PROJETO DE ESTUDO: O PADRE CASADO NA IGREJA

 

                    A Diretoria do Movimento dos Padres Casados do Brasil propõe-se a realização de um projeto de estudo e também o oferece a todos que queiram dar a sua preciosa colaboração. Por ora o nome do projeto  fica exarado da seguinte forma:

OS MINISTÉRIOS ORDENADOS, NOTADAMENTE O MINISTÉRIO DO PADRE CASADO , À LUZ DA TEOLOGIA BÍBLICA, DA TRADIÇÃO E DA HISTÓRIA.

 

PREAMBULO:

            A presênça do padre casado na Igreja do Ocidente tornou-se uma realidade no pos-Concílio Vaticano II, não como uma restauração da Tradição Apostólica, mas a partir do fato de muitos presbíteros não quererem mais permanescer no ministério que a Igreja estabeleceu para o Ocidente e a própria Igreja concedeu dispensa desta forma de ministério aos que nele não desejavam mais permanescer. No entanto esta práxis, em tudo aparentando uma medida provisória, não traz resposta aos anseios e esperanças dos que não quiseram  mais a  forma de ministério  que tinham exercido. Esta solução de aparência provisória,  à qual estão confinados os presbíteros casados, também tem uma conotação de contradição frente às necessidades pastorais do tempo presente.

           Além do que,existem ainda outros indícios como os Movimentos de Padres Casados, existentes no mundo, os encontros locais, nacionais e internacionais e também os trabalhos de caráter intelectual produzidos sobre esta realidade evidenciam a necessidade de se construir caminhos que tragam respostas mais adequadas. A Diretoria do Movimento dos Padres Casados do Brasil entende que a construção destes caminhos, num primeiro momento deve passar por um trabalho de estudo  bíblico, teológico e histórico e também por um estudo da real situação em que se encontram os prebíteros casados para então, a partir destes estudos e com base neles esboçar propostas mais concretas.

            A partir deste preambulo convidamos os estudiosos, tanto do MPC como da Igreja em geral, de forma individual ou grupal, a realizar estes estudos, para os quais se oferece o esboço que segue.

 

PROPOSTA INICIAL:

            Mesmo que de um modo sumário, a Diretoria do MPC do Brasil, está alinhavando alguns pontos em vista de um projeto que lhe parece importante não somente para o Movimento de Padres Casados , mas para cada padre casado e sua família, para o padre celibatário e para todo Povo de Deus.

           Quer parecer que é o momento de se começar este trabalho de aprofundamento bíblico teológico e histórico com o obejtivo de encontrar respostas que possam trazer alegria a quem as busca e oferecer ao Povo de Deus outras formas de minsitério para além das que existem.

           Com efeito, no XII Encontro Nacional de Padres Casados (João Pessoa, PA, 28-31/01/88) acentuou-se que a saida do ministério na Igreja Latina e o casamento eram uma corajosa busca de novos caminhos. Também no XV Encontro Nacional de Padres Casados e sua Famílias ( Luziania, GO, 22-25/07/2004), através da Carta de Luziania, se declara que ser padre casado é uma opção específica de serviço ao Povo de Deus e que os padres  casados não deixaram o ministério, mas estão construindo uma nova identidade baseada numa teologia clara e precisa, numa espiritualidade bíblica do Êxodo, do Deserto e da Experiência do Exílio. Sairam de uma estrutura aparentemente segura para uma caminhada nova com características bem próprias, entre as quais a presênça da mulher e dos filhos como protagonistas e não como coadjuvantes.

            Pode-se objetar que estas conclusões são recentes, fruto de uma caminhada de 40 anos, mas que no momento em que cada um saiu ou sai do ministério canônico ele o fez para resolver seus problemas concretos, independentemente da ordem que fossem e não estava preocupado com uma nova forma de ministério. Para verificar o valor desta objeção está proposto que o presente estudo não se atenha apenas ao estudo teológico, bíblico, da tradiçao e da história, mas que também se faça o estudo da real situação em que está o padre casado, o que seria realizado pelo Grupo de Brasília, que tem em seus projetos o desenvolvimento de uma pesquisa. Esta pesquisa poderá esclarecer as motivações que existiram na saida, as esperanças e projetos que cada um  alimentava e o que aconteceu no transcurso do tempo.

           O Encontro de João Pessoa e a Carta de luziania afirmam que os padres casados estão construindo uma identidade fundada numa teologia clara, precisa e numa espiritualidade bíblica do êxodo, do Deserto e da Experiencia do Exílio. Será que isto é verdade e como é esta teologia ?

