Nesta sessão Vitório, Mario, Paulo Jorge, Francisco Resende e Felix se manifestam a respeito do próximo encontro. Leia até o final
CARÍSSIMO FRATELLO MARIO PALUMBRO:
Louvados sejam Jesus Cristo e Nossa Bendita Mãe Maria SStma.
Nem preciso enfatizar que ao caríssimo fratello, também, se faz presente o INESQUECÍVEL, apesar do meu longo silêncio, que não ausenta Você, Margarida e Filhos, do nosso convívio diário, unidos a cada momento, com a força do MARANATA, haurida na meditação de todos os dias.
Na verdade, a nossa amizade entrelaça-nos, não somente na razão direta do nosso afeto, mas, sobretudo, na vivência do REINO de cujo império somos partícipes e por ele consagramos nossas vidas.
Aliás, no meu degredo físico, acompanho suas jornadas através do nosso site ORAETLABORA, sempre rico de notícias e de idéias, nas matérias que diariamente publica, em que Você sempre se manifesta, ao ensejo da importância de cada uma, que digam respeito ao interesse de nossa classe desclassificada de PADRES CASADOS, apesar do grande número dos que esperam pela VIRADA, que será proposta no nosso próximo ENCONTRO de Recife.
Quanto a esse ENCONTRO, eu e MAMMA resolvemos participar. Já passei um email ao FELIX, dizendo-lhe que vamos atraídos, não somente pela importância do evento para nossa classe, mas, sobretudo, pela simpatia dele com que nos cativou desde Luziânia e pela identidade de vida e ação que comungamos e por que tanto nos edifica, cujo conhecimento recebemos pelas matérias que ele assina e publica no nosso citado jornal.
Tenho a dizer-lhe que outro motivo da nossa ida a Recife, sendo na mesma identidade pessoal e mística, como a de FELIX, também e sobretudo, porém, em gradação maior, é a sua presença com Margarida e a sua participação, que há de ser febril, no ENCONTRO, com o cabedal de méritos que o distingue no nosso meio fraterno. Na verdade, nenhum dos nossos pode deixar de reconhecer seu trabalho e valor na mantença do SITE, que se tornou o bastião do advento do REINO na publicação e na defesa das idéias, de feitos e dos nomes de adeptos que o fundamentam e lhe dão vida, do que Você é o nosso maior exemplo.
Desde já, declaro que vou a Recife, levando os achaques dos meus 73 anos, agravados com o mal de parkinson que me acomete, mas, certo de participar de um "OTIUM SANCTUM", que me propiciará um "NEGOTIUM JUSTUM", usando a expressão de meu Pai Sto. Agostinho, para o meu melhor proveito, haurido na participação de todos, embora já esteja no limiar da vida.
Mas, o que me leva a passar-lhe este email é a saudade com que guardo a lembrança e as emoções dos dias em que me Você e Margarida nos deram a hora de hospedar-nos em seu lar, com a riqueza do passadio que nos proporcionaram, do que nunca eu e MAMMA nos esqueceremos. Também da participação diária na meditação matinal, como no sábado em que concelebramos solenemente com a presença de vários colegas padres e de um grande número de convidados.
Aliás, tenho conhecimento de que, agora, a meditação está programada em curso que Você instituiu na grande casa da esquina, com participação de alunos, em grande número, divididos em outros imóveis, aproveitando o grandioso prédio, já quase concluído, da Adoção à Distância, outro trabalho de relevante mérito social da sua iniciativa, no Brasil, como uma de suas realizações, com outras, que ainda espero conhecer pessoalmente.
Bem, vou ficando por aqui que já tomei o seu tempo, embora nossa saudade permanece na profusão dos sentimentos da amizade, da admiração e da gratidão que lhes professamos para com Você, Margarida e Filhos, com o vínculo do nosso profundo afeto fraterno, com que em meu nome e da MAMMA, me subscrevo, cordialmente,
“EX CORDE, IN XPTO”,
VITÓRIO HENRIQUE CESTARO,
Padre Casado e Advogado.
Resposta de Mario Palumbo
CARISSIMO VITÓRIO,
Agradeço seus elogios a respeito do ORAETLABORA e sobretudo a sua bondade para com minha pessoa e família. Nada fizemos e nada somos. Só Cristo é o nosso universo e nos mantém unidos no seu Corpo.
Fico feliz em saber que nos encontraremos no Recife, junto com a Mamma! Só o fato de estarmos juntos tem um valor imenso e sabendo ouvir, o Espírito falará. Como no cenáculo todos teremos que ouvir e teremos os mesmos direito de falar, pois o Espírito pode-se manifestar através do mais humilde como através de um jumento!
