de: João Tavares
para: Mario Palumbo

 

Rumo a Trento e a uma Igreja encastelada na sua auto-contemplação


Gente boa,

Eu já vinha ouvindo esse zum-zum há alguns meses, mas pensei
que fosse brincadeira.
Para mim e para os padres de até 60 anos que estudamos entre
5 e 8 anos de Latim e que, se fosse preciso, seríamos até capazes
de escrever e falar Latim, não haveria grande problema. Afinal,
estudamos Filosofia e Teologia em livros ecritos em Latim, e
rezamos largos anos o Breviário em Latim, entendendo bem o
que rezávamos.

Mas estou aqui a pensar nos mais de dois terços de Padres do
mundo inteiro que não estudaram Latim ou, ao máximo, se tanto,
estudaram um ano ou dois, o que significa praticamente NADA.
Pior ainda, estou a pensar porque temos de rezar, de falar com
Deus em Latim... Será que Ele não entende todas as línguas?

Para onde vais ou para onde te estão levando, Bento XVI?
Para onde e por que caminhos estás conduzindo o Povo de Deus?
Será que resolveste de vez, eliminar o Concílio Vaticano II e voltar
para o Concílio de Trento e para o furor anti-modernista de Pio X
que, em vez de dialogar com o século XX que nascia, se divertia a
fazer Decretos de Condenação de tudo o que era moderno?

João Tavares


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CONFERÊNCIA GERAL DO EPISCOPADO
LATINO-AMERICANO E DO CARIBE
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Intervenção sobre a Ecclesia Dei - Card. Darío Castrillón Hoyos - 16 de maio de 2007
Card. Darío Castrillón Hoyos,
Presidente Ecclesia Dei

Queridos e venerados irmãos:

Permito-me apresentar um breve relatório sobre a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei e sobre o estado da realidade pastoral que o Santo Padre colocou sob sua competência.

Esta Comissão foi instituída pelo Servo de Deus João Paulo II em 1988, quando um grupo notável de sacerdotes, religiosos e fiéis que tinham manifestado sua disconformidade com a reforma litúrgica conciliar e se congregaram sob a liderança do Arcebispo francês Marcel Lefebvre, separaram-se deste porque não estiveram de acordo com a ação cismática da ordenação de Bispos sem o devido mandato pontifício. Eles, então, preferiram manter a plena união com a Igreja. O Santo Padre, mediante o Motu Proprio Ecclesia Dei Adflicta, confiou a esta Comissão o cuidado pastoral destes fiéis tradicionalistas.



Hoje a atividade da Comissão não se limita ao serviço daqueles fiéis que em tal oportunidade quiseram manter-se em plena comunhão com a Igreja, nem aos esforços encaminhados a pôr fim à dolorosa situação cismática e a obter a volta destes irmãos da fraternidade São Pio X à plena comunhão. Por vontade do Santo Padre, este Dicastério estende, além disso, seu serviço a satisfazer as justas aspirações de quantos por uma sensibilidade particular, sem ter tido vínculos com os dois grupos citados, desejam manter viva a liturgia latina anterior na celebração da Eucaristia e dos outros sacramentos.

Sem dúvida alguma, o empenho mais importante, que cabe a toda a Igreja, é a busca de pôr fim à ação cismática e reconstruir, sem ambigüidades a plena comunhão. O Santo Padre, que foi durante alguns anos membro desta Comissão, quer que ela se converta em um organismo da Santa Sé com a finalidade própria e distinta de conservar e manter o valor da liturgia latina tradicional. Mas se deve afirmar com toda claridade que não se trata de um voltar para atrás, de uma volta aos tempos anteriores à reforma de 1970. Trata-se pelo contrário de uma oferta generosa do Vigário de Cristo que, como expressão de sua vontade pastoral, quer pôr a disposição da Igreja todos os tesouros da liturgia latina que durante séculos nutriu a vida espiritual de tantas gerações de fiéis católicos. O Santo Padre quer conservar os imensos tesouros espirituais, culturais e estéticos ligados à liturgia antiga. A recuperação desta riqueza se une à não menos preciosa da liturgia atual da Igreja.

Por estas razões o Santo Padre tem a intenção de estender a toda a Igreja latina a possibilidade de celebrar a Santa Missa e os Sacramentos segundo os livros litúrgicos promulgados pelo Beato João XXIII em 1962. Por esta liturgia, que nunca foi abolida, e que , como dissemos, é considerada um tesouro, existe hoje um novo e renovado interesse e, também por esta razão o Santo Padre pensa que chegou o tempo de facilitar, como o quis a primeira Comissão Cardinalícias em 1986, o acesso a esta liturgia fazendo dela uma forma extraordinária do único rito Romano.

Há algumas boas experiências de comunidades de vida religiosa ou apostólica erigidas pela Santa Sé recentemente que celebram em paz e serenidade esta liturgia. Em torno delas se congregam assembléias de fiéis que freqüentam estas celebrações com alegria e gratidão. As criações mais recentes som o Instituto de São Felipe Neri em Berlim, que funciona como um Oratório e se fez presente também, com boa acolhida, na Diocese do Tréveris; o Instituto do Bom Pastor de Bordéus que reune sacerdotes, seminaristas e fiéis, alguns saídos da Fraternidade São Pio X. Estão muito adiantados os trâmites para o reconhecimento de uma comunidade comtemplativa, o Oásis de Jesus Sacerdote, de Barcelona.

Na América Latina, como sabemos muito bem, devemos agradecer ao Senhor pela volta de toda uma Diocese, a de Campos, antes lefevriana que agora, depois de cinco anos, apresenta frutos bons. Foi uma volta pacífica e os fiéis que se inscriveram na Administração Apostólica, estão contentes de poder viver em paz em suas comunidades paroquiais; mais ainda, em efeito algumas dioceses brasileiras fizeram contatos com a Administração Apostólica de Campos que colocou ao seu dispor sacerdotes para a atenção pastoral dos fiéis tradicionalistas em suas igrejas locais. O projeto do Santo Padre foi já parcialmente provado em Campos onde a coabitação pacífica das duas formas do único rito romano na Igreja é uma bela realidade. Temos a esperança de que tal modelo produza bons frutos, também em outros lugares da Igreja onde vivem juntos fiéis católicos com sensibilidades litúrgicas diversas. E esperamos, além disso, que tal modo de viver juntos atraia também àqueles tradicionalistas que ainda estão longe.

Os membros atuais da Comissão são os Sres. Cardeais Julián Herranz, Jean-Pierre Ricard, William Joseph Levada, Antonio Cañizares, e Franc Rodé. São consultores os Subsecretários de alguns Dicastérios.

Até agora estiveram sob a Ecclesia Dei várias comunidades dispersas pelo mundo. 300 sacerdotes, 79 religiosos, 300 religiosas, 200 seminaristas e várias centenas de milhares de fiéis. Curiosamente aumenta o interesse dos jovens na França, Estados Unidos, Brasil, Itália, Escandinávia, Austrália e China. No momento do retorno, de Campos voltaram 50 sacerdotes, uns cinqüenta seminaristas, 100 religiosas e 25.000 fiéis.

Hoje o grupo dos lefevrianos consta de 4 Bispos que foram ordenados ppor Dom Lefebvre, de 500 sacerdotes e 600.000 fiéis. Ao grupo se uniram igualmente vários monastérios contemplativos e alguns grupos religiosos masculinos e femininos, têm paróquias (chamam-nos priorados), seminários e associações. Estão presentes em 26 países.

Peçamos ao Senhor que este projeto do Santo Padre possa realizar-se logo para a unidade da Igreja.