirmar que conseguiu
matar a nova forma de ser Igreja.
As CEB.s continuam vivas.
É verdade que é um pequeno grupo, que é
marginalizado e que o Vaticano se nega ao diálogo.
Eu não vejo como casamento de padre, isolado de
uma mudança estrutural da Igreja, possa contribuir para valorizar a família.
A família será valorizada numa nova visão de
Igreja. Acho importante a visão dos dominicanos holandezes, difundida por "Oraetlabora",
sob a animação de "Schilibex". A comunidade reza a missa. As famílias rezam
a missa. Isto, sim, é uma mudança.
Acho positiva a participação do Felix: ele não
quer ser o dono do "Encontro". Quer partilhar. Isto é bom. O movimento é
plural. Até hoje a maioria dos egressos do clero mostram-se indiferentes.
Talvez consiga atrair esta maioria paara o debate.
Bom é o seu posicionamento quanto à redução do
MPC ao problema do padre casado.
Millingo presente no "Encontro" será,
provavelmente, o centro das atenções.
Sempre me posicionei e fui voto vencido nesta
história de "Encontros" com grandes personalidades. Jorge Ponciano, doutor
em trabalho com grupos, ouviu ponderações não só minhas, mas de Fábio
França, sobre a inconveniência destes encontros dirigidos e centrados em
conferencistas, como tem acontecido desde o quarto encontro.
Eu pondero que deixam de ser encontro
de indivíduos e troca de experiências pessoais para se transformar em
exercício de exaltação de egos. Uma cúpula acaba arranjando os resultados.
Jorge não quis seguir o esquema que propusemos
lá no encontro de Lusiânia.
Talvez Felix faça algo difereente neste encontro
de Recife. Talvez este grupo de Recife consiga que se ouça a voz rouca do
povo sem pastores.
Com um abraço,
Francisco Resende