From: Francisco
To: Mario Palumbo

 Re: pedido de informações e a função de anfitrião.


 
Caro Mário:
 
 
Li  a argumentação das várias pessoas..
 
Diz a vivência cristã: tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.
 
A bem da verdade, todo aquele que ama a Deus e pratica a justiça pertence à Igreja, o Corpo Místico de Cristo.
 
Então, a organização do Encontro de Recife tem seus objetivos e o que fizer irá ser bem recebido.
 
Pessoalmente eu não acho que o centro do MPC seja a história do casamento de padre.
 
Esta questão entra no bojo da questão principal: a reconstrução da Igreja, a partir do clamor do povo, para atender as necessidades de evangelizar do tempo em qque vivemos.
 
 
Vejo que muita gente argumenta que o MPC está patinando.
Será? Jesus teria sido um sucesso de massa em seu tempo?
 
Sempre estivemos ao lado das comunidades eclesiais de base, uma nova forma de ser Igreja. É verdade que os golpes desferidos nestas comunidades e na Teologia da Libertação foram criéis e ainda o são. Veja o recente episódio da alteração do documento da CELAM.
 
A Hierarquia não pode afirmar que conseguiu matar a nova forma de ser Igreja.
As CEB.s continuam vivas.
 
É verdade que é um pequeno grupo, que é marginalizado e que o Vaticano se nega ao diálogo.
 
Eu não vejo como casamento de padre, isolado de uma mudança estrutural da Igreja, possa contribuir para valorizar a família.
 
A família será valorizada numa nova visão de Igreja. Acho importante a visão dos dominicanos holandezes, difundida por "Oraetlabora", sob a animação de "Schilibex". A comunidade reza a missa. As famílias rezam a missa. Isto, sim, é uma mudança.
 
Acho positiva a participação do Felix: ele não quer ser o dono do "Encontro". Quer partilhar. Isto é bom. O movimento é plural. Até hoje a maioria dos egressos do clero    mostram-se indiferentes. Talvez consiga atrair esta maioria paara o debate.
Bom é o seu posicionamento quanto à redução do MPC ao problema do padre casado.
Millingo presente no "Encontro" será, provavelmente, o centro das atenções.
Sempre me posicionei e fui voto vencido nesta história de "Encontros" com grandes personalidades. Jorge Ponciano, doutor em trabalho com grupos, ouviu ponderações não só minhas, mas de Fábio França, sobre a inconveniência destes encontros dirigidos e centrados em conferencistas, como tem acontecido desde o quarto encontro.
Eu pondero que deixam de ser encontro de indivíduos e troca de experiências  pessoais para se transformar em exercício de exaltação de egos. Uma cúpula acaba arranjando os resultados.
Jorge não quis seguir o esquema que propusemos lá no encontro de Lusiânia.
 
Talvez Felix faça algo difereente neste encontro de Recife. Talvez este grupo de Recife consiga que se ouça a voz rouca do povo sem pastores.
 
Com um abraço,
 
Francisco Resende