Padres
Casados do Brasil juntamente com suas famílias estiveram reunidos em
Salvador-BA de 11 a 15 de Janeiro 2006. O encontro dos amigos é sempre uma
delícia. “Ecce quam bonum... Eis como é bom estarem juntos aos irmãos!” diz o
Salmo!
O estar juntos constitui a finalidade principal do encontro!
Condividir os dons com os irmãos, admirar a obra de Deus nos irmãos, aprender com as experiência deles é abastecer-se do entusiasmo para a caminhada no deserto. Sim, no deserto, pois a instituição preocupada com os islâmicos e judeus, o que é louvável, abandona os melhores filhos! Mas: “pater et mater derelinquerunt me, Dominus autem assumpsit me!” Enquanto isso, o Reino nos espera no deserto. O jovem padreco, recém ordenado, cheio de si, de poderes e muitas vezes, ansioso de “liberdades” e prazeres, encontra o templo lotado de gente que o aceita como a guru. Algumas vezes fala e faz besteiras e mesmo assim é aplaudido, pois é tido como detentor de poderes divinos ... enquanto o profeta que pisa na areia da solidão sob o sol escaldante, é visto como perigoso, mas encontra nos irmãos sua força. Isso tudo é providencial! É a história do povo de Deus, com seus levitas detentores do poder político e “divino” se repete literalmente.
A gente encontrou-se em Salvador:
“Fratrem vidisti, Dominum vidisti! Foi o importante de Salvador! E o irmão
ajudado pelo irmão pisa, com ele, na rocha!
Foi assim em Salvador, vista do Alto, e que pretendia menos teologias e mais comunicação dos dons de Deus! Os irmãos, mesmo com Cristo no meio deles, são humanos, cada qual com suas idéias que muitas vezes os dividem. Eles, porém, como os apóstolos, estão mais dispostos a morrer do que separar-se entre si e do Cristo-Cabeça e Corpo que é o Reino!
Salvador apresentou muita coisa bonitas: a missa em cores negros; a Lavagem do Bom Fim, a discussão inter-religiosa, com representantes de várias religiões,cujo ponto alto foi a Makota, mãe de santo do candomblé que com sua simplicidade, amor pela natureza impregnada do divino, sobretudo o querer abraçar com ternura a todos os seres humanos e viventes, me fez sonhar com esta negra na janela do quarto do Papa a falar, rezar e abençoar urbi et orbe a esta pobre, doente humanidade...
Depois a teologia feminista da teóloga Elizabet Paiva de Oliveira, as celebrações matinais, as orações que a Inês achou poucas, e o grande historiador e entusiasta colega Eduardo Hoornaert, com mais filologias e menos teologias....Aulas top que precisariam meses para aprofundamento e iluminadas pela fé!
Houve também um mal-entendido com
o brilhante e livre Aristides que apenas queria colocar uma questão prática,
visto que a multiplicação de igrejas católicas e apostólicas exercem constante
assedio procurando seduzir os padres casados que se encontram à deriva. Na
verdade foi apenas um convite vindo de uma destas novas igrejas, nem sempre
sérias. Este poderia ser um tema a ser abordado, pois nos diz respeito bem de
perto
e
o MPC poderia ter colocado em discussão e assumido uma posição ou não.
Pessoalmente e no site oraetlabora tenho feito apelos, as vezes fortes, mas sem
êxito. Queria ouvir mais a experiência do Gilberto, do Félix, do Guerreiro e
Irene que fazem um belíssimo e silencioso trabalho intelectual. Pouco ou nada se
falou do Rumos que foi carregado nas costas peloVirgulino e entusiasta esposa
Auxília. Afinal um árduo trabalho levado a frente pela turma de Brasília e
depois São Paulo. Quem se sentiria de fazer um trabalho destes e gratuitamente?
E que dizer dos que nós, pela pouca sensibilidade excluímos, por não saber
acolher? Queria ouvir, aprender e ser envolvido no trabalho de tantos outros e
conhecer os irmãos que vieram de longe. Dos ausentes: Francisco, Victório, Paulo
Lúcio, Sergio Bernardoni e tantos outros... Ouve uma tentativa, ouve boa vontade
de ouvir o silêncio dos ausentes, dos jovens. O discurso teológico tomou conta,
atropelou o encontro... Temos tempo. Recife está ai, mas o tempo perdido não se
recupera. temos que dizer ao mundo quem somos e que fazemos, podemos ser
especialistas no significado prático do Sacramento do Matrimonio... No
oraetlabora existem exemplos de trabalho de colegas, exemplos de profetas, de
Comunidade de base em Roma que há 40 anos vivem na transgressão, de gente que
trabalha à margem da Igreja, mas dentro do Reino, poucos colegas se ligam nisso
por medo da novidade da internet...
Pedi um tempo para isso, não foi possível, foi bom para deixar o ego quieto: “Bonum mihi quia humiliasti me....” No Domingo o choro comovedor do colega em estado de choc por não ter sido compreendido e por ter construído toda a vida dele em volta do cálice e do pão eucarístico e agora tudo é colocado em discussão: Maria teve 6 filhos, poderia ser mulher da vida, a consagração é coisa recente, não tem sacerdócio de Meldisedech, os apócrifos podem ter credibilidade tanto quanto... O Lúcio, o amigo de sempre, quer mais explicações e o outro colega, não quer ser incomodado na sua fé, pois com 78 anos, tem direito de continuar a crer como sempre acreditou!
É o eco do choro do Padre do deserto que grita em lágrimas que roubaram o deus dele...
Na radiosa tarde de segunda, dia
16 de Janeiro, o avião da Tam sobe ao azurro do céu que paquera com o azul
esverdeado do mar a lamber Salvador em toda seu fascínio feminino. Poucas nuvens
em constante bizarras mudanças do Artista divino completam aquele singular
cenário de paraíso. Saudade e mil pensamentos assaltam cérebro, coração e cada
célula. Uma profunda paz envolve e não quero sair daquela nuvem do não saber!
De onde vem esta paz, de onde vem a fé? Com certeza dos nove meses de gestação em que minha mãe quis me alimentar diariamente com o pão da Eucaristia... Depois os exemplos de dedicação aos pobres, a oração constante dela, a vida oferecida para o filho... O Mosteiro, a teologia com Garrigou Lagrange, Mons. Devroede, Vagagini, Deley, minha irmã freira, tantos amigos e conhecidos. O Cristo histórico que tem mais documentos e testemunhos do que Júlio César...
Sim, este homem só pode ser Deus por tudo que disse e tudo que fez e aos pouco muda o rumo da história pois tudo que é bom é dele. Ele vive! Ele é o Senhor!
Mas de onde vem a minha fé? Não, não da minha mãe, não do estudo teológico, nem da Bíblia, mas de onde vem? Não da racionalidade, nem do coração que tem razões que a razão desconhece? Não, não do sangue, nem da carne, mas de Deus! È dom gratuito! E o Verbo se faz carne, da minha carne, me habita, para que este carne e este sangue seja doado! “ O Altitude divitiarunm sapientiae...
Ó profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus! Como são incompreensíveis os seus juízos e insondáveis os seus caminhos!”
Obrigado a todos especialmente àqueles que e fizeram presentes espiritualmente. Obrigado ao simpático bispo brasileiro e a todos.