           Para responder a estas indagações, a Diretoria se atrve a propor um estudo dos ministérios ordenados , notadamente o ministério do padre casado, à luz da Teologia Bíblica, da Tradição, da História e da pesquisa sobre a situação real dos padres que se casaram.

           Com certeza é algo muito amplo e geral e para que se possa torná-lo exequivel propõem-se a divisão em partes que abaixo  ficam expostas sinteticamente:

 

 1 O  estudo bíblico- teológico e histórico

                                                                                                                                                  

           Objetiva estudar os ministérios ordenados sob a luz de uma teologia bíblica e de uma teologia fundada na Tradição. Este estudo se extende dos primórdios até o Vaticano II. Ao mesmo tempo desenvolver um estudo da trajetória histórica dos ministérios ordenados, especialmente no Ocidente.

            No aspecto da trajetória histórica seria de grande valia destacar quatro aspectos: a) Os ministérios até Carlos Magno;

b)      Os ministérios do ocidente a partir de Carlos Magno até o tridentino, com enfase na teologia que os fundamentou e na estrutura jurídica que os organizou;

c)      Os ministérios a partir do tridentino como parte da contra Reforma;

d)      Como se desenvolveramos ministérios nos novos continentes.

 

2 Surgimento do padre casado no Ocidente e dispensado do ministério.    

 

           No contexto do Concílio Vaticano II surge o padre casado, mas dispensado do ministério mediante o Resc rito e disposições do Direito Canonico. Como a teologia situa este padre e, em que pesem as prescrições canonicas que praticamente impedem qualquer ministério, qual é o valor teológico da presença, vida e ação do padre casado na Igreja ?

         Parece que a Igreja concordou em desvincular daquilo que é de ordem jurídica, mas não ofereceu uma resposta mais profunda. Lhe disse que vivesse como se fosse leigo e João Paulo II, no jubileu  do 2o. milênio dedicou algumas linhas aos presbíteros que optaram por outro caminho. Isto é praticamente nada.

 

3 O  multiforme ministério ordenado na Igreja composta da diversidade de Igrejas

 

           As Igrejas  Orientais, católicas e ortodoxas, possuem a tradição apostólica de ordenar ministros casados e celibatários e no Ocidente esta tradição prevaleceu até depois de Gregório VII. Só recentemente o Direito Canonico de 1915 tornou o casamento um impedimento para a ordenação. A Igreja Anglicana possui bispos e padres casados e a Igreja Romana manteve no ministério padres da Igreja Anglicana que professaram na Igreja Romana. Recentemente restaurou o Diaconato Permanente  para o qual são ordenados os casados. Todos estes aspectos não são um forte indício de que não se extinguiu o ministério dos que pediram dispensa do ministério canonico  e que não há necessidade de optar por algo que provoque um cisma ?

 

4 O ministério das mulheres

   

           A partir da teologia bíblica sobre a salvação que Cristo realizou e da decorrente teologia sobre a mulher e sobre os ministérios é pertinente elaborar conclusões sobre os ministérios ordenados para a mulher.

 

5        A trajetória brasileira e algumas  proposições em vista da práxis

 

a)      O Movimento dos  Padres Casados já tem um percuros de 40 anos , o que significa que jé é possível rever e recuperar a trajetória dos 15 Congressos Nacionais, do Congresso Latino Americano e dos Internacionais.  Esta trajetória deve possuir elementos valiosos para o amadurecimento da nova realidade que surgiu com a presença do padre casado no Ocidente.

b)      Criar caminhos para estudo e reflexão com Bispos e Presbíteros abertos a esta rea lidade e às necessidades do tempo presente.

c)      Estabelecer procedimentos que tornem crescente a integração entre as diversas formas de prebiterato.

 

           Finalmente, considerando que um movimento é o caminho por onde idéias e tendências conseguem se peressar e considerando que uma associação é o braço jurídico que pode viabilizar questões de caráter jurídico, entende a Diretoria que o MPC do Brasil e sua Associação Rumos são o caminho pelo qual é possível viabilizar o projeto que está sendo lançado e que mesmo ainda na fase de consultas já se tornou de domínio público.

