Querido Miro,

 

    As suas perguntas fazem refletir e você já recebeu respostas. A estas gostaria de acrescentar a minha . Não sou autorizado a responder em nome do MPC.

    Somos um movimento e creio que ninguém possa ser excluído .

    Quanto à segunda pergunta ,creio, que quanto mais dialogo melhor.

    Quanto à terceira pergunta, na verdade o MPC, me parece não ter recursos nenhum e muito mal consegue manter o jornal RUMOS.

    Convites e pagamentos de viagens, creio, que sejam de iniciativa particulares.

    Você tocou num assunto fundamental que é da partilha. Sem esta não há cristianismo.

    Nós vivemos e estamos mergulhados num mundo capitalista onde prevalece a lei do mercado e da iniciativa particular.

    Isso não tira o valor da partilha evangélica, mas também não podemos fechar os olhos à realidade e esconder nossa cabeça na areia.

    O MPC é um movimento, não é uma instituição.

Tudo fica mais ou menos deixado à iniciativa de cada qual.

    O grupo  estabeleceu como ponto fundamental a ajuda recíproca seja material que moral.

    Isso tem acontecido e muito, seja na oferta da hospedagem como também em vários outros tipos de ajuda.

    É evidente que as necessidades nem sempre são conhecidas e nem se pode chegar a todos.

    Pessoalmente vivo o conflito que vem da obrigação da partilha. Nesta linha tento fazer alguma coisa. Poderia fazer mais.

    Todos nós sempre nos deparamos com alguém que está em mais dificuldades econômicas do que a gente.

    As vezes uma pessoa tem apenas uma bicicleta e encontra um irmão que não possui nada.

    Que fazer?

    Vender a bicicleta e oferecer o dinheiro para o mais necessitado? Isso resolveria ou criaria mais um problema para si, sem depois poder trabalhar com a bicicleta! Outro problema vem do comodismo das pessoas, que quando ajudadas, muitas vezes, se acomodam.

    O capitalismo tem os seus graves pecados, mas também que seria do mundo hoje se não tivesse acontecido a revolução industrial e a vinda do capitalismo?

    O cristianismo exige heroísmo, sim, mas também racionalidade.

    Conciliar as duas coisas nem sempre é fácil. Exigir isso de um movimento, de uma instituição ou de um grupo ou até dentro de uma família é um tanto difícil, mas o sonho e a pregação dele é válido.

    Como todos os grupos somos diferentes, aceitar as diferenças é o nosso desafio.

    Querido Miro, obrigado pelo questionamento que nos faz refletir e com certeza apontando necessidades para o Movimento, creio, que encontrarás sempre alguma resposta, na medida das possibilidades, pelo menos deverás encontrar sempre um ombro amigo e um coração fraternal aberto.

 

Abraços. 

Mario Palumbo