Este encontro, pelos sinais claros dos tempos, está sendo chamado o ENCONTRO DA VIRADA. Deus queira e seja Ele o autor deste nosso acordar.
Acredito que isso pode acontecer se nos prepararmos e queiramos o despertar.
Até agora, como grupo, parecemos mais como os apóstolos após ascensão a olhar a nuvem escondendo o Mestre, aguardando que algum anjo nos sacode.
Somos um movimento plural, mas temos uma unidade inscindivel no Cristo e podemos e devemos ser um na diversidade.
A virada, só poderá acontecer, se como indivíduos e como grupo, dermos mais valor à nossa identidade com Cristo do que às nossas diversidades. Ser padre ou não, rezar ou não rezar a missa, também pode ser acidental. Até nossa identidade de padre é relativa, quando a confundimos naquilo que não é o essencial dele.
Individualmente a virada, digo isso para mim, deve consistir em ter os mesmos sentimentos do Cristo de humildade. Sendo Deus se tornou servo e sendo mestre se ajoelhou frente aos discípulos e se ofereceu, por nosso amor até a morte de cruz. Sem isso de nada adianta falar em ordenação, caráter, sucessão apostólica, rituais e até em missas!
Muitas vezes, por excesso de prescrições canônicas, rituais, necessidades pastorais, manutenções e edificações de templos, escolas, constantes estudos de filosofias, teologias o padres torna-se mais um profissional da religião ou da instituição do que uma pessoa com profunda ligação a Cristo. Poucos são os padres com profunda espiritualidade e quando são “bons” padres, passam a maior parte do dia em trabalhos pastorais, freqüentam várias faculdades, são bons oradores e professores, mas não dedicam quase tempo nenhum a si mesmo e ao encontro pessoal com Deus. Repetem gestos e orações mecanicamente e quase sempre tornam-se donos e não servos do rebanho. Tem tempo para tudo: jornais, viagens, amigos e nunca encontram tempo para a oração pessoal ou a leitura divina. Mais que homens de Deus são funcionários da instituição. Deste meio nós saímos. Se queremos atuar como padres, se verdadeiramente queremos a virada, ela deve acontecer em nós. E, agora, depois da experiência enriquecedora da vida familiar, livres da tentação do status e bem-estar clerical, livres dos aplausos dos beatos, podemos realmente ser, no meio do povo, a presença de Cristo.
O Mpc é um movimento plural, olhando para o essencial, creio que não podemos filosofar muito, mas nos ater aos objetivos iniciais de ajuda recíproca em todos os sentidos, só assim podemos ser cristãos.
O Movimento deveria ajudar a pensar e a agir.
Há colegas que pela circunstâncias e pelo impulso divino continuam exercendo um ministério sacramental, devem ser ajudados e se o grupo deles achar que deva ter um bispo que se procure logo de preferência dentro da ortodoxia. Isso poderia abrir caminhos para mudanças, como no caso Lefevre.
Pessoalmente não vejo necessidade, mas se este grupo achar necessário o MPC deve ajudar.
Outros não sendo solicitados pelos fieis a celebrar e também tendo, talvez, uma visão mais presbiteral, menos levítica-ritualística do sacerdócio, como coordenadores e incentivadores dos irmãos, o movimento também deverá poder ajudar.
Outros se dedicam aos estudos, outros às obras de caridade, ao ensino, enfim fazer a unidade na multiplicidade com a caridade. Há colegas que não pensam mais em exercer nada, mas atuam com honestidade em suas profissões e trabalho e dão exemplos edificantes de amor ao próximo, estes não exercem por acaso o sacerdócio de Cristo, como Charles De Foucold, mesmo não pregando nos altares?