           As pesquisas, as discussões e diálogos iniciais sobre os achados da investigação poderão ser veiculados através da Internet e a Diretoria se propõe como elo de ligação. Para tanto oferece tres endereços eletronicos, que são os do casal  Presidente, do casal Vici-Presidente e do casal Tesoureiro. Num segundo momento se propõem que o XVI Encontro , que será em Salvador-BA ( janeiro de 2006 ) seja o local da primeira avaliação, a reorganização do projeto naquilo que se fizer necessário e a definição do caminho a ser percorrido a partir de janeiro de 2006.

            Esperamos e acreditamos que esta modesta proposta será acolhida e estudada por muitos irmãos de boa vontade e que Cristo Senhor comunique a todos o seu Espírito, porque assim Deus prometeu pelo seu profeta Joel e assim o realizou no primeiro Pentecostes. ( Atos 2,17 ).

 

                                                                                   Guarapuava, 26 de maio de 2005.

 

Armando e Altiva Holocheski

Presidência Nacional da Associação Rumos/MPC

Armando e Altiva Holocheski

arrmando_holyszewski@yahoo.com.br

 

 

 

 

                   A DIRETORIA DO MOVIMENTO DOS PADRES CASADOS DO BRASIL

 propõe subsídios para um diálogo com o Episcopado e o Povo de Deus.

 

            O seguinte texto vem complementar a  proposta da Diretoria do Movimento de Padres Casados do Brasil, representada por Armando e Altiva Holocheski, a respeito da necessidade de um estudo sobre “o Padre casado na Igreja”(26/05/05).

           Oferecemos aos irmãos padres casados e família, algumas proposições simples, até de senso comum, como tema de um diálogo sincero e respeitoso,  com os srs. Bispos locais, com a CNBB e com o Santo Padre o Papa Bento XVI, sobre a situação do padre casado e o seu ministério hoje na Igreja.

 

            1- O “IV Congresso Internacional dos Padres Casados Católicos (Brasília, DF. 25-28-07-1996) com seu tema central:"Ministérios para o terceiro milênio". Salientou, entre outras idéias que “a Igreja institucional é uma realidade histórica que, ao longo do tempo, assumiu várias formas culturais; e por fidelidade aos apelos dos sinais dos tempos, deve inserir-se na cultura do povo, na democracia participativa e na comunidade; que o nosso casamento é uma porta que se abre aos novos ministérios que o Espírito de Deus nos reservou na Igreja; que nosso ministério maior é viver a fé com as irmãs e irmãos dispersos, sobretudo os excluídos; que nossa inserção na vida familiar, nas comunidades e nos movimentos sociais do Povo de Deus podem indicar a presença evangelizadora da Igreja nestes meios.

 

           2- A existência hoje de presbíteros casados na Igreja Latina,

mais explicitamente nos últimos 40 anos (1964), tem sido visto  como uma pedra de tropeço, em alguns setores da Igreja. Mas, visitando as falas de Cristo no Evangelho (Mt 16,18; Mc 8,33; 14,68; Jo 21,17  ), vemos que o mesmo Pedro que foi por Jesus apontado como satanás (“Saia da minha frente Satanás”, Mc 8,33) logo mais foi também acolhido como a pedra angular em que se atreveu erguer sua própria Igreja.

            Se Cristo que é a razão de ser da Igreja agiu assim, porque razão a Igreja não poderia, ela também como  Cristo acolher, seus Pedros dispersos e negligenciados, como suas novas pedras  para a renovação eclesial evangelizadora que o Espírito, através dos sinais dos tempos, está pedindo? (GS 11).

           Deve o padre casado continuar no ostracismo de sua atividade profissional, vivendo como um cidadão descompromissado à beira do povo de Deus? Com sinceridade e seriedade, qual seria a atitude de Jesus, o Jesus  do Evangelho ((Mt 5,20; 8,3; 8,14-15; 9,10; 10,34; Mc 8,2; Jo 2,7; 4,7; 8,10; 9,3; 10,7; 13,14; 20,16; 21,16), diante daquele fato?

 

           3- Sabemos que muitos bispos e setores da igreja oram e anseiam por uma reforma na Igreja com relação à instauração do presbiterato casado na Igreja Latina e, talvez, este seja o momento, indicado por Jesus de falar, dialogar, debater, estudar e mudar com a liberdade do Espírito de Deus, este delicado e feliz assunto.

“Às vezes, quando recebo notícias de saídas de padres e religiosas, fico triste, a ponto de chorar. É um dos pontos mais negros da Igreja depois do Concílio. Não sei bem o que Deus quer, permitindo tudo isso. Sei, é certo, que tudo isso está a dizer que há urgente necessidade de reforma. Talvez Deus permita, porque vê que as reformas não viram sem certa violência. A Igreja é tão difícil quando deve reconhecer defeitos e, conseqüentemente reformas. É um certo farisaísmo que está nela profundamente arraigado. Mas sou otimista, não obstante as lágrimas que por vezes me surpreendem” (Frei Boaventura Klopenburg, Bispo emérito de Novo Hamburgo. – Jornal Ciência e Cultura,  Ano XXIV- Nº 237- p. 5,maio 2005, p. José Alfredo Schierbolt).

 

           4-- O presbítero, tendo decido a casar-se e formar uma família, obedecendo às prescrições da Igreja referentes à dispensa canônica do ministério, coloca-se numa situação de crise existencial ao ser afastado pelo igreja institucional daquela vida e  serviço para os quais alicerçou e orientou a sua existência e conhecimentos, muitas vezes desde criança.

             O mutismo da Igreja diante da realidade de haver cristãos preparados e ordenados para o anúncio do Evangelho, mas quase sempre deixados à margem da evangelização não é um bom silêncio.É um silêncio que não faz bem a ninguém. É difícil entender que não existe um desafio teológico-pastoral por resolver diante da realidade de padres casados na Igreja de Ocidente que não abandonaram sua Igreja mãe e mestra, mas somente se casaram, inclusive obedecendo normas jurídicas elaboradas pela própria Igreja.

 

           5- A realidade de padres pedirem dispensa para casar-se, conforme o direito canônico, não é um fenômeno esporádico, mas uma ampla, sólida e consistente realidade de quase quarenta anos (1964). A persistência desta problemática, aponta para a necessidade de se aprofundar e rever os fundamentos da atual práxis jurídica que julga incompatível o ministério presbiteral com o casamento, já que  coloca o padre casado no ostracismo, priva o povo de Deus do ministério da palavra e da Eucaristia, necessários para a vida nova que nasce pelo batismo.

              Não seria o momento de exegetas, teólogos, historiadores e juristas reverem os critérios provisórios adotados diante do fenômeno de muitos padres não quererem permanecer naquela forma de ministério?

                 Vivemos num mundo globalizado e de mudanças de todas as ordens e ao mesmo tempo, estamos parados no tempo por leis e costumes medievais, que causam não poucos sofrimentos, conflitos e por desconhecimento da verdade plena (Jo 8,32) impedem a ação do Espírito na renovação do mundo.

 

           6-- O padre casado inserido na realidade do mundo, pela sua vida pessoal e familiar, pelo  trabalho profissional e pelo exercício da sua cidadania, vive como todos os discípulos de Cristo convocados pela igreja peregrina  “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem” (GS 1).

                  O ministério do padre casado enriqueceria grandemente a Igreja porque integra o matrimonio e os valores familiares ao sacramento da ordem e da Eucaristia, os três  sacramentos construtores Igreja  e da vida divina na dimensão de comunidade.

                  Esta nova pastoral, alicerçada na reflexão bíblica, patrística e do magistério, dinamizaria a vida da Igreja do Ocidente como um todo e, ao mesmo tempo, devolveria ao presbítero casado aquela condição que aparece nas cartas pastorais do Novo Testamento e que, por força do status quo vigente se encontram ofuscadas  e ignoradas.

 

           7- O descompasso entre muitos bispos e padres casados não edifica nem a  comunidade e nem ao padre casado. Dificulta o ecumenismo porque as igrejas que possuem ministros casados não entendem a dupla atitude entre a Igreja Católica do Oriente e do Ocidente; cria dúvidas entre católicos fervorosos,  escandalizando aos não crentes.

                Paulo VI (08/1968) falando em Medellín, ensinou: “Se um bispo dedica todo o seu zelo e serviço em favor dos presbíteros já realizou bem seu ministério episcopal”.

 

           8- Como testemunhar que somos luz do mundo, se nossa casa está no escuro. O padre, de acordo com o magistério, é membro da fraternidade presbiteral e cooperador da ordem episcopal não pelo celibato, mas pela imposição das mãos que, em fidelidade e continuidade apostólica lhe conferiram a sagrada ordem dos presbíteros.

              O padre casado leva uma história de amor e serviço à igreja local e mesmo que esteja no ostracismo porque está casado, goza de respeito e admiração, carinho e gratidão das comunidades e da sociedade onde está inserido e testemunha sua fé e empenho pela causa do Reino de Deus.