Vitório envio estas poucas linhas para que possamos juntos refletir e ir ao Encontro com alguma proposta concreta
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From: Paulo Jorge LúcioTo: Mario PalumboSent: Wednesday, September 19, 2007 12:16 PMSubject: Re: Vitório escreve - Mario responde
Caríssimo irmão e amigo Mário:A paz de Cristo para você e sua querida família!Seu diálogo com o amigo Vitorio é muito denso e de profundo significado para o MPC. Permita-me dizer com sinceridade que aprendi a adimirá-lo por diversas razões, uma delas é porque vejo em você um homem de profundas convicções, que sabe o que pensa e o que quer, mas, sobretudo, sabe respeitar os outros. Sua resposta ao Vitorio condensa tudo aquilo que se pode esperar do próximo encontro de Recife, ou seja, de que é preciso que se respeite os dons e carismas de cada um. Buscar, sim, a unidade em Cristo, e no exemplo de humildade e de serviço dele, na diversidade dos dons de cada um. Não irei ao encontro de Recife, mas já estou rezando desde muito para que muito mais que um encontro de padres casados este seja um encontro de cada um e do grupo com o Espírito Santo. Qual a resposta que o MPC pode dar ao mundo? Qual o testemunho que cada um de nós deve dar de que acreditamos e somos seguidores de Jesus ressuscitado? O que o mundo espera de nós enquanto cristãos e padres casados? Numa palavra: o que estamos fazendo ou o que podemos fazer? Cada um tem uma resposta, mas é importante que o movimento, enquanto representação de toda a classe (por isto se chama MPC) tenha a sua postura e sua identidade perante o mundo. Existem milhares de estradas, mas um só é o Caminho. Pessoalmente penso que nessas milhares de estradas não podemos perder nossa identidade de padres. Padres casados, com famílias, mas sempre padres. É óbvio que isto não significa cair no ritualismo de uma sacramentalização exacerbada e sem sentido. Mas, por outro lado, não podemos estar fechados às próprias necessidades do nosso tempo e de nossas comunidades, que precisam do nosso trabalho específico de padres, e, dentro do contexto das mudanças e evoluções da vida, sabermos interpretar os sinais dos tempos, muitos dos quais não poderiam ser mais claros. Posso citar por exemplo a estatística da própria CNBB que mostra que 77% das celebrações dominicais nas comunidades do Brasil são feitas por leigos, por absoluta falta de padres. Ora, é óbvio que, dentro de uma perspectiva de serviço, celebrar a eucaristia numa dessas comunidades carentes do ministério sacerdotal, não é ritualismo nem saudade das cebolas do Egito, mas na verdade é a prestação de um serviço. Quem poderá dizer que não? Não gosto de me colocar como exemplo de nada nem dizer que todos devem fazer o que eu faço. Absolutamente. Cada um segue seu caminho fazendo aquilo que Deus lhe inspirar. Mas você sabe que há quase vinte anos tenho uma comunidade aqui em Vitória, como se fosse uma pequena paróquia. Nela eu prego o evangelho e celebro os sacramentos, inclusive ou principalmente a eucaristia. Agora mesmo, enquanto lhe escrevo estas linhas, recebi um telefonema de um rapaz chamando-me para ungir sua esposa no hospital. Portanto, para esta comunidade sou o padre deles, padre em toda a acepção da palavra. Mas você, meu amigo Mário, sabe também que não fui eu quem se impôs como padre de cima para baixo. Comecei atuando numa comunidade sem padre varrendo o salão onde a comunidade se reunia aos domingos, lavando os banheiros e arrumando e tirando o pó das cadeiras nas celebraçaões presididas pelos leigos. Fiz isto por mais de cinco anos, até que a própria comunidade me convidou para presidir a eucaristia e os demais sacramentos. Entendi isto como um sinal de Deus e um chamado para que, servindo a esta comunidade, eu pudesse viver minha vocação. Não vejo o que há de errado nisto. Acho que errado é quem não faz nada e critica os que fazem. Tenho certeza de que existem muitos colegas como eu espalhados por este imenso Brasil. Urge que o MPC, enquanto Movimento de Padres Casados, tenha sensibilidade para abrigar em seu seio todos aqueles que ainda se sentem chamados a esse serviço. O MPC não pode ser movimento só de teólogos, filósofos, sociólogos etc e tal. É preciso que dentro do MPC haja espaço também para os que ainda sem sentem chamados a continuar padres. Como não podemos contar com os bispos oficiais da Igreja, precisamos criar condições de termos nosso (s) próprio (s) bispo (s). Por isso não podemos descartar a possibilidade de fazer o que o Lefèbvre fez. Se hoje a missa em latim e o rito tridentido foram reabilitados pelo papa, isto se deve exclusivamente ao tirocínio e tenacidade de Dom Lefèbvre, que viu no enfrentamento a Roma a única saída para seu movimento tradicionalista. Hoje são reconhecidos e estão na plena comunhão com a Igreja. Guardadas as devidas proporções, os tradicionalistas deveriam servir de exemplo para os padres casados.Não irei a Recife, mas rezo desde já para que este seja o encontro do Espírito Santo.Um abraço do amigo