 

           9- Muitos padres casados são convidados, nas comunidades onde estão inseridos, a exercer ministérios próprios dos leigos, tais como distribuição da Eucaristia, comentarista, recolher a esmola, etc..Esta cordial atribuição da comunidade, que desconhece a posição da Igreja institucional, não é condizente com os carismas que ele recebeu na ordenação para o ministério específico de presbítero e, não perdeu as habilidades e conhecimentos que adquiriu na sua formação superior. Ele é e sempre será um presbítero (até que o magistério diga o contrário) e os carismas que recebeu gratuitamente do Espírito Santo pela imposição das mãos do bispo e seu colégio de presbíteros, nunca lhe serão tirados, porque Deus não retira o que deu, a não ser que aquele que os recebeu os rejeite ou alguém coloque empecilhos.

              10- O padre casado, neste mundo do conhecimento e da técnica, do mercado globalizado e da comunicação, poderia exercer seu ministério a partir de uma renovação dos ministérios, especialmente em termos de uma nova evangelização.

               Muitos presbíteros casados moram em núcleos, conjuntos habitacionais,  vilas, bairros, prédios gigantes, etc. onde a Igreja católica ainda não se fez presente. Aqui, o  ministério da palavra e da Eucaristia de um presbítero casado poderia fazer florescer  o Reino de Deus.

 

           11- O ministério renovado como exigência de uma nova evangelização para uma sociedade enriquecida por melhores conhecimentos científicos, tecnológicos e inserida num processo de globalização crescente, oferece a possibilidade de apresentar o padre casado como uma nova riqueza para a Igreja ocidental, uma nova explicitação de uma renovada teologia da família, uma superação da mal fundada tese de que presbiterato e matrimônio são incompatíveis. O ministério dos presbíteros casados é uma nova forma de viver os valores familiares inspirados no sacramento do matrimônio, ministério presbiteral e Eucaristia.

 

           12 Não foi pela lei, mas por uma opção livre que o celibato se fez extraordinariamente fecundo na vida de muitos padres. Para outros, a lei foi um peso dramaticamente suportado, causa de muita infelicidade e frustrações. Para um sem-número deles, o "estado de celibato" garantiu-lhes a condição de uma liberdade sem fim. Daí que, na opinião de alguns historiadores, o celibato tenha provocado mais danos morais que qualquer outra instituição do Ocidente, incluída a prostituição.

Entretanto, é impressionante a coerência com que, de forma autoritária, foi conduzido na Igreja o discurso em defesa do celibato clerical. É que a coerência é confortável, a verdade é quase sempre incômoda.

               Vale a pena lembrar aqui a carta que o patriarca melquita Máximos IV dirigiu a Paulo VI, durante o Concílio Vaticano II: "Este problema (do celibato obrigatório) existe e torna-se cada dia mais difícil.. Exige uma solução. Não adiante fechar os olhos diante dele ou fazer dele um tabu. Vossa Santidade sabe muito bem que as verdades que se procura esconder, se transformam em veneno".

 

           13- Não se edifica nenhuma comunidade cristã se ela não tiver por raiz e centro o Evangelho e a celebração da Eucaristia (PO 6). No entanto, há muitas comunidades de cristãos que não possuem a Eucaristia, mas muitas vezes até possuem um presbítero  que está obrigado ao silêncio e à inação pela razão de ser casado.

 

           14- A verdade nos fará  livres, afirmou Jesus (Jo 8,32). Mas para conhecer a verdade precisamos de humildade para abrirmos à luz do Espírito de Deus que nos vem através da sua Palavra, da oração, da abertura sincera, corajosa e responsável aos “sinais dos tempos” (GS 11; DH 2).

 

             Estes simples subsídios para um diálogo com o Episcopado e o Santo Padre Bento XVI, só têm a pretensão de convidar a uma conversa fraterna onde o centro será Deus Pai, que no Filho confiou à Igreja a missão de fazer de todos os homens seus filhos no Espírito. Anima-nos, tão somente, anunciar Jesus Cristo luz dos povos, luz que se reflete no rosto dos seus discípulos (LG 1).

 

 Guarapuava – Paraná – Brasil - Junho, 10 de 2005 

 

Diretoria do Movimento dos Padres Casados do Brasil

Armando_holyszewski@yahoo.com.br

gcalderon@brturbo.com.br

joareza@brturbo.com.br